A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
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sábado, setembro 26, 2009
EDITORIAL: O MUNDO ECONÔMICO E SEUS INTERESSES (NÃO-RARO) ESPÚRIOS...
SARNEY vs. MÍDIA Por Eugênio Bucci em 25/9/2009 título original “Os inimigos”, intertítulos do OI | |
| "A mídia passou a ser uma inimiga do Congresso, uma inimiga das instituições representativas." A declaração do presidente do Senado, José Sarney, publicada no Estado de S.Paulo no dia 16 de setembro, teve a repercussão de um acinte. Foi retrucada em editoriais, em revistas, em todo lugar. Foi assunto de capa do caderno "Aliás" de domingo (20/9). Ainda assim, há mais o que falar a respeito. Em tese, as palavras do senador não seriam um disparate. Elas não se aplicam, nem de longe, ao Brasil de hoje, mas o regime de propriedade dos meios de comunicação pode, sim, entrar em contradição com a democracia. Foi com esse tipo de preocupação que, em março de 1934, os congressistas dos Estados Unidos fundaram a Federal Communications Commission (FCC). Desde então, o objetivo da agência reguladora americana não tem sido outro que não o de impedir formas sutis ou ostensivas de monopólio na área das comunicações, para assegurar a pluralidade de vozes e a concorrência saudável entre as diversas empresas do setor. Se um só grupo econômico açambarca o controle das principais estações de rádio e TV numa determinada região, ele açambarca, também, o poder informal de direcionar o debate público segundo seus interesses privados. É nesse sentido que se costuma dizer que as legislações antitruste, aplicadas às comunicações, protegem a boa concorrência e a livre formação da opinião pública. O princípio é justo, tanto que faz parte do receituário democrático de vários países. Controle familiar A potencial contradição entre mercado e democracia, portanto, não é uma hipótese sem fundamento. Ela é conhecida e, desde muito tempo, sabe-se que só pode ser contida por meio da lei. Sem uma lei que os contenha, os monopólios tendem a tutelar a opinião pública e, numa ironia autofágica, podem sufocar até mesmo a livre-iniciativa dos que não digam amém a eles, monopólios. No Brasil, já no ocaso da ditadura militar, tivemos um exemplo que se tornou clássico das distorções que os meios de comunicação podem gerar quando se divorciam da sociedade civil. No primeiro semestre de 1984, milhões de pessoas adensaram comícios nas capitais brasileiras, exigindo eleições diretas para presidente da República. Com exceções pontuais, as redes de TV, lideradas pela Rede Globo – que, na época, desfrutava a confortável condição de um monopólio tácito –, demoraram a registrar jornalisticamente as manifestações populares e, desse modo, ajudaram a ditadura a derrotar no Congresso a emenda que restabelecia as diretas (os brasileiros só reconquistariam o direito de votar para presidente em 1989). Em 1984, enfim, o núcleo da radiodifusão brasileira, dependente das concessões da ditadura, acabou por se opor ao Estado de Direito. A "mídia", alguém poderia dizer, agiu como "inimiga" da democracia. Mas isso não foi declarado, naquele ano, pelo então presidente do PDS, a antiga Arena, o partido da ditadura, de nome José Sarney. Em junho, após a derrota da campanha das Diretas-Já, ele, ao comando do PDS, virou vice na chapa de Tancredo Neves, que disputaria a eleição indireta para a Presidência da República. Tancredo venceu, mas nunca foi empossado. Um dia antes, internou-se às pressas no Hospital de Base, em Brasília, para morrer em questão de semanas. Quem tomou posse foi o vice. Que virou presidente. Mais adiante, sua família se tornaria dona da afiliada da Rede Globo no estado do Maranhão. Sem hesitações de consciência. Nos anos 1980 e 90, afinal de contas, a "mídia" não era "inimiga das instituições representativas". Ao contrário, até dava uma forcinha. Reações furiosas Agora, na voz do presidente do Senado, esse discurso de "mídia inimiga" adquire uma sonoridade de dadaísmo político. Para começar, falta-lhe precisão semântica. O que é que se quer designar com esse novíssimo substantivo, "mídia"? Seria um sinônimo de imprensa? Se sim, vamos com calma. "Mídia" e "imprensa" constituem objetos distintos. A "mídia", um aportuguesamento da pronúncia inglesa da palavra latina media (meios), plural de medium (meio), é um vocábulo que, rigorosamente, não deveríamos pronunciar nunca. Deveríamos falar simplesmente "meios". Seria mais claro e menos afetado. Mas a tal "mídia" conseguiu ingresso no dicionário. E, lá, engloba todos os meios e todos os seus conteúdos, dos outdoors às telas de cinema, dos programas de auditório aos caminhões com alto-falante que anunciam pamonhas, dos jornais diários às propagandas de automóveis coladas nas poltronas de avião. Dizer que essa imensidão de mensagens e veículos se tenha voltado contra o