A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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quarta-feira, dezembro 22, 2010
DILMA PRESIDENTE/MINISTÉRIOS [In:] VOCÊ PRECISA DE UM HOMEM PRÁ CHAMAR ''DIRCEU'' ... *
Na indicação de Luiz Sérgio, vitória do PT do Rio e da ala de Dirceu
Autor(es): A gencia O globo: Catarina Alencastro e Alessandra Duarte |
O Globo - 22/12/2010 |
Patrimônio do ex-prefeito de Angra subiu de zero para R$1,6 milhão em quatro anos BRASÍLIA e RIO. Nomeado para o Ministério das Relações Institucionais, o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) é um dos fundadores do partido, mas só passou a chamar a atenção do PT nacional na época do mensalão. Ele desempenhou um papel importante na defesa do governo Lula no auge do escândalo - quando teria se aproximado de figuras como o deputado cassado José Dirceu, do mesmo Campo Majoritário a que Luiz Sérgio pertence - e como relator da CPI dos Cartões Corporativos, em 2008. Sua indicação veio da bancada fluminense do PT, que cobrava um posto significativo no gabinete de Dilma. Eleito para o quarto mandato de deputado federal, Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira, de 52 anos, foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra nos anos 1980, prefeito de Angra de 1993 a 1996 - sendo parte da primeira geração de prefeitos petistas no Rio -, e, na Câmara, foi líder do PT. A semelhança com Lula não fica só no passado sindicalista. O novo ministro pertence à mesma ala do presidente no partido, o Campo Majoritário. Também não tem diploma universitário, mas nas salas de aula foi além de Lula - que só chegou à 5ª série do ensino fundamental - e concluiu o ensino médio. Nascido em Angra e tendo começado a militar na Ação Católica Operária, Luiz Sérgio foi um dos que assinaram a Carta de São Bernardo em 80, marco de fundação do PT, e é o atual presidente do partido no Rio. Em 2006, disse à Justiça Eleitoral não ter nenhum bem a declarar. Já este ano, o deputado, eleito com 85.660 votos, declarou bens que somam R$1,6 milhão. Na campanha de 2010, o futuro ministro foi buscar parte dos doadores no setor onde iniciou a vida profissional, a indústria naval (ele começou como operário do estaleiro Verolme), além do setor de metalurgia e petróleo. Doaram para a campanha do deputado este ano empresas como o estaleiro Mauá (R$30 mil), a STX Brazil Offshore (R$40 mil) e a UTC Engenharia (R$200 mil). Tímido e calado, ele deve substituir Alexandre Padilha na pasta de Relações Institucionais depois de um lobby frustrado da coligação que reelegeu o governador Sérgio Cabral para que assumisse o Turismo. A pasta, que ganhará notoriedade nos próximos anos, com a realização da Copa do Mundo e Olimpíadas, ficou com Pedro Novais (PMDB-MA). Petistas dizem que a escolha foi bem recebida. - É um defensor intransigente das ações do governo. Sempre teve solidariedade ao partido - diz Alberto Cantalice, presidente do PT do Rio antes de Luiz Sérgio e membro do diretório nacional da sigla. - Luiz Sérgio sempre teve postura equilibrada e capacidade de diálogo - completa o deputado federal Jorge Bittar, secretário municipal de Habitação do Rio. - Mas missões como a de uma CPI têm grande visibilidade, e, no caso da CPI dos Cartões, isso ajudou na definição da estatura política que ele tem hoje. ---------- (*) Mesmo Que Seja Eu. Erasmo Carlos. Composição: Erasmo Carlos / Roberto Carlos "... Que no sonho se desespera Jamais vai poder livrar você da fera ... Filosofia é poesia é o que dizia a minha vó Antes mal acompanhada do que só Você precisa de um homem pra chamar de seu Mesmo que esse homem seja eu ..." === |
BRASIL [in:] DESINDUSTRIALIZAÇÃO: SIM OU NÃO ???
