A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
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folha gmail df1lkrha
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domingo, maio 31, 2009
A HORA DO "ÂNGELUS"
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O povo partiu em marcha pelo deserto, e não tardou, começou a se queixar da falta da carne, a qual tinha acesso no Egito. Muito pressionado, Moisés foi ao Eterno, e mais uma vez recebeu um milagre. Mas desta vez, lhes foi enviada carne em tal quantidade que todos se enfastiaram, passando a se lamentar pelo enjôo do excesso. Eles já estavam livres do chicote, mas ainda carregavam o espírito da escravidão dentro deles.
Esta história não poderia ser mais atual. Este sentimento de não ter recebido o suficiente, e de precisar sempre de mais, é a tônica na vida da maioria das pessoas. E o resultado final é sempre o mesmo. O lamento, por não ter recebido o suficiente, ou por não saber o que fazer com o excesso.
Mas podemos romper com este mecanismo e para isto basta perceber a benção que é poder fazer parte da existência, aqui e agora. Assim, essa semana nos livramos da cultura do “quero mais” e trocamos o lamento pelo agradecimento.
Obrigado! Shalom! (Ian Mecler).
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As palavras do texto acima nos conduz à única certeza de que "na Casa do meu Pai há muitas moradas" (São João, 14: 2). "
Senão vejamos: podemos entender o contexto acima através de outra máxima Crística, contida em Lucas, 23: 34; "E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem".
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(*) www.portaldacabala.com.br
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sábado, maio 30, 2009
ILHA DE VERA CRUZ: MANOBRAS "AD PERPETUAM..."
Autor(es): Alexandre Barros |
O Estado de S. Paulo - 29/05/2009 |
Este artigo não é partidário nem pessoal. Desde já, o meu respeito e a minha solidariedade à ministra Dilma Rousseff e a todos os portadores de câncer, passados, presentes e futuros. Ignoro se há acordo explícito, tácito ou sigiloso entre os membros da classe política para não falar da doença da ministra Dilma. Talvez sim, talvez não. É possível que muitos não queiram falar do assunto para preservar seu próprio interesse e benefícios ou malefícios que podem ter caso ela venha, ou não, a ser presidente. Nossa História está cheia de casos de interrupção de mandatos presidenciais nos últimos 60 anos: Getúlio suicidou-se, Jânio renunciou, Jango foi deposto, Costa e Silva morreu durante o mandato, Tancredo adoeceu fatalmente antes da posse, Collor foi compelido a renunciar. Resultados diversos, mas o fato de cada um desses presidentes não haver terminado o mandato teve enormes custos para todos os brasileiros e para o País. Não nos iludamos, investidores, empresários e governos estão discutindo e pensando nisso hoje. Eles montam estratégias e tomam decisões que afetam o futuro dos brasileiros pensando na próxima Presidência. Construir fábricas ou não, criar ou não empregos, financiar grandes obras ou não: essa é a agenda dos investidores agora. Só no Brasil não se fala no assunto. Fingimos que não existe. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso fiz uma palestra para o conselho mundial de um banco multinacional. Tinha 12 minutos para falar sobre política e cenários brasileiros e 5 para perguntas e respostas. Quando terminei, um dos presentes me perguntou: "O que aconteceria no Brasil se o presidente Fernando Henrique morresse durante o mandato?" Respirei fundo. Pensei dois segundos, que pareceram uma eternidade. "Nada, o vice-presidente Marco Maciel assumiria e continuaria tudo sem nenhuma mudança significativa em política ou economia." Percebi micromovimentos de relaxamento em todos os rostos e corpos. O ar ficou mais leve. O mesmo senhor que fez a pergunta agradeceu a resposta: "Muito obrigado. Era isso que precisávamos saber." E a reunião foi encerrada, para alívio geral. Não vi isso numa bola de cristal e claro que aqueles senhores e senhoras não tomaram a decisão de investir mais no Brasil apenas pelo que eu disse. Reuniram-se com muita gente e fizeram a mesma pergunta a outros interlocutores. O fato concreto é que a possibilidade de morte de qualquer chefe de Estado é uma preocupação fundamental para todos. Não interessa à maioria das pessoas que eles morram durante o mandato. Qualquer mudança não prevista de mandatário principal, no mundo moderno, gera incertezas, com custo altíssimo para todos. Por isso governos gastam fortunas para proteger governantes contra assassinatos e atentados. Sua morte custa caríssimo, pelo menos até que a nova situação se estabilize. A versão de Carlos Heitor Cony está em Quem matou Vargas, na hesitação do analista John Bathurst-Pithard, em 8 de outubro de 1951, quando, finalmente, marcou no quadradinho de seu formulário "MAU", para o Brasil. A versão cinematográfica está em O Poderoso Chefão (parte 2), quando Al Pacino, empresário do jogo e do crime, passa pelas ruas de Havana no fim do governo Batista, vê protestos e pessoas sendo presas violentamente por patrulhas militares. Tanto Bathurst "viu" a morte em Getúlio numa foto em que aparecia seu guarda-costas Gregório Fortunato como Michael Corleone "viu" que alguma mudança não planejada estava no ar em Cuba. Ambos mudaram seus planos de investimento. Quanto a Tancredo, não se sabe se ele escondeu ou se esconderam dele que poderia terminar numa mesa de operação em breve. O fato é que foi eleito e estava, tecnicamente, pronto para tomar posse. A derrocada de Collor começou com a entrevista de seu irmão Pedro à revista Veja, em que ele dizia coisas pouco airosas do presidente. Em ambos os casos, muitas