Congresso Nacional é apenas uma sandice. Não faz sentido nenhum. Já a imprensa é uma instituição à parte, estabelecida pela vigência da liberdade de expressão e do direito à informação. Ela tem seu corpo nos jornais e nas revistas, nas emissoras de rádio e televisão, nos blogs e no debate público, mas sua dimensão maior, não corpórea, é mesmo a liberdade. A imprensa responde pela mediação dos debates de interesse comum na esfera pública, a mesma esfera de onde saem os representantes do povo. A instituição da imprensa não representa o povo, ao menos não o representa como os senadores e deputados, que recebem delegação formal para isso. A imprensa vive junto com o povo, refletindo e emulando os diferentes pontos de vista que animam a esfera pública. A imprensa dá voz, amplificada, às perguntas que a sociedade tem direito de dirigir ao poder, o mesmo poder em que ora se encontram certos senadores que reagem com fúria às indagações dos eleitores. Tudo isso apenas para dizer que, não, a imprensa não é inimiga das instituições representativas. Ela tem sido, isso sim, sua melhor – e às vezes única – amiga. Inimigos das instituições democráticas são os patrimonialistas que as parasitam – e aqueles que os acobertam. | |
HONDURAS & PITTSBURGH Por Luciano Martins Consta em 25/9/2009 | |
| Como toda a imprensa internacional, os principais jornais brasileiros voltam suas atenções na sexta-feira (25/9) para alguns acontecimentos que retratam o estado do mundo. O principal destaque das edições do Estado de S.Paulo e do Globo foi para a decisão do Conselho de Segurança da ONU estabelecendo limites para a produção e estocagem de armas nucleares. Mas o encontro dos dirigentes dos vinte países mais desenvolvidos, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, perde espaço para notícias de Honduras, onde o presidente deposto Manuel Zelaya seguia, até então, refugiado na embaixada brasileira. A despeito da importância das negociações em Pittsburgh, onde ficou decidido que o G-20 vai substituir o G-8, formado pelos sete países mais ricos e a Rússia – o que coloca o Brasil na cúpula das nações que vão reorganizar a política econômica global –, Folha e Globo preferem dar destaque a declarações dos golpistas de Honduras ameaçando o Brasil. Destaque esdrúxulo Para quem acompanha com atenção os acontecimentos internacionais, pode parecer estranho que alguns jornais considerem mais importante a reação de um punhado de aventureiros num país centro-americano pouco expressivo do que a mais concreta manifestação das mudanças geopolíticas que afetam o mundo contemporâneo. Além disso, há dois fatos relevantes sobre Honduras. Um deles é a decisão dos líderes golpistas de aceitar um diálogo com o presidente deposto, o que aponta um caminho para o fim da crise e o acerto da comunidade internacional de não reconhecer o governo provisório. Essa foi a notícia escolhida pelo Estadão. Outro fato é um comunicado do governo interino de Honduras acusando o Brasil de haver apoiado a volta de Manuel Zelaya ao país e ameaçando responsabilizar o governo brasileiro por qualquer consequência do refúgio dado a Zelaya na embaixada em Tegucigalpa. Inconfidência de um colunista da Folha dá a entender que a direção do Globo mandou seu enviado especial a Pittsburgh dar mais atenção à declaração dos golpistas hondurenhos do que à reunião dos dirigentes do G-20. Como resultado, temos a Folha e o Globo destacando na primeira página um simples bate-boca provocado por aventureiros do que uma decisão que altera o quadro do poder econômico no mundo. Por essas e outras, a imprensa brasileira deixou há muito de ser fonte confiável para pesquisas acadêmicas. | |
LULA , O PAUTEIRO Por Rolf Kuntz em 22/9/2009 | |
| A entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao jornal Valor Econômico – quinta-feira, 17/9 – foi a mais importante matéria econômica e política das três primeiras semanas de setembro. Falando com franqueza, o presidente afirmou seu direito, em nome do "interesse do país", de tentar interferir na administração de qualquer empresa, estatal ou privada. Contou como tem dado ordens à diretoria da Petrobras e como decidiu a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. "Comprei um banco", foi a expressão usada em relação a esse caso. O mesmo sujeito (eu) foi usado na frase seguinte: "Quando fui comprar [via BB] 50% do Banco Votorantim, tive de me lixar para a especulação". Na mesma entrevista, ele anunciou a intenção de enviar ao Congresso Nacional um projeto de consolidação das leis sociais, um bom tema, segundo explicou, para debate durante a campanha eleitoral. É um material precioso para quem quiser entender a concepção de Lula de suas funções e de seus poderes na presidência da República e sua estratégia para as eleições de 2010. Boi na mídia No mesmo dia, quinta-feira (17), todos os jornais