Bacha descarta desindustrialização e vê economia 'trabalhando no limite'
"A economia tem limites e o país está no limite", diz Bacha |
Autor(es): João Villaverde | Do Rio |
Valor Econômico - 22/12/2010 |
Para Edmar Bacha, formulador do Plano Real, ainda falta poupança para o Brasil crescer de forma mais consistente Aumentamos as importações não porque a indústria não tem capacidade instalada, mas porque a mão de obra está cara" Temos um problema com essa emergência da classe média, que todo mundo está achando uma maravilha" Em 1974, quando Edmar Bacha criou o termo "Belíndia" para designar o modelo econômico brasileiro - que unia a riqueza da Bélgica, um país pequeno, com a pobreza da Índia, um país continental - o Produto Interno Bruto (PIB) havia crescido 8,1%, mas a inflação dobrara, passando de 15,5% para 34,5% de 1973 a 1974. Era o fim do "milagre" produzido pela ditadura militar a partir de 1967, e início de um período que mesclaria crescimento acelerado com endividamento externo e inflação crescente. Vinte anos mais tarde, Bacha, doutor em economia por Yale (EUA) em 1968, integrava o grupo de economistas formado por Persio Arida, Gustavo Franco e André Lara Resende na formulação e implementação do Plano Real, que trouxe a inflação dos 2.477,1% registrados em 1993 para menos de dois dígitos a partir de 1996. Hoje, com a economia caminhando para repetir a alta de 8% registrada pelo PIB nos anos 1970, Bacha avalia que o Brasil está no limite. "O Brasil está mais complexo que nos anos 1970 e 90. Superamos os grandes problemas da ditadura, da hiperinflação e da perspectiva para um governo de esquerda. Não há mais um grande problema, mas uma série de questões para serem atacadas", avalia Bacha, para quem o país conta "com uma produtividade ainda fraca, o setor público ainda abocanha uma parcela muito grande do PIB e não entrega de volta no mesmo nível, o sistema político brasileiro é um horror, o sistema tributário é uma vergonha, e a Previdência, se não for reformada, vai quebrar o país em 2050". Na entrevista que deu no prédio projetado por Oscar Niemeyer, com jardins de Roberto Burle Marx ao fundo, onde funciona o Instituto de Estudos de Pesquisa Econômica Casa das Garças, Bacha, diretor do centro e até a semana que vem consultor sênior do Itaú BBA, fez um balanço dos oito anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, e avaliou os principais desafios de Dilma Rousseff. E foi contundente em dizer que não vê risco de desindustrialização no país, mesmo com os indicadores de produção industrial andando de lado desde abril. "Como podemos falar em desindustrialização quando estamos com pleno emprego?", pergunta, se referindo à demanda por mão de obra, que acaba por elevar os salários. A seguir os principais trechos de sua entrevista: Valor: Com o atual ritmo de crescimento do PIB, câmbio valorizado, inflação acima da meta do BC e financiamento externo elevado, como é possível se alterar esse modelo sem que se bata em um gargalo? Edmar Bacha: A economia tem limites, apesar do Antônio Delfim Netto achar que não existe produto potencial. Claramente estamos trabalhando nos limites. Como sair disso sem aumentar a poupança interna? Com produtividade. O que temos a oferecer para aumentar a produtividade? Os avanços tecnológicos não caem do céu, é preciso ir atrás deles e isso vai na contramão da tese de desindustrialização, afinal estamos importando mais tecnologia, justamente para ampliar a produtividade. Valor: O sr. então refuta a ideia de que o Brasil está se desindustrializando? Bacha: Estamos em pleno emprego, que desindustrialização é essa? A verdade é que por estar em pleno emprego e a mão de obra em escassez, e por estarmos nos especializando em serviços, comércio e construção civil, a indústria não consegue concorrer na disputa pelo trabalhador. Valor: Por isso os indicadores de produção industrial estão tão fracos desde abril? Bacha: No Brasil, nunca olhamos direito para a questão do emprego, mas sempre para a utilização da capacidade produtiva. Acho que é uma novidade o que está ocorrendo. Nunca tivemos uma taxa de desemprego tão baixa. A indústria se anima porque a demanda está mais alta e tenta contratar mais mão de obra, e aí o preço sobe. O próprio Valorfez uma matéria chamando atenção para os acordos salariais recordes neste ano. Isso representa aumento do custo da mão de obra e