pessoas, talvez a maioria, não queriam que eles saíssem do governo antes do fim do mandato previsto. O fundamental em análise de risco político é ter clareza para ver a diferença entre o que queremos (ou não queremos) que aconteça e aquilo que realmente tem alta probabilidade de vir a ocorrer. As interpretações são diferentes. No episódio da queda de Collor e ascensão de Itamar Franco, pelo menos um grande investidor leu as mesmas coisas que todos, conversou com as mesmas pessoas, mas previu que a bolsa de valores iria subir muito durante o governo Itamar. Sua aposta estava certa, mas isso não era o que a maioria pensava. O fato concreto é que, independentemente de nossos sentimentos, crenças e desejos, ou do que vai ou não vai acontecer com a candidata e eventual presidente Dilma, nenhum partido ou líder tem o direito ético de empurrar 185 milhões de brasileiros para o possível desperdício dos sacrifícios que todos fizemos durante os mandatos de Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula, em nome de interesses pessoais, partidários, caprichos, desejos ou crenças. O que está em jogo não são as qualidades ou os defeitos da ministra Dilma, sua competência maior ou menor ou a admiração que tenhamos ou não por ela. Trata-se dos custos que a evolução da saúde da ministra poderá ter para todos os brasileiros. Correremos o risco de viver anos em sobressalto, porque crises, depois que começam, adquirem dinâmica própria. Nem sempre sabemos quando e como elas começam. E nunca sabemos quando nem como terminam. Crises acontecem. Algumas são previsíveis; outras, não. Algumas podem ser evitáveis; outras, não. Levar adiante a candidatura da ministra Dilma Rousseff pode ser entrar numa crise previsível, de desfecho completamente desconhecido, mas que pode ser muito caro para todos os brasileiros. ......... .... .. |
sexta-feira, maio 29, 2009
ILHA DE VERA CRUZ [In:] FAÇAM O QUE EU FAÇO
Emenda do 3º mandato tem apoio de 5 tucanos |
Autor(es): Isabel Braga |
O Globo - 29/05/2009 |
Direção do PSDB manda deputados retirarem assinaturas; dez do DEM também apoiaram, e dois já desistira; Com assinaturas de dez deputados do DEM e cinco do PSDB, a proposta de emenda constitucional que permite o 3º mandato do presidente Lula foi protocolada na Câmara. O PSDB quer obrigar 08 rebeldes a voltarem atrás. A polêmica proposta de emenda constitucional que cria a possibilidade de o presidente Lula, governadores e prefeitos disputarem um terceiro mandato consecutivo foi protocolada ontem na Câmara. O requerimento tinha 15 assinaturas de deputados da oposição, sendo dez do DEM e cinco do PSDB. Surpreendida com a informação, a direção do PSDB obrigou os cinco tucanos a retirarem seus nomes antes de a emenda ser protocolada. Dois deputados do DEM já retiraram. Assinaram a emenda de Jackson Barreto (PMDB-SE) os tucanos Antônio Feijão (AP), Carlos Alberto Leréia (GO), Eduardo Barbosa (MG), Rogério Marinho (RN) e Silvio Torres (SP). Mais cedo, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), ameaçara expulsar do partido os que haviam assinado. O líder tucano na Câmara, José Anibal (SP), pediu ao presidente Michel Temer (PMDB-SP) tempo (até as 22h de ontem) para que os tucanos retirassem as assinaturas. O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), minimizou o fato: - Este deputado (Jackson Barreto) está querendo aparecer. Para que vou perder meu tempo? É matéria vencida. Uma emenda precisa ter pelo menos 171 assinaturas para ser protocolada, e na conferência da proposta de Barreto foram confirmadas 183. Sem os nomes do PSDB, o número cai para 178. Sem as três do DEM, para 175. Na base, o maior apoio foi do PMDB, com 46 assinaturas, seguido do PT, com 31. A emenda prevê a realização referendo popular, em setembro deste ano, para ser validada. O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), afirmou que não pedirá que nenhum dos petistas retire seus nomes. Mas insistiu que o PT é contra. - O PT irá votar 100% contra o mérito, seja nas comissões ou em plenário. E se ela, por acaso, for aprovada, o presidente Lula não será candidato a um terceiro mandato. A candidata do PT é Dilma (Rousseff) - disse Vaccarezza. O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), critica a ideia e afirma que não é uma motivação do PMDB: - A gente não pode ser mais realista que o rei. Se o presidente Lula não quer isso, não é pauta do PMDB. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, também rechaçou: - Terceiro mandato? Pelo amor de Deus! Está no Congresso (a proposta), mas o governo não pensa nisso, nem o presidente. Estamos na plenitude da democracia; a gente às vezes se embriaga com esses vizinhos aqui. Fiquem tranquilos que tudo vai continuar como está. O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), aproveitou para alfinetar os tucanos: - Somos contra. Não vamos cometer o mesmo erro que o PSDB e FH cometeram no passado de alterar, às vésperas da eleição, a Constituição. Michel Temer manifestou-se contra a emenda de Barreto e disse que ela terá tramitação normal na Casa: - Não há preferência nem impedimento de tramitação. Mas estou com o presidente Lula, que não cogita terceiro mandato. |
DILLMA [In:] RECEPÇÃO COLLORIDA
Collor é recebido por Dilma após ser indicado para a CPI da Petrobras |
Autor(es): Adriana Vasconcelos |
O Globo - 29/05/2009 |
Governistas tentam impedir que novas denúncias entrem na investigação Dois dias depois de o presidente Lula se reunir com o senador Renan Calheiros, a ministra Dilma Rousseff recebeu ontem, em seu gabinete, o ex-presidente Fernando Collor, indicado para a CPI da Petrobras. Renan articula a participação do PMDB na CPI. Collor representa o PTB, presidido por Roberto Jefferson, na mesma comissão.