publicaram grandes matérias sobre como a JBS, por meio da fusão com a Bertin e da compra da americana Pilgrim´s Pride, se tornou a terceira maior empresa não financeira do Brasil, pelo critério da receita líquida. O assunto foi explorado também nos dias seguintes, com detalhamento dos últimos negócios e dos planos da empresa. As coberturas mais amplas e com a apresentação mais completa da história do grupo – a transformação de um açougue num complexo internacional com 40 mil empregados, em meio século – apareceram na Folha de S.Paulo e no Estado de S.Paulo. A expansão do JBS era um assunto obviamente suculento e os jornais, de modo geral, foram capazes de explorá-lo. Mas histórias saborosas têm sido muito menos frequentes do que nos melhores tempos da falecida Gazeta Mercantil, quando fatos aparentemente comuns, como a atividade de um negociante de passes de ônibus no Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, rendiam boas narrativas. A última novidade na área fiscal foi a decisão do governo de reduzir mais uma vez o superávit primário, o dinheiro posto de lado para o serviço da dívida pública. A justificativa oficial foi a liberação de R$ 5,6 bilhões para investimentos e essa explicação apareceu em todas as matérias. Em alguns jornais apareceram coberturas um pouco mais ambiciosas. Desse total, R$ 1,2 bilhão irá para aplicações vinculadas a emendas parlamentares, segundo o Globo. É um detalhe politicamente significativo e o jornal traz, na mesma reportagem, opiniões de parlamentares oposicionistas e governistas e um quadro dos atuais problemas orçamentários. A Folha de S. Paulo apresentou um material mais curto, mas também mencionou o atendimento a "pressões dos congressistas aliados por mais despesas em seus redutos eleitorais". Além disto, mostrou as dificuldades de execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), suposta destinação das verbas excluídas do cálculo da meta fiscal. Os dois jornais poderiam ter ido mais fundo na discussão do assunto e na informação sobre o ritmo dos investimentos custeados pelo Tesouro. Poderiam ter mencionado, por exemplo, números disponíveis no site da ONG Contas Abertas: até 10 de setembro foram desembolsados R$ 4,84 bilhões dos R$ 50,45 bilhões orçados para o ano – apenas 9,61% do total. Se é este o desempenho, tem sentido falar em liberação de recursos para investimento? Os dois jornais, de toda forma, foram bem além da informação oficial e isso valorizou sua cobertura. PNAD 2008: novidades e manchetes A divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2008 rendeu grandes matérias no fim de semana. A pesquisa mostra a situação do país antes do grande impacto da crise econômica. De modo geral, os jornais exploraram informações contrastantes, bem exemplificadas na manchete do Globo: "Emprego cresce no Brasil, mas educação não avança". A PNAD é importante pela amplitude de suas informações. Permite acompanhar praticamente sem defasagem a evolução dos principais indicadores sociais do Brasil. Seus números mostram, por exemplo, a redução da mortalidade infantil nos últimos cinco ou dez anos, a elevação dos padrões de consumo. Ao lado de informações positivas, como essas, a pesquisa fornece um quadro muito menos animador sobre a redução do analfabetismo funcional, ainda acima de 20% na população com idade igual ou superior a 15 anos. Mas não será um exagero tratar com destaque, como fizeram os jornais, a variação de indicadores sociais num período de apenas um ano, de 2007 para 2008? | |
A internet nas eleições de 2010 Por Lilia Diniz em 23/9/2009 | |
| A polêmica regulamentação do uso da internet na campanha eleitoral de 2010 foi o tema do Observatório da Imprensa exibido ao vivo na terça-feira (22/9) pela TV Brasil. Semana passada, após intensos debates, os senadores fecharam um acordo e aprovaram a liberdade irrestrita do uso da rede durante a campanha. A nova lei – que é parte da reforma eleitoral e precisará ser sancionada até o dia 2 de outubro para ter validade nas próximas eleições – define que a manifestação de pensamento é livre, desde que o usuário se identifique. Se o candidato sentir-se ofendido pelo conteúdo publicado, poderá exigir direito de resposta. Outra mudança é que os sites dos candidatos poderão permanecer no ar até no dia das eleições. E os debates na internet devem seguir as mesmas regras das emissoras de rádio e TV, o que provocou intensas reações. O convidado do debate em São Paulo foi o jornalista Caio Tulio Costa. Primeiro ombudsman da imprensa brasileira, trabalhou na Folha de S.Paulo durante 21 anos. Foi um dos fundadores do UOL, do qual foi diretor geral até 2002. Ex-presidente do iG, atualmente é consultor da Oi e professor de Ética Jornalística. Marcus Figueiredo foi o convidado no estúdio do Rio de Janeiro. Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), é diretor de pesquisas do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), onde coordena o Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública (DOXA). O estúdio de Brasília recebeu Eduardo Azeredo, senador pelo PSDB-MG, um dos relatores da reforma eleitoral; especialista em Informática, foi presidente do Serpro. Comparação indevida Antes do debate ao vivo, na coluna "A mídia na semana" o jornalista Alberto Dines comentou fatos de destaque nos últimos dias. O primeiro tema da seção foi o aniversário de 20 anos da criação do cargo de ombudsman, considerado por Dines como um avanço e "uma barreira à arrogância dos jornalistas". Em seguida, destacou a estreia do documentário futurista Era da Estupidez, que mistura realidade e ficção e pretende alertar a população para o perigo das mudanças climáticas. O último assunto da coluna foi a revelação de que o piloto de Fórmula 1 Nelsinho Piquet bateu propositalmente com seu carro durante uma corrida para beneficiar um companheiro de equipe [ver íntegra abaixo]. No editorial que precede o debate ao vivo, Dines avaliou que a aprovação da lei "revela que o bom senso afinal começa a prevalecer na esfera legislativa". Para Dines, a versão anterior do projeto "tratava um meio de comunicação ultramoderno com uma ótica antiga e retrógrada". O jornalista também frisou que a internet não é uma concessão pública, por isso não pode ser comparada ao sistema de radiodifusão [ver íntegra abaixo]. Livre por natureza A reportagem exibida antes do debate entrevistou o ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Para o juiz, a internet é um território livre por vocação e permite tanto a participação ativa dos internautas quanto a comunicação de idéias e programas de governo por parte dos políticos e dirigentes partidários. "É o reino da interação em tempo real", afirmou. O ministro explicou que é pertinente que a discussão seja travada no Congresso Nacional. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atua em um segundo momento, na fase da interpretação das leis já existentes e das analogias possíveis da internet como outras mídias. O fato de os debates entre candidatos promovidos na rede terem que obedecer às mesmas regras da radiodifusão foi criticado pelo ministro. O jornalista Marcelo Tas analisou a tentativa de controle das campanhas eleitorais no mundo virtual. "A internet ser livre não é desvantagem para ninguém e não há outra opção porque ela é livre mesmo que a gente não queira. A internet não tem centro, não tem dono. Não tem como controlar o fluxo de informação", disse. Os excessos de liberdade que possam ocorrer na rede mundial de computadores são melhores do que qualquer tentativa de cerceamento de expressão porque é através da "fricção" de mentiras e boatos que os fatos são velozmente desmentidos na internet. "O principal medo dos políticos vêm do DNA deles e de nós mesmos, que nascemos no mundo analógico, que é o controle. Os políticos estão acostumados a serem donos de canais de televisão, o que é ilegal, e eles controlam a informação. Eles têm assessores, advogados que processam jornalistas e pensam que controlam a informação", disse Tas. O falso dilema No debate ao vivo, Dines pediu ao senador Eduardo Azeredo para contar o histórico do projeto. O parlamentar explicou que a lei já existia e tinha textos fixando regras para as emissoras de rádio, canais de televisão, a mídia impressa e a rede mundial de computadores. O TSE, ao fazer a regulamentação do que estava previsto, igualando a rede virtual à radiodifusão, determinou que a internet só poderia ser usada por páginas pessoais dos próprios candidatos. "Essa é a situação hoje, antes da lei. Você tem a internet apenas para sites de candidatos", disse. A Câmara do Deputados fez algumas alterações, como a que permite doações pela rede, e modificou o artigo que a equipara à radiodifusão, apenas "mudando um pouco o número de artigos e coisas assim". Quando o projeto chegou ao Senado foi discutido em comissões e audiências públicas, mas esse assunto não foi levantado em nenhuma das 110 emendas propostas pelos senadores. Azeredo destacou que "isso veio lá de trás". Constava na lei atual passou pela Câmara e, na ausência de emendas, foi mantida pelos senadores. O senador ressaltou que sempre defendeu a liberdade na rede mundial de computadores. "Era uma discussão sobre um falso dilema porque todos são a favor da liberdade na internet. O que eu estava desde o início insistindo é que nós não podemos deixar a legislação sem uma menção específica, senão ia prevalecer a opção do TSE", disse. Quem deve ditar as regras? Caio Túlio Costa vê com otimismo e apreensão o uso da web no pleito de 2010. Para o jornalista, é preciso não esquecer que o TSE vinha "legislando – o que não deve fazer – e definiu o uso da internet até a última eleição". A nova lei tem pontos positivos