consequentemente reduz a rentabilidade da indústria. Então a indústria não tem por quê produzir mais. Não há pressão sobre a capacidade instalada, mas sobre mão de obra. E não é só na indústria, o pessoal de construção civil também. Não tem engenheiro e também não tem pedreiro. Valor: Essa dificuldade em produzir, então, facilita a entrada de importados? Bacha: Ao tentar produzir mais o salário sobe, e com isso diminui a rentabilidade, então ela não produz além de certo patamar. Aumentamos as importações não porque a indústria não tem condições de concorrência, mas porque ela está plenamente empregada. Valor: Onde isso pode chegar? Bacha: Essa falta de mão de obra pode extravasar para aumento da inflação ou um déficit não financiável nas transações correntes. Esse é que é o problema, não é a desindustrialização. Valor: Não estamos dependendo muito da demanda chinesa por commodities? Bacha: A ideia de que os preços estão em alta e podem cair e gerar um problema é exagerada. Se daqui a cinco anos a China parar de consumir, a Índia assume a demanda. Vivemos uma mudança estrutural profunda, semelhante a que ocorreu na passagem do século XIX para o XX, quando o país líder era consumidor de commodities, a Inglaterra, e passou a ser os Estados Unidos, um país produtor de commodities. Passamos, então, cem anos com os preços das commodities no chão, o que deu caminho para a industrialização. Agora está saindo dos EUA e indo para China e Índia, que, como a Inglaterra antigamente, demandam commodities. Valor: O Brasil, então, continuará sendo o país do futuro? Bacha: Não temos um terço da humanidade, como têm China e Índia. Mas temos diversos desafios vencidos, o que é ótimo, o que deixa o caminho aberto. Superamos a ideia de que o Brasil só crescia de maneira estável com ditadura, primeiro com a industrialização induzida por Vargas e depois com os militares. Superamos essa fase, podemos ser uma economia que não vai por saltos, mas cresce e com democracia. Depois a ideia de que a única maneira de crescer era com inflação. Eu me lembro do Celso Furtado dizendo que 17% de inflação é mais ou menos igual a zero nos países desenvolvidos. Superamos isso também. A terceira questão é a esquerda no Brasil, e essa é a importância do Lula. Valor: Como assim? Bacha: Até dezembro de 2001, quando o PT teve o manifesto de Olinda e ignorou o fim da Guerra Fria, ninguém poderia saber como seria um governo de esquerda. Aí vem o Lula e joga com todos os velhos vícios da política brasileira. Nós passamos por esse teste. Valor: O que falta, então? Bacha: Faltava demanda por recursos naturais, mas até isso superamos, com o surgimento da Ásia, com forte demanda pelos produtos que os latino-americanos têm à oferecer. Nossos problemas agora não têm a dramaticidade que tinham quando as questões eram hiperinflação, ditadura, a perspectiva de um governo de esquerda e a falta de demanda por nossas commodities. Isso é passado. Valor: O Brasil está mais complexo. Mas ainda não superou todos os problemas do passado, como a desigualdade de renda... Bacha: Concordo. Continuamos com um problema de distribuição de renda, que é coisa que precisa sempre ser priorizada. Mas não é só isso, temos outros problemas, antigos, que não foram resolvidos. Temos uma produtividade ainda fraca, o setor público ainda abocanha uma parcela muito grande do produto e não entrega no mesmo nível, o sistema político é um horror, o sistema tributário é uma vergonha e a Previdência, se não for reformada, vai quebrar o país em 2050. Uma quantidade enorme de problemas que precisam ser atacados, mas nós temos o know-how. Valor: Este é o momento para discutir essas questões? Bacha: Nas épocas eleitorais claramente não é. Quando você vê o nível do debate que tivemos em 2010 dá vontade de correr. Especialmente quando o principal debate se deu em torno do aborto. Temos um problema aí com essa emergência da classe média, que todo mundo está achando uma maravilha, mas ela não necessariamente tem uma face bonita, basta ver nos EUA com o Tea Party. Acho que está fora de cogitação pensar que essa classe média pode pensar em ditadura, mas estará ela disposta a discutir a fundo esses diferentes problemas? Em alguns temas já formamos consensos, como na questão dos tributos, que foi levantada depois das eleições, quando falaram sobre o financiamento da saúde. Valor: O sr. concorda com o retorno da