Um dia depois de ser indicado oficialmente para integrar a CPI da Petrobras, o senador Fernando Collor (PTB-AL), um aliado do governo Lula, foi recebido ontem pela chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nenhum dos dois falou sobre o encontro, o primeiro do senador com a ministra. Os governistas concentraram forças ontem na tentativa de impedir que novas denúncias sobre a estatal sejam incorporadas pela oposição à investigação. Ameaçavam revidar, apurando também a atuação de diretores da estatal durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. |
SENADO [In:] AUXÍLIO-MORADIA... Hã??? Eu recebia???
Auxílio-moradia para quem tem casa no DF | ||||
Autor(es): Tiago Pariz | ||||
Correio Braziliense - 29/05/2009 | ||||
O terceiro-secretário do Senado, Mão Santa (PMDB-PI), disse que a lei não proíbe o benefício. “Eu poderia ter uma casa, mas não tenho. O que eu posso fazer?”, resignou-se o peemedebista. O salário de um senador é de R$ 16,5 mil. Há uma antiga batalha em todo o Congresso para elevar o vencimento para R$ 24,5 mil, o mesmo de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Quer dizer, o bônus de quase R$ 4 mil é meio caminho andado. Enquanto decidiram oficializar a farra do auxílio-moradia, os integrantes da Mesa Diretora definiram moralizar o recebimento da verba para senadores que não têm apartamento em Brasília, mas vivem num funcional. Eles terão de devolver os recursos acumulados ao longo dos anos. Três estão nessa condição João Pedro (PT-AM), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Gilberto Gollner (DEM-MT). Outro que está na lista é o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que não precisaria restituir por ter residência em Brasília, mas disse que assim procederá. O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), disse ter havido erro administrativo no depósito dos quatro senadores. Ele sustentou não ser ilegal o recebimento do auxílio-moradia. Sarney pediu desculpas e alegou desconhecer os depósitos do auxílio-moradia, mesmo depois de ter assumido a Presidência da Casa, quando passou a utilizar na residência oficial do Senado. “Eu nunca pedi auxílio-moradia e, por um equívoco, a partir de 2008, segundo me informaram, realmente estavam depositando na minha conta. Mas eu já mandei dizer que retirassem, porque eu nunca requeri isso e tinha a impressão de que não estava recebendo esse auxílio. Portanto, dei uma informação errada e peço desculpas”, afirmou. Verba O petista João Pedro e o democrata Gilberto Gollner informaram que também restituíram a verba. Eles acumularam durante os anos R$ 45.600 e R$ 41.800, respectivamente. Cícero Lucena recebeu R$ 79.800. “Infelizmente, como tudo que está acontecendo no Senado, só detectamos agora a falha. Mas vamos seguir a lei e eles devolverão os recursos e, de acordo com as normas, terão descontados 10% dos salários até efetuar o pagamento em sua totalidade”, disse Heráclito sobre o caso dos senadores que receberam o benefício usando imóvel funcional. A Mesa também decidiu convocar dois ex-diretores acusados de irregularidades para depoimento: João Carlos Zoghbi e Agaciel Maia. Zoghbi é acusado de ter sido beneficiado com a assinatura de um contrato de crédito consignado entre o Senado e um banco. No meio da lama, ele lançou suspeita sobre Agaciel de outras irregularidades.