e algumas incongruências, na opinião de Caio Túlio. O jornalista receia que, ao criar as normas para a próxima eleição, o TSE desfaça pontos positivos já conquistados e queira novamente restringir o uso da rede mundial de computadores. "O nosso Congresso sofre de uma fúria legisferante. Eles tendem a regular tudo e inclusive tendem a regular a internet", criticou. Caio Túlio espera que o presidente Lula vete o artigo que compara a rede às concessões de radiodifusão e lançou um apelo para que a sociedade fique atenta ao que o TSE pode vir a fazer contra a esta lei. O cientista político Marcus Figueiredo está satisfeito com a aprovação da lei, mesmo tendo ressalvas a alguns pontos, porque há muitos anos o Legislativo não vota uma mudança na legislação que favoreça o eleitor. "Nas anteriores, sempre foram mudanças na lei eleitoral restringindo a circulação da informação", disse. Para Figueiredo, o TSE tem a tradição de normatizar o resultado da legislação e neste momento pode, por analogias, fazer restrições. Há um problema delicado do ponto de vista político, na opinião de Figueiredo: por ser capaz de mobilizar grandes grupos de pessoas para o processo eleitoral, a rede de computadores tem maior capacidade de espalhar mentiras. E questionou como o TSE irá coibir a boataria e a repetição de inverdades na rede. A polêmica do anonimato Eduardo Azeredo garantiu que, apesar de complicado do ponto de vista operacional, é possível checar quem postou comentários indevidos na rede. Caio Túlio Costa, que trabalha com a rede de computadores desde 1995, afirmou que nos dois grandes portais onde atuou nunca houve a impossibilidade de verificar a origem de um crime cometido na rede de computadores. E destacou que os provedores e empresas de telecomunicações têm colaborado de forma eficiente com a Justiça para localizar a conexão que permitiu o crime. "O anonimato é uma questão constitucional, você não pode evitar. As pessoas podem estar anônimas na internet e escrever o que quiser", disse. Cabe aos veículos e políticos a vigilância para não permitir comentários indevidos. Os candidatos que se sentirem atingidos podem buscar reparação judicial. "A realidade que nós estamos vivendo é extremamente diferente da realidade de um meio de comunicação tradicional, broadcasting, que é comandado e administrado por poucos. Nós estamos em uma rede mundial, onde cada pessoa pode administrar o seu conteúdo", disse. Marcus Figueiredo sugeriu que o TSE faça uma parceria com o site de buscas Google para captar na rede instantaneamente os assuntos que podem ser do interesse da lisura da eleição e coibir abusos e fraudes. Riscos vs. benefícios Dines perguntou a Caio Túlio se há algum risco no uso da internet na campanha eleitoral. "Eu não vejo nenhum perigo e as aberrações serão corrigidas na própria rede", afirmou. A internet não será ainda "um estouro" nas próximas eleições porque são as primeiras que o Brasil vai enfrentar com a rede "razoavelmente livre". Mas o jornalista acredita que ainda assim será "um aprendizado fantástico", porque a rede tem um grande fator de mobilização "extraordinário" que será benéfico para as pequenas candidaturas. *** Legislação positiva Alberto Dines # editorial do Observatório da Imprensa na TV nº 521, exibido em 22/9/2009
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. O Congresso ultimamente não tem nos oferecido motivos de muita satisfação. Muito ao contrário. Mas a aprovação pelo Senado e, em seguida, pela Câmara do projeto de lei nº 141 de 2009, que trata da cobertura eleitoral pela internet, revela que o bom senso, afinal, começa a prevalecer na esfera legislativa. A satisfação é ainda maior quando se sabe que o projeto de lei que estava sendo elaborado no Senado era muito restritivo e o texto finalmente aprovado ainda contém cláusulas limitadoras, insensatas, mas, em linhas gerais, é liberal e contemporâneo. Este era o problema da versão anterior, que tratava um meio de comunicação ultramoderno com uma ótica antiga e retrógrada. Outro dado positivo que merece ser registrado. Desta vez o Legislativo não se omitiu como aconteceu com a Lei de Imprensa e a questão da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, remetidas indevidamente ao Judiciário. Quem faz as leis são os legisladores, aos magistrados cabe apenas analisar a sua aplicação. Em algum momento a Justiça Eleitoral será convocada para analisar o decreto 141, mas a sua estrutura foi desenhada na casa apropriada com os procedimentos apropriados. Uma das falhas que permaneceram na lei precisará ser corrigida de alguma forma, talvez pelo veto presidencial: a web não é uma concessão pública, não pode ser comparada com o sistema de radiodifusão, seu funcionamento está mais próximo da imprensa do que da mídia eletrônica. De qualquer forma já sabemos que a internet não ficará de fora nas