CPMF? Bacha: É claro que não concordo. Acho absurdo pensar em criar mais um imposto quando o governo está arrecadando barbaridades. É preciso arrumar os gastos, não a arrecadação. Valor: O caso da Previdência é um exemplo? Bacha: Exatamente. Gastamos 11% do PIB com Previdência quando o normal seria 5%. Dentro da Previdência, o equivalente a 3,5 pontos percentuais são gastos com pensões, quando o normal seria 1% do PIB. Temos esses privilégios adquiridos que têm uma força enorme e representam uma parcela muito grande dos impostos. Valor: Mas programas como o Bolsa Família são baratos, não? Bacha: Sim, o Bolsa Família atinge 12 milhões de famílias e custa apenas 0,4% do PIB. O Loas, que atinge quantidade enorme de idosos, custa só 0,6% do PIB. Então, quando o governo fala em financiar os programas sociais, não pode estar se referindo a esses, que são muito baratos. O que ocorre é uma usurpação dos gastos sociais, dando a todo tipo de gasto o nome de social. Valor: Dê um exemplo, por favor. Bacha: Na educação, o grosso dos gastos públicos vai para universidades gratuitas. Não tem a mínima razão para as universidades serem gratuitas no Brasil. Valor: Nenhuma? Bacha: Não, nenhuma. Desde que se tenha uma política de bolsas, não precisamos ter universidades gratuitas. Valor: Então seria possível privatizar as universidades públicas? Bacha: Eu não gosto dessa palavra "privatizar", há mecanismos em que os beneficiários dos gastos públicos têm co-participação desde que tenham renda para tal, seja por bolsa, seja por empréstimos escolares. Os argumentos que estão por trás desses privilégios, tanto na Previdência quanto na educação superior, vêm da Constituição, que prevê que o ensino deve ser universal e gratuito. É gratuito, mas não pode ser universal e nem pode ser, e o dia que for o país arrebenta, porque não dá para atender todo mundo de graça. Essa é a dificuldade do PT para comandar o próximo passo. Valor: E esse passo seria qual? Bacha: O processo que vêm pela frente está baseado na eficiência do setor público e na equidade nos gastos, porque eles não gostam de falar em privatização. Valor: O país deixaria então de ser a "Belíndia"? Bacha: Se continuarmos no ritmo desses últimos dez anos, daqui a 15 anos estaremos perto dos Estados Unidos de hoje. O índice de Gini do Brasil passou de 0,65 para 0,56, mas o padrão americano é de 0,40, e o europeu é de 0,25, então ainda há muito a ser feito. Temos trilhado esse caminho, mas as coisas vão ficar mais difíceis. Os desafios que temos hoje na área social são mais caros e mais complexos. Uma coisa era resolver o problema da vacinação e da mortalidade infantil, algo razoavelmente simples, mas dar SUS para todos é muito mais complicado. Com educação, uma coisa era colocar todo mundo na escola, agora é preciso fazer as crianças aprender alguma coisa. Valor: E o Estado consegue dar conta de tudo? Bacha: Claro que não. Boa parte do desafio agora é encontrar formas de maior participação do setor privado nessa área social. E aí tem esse grande entrave do PT. A pior coisa do governo que termina foi ter demonizado a ideia de privatização. Nós não conseguimos resolver o problema dos aeroportos porque qualquer coisa que mexe com privatização é travado. Isso é terrível porque nessa nova fase o setor público não consegue dar conta, seja do ponto de vista administrativo, seja do lado financeiro. Talvez a Dilma nos surpreenda. Valor: Você acha que ela vai surpreender? Bacha: Não sei. Até agora o ministério é muito velho, não? Não vejo uma cara de estar preparado para uma nova fase, parece quatro anos do mesmo. Valor: A inflação deve fechar o ano em torno de 6%, acima da meta de 4,5% do Banco Central. Em 2002, quando a inflação dobrou, o sr. defendeu uma meta mais branda. O que acha hoje? Bacha: Naquela época tivemos um choque de oferta, não era a economia trabalhando a mil, como hoje. Com choque de oferta se justifica um tratamento mais brando na hora de trazer inflação para a meta. Não é que o BC não tenha de atacar a inflação, mas atacar de forma compatível com o problema. Em 2010 é outra história, é basicamente demanda. Tem um ciclo de alimentos, que ajudou por três meses a inflação e agora está incomodando. Valor: Isso quer dizer que a maior taxa de juros do mundo vai subir ainda mais? Bacha: Seria ótimo que o lado fiscal ajudasse, mas não acho que isso vai acontecer. Quem dera que