O estrago de Zoghbi “Apartamento depenado”. “Bens públicos destruídos”. Foram essas as palavras utilizadas por servidores do Senado para relatar a atual condição do apartamento funcional no Bloco D da 112 Norte, que era ocupado ilegalmente por um filho do ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zoghbi. Diante da situação, constatada pela Polícia do Senado, o terceiro-secretário, Mão Santa (PMDB-PI), determinou a instalação de uma comissão de sindicância para apurar porque o imóvel foi deixado em petição de miséria por Zoghbi. A Polícia Legislativa também abriu inquérito. O apartamento era utilizado por Marcelo Araújo, filho recém-casado do ex-diretor, que se mudou em 10 de abril . Desde então, o imóvel está no limbo por não ter sido oficialmente devolvido pelo servidor. O advogado de Zoghbi, Antônio Carlos de Almeida Castro, informou que o imóvel, na verdade, não tem nada porque está sendo realizada uma reforma para a entrega ao Senado. O apartamento de 180m², com quatro quatros, no entanto, teria sido todo renovado em dezembro do ano passado. O antigo diretor da Casa tinha o bem ao seu dispor desde 1999. Por lá passou até uma ex-mulher do outro filho de Zoghbi, Ricardo. Durante a farra do apartamento funcional, Zoghbi residia confortavelmente numa mansão no Lago Sul. O escândalo do apartamento funcional foi o estopim para o servidor deixar o comando da Diretoria de Recursos Humanos. E não foi só essa denúncia. Ele também é acusado de utilizar sua ex-babá, de 83 anos, como laranja numa empresa que intermediava contratos de crédito consignado entre bancos e o Senado. (TP) |
SARNEY [In:] AUXÍLIO FUNCIONAL
Sarney vai devolver cerca de R$ 40 mil ao Senado |
Jornal do Brasil - 29/05/2009 |
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), terá de ressarcir a Casa em R$ 40 mil recebidos como auxílio-moradia desde 2008. O benefício só é pago se não existir imóvel funcional disponível. Sarney tem à disposição a residência oficial do Senado e um apartamento funcional. Presidente da Casa recebeu auxílio-moradia indevidamente O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e os três senadores acusados de receber irregularmente recursos do auxílio-moradia da Casa, formalizaram ontem o pedido de suspensão do benefício. Em ofícios encaminhados à terceira-secretaria do Senado, os parlamentares solicitaram o fim do pagamento e pediram o cálculo dos valores que devem ser reembolsados à Casa Legislativa pelo recebimento irregular. Sarney decidiu devolver os recursos do auxílio-moradia recebidos desde 2008. Apesar de não ser obrigado a devolver integralmente o dinheiro, uma vez que o Senado permite o pagamento do auxílio para quem vive em apartamento próprio, o peemedebista disse por meio de assessores que vai reembolsar o Senado. No total, o senador vai devolver cerca de R$ 40 mil aos cofres da Casa Legislativa, uma vez que o auxílio-moradia é pago mensalmente no valor de R$ 3.800. O valor da devolução é estimado, uma vez que o Senado não informou em que mês de 2008 o senador passou a receber o benefício. O senador disse apenas que começou a recebê-lo em "meados de 2008" e que o pagamento do benefício continuava até o momento. Sarney seria obrigado a devolver o dinheiro referente ao período em que ocupa a presidência da Casa, de fevereiro deste ano até hoje, uma vez que pela lei 8.112 (que regulamenta o funcionalismo público) o auxílio só deve ser pago se "não existir imóvel funcional disponível". O presidente tem à sua disposição a residência oficial do Senado – uma casa localizada em um bairro nobre de Brasília – assim como um apartamento funcional. Ele, porém, optou por ocupar a sua própria casa na capital federal. Os senadores João Pedro (PT-AM), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Gilberto Gollner (DEM-MT), por sua vez, são obrigados a ressarcir os cofres do Senado uma vez que ocupavam imóveis funcionais enquanto recebiam o auxílio-moradia. O pagamento é proibido para quem ocupa apartamentos do Senado. Regulamentação Na esteira das denúncias relacionadas às irregularidades no pagamento do benefício, a Mesa Diretora do Senado decidiu ontem validar o ato da Casa que regulamenta o pagamento do auxílio-moradia. O ato havia sido revogado em 2002, mas mesmo assim 42 parlamentares continuaram a receber o benefício. A nova regra, no entanto, abre brecha para que os parlamentares que vivem em imóveis particulares em Brasília recebam o benefício. Ficam impedidos de receber o auxílio apenas aqueles parlamentares que ocupam imóveis funcionais da Casa. O auxílio-moradia tem como objetivo auxiliar financeiramente o parlamentar que precisa pagar aluguel ou hotel durante o exercício do seu mandato – uma vez que há menos apartamentos funcionais disponíveis que o total de 81 senadores. (Com agências) |
"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"
29 de maio de 2009
O Globo
Manchete: Polícia prende 15 da maior e mais violenta milícia do Rio
Estouro de barragem mata 9 no Piauí
Dilma recebe Collor no Palácio
Até tucanos na emenda do 3º mandato
Minc: ministros atacam lei com 'machadinhas'
IGP-M em queda favorece os inquilinos
Israel e Coreia, duplo desafio para Obama
Charge Chico: Entreouvido entre Lula e Chávez (3)
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Folha de S. Paulo
Manchete: Barragem se rompe no PI; 4 morrem e 11 desaparecem
Há três semanas, cerca de 2.500 famílias haviam sido retiradas da área em razão do risco de rompimento, e um dique fora construído a pedido do engenheiro Luiz Hernani, projetista da obra, erguida em 2001. As pessoas começaram a voltar após parecer do projetista, na quinta da semana passada, que dizia não haver mais risco.
