A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
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quinta-feira, julho 05, 2012
XÔ! ESTRESSE [In:] ''BOY GARANTIDO''
OVO DE SERPENTE
Em solenidade oficial, Maluf beija mão de Dilma
Josias de SouzaUM CACHO

CPI do Cachoeira aprova convocação de Cavendish e Pagot para depor
Camila CampanerutDo UOL, em Brasília
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Eduardo Knapp/Folhapress
Convocação do ex-presidente da Delta Fernando Cavendish foi aprovada pela CPI
Teatro dos políticos no caso Cachoeira

OLIGOPÓLIOS, TRUSTE E CARTEL
Cade aprova compra da Cimpor pela Camargo Corrêa
Autor(es): CÉLIA FROUFE , EDUARDO RODRIGUES |
O Estado de S. Paulo - 05/07/2012 |
Condição foi saída da Votorantim do capital da cimenteira; empresa trocou ações da Cimpor por ativos no exterior
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem a compra do controle da cimenteira portuguesa Cimpor pela Camargo Corrêa desde que a Votorantim saia do capital da companhia no Brasil. Dessa forma, o órgão antitruste rejeitou a participação da Votorantim na empresa no País.
Em 2010, Camargo Corrêa e Votorantim compraram uma fatia de 54% na Cimpor. As empresas fizeram uma reorganização societária no fim do mês passado que na prática excluirá a Votorantim dos ativos da Cimpor no Brasil. Para sair do capital da companhia, a Votorantim passará a controlar ativos da empresa em outros sete países. Desta forma, haverá uma separação entre as duas empresas como acionistas da mesma companhia, que era o principal alvo de preocupação do Cade.
O órgão antitruste aceitou a saída por completo da Votorantim dos ativos da Cimpor em território nacional. A Votorantim é líder na produção de cimentos no Brasil e, com a Cimpor, a Camargo Corrêa passa a ser a segunda do setor. Segundo o conselheiro Alessandro Octaviani, relator do processo, a Votorantim não poderá mais crescer no mercado brasileiro via aquisições. "Todo o crescimento do grupo nesse mercado terá que ser orgânico, por meio de investimentos próprios", disse.
O Cade também exigiu que a Camargo Corrêa se desfaça de ativos da cadeia de produção de cimento no Estado de São Paulo e invista em pesquisa no setor para poder assumir o controle da Cimpor. "É a primeira vez que se coloca uma obrigação nesse sentido (investimento em inovação) com esse grau de sistematização, num caso concreto, e com acordo entre as partes", destacou Octaviani.
Intervenção. Incomodado com a concentração do setor e com as repercussões para a economia brasileira, o Cade anunciou ontem que pretende intervir no mercado de cimentos brasileiro. Já está nas mãos do órgão antitruste o resultado da investigação de cartel do setor feito pela então Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça, que agora foi acoplada ao Cade.
"Seria interessante termos uma intervenção estrutural para lidar com os graves problemas concorrenciais do setor", disse o conselheiro Ricardo Ruiz. Respondendo ao advogado da Camargo Corrêa, Lauro Celidônio, que avaliou a operação com a cimenteira portuguesa Cimpor como primordial para a competição no País ao criar um "vice-campeão nacional" no setor, Ruiz reforçou que o setor precisa ser "revisitado".
Além disso, enfatizou que o caso julgado ontem até poderia estar solucionado, mas que os problemas na área das cimenteiras ainda não estão. "Não adianta termos um campeão e um vice-campeão se isso resultar no fim do campeonato", disse.
Essa promessa de uma radiografia do setor de cimentos não é nova. Quando estava debruçado sobre a movimentação no mercado de fusões e aquisições no segmento de concreteiras, o Cade também decidiu fazer uma análise mais profunda sobre a área.
O motivo é o importância do segmento para as obras de infraestrutura do País e para o mercado imobiliário.
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GALILEU redivivo ["Eppur si muove!"]
Reveja o vídeo que não poderia ter ficado fora da Rio+20: Lula discorre sobre a Teoria das Vantagens da Terra Quadrada
BRAVATAS E GRAVATAS ''ARMANI'' (II)
Custo Lula (2)
Autor(es): Carlos Alberto Sardenberg |
O Globo - 05/07/2012 |
Uma das broncas do então presidente Lula com a Vale estava no assunto siderúrgicas. A companhia brasileira deveria progredir da condição de mero fornecedor de minério de ferro para produtor de aço, tal era o desejo de Lula.