o "neomanteguismo" me surpreenda com um ajuste fiscal forte, mas vai sobrar para o BC. O que é ruim, porque já temos a maior taxa de juros do mundo. Valor: Mas o PIB deve crescer fortemente nos próximos anos, não? Não só pelo carry-over de 2010, mas também pela perspectiva de pré-sal, Copa do Mundo, Olimpíada etc. Bacha: Não acho que o PIB vá crescer tudo isso que está sendo projetado pelo governo e pelo mercado. Valor: Por quê? Bacha: Porque não temos poupança para isso. Valor: Mas podemos continuar ampliando nosso déficit em transações correntes para sustentar o crescimento, não? Bacha: Podemos, claro, nessa hipótese o PIB crescerá mesmo, e imitaremos a Austrália, que cresce há muitos anos, mesmo com um endividamento externo elevado, de 5% a 7% do PIB. Mas se chegarmos nesse nível o mercado pode achar que somos mais Hungria que Austrália, e a confiança se esvai rapidamente. Valor: Como tornar o crescimento sustentável, como incentivar poupança? Bacha: É mais fácil ter um diagnóstico da poupança do setor público que do privado. O setor público já chegou a poupar 7% do PIB, hoje poupa 1,5%. Quando se controla o gasto corrente sobra mais para poupar e investir, não tem muito mistério nisso. A questão do setor privado é mais complexa. Pense na China. O problema deles não é como aumentar a poupança, mas diminuí-la. Sabe como? Valor: Como? Bacha: Dê a eles um sistema universal de saúde, educação e previdência. A poupança das famílias, das empresas e do Estado vai embora rapidinho. Precisamos pensar além da poupança, os EUA nunca pouparam muito. Precisamos pensar na inovação, essa foi a razão do sucesso dos americanos. Valor: O que deve fazer o Estado? Bacha: Precisa fazer coisas básicas, como ocupar o Morro do Alemão (RJ). Esse é um caso quase patético de como o Estado deve agir. É como quando acabamos com a inflação, havia todo um nundo novo à nossa frente. Valor: Que balanço o sr. faz do governo Lula? Bacha: Teve dois grandes méritos. O PT nasceu longe das bases comunistas e populistas, mais ligado à social-democracia, a um sindicalismo mais avançado, às bases da Igreja. O que vai ser quando chegar no poder? O discurso era péssimo, assustador. Mas chegou lá e demonstrou que é possível ter governo de esquerda no Brasil. Outra coisa é o pragmatismo do Lula. Começou a atacar a pobreza com o Fome Zero. Quando viu que o programa era ruim, foi para o Bolsa Família, que deu muito certo. Valor: E o que o sr. avalia mal? Bacha: Um dos erros nem foi propriamente do Lula, que foi o caso do mensalão, quando o governo resolveu fazer as reformas do começo de governo, reformas difíceis de fazer e de passar pelo Congresso e resolveram utilizar o método tradicional, mais fácil, de comprar os parlamentares. A partir daí [quando estouraram as denúncias], Lula resolveu desistir de passar reformas. Ter abandonado as reformas foi algo muito ruim. Outro problema foi a demonização da privatização. Como Lula ganhou em 2006 do Alckmin com essa plataforma, percebeu que esse ideário funciona, é eleitoralmente impotente. É uma coisa muito ruim isso, porque o Brasil não vai conseguir fazer a Copa do Mundo do jeito que os aeroportos estão. Quantas PPPs o governo fez? Não sei se a Dilma vai ter a capacidade de fazer as coisas de outra forma. |
''TERRA BRASILIS'' [In:] A FESTA DO VIAGRA
Futuro ministro pagou motel com verba parlamentar
Deputado que será ministro do Turismo pagou motel com dinheiro da Câmara |
Autor(es): Leandro Colon |
O Estado de S. Paulo - 22/12/2010 |
O futuro ministro do Turismo no governo de Dilma Rousseff, deputado Pedro Novais (PMDB-MA), pediu à Câmara a ressarcimento de R$ 2.156 gastos em um motel de São Luís, informa o repórter Leandro Colon. A nota foi apresentada na prestação de contas de junho da verba indenizatória - dinheiro que paga despesas relativas "ao exercício da atividade parlamentar". A suíte mais cara do motel tem garagem dupla e custa até R$ 392 (24 horas). Segundo a gerente do local, o deputado, de 80 anos, alugou um quarto para fazer uma festa. "Eram vários casais, várias pessoas. A gente cobra por casal. E tinha muita gente, a suíte era uma das mais caras. Tem piscina, banheira, sauna, tem tudo", disse a gerente. Novais, aliado do senador José Sarney (PMDB-AP) e indicado ao Turismo pelo comando do PMDB, vai chefiar um ministério envolvido no escândalo de desvios de verbas de emendas parlamentares.