Depois de um pedaço de concreto se romper, a saída de 10 milhões de metros cúbicos de água represada do rio Pirangi criou uma onda de dez metros. Para a estatal responsável, nenhuma obra suportaria a intensidade das chuvas na região. O projetista não quis falar. (págs. 1 e C1)
Foto legenda: Moradores desalojados por rompimento de barragem na cidade piauiense de Cocal; vazamento de água destruiu cerca de 120 casas
SP está entre piores cidades para idoso
Com 6.000 habitantes, a primeira colocada em ranking estadual foi Santo Antônio da Alegria - na região de Ribeirão Preto -, com 86 pontos de 100 possíveis. (págs. 1 e C4)
Lula veta 'blindagem' de equipes econômicas
O artigo fora incluído na medida que cria programa de parcelamento de dívidas tributárias. Os débitos serão corrigidos pela Selic, não pela Taxa de Juros de Longo Prazo, que é menor. (págs. 1 e B3)
Oposição vai usar a CPI das ONGs contra governo
Além de prorrogar os trabalhos por seis meses, o presidente da CPI das ONGs, Heráclito Fortes (DEM-PI), nomeou para a relatoria o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). (págs. 1 e A8)
L.C. Mendonça de Barros: Câmbio e juros são faces de uma mesma moeda
O Brasil não pode ter uma taxa de juros real desproporcionalmente elevada em relação a outros países. Se isso acontecer, o fluxo de recursos vai ganhar contornos especulativos. (págs. 1 e B2)
Sarney pede desculpas por negar recebimento de auxílio-moradia (págs. 1 e A8)
Editoriais
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O Estado de S. Paulo
Manchete: Campanha de 2010 pode ter R$1 bi de verba oficial
O deputado Jackson Barreto propôs na Câmara emenda para convocar referendo sobre possibilidade de governantes disputarem terceiro mandato. (págs. 1 e A7)
Barragem cede: tragédia no Piauí
Foto legenda: Desespero - Maria lamenta a perda da casa: a água da barragem chegou a 20 melros de altura e deixou ao menos 500 famílias desabrigadas
EUA e Coreia do Sul sobem nível de alerta
Os Exércitos de EUA e Coreia do Sul elevaram seu nível de alerta para o grau mais alto em três anos. A decisão foi tomada dois dias após a Coreia do Norte ter realizado o segundo teste nuclear. A expectativa é a de que a ONU torne mais rígidas as medidas já em vigor contra Pyongyang. (págs. 1 e A14)
Foto legenda:
Gás - Estudantes de Seul participam de simulação de ataque
Após lentidão, Rio acelera obras do PAC para favelas
Nova prova do Enem terá menos questões
Minc acusa ministros de desfigurar leis ambientais
Dívida do setor público cresce 0,8% do PIB
Crimes na internet: Operação da PF prende 76 pessoas
Ciência: Raio laser será usado para criar 'miniestrela'
Notas & Informações: Brincadeira de mau gosto
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Jornal do Brasil
Manchete: Dólar reduz em R$ 22 bi a dívida de 71 empresas
O real valorizado tornou-se o terror dos exportadores. Mas os economistas, apesar de assustados, admitem que a desvalorização do dólar também tem feito muita gente sorrir nos últimos dias. Afora os consumidores, satisfeitos por comprarem eletroeletrônicos mais baratos ou por refazerem planos de viagem ao exterior, uma boa parte da indústria - mesmo a exportadora - tem se beneficiado com a atual cotação da moeda americana. Estudo da consultoria Economática, por exemplo, constatou que o recuo do dólar deverá reduzir em R$ 22 bilhões, até o fim deste primeiro semestre, o endividamento de 71 companhias brasileiras de capital aberto. E mais: deverá resultar na melhoria, ao longo do segundo semestre, dos balanços financeiros fortemente afetados pela crise desde o fim do ano passado. (págs. 1 e Tema do Dia A2 e A3)
Pirataria dá prejuízo de R$ 30 bilhões
No Brasil, o prejuízo com a pirataria é de R$ 30 bilhões em impostos. A Receita Federal apreendeu, nos últimos cinco anos, R$ 4 bilhões em mercadorias ilegais. A maior parte, tênis, camisetas e medicamentos. Mas o topo da lista é ocupado pelos óculos escuros: foram 12,7 milhões de unidades apreendidas até o ano passado. Para tentar inibir o comércio irregular, o governo lançou um novo plano de ação, que prevê parcerias com comerciantes e fixação de um selo de qualidade - chamado Brasil Original - nas embalagens, assegurando que aquele estabelecimento paga impostos e gera empregos. (págs. 1 e País A10)
Foto legenda: Quem vai?
EUA elevam alerta militar na península coreana
Sarney: R$ 40 mil de auxílio-moradia
Gripe chega ao 14° caso no país
Sociedade Aberta
Vereador
Erradicar as favelas não vai melhorar a vida da classe média. (págs. 1 e A9)
Sociedade Aberta
Economista do Ibmec
Câmbio flutuante é a melhor proteção para as reservas. (págs. 1 e A3)
Sociedade Aberta
Instituto de Estudos Coreanos
Como isolar a Coreia do Norte se ela já está isolada? (págs. 1 e A21)
Sociedade Aberta
Médico
É preciso atenção com o que as crianças andam comendo. (págs. 1 e A9)
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Correio Braziliense
Manchete: Aluguéis disparam em Brasília...