Quando lhe argumentavam que havia um problema de custo para investir no Brasil - e não apenas em siderúrgicas - o ex-presidente apelava para o patriotismo. As empresas privadas nacionais teriam a obrigação de fabricar no Brasil.
Por causa da bronca presidencial ou por erros próprios, o fato é que a Vale está envolvida em três grandes siderúrgicas - ou três imensos problemas - conforme mostra em detalhes uma reportagem de Ivo Ribeiro e Vera Saavedra Durão, no "Valor" de ontem. Em Marabá, no Pará, o projeto da planta Alpa está parado, à espera da construção de um porto e de uma via fluvial, obrigação dos governos federal e estadual, e que está longe de começar. No Espírito Santo, o projeto Ubu também fica no papel enquanto a Vale espera um cada vez mais improvável sócio estrangeiro. Finalmente, o projeto de Pecém, no Ceará, está quase saindo do papel, mas ao dobro do custo original.
E quer saber? Seria melhor mesmo que não saísse. Acontece que há um excesso de oferta de aço no mundo e, mais importante, os custos brasileiros de instalação das usinas e de produção são os mais altos do mundo. Não, a culpa não é só do dólar nem dos chineses. Estes fazem o aço mais barato do planeta, com seus métodos tradicionais. Mas o aço brasileiro sai mais caro do que nos EUA, Alemanha, Rússia e Turquia, conforme um estudo da consultoria Booz.
A culpa nossa é velha: carga e sistema tributário (paga-se imposto caro até durante a construção da usina, antes de faturar o primeiro centavo), burocracia infernal e custosa, inclusive na disputa judicial de questões tributárias e trabalhistas, e custo da mão de obra.
Dados do economista Alexandre Schwartsman mostram que os salários estão subindo no Brasil na faixa de 11 a 12% anuais. A produtividade, estimado 1,5%. Ou seja, aumenta o custo efetivo do trabalho, e mais ainda pela baixa qualificação da mão de obra. Jorge Gerdau Johanpeter, eterno batalhador dessas questões, mostra que a unidade de trabalho por tonelada de aço é mais cara no Brasil do que nos EUA.
Não há patriotismo que resolva. Mas uma boa ação governamental ajudaria. Reparem: todos os problemas dependem de ação política e, especialmente, da liderança do presidente da República. Trata-se de reformas tributária e trabalhista, medidas legais para arejar o ambiente de negócios, simplificar o sistema de licenças ambientais, reforma do Judiciário e por aí vai, sem contar com um impulso na educação.
Se isso não anda, é falha de governo, não do mercado. A crise global é a mesma para todo mundo, mas afeta os países diferentemente, conforme suas condições locais. O Brasil precisaria turbinar os investimentos, mas não há como fazer isso num ambiente tão desfavorável e tão custoso. O governo cai então no estímulo ao consumo e no protecionismo para barrar e/ou encarecer os produtos estrangeiros. De novo, não conseguindo reduzir o custo Brasil, aumenta o custo mundo.
A situação é ainda mais grave no lado dos investimentos públicos. Uma das obras de propaganda de Lula era a Ferrovia Norte-Sul, tocada pela estatal Valec. Pois o Tribunal de Contas da União verificou que o dormente ali saía por R$ 300, enquanto na Transnordestina, negócio privado, ficava por R$ 220.
O atual presidente da Valec, José Eduardo Castello Branco, nomeado há um ano, depois das demissões por denúncias de corrupção, conta ainda que vai comprar a tonelada de trilho por R$ 2 mil, contra o preço absurdo de R$ 3 mil da gestão anterior, que vinha lá do governo Lula.
Claro que um presidente da República não pode saber quanto custa uma tonelada de trilho, muito menos o preço de um dormente. Nem pode acompanhar as licitações. Mas o ritmo "vamo-que-vamo" imposto pelo ex-presidente, junto com o loteamento político das estatais, criou o ambiente para os malfeitos e, mais importante, porque mais caro, para os enormes equívocos na gestão dos projetos.
O diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, general Jorge Fraxe, também nomeado por Dilma para colocar ordem na casa, conta que encontrou contratos de obras no valor de R$ 15 bilhões - ou "15 bilhões de problemas".
Quando o mundo vai bem, todos crescendo, ninguém repara. Quando a coisa aperta, aí se vê o quanto não foi feito ou foi feito errado.
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BRAVATAS E GRAVATAS ''ARMANI''
Política Econômica |
28/06/2012 | |
CUSTO LULA | |
O EX-PRESIDENTE SE VANGLORIAVA DE MANDAR NA PETROBRÁS E NO BB. LOGO, É RESPONSÁVEL PELOS PREJUÍZOS | |
Há menos de três anos, em 17 de setembro de 2009, o então presidente Lula apresentou-se triunfante em uma entrevista ao jornal Valor Econômico. Entre outras coisas, contou, sem meias palavras, que a Petrobrás não queria construir refinarias e ainda apresentara um plano pífio de investimentos em 2008. “Convoquei o conselho” da empresa, contou Lula. Resultado: não uma, mas quatro refinarias no plano de investimentos, além de previsões fantásticas para a produção de óleo. Em 25 de junho último, a Petrobrás informa oficialmente aos investidores que, das quatro, apenas uma refinaria, Abreu e Lima, de Pernambuco, continua no plano com data para terminar. E ainda assim, com atraso, aumento de custo e sem o dinheiro e óleo da PDVSA de Chávez. Todas as metas de produção foram reduzidas. As anteriores eras “irrealistas”, disse a presidente da companhia, Graça Foster, acrescentando que faria uma revisão de processos e métodos. Entre outros equívocos, revelou que equipamentos eram comprados antes dos projetos estarem prontos e aprovados. Nada se disse ainda sobre os custos disso tudo para a Petrobrás. Graça Foster informou que a refinaria de Pernambuco começará a funcionar em novembro de 2014, com 14 meses de atraso em relação à meta anterior, e custará US$ 17 bilhões, três bi a mais. Na verdade, as metas agora revistas já haviam sido alteradas. O equívoco é muito maior. Quando anunciada por Lula, a refinaria custaria US$ 4 bilhões e ficaria pronta antes de 2010. Como uma empresa como a Petrobrás pode cometer um erro de planejamento desse tamanho? A resposta é simples: a estatal não tinha projeto algum para isso, Lula decidiu, mandou fazer e a diretoria da estatal improvisou umas plantas. Anunciaram e os presidentes fizeram várias inaugurações. O nome disso é populismo. E custo Lula. Sim, porque o resultado é um prejuízo para os acionistas da Petrobrás, do governo e do setor privado, de responsabilidade do ex-presidente e da diretoria que topou a montagem. Tem mais na conta. Na mesma entrevista, Lula disse que mandou o Banco do Brasil comprar o Votorantim, porque este tinha uma boa carteira de financiamento de carros usados e era preciso incentivar esse setor. O BB comprou, salvou o Votorantim e engoliu prejuízo de mais de bilhão de reais, pois a inadimplência ultrapassou todos os padrões. Ou seja, um péssimo negócio, conforme muita gente alertava. Mas como o próprio Lula explicou: “Quando fui comprar 50% do Votorantim, tive que me lixar para a especulação”. Quem escapou de prejuízo maior foi a Vale. Na mesma entrevista, Lula confirmou que estava, digamos, convencendo a Vale a investir em siderúrgicas e fábricas de latas de alumínio. Quando os jornalistas comentam que a empresa talvez não topasse esses investimentos por causa do custo, Lula argumentou que a empresa privada tem seu primeiro compromisso com o nacionalismo. A Vale topou muita coisa vinda de Lula, inclusive a troca do presidente da companhia, mas se tivesse feito as siderúrgicas estaria quebrada ou perto disso. Idem para o alumínio, cuja produção exige muita energia elétrica, que continua a mais cara do mundo. Ou seja, não era momento, nem havia condições de fazer refinarias e siderúrgicas. Os técnicos estavam certos. Lula estava errado. As empresas privadas foram se virando, mas as estatais se curvaram. Ressalva: o BNDES, apesar das pressões de Brasília, não emprestou dinheiro para a PDVSA colocar na refinaria de Pernambuco. Ponto para seu corpo técnico. Quantos outros projetos e metas do governo Lula são equivocados? As obras de transposição do rio São Francisco estão igualmente atrasadas e muito mais caras. O projeto do trem bala começou custando R$ 10 bilhões e já passa dos 35 bi. Assim como se fez a revisão dos planos da Petrobrás, é urgente uma análise de todas as demais grandes obras. Mas há um outro ponto, político. A presidente Dilma estava no governo Lula, em posições de mando na área da Petrobrás. Graça Foster era diretoria da estatal. Não é possível imaginar que Graça Foster tenha feito essa incrível autocrítica sem autorização de Dilma. Ora, será que as duas só tomaram consciência dos problemas agora? Ou sabiam perfeitamente dos erros então cometidos, mas tiveram que calar diante da força e do autoritarismo de Lula? De todo modo, o custo Lula está aparecendo mais cedo do que se imaginava. Inclusive na política. Publicado em O Globo, 28 de junho de 2012 |
''COM QUE ROUPA EU VOU...?''