próximas eleições. *** A mídia na semana ** A imprensa não comemorou nem lembrou. Mas deveria. Os 20 anos da criação do cargo de ombudsman não é apenas uma façanha da Folha de S.Paulo, todos os grandes jornais deveriam alegrar-se com este avanço e, ao ignorá-lo, mostram como estão atrasados. O cargo de ombudsman, ouvidor, representa uma barreira à arrogância dos jornalistas. Fingir que esta arrogância não existe é uma arrogância ainda maior. A Folha de S.Paulo e todos os nove jornalistas que ocuparam a função estão de parabéns. ** Dia mundial sem carro, início da primavera. No hemisfério sul, abertura da conferência da ONU sobre clima e megaestreia da "Era da estupidez" em 40 países. Não se trata de uma superprodução de Hollywood, é uma veemente denúncia contra a estupidez da humanidade que não quer enxergar os perigos das mudanças climáticas. Este é um filme que pode ter um final menos infeliz, desde que essa estupidez seja vencida. ** O picadeiro do circo corre o risco de transformar-se em mar de lama. A Fórmula-1 está vivendo o pior momento de sua história. Felizmente sem mortes, o episódio compromete dramaticamente a lisura de um espetáculo que ainda se autodesigna como esportivo. O banimento do chefão Flávio Briatore sem que a Renault sofresse qualquer punição pela armação do acidente em Cingapura escancara um jogo de interesses que ninguém até hoje teve a coragem de desmascarar. Este é um caso que a mídia não pode esquecer. Voltaremos a ele. | |
www.observatóriodaimprensa.com.br
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sexta-feira, setembro 25, 2009
"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"
25 de setembro de 2009
O Globo
Manchete: Decisão da ONU aponta para mundo sem armas nucleares
Numa sessão histórica, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma resolução pedindo o fortalecimento do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Primeiro presidente dos EUA a presidir uma reunião do conselho, Barack Obama disse que a decisão reafirma o compromisso dos países “com a meta de um mundo sem armas nucleares". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou a decisão: "Vivemos hoje o começo de um novo futuro. Os cínicos diriam para sermos realistas, mas estão errados porque o desarmamento é o caminho mais seguro." (págs. 1, 33 e editorial "Mundo multilateral")
Charge Chico: Enquanto isso em NY...
(entreouvido entre não alinhados)
- Ali na Broadway com a Rua 46 tem uma caipirinha ó, daqui...
Foto legenda: Obama preside a sessão do Conselho de Segurança da ONU: o mundo na direção do desarmamento nuclear
Enfim uma vacina que evita a Aids
Uma vacina experimentada em 16 mil pessoas na Tailândia se tornou a primeira a prevenir a infecção pelo HIV. Testes realizados pelo Exército dos Estados Unidos e pelo governo tailandês indicaram que a vacina pode evitar cerca de 30% dos casos. Esse percentual ainda não é suficiente para que ela seja usada no combate mundial à epidemia, mas abre a primeira possibilidade concreta para a prevenção global da doença. Em duas décadas de pesquisa e centenas de testes, essa foi a primeira vacina a oferecer proteção. A nova vacina é uma combinação de dois imunizantes, que sozinhos não tiveram sucesso. O primeiro alerta o sistema de defesa do organismo a atacar o vírus. A função do segundo é intensificar a resposta do sistema imunológico. Desenvolvida por um consórcio de pesquisa americano, europeu e tailandês, a vacina foi testada por três anos em jovens adultos saudáveis. (págs. 1 e 34)
Nova versão põe Brasil no centro da operação Zelaya
Num duro comunicado, o governo comandado por Roberto Micheletti acusou o Brasil de intromissão em assuntos internos, mencionando declaração do presidente deposto, Manuel Zelaya, que, em entrevista a uma rádio brasileira, disse ter consultado o presidente Lula e o chanceler Celso Amorim antes de refugiar-se na embaixada em Tegucigalpa. O texto diz ainda que recai sobre o Brasil "a responsabilidade pela vida e segurança” de Zelaya, assim como as consequências por "permitir que se converta a missão (diplomática) numa plataforma de propaganda política e concentração de pessoas armadas". Em Pittsburgh, Lula negou as acusações: "Vocês vão ter que acreditar ou num golpista ou em mim. Ele tinha que parar em alguma embaixada e eu acho que a preocupação não é saber em que embaixada ele está e como chegou lá". O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reconheceu que não só sabia da volta de Zelaya como ajudou a simular que estava viajando para Nova York, para a Assembleia Geral da ONU. "Foi uma operação secreta, um truque." (págs. 1, 31 e 32 e Merval Pereira)
Foto legenda: Chávez na ONU: conhecimento sobre volta de Zelaya
Caças que o Brasil quer caem em teste
Cresce aposta em alta dos juros em 2010
Senado manda mais servidores para os estados
Já no Ceará...