…Enquanto isso, no Senado, eles são pagos para morar de graça
Niemeyer muda Praça da Soberania
Em entrevista ao Correio, o arquiteto antecipa as modificações no projeto da Praça da Soberania, que despertou grande polêmica em Brasília. Niemeyer criou uma avenida para pedestres, alterou a posição dos prédios, diminuiu a altura do obelisco de 100 para 50 metros e o deixou mais próximo do Museu da República. As mudanças preservam a visibilidade do Congresso Nacional e da Esplanada. “A arquitetura de Brasília tem direito a uma praça mais digna”, defende. (págs. 1 e 25)
Fim da tempestade? Dólar cai de novo e chega a R$ 2. Bolsa reage à crise
Na Bahia: Petrobras despeja dinheiro em prefeituras petistas
Águas de maio: Chuvas no Ceará provocam tragédia no Piauí
Foto legenda: Flagelo mental
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Valor Econômico
Manchete: Investidor estrangeiro deve voltar a pagar IOF
Anteontem, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, havia afirmado em depoimento no Congresso que a taxação com o IOF poderia ser, hipoteticamente, uma das saídas para lidar com o crescente fluxo de capitais estrangeiros ao país, um dos fatores que levam à apreciação do real. Na realidade, essa medida já está sendo discutida pelo governo, segundo fontes ouvidas pelo Valor. (págs. 1 e C1)
Natura prepara oferta de ações no mercado
Informações não confirmadas dão conta de que a oferta pode atingir até R$ 1,8 bilhão. Com a operação, a Natura se une a Visanet e BRF no movimento de reabertura do mercado de ofertas de ações. A empresa já organiza um processo formal de seleção dos bancos que coordenarão a operação, cujo pedido de registro na CVM poderá ser feito na segunda semana de junho. (págs. 1 e D1)
Tribunal põe limites à terceirização
Petrobras garante recursos para investimento até 2013
"Andaram dizendo que a Petrobras não pode explorar o pré-sal por problemas técnicos e financeiros. E nada disso é verdade", afirma o diretor financeiro, Almir Barbassa. (págs. 1 e C1)
Concordata da matriz traz incertezas à GM no Brasil
O "The Wall Street Journal" informa que a administração Obama vai levar a GM para uma corte de falências na segunda-feira e conseguir a aprovação do plano de reestruturação que custará aos contribuintes bilhões de dólares. Aquela que já foi uma das maiores companhias do mundo se transformará em projeto de recuperação controlado pelo governo, que concordou em fornecer financiamento de até US$ 30 bilhões para a GM continuar operando durante a concordata. (págs. 1, B1 e B8)
Aneel multa Duke em R$ 14 milhões
A multa foi causada pela recusa da multinacional em assinar um contrato com duas distribuidoras paulistas, Vale do Paranapanema e Elektro, pelo uso de suas redes de infraestrutura para escoar a energia elétrica produzida no interior de São Paulo. (págs. 1 e B9)
Shiller prevê ainda muita 'notícia ruim'
Laboratórios buscam novas drogas contra câncer com alvo genético específico (págs. 1 e B7)
McDonald's vai dar prioridade à expansão nas regiões Nordeste e Norte, diz Oliveira (págs. 1 e B4)
Preços em queda
De vermelha a verde
Previ vende o Le Meridien
Fundos puxam commodities
Novas oportunidades
Debêntures da Elektro
Ideias
Ideias
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http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
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quinta-feira, maio 28, 2009
CPI PETROBRAS [In:] ''PIZZA TUTTI BUONA GENTI BASSA''
Membros da CPI enfrentam ações no STF |
O Globo - 28/05/2009 |
UM POÇO DE POLÊMICAS: Jucá, cotado para ser o relator, recebeu R$200 mil de petroquímica parceira da estatal Dos 11 senadores da CPI da Petrobras, 8 respondem a processos criminais no STF ou receberam doações de campanha de empresas ligadas à estatal.
Dos onze senadores escalados para investigar supostos desvios de verba e de conduta na Petrobras, oito respondem a processos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) ou receberam doações de campanhas de empresas ligadas à estatal por contratos ou parcerias. O senador Romero Jucá (PMDB-RR), provável relator da CPI , teve quase metade de sua campanha (R$200 mil) para o Senado, em 2002, bancada pela OPP, empresa petroquímica que foi incorporada à Braskem, da qual a Petrobras é sócia. |
ILHA DE VERA CRUZ [In:] Pac eleiToreiro
Governo dará mais R$5 bi de crédito ao PAC |
Autor(es): Gustavo Paul |
O Globo - 28/05/2009 |
Nova linha evitará que obras parem em ano pré-eleitoral. Para agricultura familiar, serão destinados outros R$15 bi. Para dar embalo ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em ano pré-eleitoral, o governo abrirá linha de crédito de R$ 5 bilhões para empreiteiras que têm obras do programa.