Parlamentar do chamado "baixo clero" da Câmara - ou seja, com pequena influência política na Casa -, Pedro Novais, 80 anos, foi convidado por Dilma Rousseff no dia 7 de dezembro para o ministério após ser indicado pela cúpula do PMDB. Como deputado, ele recebe, além do salário, R$ 32 mil mensais a título de "verba indenizatória" para arcar com despesas do mandato. Um dinheiro limpo, livre de impostos. Para justificar parte das despesas dessa verba em junho, Novais entregou à Câmara a nota fiscal de número 7.058 do Hotel Pousada Caribe Ltda., razão social do Motel Caribe. O endereço do CNPJ registrado na Receita Federal e na nota fiscal apresentada pelo deputado é a Rua da União, 16, Turú, São Luís, onde funciona o motel. Os parlamentares são obrigados a prestar contas dos gastos com verbas indenizatórias. Festa. Em entrevista gravada pelo Estado, a gerente do Motel Caribe, que se identificou como Sheila, disse que o deputado Pedro Novais reservou uma suíte para uma festa naquela período. "Ele é um senhor. Já frequentou aqui, conhece o dono daqui e reservou para um jantar que estava dando para os amigos. Foi à noite", disse. "Eu lembro. Era festa com bastante gente, uma comemoração que eles estavam fazendo. Eram vários casais, várias pessoas. A gente cobra por casal. E tinha muita gente, a suíte era uma das mais caras. Tem piscina, banheira, sauna, tem tudo", afirmou a gerente. A reportagem ainda esteve no local e fez imagens da fachada e de um quarto do Motel Caribe. Na portaria, havia o anúncio de uma promoção de 20% de desconto, feijoada e almoço de graça. "Traga alguém para almoçar aqui", diz uma placa. No local, há quartos chamados "Bahamas", "Cozumel", "Aruba", "Cancún" e "Margarita", todos em homenagem a ilhas do Caribe. Logo na entrada uma placa anuncia "Bem-vindo às islas mais deliciosas do Caribe". "Esse motel é antigo. Nunca funcionou como hotel. É motel", disse a gerente. Os preços de permanência variam de R$ 27 (suíte Aruba) a R$ 392 (Bahamas). Patrimônio. Pedro Novais foi reeleito em outubro para seu sexto mandato na Casa. Na última eleição, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 6,3 milhões, dos quais R$ 3,3 milhões depositados em conta corrente em três bancos diferentes. Sua escolha pelo PMDB foi uma surpresa porque Novais não circula pelo primeiro escalão do partido. O nome dele foi sugerido pelo deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e respaldado pelo grupo de José Sarney no Maranhão. O escolhido de Dilma Rousseff para chefiar o Ministério do Turismo terá a missão de organizar uma pasta mergulhada em uma onda de denúncias de desvios de verba de emendas parlamentares destinada a shows e eventos culturais. O Estado publicou uma série de reportagens mostrando o repasse irregular de emendas para programas da pasta a entidades de fachada. O ministério ainda terá papel importante na organização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Luxo. Além da despesa de R$ 2,1 mil em um motel, Pedro Novais gastou R$ 22 mil em diárias no Hotel Emiliano, um dos mais luxuosos de São Paulo, desde setembro do ano passado. Ele apresentou R$ 5,1 mil em gastos nesse hotel só neste mês. Uma diária no Emiliano, segundo consulta feita ontem em seu site, custa, no mínimo, R$ 1 mil. Deputado pelo Maranhão, Pedro Novais vive no Rio de Janeiro. |
DILMA PRESIDENTE/MINISTÉRIOS [In;] OCASO DE UMA ESTRELA *
Ministério tem poucas estrelas e muitos interesses
Ausência de pesos pesados |
Autor(es): Denise Rothenburg e Leandro Kleber |
Correio Braziliense - 22/12/2010 |
Definição do ministério de Dilma confirma a carência de personalidades estelares e a resignação em acatar interesses partidários