A fantasia de Mantega
O Estado de S. Paulo - 05/07/2012 |
É difícil duvidar da sinceridade do ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando ele afirma estar conduzindo uma política de longo alcance, com medidas calculadas para tornar a economia brasileira mais eficiente e mais competitiva. A ação oficial, segundo ele, vai muito além de um conjunto de medidas setoriais e destinadas a estimular o crescimento no curto prazo. Essas declarações foram uma resposta a críticas formuladas nos últimos dias por economistas independentes, analistas econômicos e até por especialistas vinculados ao setor público. O ministro deu a impressão de acreditar nas próprias palavras e esse foi o aspecto mais preocupante de seu pronunciamento. Os problemas de quem produz no Brasil vão muito além daqueles enfrentados com as iniciativas do governo - uma porção de remendos mal costurados. Mas a presidente Dilma Rousseff e os condutores da política econômica preferem distribuir benefícios a setores selecionados e continuar evitando as tarefas mais complicadas, como a reforma efetiva dos impostos, a melhora da administração federal e a racionalização do gasto público.
O ministro apontou a redução dos juros, as intervenções no câmbio e as desonerações fiscais limitadas como grandes avanços na direção de reformas de longo alcance. Dia a dia os fatos desmentem essa avaliação da política econômica. A redução dos juros básicos, o barateamento do crédito ao consumidor e a expansão dos empréstimos foram insuficientes, até agora, para reativar a produção industrial. As vantagens setoriais produzem efeitos localizados, facilitando a venda de automóveis, por exemplo, mas com poucos reflexos no conjunto da indústria manufatureira. Parte importante do estímulo acaba vazando para o exterior. De janeiro a junho o valor das exportações foi 1,7% menor que o de um ano antes, enquanto o das importações foi 3,7% maior. Os preços da soja em grãos e de algumas poucas commodities impediram um resultado pior.
O resultado pífio do comércio exterior desfez também outra fantasia. Entre setembro do ano passado e junho deste ano o dólar se valorizou mais de 20%, em relação ao real, mas o superávit comercial minguou. No primeiro semestre, foi 45,9% inferior ao de janeiro a junho de 2011. Errou, portanto, quem atribuiu as desvantagens da indústria na competição internacional, principalmente ao câmbio valorizado.
Esse erro era evidente para quem se dispusesse a contemplar os fatos com algum realismo, mas o governo - e muitos empresários, é preciso reconhecer - preferiu menosprezar as desvantagens mais graves, como a tributação irracional, a logística deficiente, os custos resultantes da insegurança e tantas outras deficiências observadas no dia a dia da atividade empresarial e da vida dos brasileiros.
A desvalorização cambial foi muitas vezes usada no Brasil para compensar e disfarçar as deficiências do sistema produtivo. Combinada com um persistente protecionismo, essa política contribuiu, a longo prazo, para o adiamento de muitas ações necessárias à modernização econômica e social do País. O governo tem exibido uma indisfarçável inclinação para esse tipo de política. Se essa inclinação continuar prevalecendo, as esperanças de consolidação de uma economia adequada à era da globalização entrarão pelo ralo.