Para garantir que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não percam ritmo neste ano pré-eleitoral, o governo federal vai anunciar, nos próximos dias, nova linha de crédito para empreiteiras que executam as obras do programa. Segundo a líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), essa linha poderá chegar a R$5 bilhões e está praticamente fechada, faltando só ajustes. Na semana passada, com objetivo semelhante, o governo já havia enviado ao Congresso projeto de lei criando um bônus para servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que cumprirem metas fixadas pelo órgão, inclusive as relacionadas ao andamento do PAC. Esses recursos, que deverão ser liberados pelo BNDES, visam a garantir capital de giro para as empresas, dando fôlego para concluírem o serviço e, assim, habilitando-se a receber do governo. Segundo Ideli, em Santa Catarina, por exemplo, as empreiteiras envolvidas nas obras de duplicação da BR-101 estão com dificuldades para obter capital de giro e executar a obra. Por isso, correm o risco de não serem pagas. - Essa linha resolve o problema de capital de giro das empresas. Já estou soltando fogos e comemorando. É para desencalhar as obras - disse Ideli, que participou ontem de reunião sobre o PAC com o presidente Lula e ministros. - A ordem do presidente é acelerar as coisas. Todas as empresas que têm contratos de obras do PAC poderão acessar esse empréstimo. Haverá um teto para o valor financiado. De acordo com Ideli, os recursos tomados serão de 20% do valor do contrato ou 20% da receita anual da empresa. Valerá o que for mais alto. Além disso, o prazo de carência será de 36 meses. As garantias do pagamento serão os "recebíveis" do PAC: se a empresa não pagar, o governo irá remeter o dinheiro diretamente ao banco. O governo também anunciou ontem a destinação de R$15 bilhões para a safra da agricultura familiar e a criação do seguro para investimento. Os trabalhadores rurais que participam do Grito da Terra Brasil 2009 foram recebidos pelos ministros Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), Dilma Rousseff (Casa Civil), Carlos Minc (Meio Ambiente) e Luiz Dulci (Secretaria Geral). No ano passado, o governo destinou R$13 bilhões para a safra da agricultura familiar. O Plano Safra 2009/2010 deverá ser anunciado por Lula em julho. |
ILHA DE VERA CRUZ [In:] PETROLULLA
O Estado de S. Paulo - 28/05/2009 |
Chávez manda na PDVSA mais do que Lula manda na Petrobrás. Talvez o presidente brasileiro inveje o colega venezuelano e as palavras ditas em Salvador, no encontro de terça-feira, fossem mais sérias do que pareceram naquele momento: "Se eu conseguir eleger a Dilma, vou ser presidente da Petrobrás", disse Lula. E completou: "Você, Gabrielli, vai ser meu assessor e o acordo vai sair." O tom foi de brincadeira, mas convém desconfiar da aparência. O acordo entre as duas empresas para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, está emperrado. O principal obstáculo não é a disposição de Lula, mas a insistência de Sérgio Gabrielli, o chefe da estatal brasileira, em respeitar, em primeiro lugar, os interesses financeiros e econômicos da empresa e de seus acionistas. O presidente brasileiro, ao contrário, tem-se mostrado quase sempre inclinado a usar as companhias controladas pelo Tesouro para os objetivos de sua diplomacia. Nem as empresas privadas têm ficado imunes a essa perigosa mistura de política e negócios. Ameaçadas por barreiras comerciais impostas por vizinhos, não recebem apoio do governo, mas conselhos para se acomodar, negociar e não criar conflitos. Lula nem chegou perto dos extremos a que chegou Hugo Chávez, mas nunca renunciou a politizar a gestão das estatais. Desde o começo de seu mandato, pressionou a Petrobrás para fazer encomendas a estaleiros nacionais, como se a empresa, além de trabalhar pela segurança energética do País, ainda tivesse de funcionar como instrumento de uma extemporânea política de substituição de importações. As tentativas de ingerência aumentaram com a descoberta do pré-sal, quando o presidente chegou a tratar a Petrobrás como se a sua gestão fosse incompatível com a defesa dos interesses nacionais. Em seu esforço para politizar a gestão econômica, o presidente Lula chegou a se intrometer na administração de grandes empresas privatizadas, pressionando seus diretores para mudar decisões empresariais. O último episódio desse tipo foi a crítica ao anunciado corte de investimentos da Vale, como se o assunto fosse da alçada do chefe do governo. Se o intervencionismo de Lula não se equiparou, até agora, ao do companheiro Hugo Chávez, não foi por falta de tentativas nem de apoio dos grupos mais fisiológicos e mais primitivos da chamada esquerda brasileira, abrigada em boa parte sob a bandeira do PT. Em vez de continuar tentando comandar a Petrobrás e outras empresas, controladas ou não pelo Tesouro Nacional, o presidente Lula deveria prestar mais atenção às consequências do uso político da PDVSA. A produção diária de petróleo na Venezuela caiu de 3,4 milhões de barris em 1999 para pouco mais de 2 milhões atualmente. Nesse intervalo, o país foi prejudicado tanto pelo afastamento de empresas estrangeiras quanto pela redução dos investimentos da estatal venezuelana. Abandonou-se a gestão baseada em padrões empresariais e subordinou-se a companhia aos objetivos políticos do caudilho venezuelano. O aumento dos preços do petróleo permitiu a Chávez, durante anos, financiar sua ação populista, abrir caminho para prolongar sua permanência no poder e ainda sustentar a difusão do bolivarianismo nas áreas politicamente menos desenvolvidas da América Latina. Durante longos anos, o investimento produtivo foi esquecido na Venezuela - e não só no setor petrolífero. Quando os preços do petróleo caíram e o endividamento da PDVSA se tornou assustador, a solução encontrada por Chávez foi estatizar as companhias credoras, começando pelas fornecedoras de serviços na área do Lago Maracaibo. Enquanto Chávez levava a outrora poderosa PDVSA à beira de uma catástrofe empresarial, a Petrobrás continuou na rota do crescimento e da consolidação entre as grandes companhias do setor. Essa expansão, favorecida por descobertas no Brasil e por investimentos bem-sucedidos no exterior, foi possível porque as tentativas de intervenção do governo foram insuficientes para eliminar o caráter profissional de sua administração. Mas o presidente Lula não parece ter desistido de imitar o companheiro bolivariano. Investigar as interferências na Petrobrás seria provavelmente mais oportuno e mais instrutivo que cumprir a pauta da CPI instalada por insistência da oposição. |
CHÁVEZ [In:] ''BAHIA DE TODOS OS SANTOS..."