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Folha de S. Paulo
Manchete: Golpistas acusam Lula de intromissão
O governo interino de Honduras acusou o presidente Lula de intromissão.
Em duro comunicado, afirmou que o Brasil é o responsável pela segurança do mandatário deposto, Manuel Zelaya, que se abrigou na embaixada do país.
A nota, emitida pela Chancelaria do governo golpista, acusou Lula e o chanceler Celso Amorim de mentir ao afirmarem que desconheciam os planos de Zelaya.
O presidente brasileiro negou: “Vocês têm que acreditar em um golpista ou em mim". Segundo o Itamaraty, Zelaya é "hóspede do governo brasileiro" na embaixada.
O comunicado aponta ameaça à ordem interna e afirma que recaí sobre o governo do Brasil "a responsabilidade pela vida e pela segurança do senhor Zelaya".
Durante o dia, não houve mas nos mercados e os aeroportos reabriram. Mas, à noite, o toque de recolher, voltou a ser decretado. (págs. 1 e Mundo. Leia artigos sobre Honduras na pág. A3)
Crise tem 3 desfechos possíveis
Diplomatas preveem três possíveis desfechos para a bizarra crise em Honduras.
Cenário um: caos seguido por intervenção da ONU. Cenário dois: caos de curta duração, seguido por eleições. Cenário três: um governo de coalizão. (págs. 1 e A11)
Explosão de loja de fogos em Santo André deixa 2 mortos
A explosão ocorreu após uma antena de TV que estava sendo instalada na casa encostar na rede elétrica. A prefeitura disse ter indeferido o alvará da loja na semana passada. A polícia procura o dono, que já havia sido preso em 2002 por posse ilegal de explosivos. (págs. 1 e C1)
Foto legenda: Bombeiros e Defesa Civil trabalham em meio aos escombros depois da explosão na loja de fogos em Santo André; além das 4 casas destruídas, 30 foram esvaziadas
Em SP, assaltantes torturam e matam chinesa de 70 anos (págs. 1 e C9)
Caças franceses que Brasil quer comprar caem no Mediterrâneo
Porta-voz do Ministério da Defesa francês afirmou que não descarta a possibilidade de colisão entre as duas aeronaves, mas evitou adiantar hipóteses sobre as causas do acidente. (págs. 1 e A4)
G20 pretende substituir FMI como fórum da nova economia
A fórmula será submetida aos chefes de governo que encerram hoje a cúpula do grupo. Ela tenta contornar a resistência de países como China e Alemanha à proposta dos EUA, que dava poderes de xerife ao FMI. (págs. 1 e B3)
Fundo de pensão poderá assumir riscos maiores em aplicações
A partir de agora, os fundos poderão direcionar até 100% de seus recursos a investimentos fora das aplicações de renda fixa, nas quais 64% do patrimônio das entidades se concentra hoje. A trajetória de queda dos juros foi um dos principais motivos da mudança. (págs. 1 e B1)
Editorais
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O Estado de S. Paulo
Manchete: Conselho da ONU aprova limite para armas nucleares
Em sessão liderada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, o Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem por unanimidade uma resolução para “promover as condições necessárias para um mundo sem armas nucleares". Os americanos queriam que a resolução citasse de modo específico os casos de Irã e Coreia do Norte, mas Rússia e China vetaram. Desse modo, a menção a esses países foi feita por Obama somente em seu discurso, no qual cobrou "cooperação total" de iranianos e norte-coreanos e disse que o Conselho de Segurança tem autoridade para responder “da forma necessária” quando “violações do tratado ameaçarem a paz e a segurança internacional". Participaram do sessão todos os chefes de Estado dos 15 países membros do Conselho, a principal instância da ONU, o que só havia ocorrido quatro vezes na história da organização. O governo da Itália, que preside o G8 (grupo dos sete países mais industrializados, além da Rússia), informou que a entidade vai exigir que os iranianos parem de enriquecer urânio até o fim deste ano. (págs. 1 e A12)
Pela primeira vez, vacina reduz risco de aids
Análise
Cate Hankins, da Unaids, programa antiaids da ONU
Em entrevista ao Estado, Cate Hankins diz que, embora de alcance modesto, a vacina é “enorme passo” no combate à aids: "Estamos muito entusiasmados". (págs. 1 e A21)
Zelaya diz que se encontrou com enviado dos golpistas
Fundos de pensão agora podem correr mais riscos
Explosão mata 2 em Santo André
Foto legenda: Terra arrasada - Quatro casas ficaram completamente destruídas e 30 tiveram de ser desocupadas
Foto legenda: Dilma e Serra: prévia em SP
Notas e Informações: A estreia de Obama na ONU
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Jornal do Brasil
Manchete: Gasto de ricos em 3 dias é o mesmo de pobres em 1 ano
Os ricos brasileiros - que correspondem a cerca de l% da população do país - gastam em três dias o mesmo que os pobres em um ano. A informação consta de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), feito com base nos dados apresentados na semana passada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, relativa ao ano passado. "Apesar de registrar desde 2001 queda da desigualdade social num ritmo realmente bom, o Brasil ainda é um monumento à desigualdade", disse o pesquisador do Ipea Sergei Soares. O instituto constatou ainda que a renda obtida por meio do trabalho voltou a ser a principal responsável pela queda da diferença social. (págs. 1 e Economia A20)
Foto legenda: Falta uma semana...