O ministro da Fazenda acertou ao mencionar os problemas internacionais e a lentidão provável da recuperação econômica do mundo rico. Neste momento, também a China e outros emergentes dinâmicos parecem perder impulso. Nenhum desses dados justifica, no entanto, a concentração da política oficial em medidas de curto prazo. O Brasil enfrenta, sem dúvida, problemas conjunturais, mas suas deficiências mais importantes e mais perigosas são de outro tipo.
A crescente dificuldade da empresa brasileira para ocupar espaços no mercado global e até para defender suas posições no mercado interno resulta de algo bem mais grave que uma conjuntura desfavorável. Enquanto desprezar esse dado, o governo continuará praticando a política de miudezas. Um dia os demais países sairão da crise, provavelmente mais produtivos do que hoje. Quando sair da crise, o Brasil, se nada mudar, estará muito mais fraco do que hoje.
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DES-INDUSTRIALIZAÇÃO. O FIM ESTÁ PRÓXIMO [?]
"Vamos virar o jogo" da produção industrial, diz Dilma
O Estado de S. Paulo - 05/07/2012 |
Apesar da queda de 8,5% da atividade agropecuária no primeiro trimestre, a presidente Dilma Rousseff aproveitou ontem a cerimônia do lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar para dizer que confia na ajuda do setor no enfrentamento da crise. Dilma ainda prometeu "virar o jogo" ao ser questionada sobre a retração da produção industrial.
Em queda há nove meses, o indicador divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou em maio perda de 4,3% frente ao mesmo período do ano passado. Foi o pior resultado desde setembro de 2009, quando a produção caiu 7,6%, o que levou consultorias a revisar para baixo as projeções de crescimento para o Brasil em 2012.
Questionada pelo Estado sobre os números, a presidente respondeu, após a cerimônia: "Vamos virar esse jogo". Ela não quis comentar se o governo pretende lançar um novo pacote de medidas, como fez na semana passada, com o chamado PAC Equipamentos.
Durante a solenidade, Dilma procurou demonstrar que o governo está empenhado em garantir ao agronegócio condições para voltar a crescer.
"Podem ter certeza de que a agricultura familiar e comercial vão dar sua contribuição (no enfrentamento da crise), não só plantando, produzindo, mas investindo, comprando máquinas, equipamentos, melhorando cada dia mais a qualidade da produção no campo brasileiro", afirmou.
Recursos. O plano para a safra da agricultura familiar 2012/13 vai liberar R$ 18 bilhões para financiar custeio, investimento e comercialização do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). "Se for necessário mais de R$ 18 bilhões, porque a demanda foi maior, eles terão mais (recursos)", disse Dilma.
A presidente lembrou que, no auge da crise em 2009, quem comprava trator no Brasil era o programa Mais Alimento - linha de crédito do Programa de Agricultura Familiar que financia investimentos para a modernização da propriedade rural.
"Hoje, estamos fazendo e continuando uma política extremamente agressiva nessa área (de compras governamentais)", afirmou a presidente. "Estamos comprando tratores, continuamos fazendo isso com mais agressividade para enfrentar essa crise", acrescentou, destacando que o governo quer pequenos agricultores capazes de produzir com última geração de tecnologia.
A presidente destacou ainda que o governo sabe que tem três eixos fundamentais para a agricultura no País: assistência técnica, armazenagem e irrigação. Com relação à assistência técnica e extensão rural, a presidente lembrou que o governo lançará um órgão específico para essa área. "Vamos atender 450 mil famílias com assistência técnica e extensão rural", disse.
O Palácio do Planalto está empenhado em garantir ao agronegócio condições para voltar a crescer a partir deste semestre e evitar que o fraco desempenho do segmento no início do ano se repita em 2013.
Interlocutores da presidente Dilma Rousseff disseram ao Estado que a queda de 8,5% da atividade agropecuária no primeiro trimestre foi um baque. O tombo contribuiu para que a economia ficasse praticamente estagnada no início do ano.