Autor(es): Janes Rocha |
Valor Econômico - 28/05/2009 |
Uma frase do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, captada em Salvador, Bahia, anteontem, durante um encontro com o presidente Luis Inácio Lula da Silva, causou extremo mal-estar na Argentina. Chávez teria dito que prosseguirá com as nacionalizações de empresas na Venezuela, "menos as brasileiras". A frase dita sem que se soubesse que microfones próximos estavam ligados, chegou aos ouvidos dos jornalistas e foi publicada ontem por toda imprensa argentina. No início da tarde, o governo argentino informou que a presidente Cristina Kirchner telefonou ao presidente da Venezuela pedindo explicações. Segundo um comunicado distribuído pela agência oficial de notícias Telam - o que significa saído diretamente da Casa Rosada -, Chávez teria negado a frase, ao que Cristina lhe pediu um desmentido público. À noite, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela divulgou um comunicado oficial dizendo que o comentário foi em "tom de brincadeira". Ou seja, confirmou a frase. A declaração de Chávez já tinha potencial suficiente para mexer com os brios dos argentinos. Mas ganhou um peso ainda maior porque, apenas quatro dias antes, o governo venezuelano havia anunciado a estatização de outras três empresas do grupo argentino Techint: a Tubos e Aços da Venezuela (Tavsa); Materiais Siderúrgicos (Matesi) e o Complexo Siderúrgico Guayana (Comsigua). A decisão venezuelana foi amplamente criticada, primeiro porque ocorre apenas um ano depois da nacionalização do maior negócio do Techint na Venezuela, a siderúrgica Sidor. Segundo porque Chávez havia realizado, poucos dias antes, uma visita oficial à Argentina para reafirmar a aliança estratégica entre os dois países. A polêmica surge num momento que não poderia ser pior para a presidente Cristina. A um mês das eleições legislativas, que vão renovar parte da Câmara, do Senado e das Assembleias provinciais, Cristina precisa eleger a deputados e senadores uma lista de políticos aliados, encabeçada pelo marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, para garantir uma maioria no Congresso. Além de ter perdido votos e popularidade por uma batalha contra os agricultores, agora Cristina se vê ás voltas com a insatisfação dos industriais, que têm sido um dos principais suportes à política econômica desde a gestão de Néstor Kirchner. O resultado hoje parece incerto. Na segunda-feira, depois que a notícia da estatização das empresas do Techint provocou uma onda de declarações públicas de rechaço por várias entidades empresariais, Cristina e seus ministros disseram que defenderiam os investimentos argentinos no país vizinho. No entanto, afirmaram também que respeitavam a decisão soberana da Venezuela, o que elevou ainda mais o tom das críticas dos empresários. Com seu usual tom confrontador, ao invés de dissipar a polêmica, Cristina jogou mais lenha na fogueira ao declarar que, apesar de apoiar as empresas argentinas no exterior, "gostaria que o Techint tivesse depositado na Argentina" o dinheiro da indenização que recebeu há cerca de um mês pela estatização da Sidor. Demonstrava assim que o governo sabia que, ao receber a primeira parcela da indenização, no valor de US$ 400 milhões, o Techint havia mandado depositar o dinheiro na Alemanha. O valor total negociado de indenização pela Sidor é de US$ 1,970 bilhão. A União Industrial Argentina (UIA) divulgou uma nota oficial na qual pede ao governo para rever a autorização dada para a entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul. Os Congressos da Argentina e do Uruguai já aprovaram a entrada venezuelana no bloco, mas ainda falta a autorização dos Congressos brasileiro e paraguaio. Segundo uma fonte da UIA, o presidente da entidade, Hector Mendez, iniciou também os contatos para pedir a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Industrial do Mercosul, com o objetivo de tomar uma posição conjunta em relação à política de estatizações da Venezuela. Ele argumenta que a política econômica venezuelana não é compatível com a vigente nos quatro países do bloco. O Conselho Industrial do Mercosul é formado pela CNI, UIA, Câmara da Indústria do Uruguai e a União Industrial do Paraguai. |