Os nomes dos ministros foram anunciados ontem, com a permanência de Jorge Hage na Controladoria Geral da União. Dilma chegou a cogitar a nomeação de Cândido Vaccarezza (PT-SP), um peso pesado da política no Congresso, para Relações Institucionais. Mas, dada a importância da bancada do Rio de Janeiro na correlação de forças do parlamento, era preciso fazer um afago aos cariocas. Os deputados do Rio e o governador Sérgio Cabral, do PMDB, perderam a Saúde e ficaram apenas com a Cultura, para onde vai a cantora Ana de Hollanda, irmã de Chico Buarque e escolha pessoal da presidente eleita. Faltava, então, um gesto político de apreço à bancada, uma vez que a Autoridade Pública Olímpica (APO), outro cargo que o PT do Rio almeja, não terá status de ministério. A APO ficou fora da cesta para negociação partidária porque não se sabe quando a instituição estará pronta. A Assembleia Estadual do Rio já analisou o projeto, mas o prefeito Eduardo Paes (PMDB) nem sequer enviou a proposta à Câmara Municipal. Paes tem alegado que discorda da concepção da APO, porque avança sobre atribuições da prefeitura, como projetos urbanísticos e infraestrutura. Nesse sentido, Dilma achou melhor guardar a APO na gaveta, deixar Orlando Silva no Esporte e prestigiar o Rio com Relações Institucionais. Assim, nomeou Luiz Sérgio (leia perfil). Quem cuidou das sondagens foi Palocci. Antes mesmo do anúncio oficial, Luiz Sérgio já despontava no Twitter como ministro. O PSB, mais contido, preferiu aguardar a oficialização dos nomes de seus ministros para cumprimentá-los. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, já estava convidado desde ontem, mas Leônidas Cristino só recebeu a deferência formal ontem. O governador do Ceará, Cid Gomes, foi quem apresentou Leônidas à presidente eleita. Amigo de Ciro Gomes desde os tempos de escola, o prefeito de Sobral trabalhou na Transnordestina e, quando Ciro foi prefeito de Fortaleza, ocupou uma supersecretaria que cuidava de obras, comunicações e transportes. Com a oficialização desses ministros, faltam dois outros nomes para Dilma fechar o primeiro escalão e nove mulheres na equipe. Para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, estava “tudo encaminhado”, conforme comentou o futuro senador Wellington Dias (PT-PI), para a nomeação de Maria Lúcia Falcon. A Democracia Socialista (DS), no entanto, reivindicou o cargo. Ontem à noite, Dilma recebeu o deputado federal eleito Afonso Florence (PT-BA), da DS, que deve ser o novo ministro. O outro posto pendente é a Secretaria das Mulheres, para onde foi convidada Iriny Lopes (PT-ES). Colaborou Alana Rizzo
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(*) Título de filme.
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''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''
22 de dezembro de 2010
O Globo
Após três horas de reunião, fracassou a tentativa de acordo entre dirigentes das companhias aéreas e dos sindicatos dos trabalhadores do setor para evitar uma greve da categoria, que reivindica reajuste salarial. O desfecho torna iminente a paralisação nacional de pilotos, comissários e pessoal de solo amanhã, antevéspera do Natal. Nesse dia, estão programadas assembleias em varias capitais, e a categoria promete ao menos uma operação-padrão, o que deverá gerar atrasos em cascata nas principais rotas. Para evitar quebra-quebra nos aeroportos, caso a greve se confirme, o Ministério da Defesa enviou oficio aos governadores, solicitando reforço na segurança. No quarto dia seguido de atrasos, ontem o percentual de voos que saíram com mais de 30 minutos após o horário previsto chegou a 23,8%, ou seja, 528 partidas. Outros 150 voos foram cancelados. Na Europa, o inverno rigoroso, com fortes nevascas, afeta não só aeroportos, mas também estradas e ferrovias. Só no Reino Unido, as perdas podem atingir US$ 40 bilhões. (Págs. 1, 33 e 34)
Lula ‘inaugura’ teleférico três meses antes
Projeto vai garantir UPPs por 25 anos
Colunista lê e rebate o 'Blog do Planalto'
Luiz Sérgio será o quarto ministro do Rio
Elio Gaspari
Presidente insiste que PAC não terá cortes: 'Eu veto'
Crise põe fim à trégua na Argentina
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Folha de S. Paulo
Manchete: Para 83%, Dilma vai ser igual ou melhor que LulaPesquisa Datafolha feita em todo o país revela que, para 83% da população, a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), fará um governo igual ou melhor que o de Luiz Inácio Lula da Silva. Para 53%, a gestão dela será igual a dele. Segundo 30%, porém, ela se sairá melhor.
O futuro governo será ótimo ou bom para 73%. É a segunda expectativa mais otimista desde a redemocratização - perde para Lula, que tomou posse em 2003 com 76%. Fernando Henrique teve 70% no primeiro mandato e 41% no segundo. Fernando Collor, 71%.