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DEMóstenes
CCJ aprova processo de cassação de Demóstenes
CCJ aprova por unanimidade pedido de cassação de Demóstenes |
Autor(es): EUGÊNIA LOPES , RICARDO BRITO |
O Estado de S. Paulo - 05/07/2012 |
Por 22 votos a zero, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou ontem parecer que concluiu pela legalidade de todo o processo favorável à perda de mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). A votação no plenário será no dia 11
Agora processo segue para o Senado, que dará o voto final sobre mandato do político goiano na quarta-feira
O Senado deu ontem mais um passo para cassar, na quarta-feira, o mandato do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) por falta de decoro parlamentar. Por 22 votos a zero, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou parecer do senador Pedro Taques (PDT-MT), que concluiu pela legalidade de todo o processo favorável à perda de mandato de Demóstenes, acusado de ser o braço político do esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Se for cassado, Demóstenes só poderá se candidatar novamente em 2027.
No plenário do Senado serão necessários os votos favoráveis de 41 senadores para que Demóstenes seja cassado. Mas o voto aí é secreto. No Conselho de Ética e na CCJ, as votações foram abertas e o pedido de cassação foi aprovado por unanimidade.
Se o plenário cassar o mandato de Demóstenes, ele ficará inelegível até 1.º de fevereiro de 2027. Motivo: Demóstenes foi reeleito em 2010 e tomou posse no novo mandato em 1.º de fevereiro de 2011 por período de oito anos, que termina em 31 de janeiro de 2019. Pela legislação em vigor, o político cassado fica inelegível nos oito anos seguintes ao fim de seu mandato. Ou seja, no caso de Demóstenes a "quarentena" terminará somente daqui a 15 anos.
No parecer de 28 páginas aprovado ontem na CCJ, Taques afirmou que a "inexistência de vícios de constitucionalidade, legalidade e juridicidade" no processo. "Conclui-se pela absoluta compatibilidade dos procedimentos adotados pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar com as normas regimentais pertinentes e com os princípios do contraditório e da ampla defesa".
Ausência. Demóstenes Torres não compareceu à CCJ. A leitura do relatório, que durou mais de uma hora, foi acompanhada pelo advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Ao defender seu cliente, Kakay voltou a contestar a legalidade das provas e afirmou que a defesa não teve acesso à integridade das provas apresentadas. "(As provas) foram apresentadas de forma descontextualizada. O que a defesa pede é uma análise serena do que está posto nos autos. Sem esse massacre a que esse senador foi submetido", argumentou Kakay.
Dos titulares da CCJ, apenas o senador José Agripino Maia (DEM-RN) não estava presente à sessão e não votou pela cassação do ex-companheiro de partido. Onze senadores falaram defendendo a punição de Demóstenes. Um dos discursos mais contundentes foi o da senadora Marta Suplicy (PT-SP). Ao afirmar que se decepcionou com o senador goiano, a petista acusou Demóstenes de sofrer de uma "patologia grave" e de ter "duas personalidades". "Tivemos uma surpresa gigantesca. É uma pessoa com duas personalidades. Que pessoa é esta? Uma pessoa com capacidade de mentir, manipular, o que raramente se vê em pessoas corretas, para não dizer normais", disse.
O processo de cassação do mandato de Demóstenes tramitou em pouco mais de três meses. A representação contra o senador foi apresentada em 28 de março pelo PSOL. Em 8 de maio foi instaurado o processo no Conselho de Ética do Senado. Na semana passada, dia 25, o Conselho aprovou por 15 votos a recomendação de cassação do mandato de Demóstenes.