Para quase um quinto dos entrevistados (18%), a saúde é a área em que Dilma deve se sair melhor. Já o pior desempenho da petista aparece na expectativa de combate à corrupção, quesito em que 20% consideram que sua atuação será ruim ou péssima. (Págs. 1 e A4)
Foto legenda: Caderno Especial – Brasil rumo a 2014
Elio Gaspari
Melchiades Filho
Saúde
Cineasta iraniano condenado critica atuação do Brasil
Golpistas sacam empréstimos da pensão de Lula
As 36 parcelas sairiam da pensão recebida por Lula como anistiado político - a primeira chegou a ser descontada antes de a Casa Civil notar a fraude. (Págs. 1 e A8)
Após ameaças, Kassab susta fiscalização em feira no Brás
O local é uma espécie de entreposto de produtos para sacoleiros de todo o país. A policia investiga se há relação entre a morte e a disputa por espaço na feira. (Págs. 1 e C5)
Boa notícia
Editoriais
Mercado
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O Estado de S. Paulo
Manchete: Ameaça de caos aéreo faz Dilma desistir de ministérioA presidente eleita, Dilma Rousseff, desistiu de criar o Ministério de Portos e Aeroportos. Ela recebeu informe do governo segundo o qual o País está na iminência de enfrentar uma crise aérea "brutal", inclusive com paralisação de serviços e companhias, o que desaconselha qualquer mudança estrutural no setor. A área continuará sob o comando do Ministério da Defesa, ocupada por Nelson Jobim, que ontem se reuniu com Dilma. Também ontem, aeronautas e aeroviários não chegaram a acordo com as companhias aéreas para evitar a greve anunciada para amanhã. O governo considera que as sindicalistas estão fazendo "terrorismo" às vésperas do fim de ano e ameaça acionar a Justiça. O procurador-geral do Trabalho, Otávio Brito Lopes, disse haver espaço para continuar a negociação até amanhã. Ele considera que não há mobilização suficiente dos trabalhadores para iniciar a greve. (Págs. 1, Nacional A7 e Cidades C1)
Tumulto na Europa
Futuro ministro pagou motel com verba parlamentar
Pedro Novais
Futuro Ministro do Turismo
“Pare de encher o saco"
(Em resposta ao repórter do Estado)
Congresso corta na área social para inflar turismo
País atrai capital recorde, mas déficit externo avança
Municípios de SP correm para combater dengue
Réu, Vilela vê ditadura como 'guerra justa' (Págs. 1 e Internacional Al7)
Vereadores são presos no Rio em ação contra milícia
Rolf Kuntz
A inflação ganhou impulso e, no próximo ano, o governo terá de contê-la e ao mesmo tempo cuidar das contas externas. (Págs. 1 e Economia B4)
Notas e Informações
Aumentar o poder de competição da economia será uma das principais tarefas do novo governo. (Págs. 1 e A3)
Caderno 2
'Foi pelo meu trabalho', diz a irmã de Chico sobre o convite de Dilma. (Págs. 1 e Caderno 2)
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------------------------------------------------Valor Econômico
Manchete: Um alerta sobre bolha no créditoSe a recomendação do Comitê for obedecida ao pé da letra. O Brasil terá de impor uma exigência extra de capital aos bancos equivalente a 2,5% dos ativos ponderados pelo risco. Hoje, o padrão internacional é de 8% e, no Brasil, de 11%, valores que estão sendo revistos. (Págs. 1 e C2)
Setor de imóveis bate meta do ano em novembro
Promotoria aciona empresas aéreas por danos ambientais
Estão na mira dos promotores 21 companhias que recusaram o acordo proposto na forma de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), entre elas American Airlines, Delta, Continental, United, Swiss, Lufthansa, KIM-Air France e Gol A reunião com a TAM Será dia 6. (Págs. 1 e A3)
Votorantim importa alumínio para suprir o mercado interno
"Estamos com nossa fabrica operando a plena capacidade", diz Marco Antonio Palmieri, diretor dos negócios de alumínio da empresa, que em outubro comprou a Metalex, produtora de tarugos de alumínio à base de metal reciclado. "Foi uma aquisição estratégica, que nos deu acesso a metal para suprir nossas linhas de produção, num mercado que está crescendo a taxas recordes e em que as fontes de metal primário estão se tornando escassas", explica o executivo. Além disso, a capacidade de produção dessa nova unidade está sendo ampliada em 30%, para 65 mil toneladas. (Págs. 1, B1 e B10)
Sentença por e-mail e oitiva via Skype
No município de Igrejinha, no Rio Grande do Sul, o juiz Vancarlo André Anacleto decidiu ouvir, por meio do Skype, um estudante que estava na Hungria, réu em uma ocorrência de trânsito. (Págs. 1 e E1)
Bacha descarta desindustrialização e vê economia 'trabalhando no limite' (Págs. 1 e A12)
Avanço da publicidade
Desaceleração confortável
Teles Pires afetará renovações
Eurofarma faz aquisição no Chile
'Joint'da Amyris constrói usina
Cerradinho investe em usina de GO
Ideias - Rômulo Paes
Ideias - Carlos Lessa
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