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''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''
SINOPSES - RESUMO DOS JORNAIS
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O Senado aprovou uma proposta de emenda à Constituição que acaba com sessões de voto secreto em processos de cassação de mandatos. Para entrar em vigor, o projeto precisa ser aprovado na Câmara dos Deputados. Dos 57 senadores a votar, apenas um foi contra: Lobão Filho (PMDB-MA). Ele defendeu o sigilo para que a votação “não seja sujeita a pressões”. A decisão, caso aprovada na Câmara, não deve valer para o caso do senador Demóstenes Torres (sem partido - GO). Ontem, ele sofreu nova derrota na Comissão de Constituição e Justiça, que aprovou por unanimidade o pedido de cassação de seu mandato por quebra de decoro parlamentar. Com isso, a votação final deve ocorrer na próxima quarta-feira. Com voto ainda secreto. (Págs. 1 e 3)
O Hospital estadual Pedro Ernesto, onde uma paciente terminal morreu durante um incêndio no almoxarifado que levou 4 horas para ser controlado, não tem brigada de incêndio (obrigatória) e não passava por vistoria do Corpo de Bombeiros desde 2000, data do último laudo apresentado. Segundo o Corpo de Bombeiros, a vistoria é obrigatória a cada mudança de projeto. O almoxarifado tinha apenas um ano. Devido à fumaça, que levou à interdição de 6 enfermarias por prazo indeterminado, 320 pacientes tiveram que sair às pressas. Quinze deles, incluindo 7 bebês, foram transferidos. (Págs. 1, 14 e 15)
É o que está registrado na agenda do MEC e em um e-mail da secretaria. Depois de negar a solicitação de recursos e dizer que o encontro foi uma “visita”, a assessoria de Haddad afirmou que a demanda foi feita de “última hora”. (Págs. 1 e Poder A4)
Os candidatos à prefeitura pretendem gastar o triplo de 2008. (Págs. 1 e A5)
O presidente da Câmara de São Paulo, José Police Neto (PSD), anunciou que o sistema de registro de presença dos vereadores será mudado, após irregularidades reveladas pelo Estado. As senhas serão substituídas por identificação biométrica - impressão digital ou íris. O terminal de presença instalado ao lado do elevador será retirado e o prazo de quatro horas para confirmação de comparecimento, abolido. Para que as mudanças sejam aprovadas é necessário o aval de 28 dos 55 parlamentares, em duas votações. No primeiro semestre, apenas duas sessões legislativas foram realizadas sem que nenhum vereador estivesse de licença ou tivesse faltado. (Págs. 1 e Cidades C1)
José Police Neto
Presidente da Câmara
“É um avanço consistente"
Dados da CPI
ONG ligada ao governo de GO fez repasse para faculdade do empresário que comprou casa de Perillo. (Págs. 1 e A6)
A reforma proposta por Enrique Peña Nieto, do PRI, é muito ambiciosa, mas, para ser alcançada, será necessário apoio do derrotado PAN. (Págs. 1 e Visão Global A14)
Os problemas de quem produz no Brasil vão além daqueles enfrentados com iniciativas do governo. (Págs. 1 e A3)
Decisão não vale para Demóstenes
Apesar da aprovação da PEC no Senado, o pedido de cassação do parlamentar, aprovado ontem pela CCJ, deve ocorrer de forma secreta no plenário da Casa. (Págs. 1, 4 e 6)
O ritmo de crescimento dos investimentos pagos pela União no primeiro semestre continua tímido. Eles totalizaram R$ 18,903 bilhões, um avanço de apenas 2,1% em relação a 2011. (Págs. 1 e A14)
Um dos que mais perderam participação foi o Itaú Unibanco, que saiu de uma fatia de mercado de 21% das liberações de empréstimos, em abril, para 16% em maio. Bradesco e Santander também desaceleraram o ritmo. (Págs. 1 e C1)
A tendência, dada a correlação de forças e a tradição de rivalidade entre tucanos e petistas em São Paulo, é que a disputa se polarize entre José Serra e Fernando Haddad. Seus programas ocuparão mais da metade do horário eleitoral, graças a alianças que envolvem os maiores partidos. A coligação de Serra (PSDB-PSD-PR-DEM-PV) lhe garante 7min42s, e a de Haddad (PT – PC do B – PP - PSB), 7min36s. (Págs. 1 e A6)
Programas de descontos de remédios são proibidos no país, mas campanhas de fidelização de pacientes não. Ser fiel pode ser vantajoso para o consumidor. A adesão a esses programas geralmente é feita pelo site das empresas ou por um telefone. Os descontos podem chegar a 70%. Com isso, em alguns casos, paga-se quase o mesmo que o genérico. O programa de uma das pioneiras nesse tipo de iniciativa, a Novartis, é aberto para qualquer paciente com doença crônica que tenha recebido prescrição de um medicamento fabricado pela empresa que integre o esquema. (Págs. 1 e B9)
Com queda nos custos da energia, o governo daria sinal de comprometimento com a competitividade e redução da inflação. (Págs. 1 e A10)
Alexandre Schwartsman
Spreads bancários não são tão gordos e o retorno dos bancos não é muito distinto do que o do resto da economia. (Págs. 1 e A11)