Equivalente a meio Rio é desmatado em agosto
Caças do modelo que governo quer caem no mar
ONU aprova resolução do fim de armas nucleares
Vacina contra Aids é testada com sucesso
Honduras volta a ter um dia de paz
Coisas da política
Informe JB
Entre as canetas
Heloisa Tolipan
Editorial
Sociedade Aberta
O que comemorar na pesquisa de uma vacina anti-HIV. (págs. 1 e A3)
Sociedade Aberta
Escritor
Zelando por Manuel Zelaya. (págs. 1 e A9)
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quinta-feira, setembro 24, 2009
"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"
24 de setembro de 2009
O Globo
Manchete: Lula pede pressa à ONU após onda de saques em Honduras
O presidente Lula pediu ações rápidas do Conselho de Segurança da ONU, que se reúne amanhã, para solucionar a crise em Honduras, agravada com a disseminação de confrontos em outros pontos da capital, Tegucigalpa. Pelo menos uma pessoa morreu. "A comunidade internacional exige que Manuel Zelaya reassuma imediatamente à Presidência de seu país", disse o presidente, na abertura da Assembleia Geral da ONU. Lula agendou urna conversa com o presidente dos EUA, Barack Obama, sobre Honduras. Houve uma onda de saques a supermercados, lojas e bancos, depois que o governo de Honduras suspendeu o toque de recolher para sete horas para que as pessoas pudessem reabastecer suas casas. Os protestos em favor de Zelaya se intensificaram após sua volta ao país. Segundo Zelaya, houve mais de dez mortes desde a segunda-feira. Ele continua abrigado na Embaixada do Brasil, onde seus correligionários recusaram-se a dividir com os funcionários brasileiros a comida que receberam de organismos internacionais de ajuda humanitária. As tropas do governo golpista mantinham o cerco à embaixada. (págs. 1, 35 a 37 e editorial "Zona de risco")
Obama prega cooperação
Discursos opostos no palco da ONU
O presidente Barack Obama estreou na Assembleia Geral da ONU com o discurso da cooperação internacional. "Os que costumam criticar os EUA por atuarem sozinhos no mundo não podem agora ficar à margem e deixar que os EUA resolvam os problemas." Também estreante nesse palco, o líbio Muamar Kadafi atacou a ONU, dizendo que seus princípios foram traídos. Em seu discurso, ao referir-se à crise global, Lula disse que "faliu um insensato modelo de pensamento e de ação, que subjugou o mundo por décadas". Lula encontrou-se com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. (págs. 1, 29, 38 e 39)
Foto legenda: Supermercado saqueado em Tegucigalpa: confrontos se espalharam pela capital ontem
Foto legenda: Lula com Ahmadinejad em NY, e os estreantes na Assembleia Geral da ONU, Kadafi e Obama
Prefeito do Rio ataca ponte aérea Barra-SP
Ministros do STF terão 9% de reajuste
Escolas têm 1,1 milhão de alunos a menos
Pedófilos usavam Bolsa Família para chantagear
Bancários entram em greve hoje (págs. 1 e 32)
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Folha de S. Paulo
Manchete: Lula pede saída imediata de golpistas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em discurso na abertura da 64ª Assembleia Geral da ONU, a volta imediata do presidente deposto Manuel Zelaya ao governo em Honduras. Segundo ele, a comunidade internacional repudia o golpe e exige o retorno de Zelaya.
Lula afirmou que o Brasil apoia a permanência por tempo indefinido do presidente deposto na sua embaixada em Tegucigalpa. O presidente disse, ainda, que não cumprirá as exigências feitas por Honduras (dar asilo formal a Zelaya no Brasil ou entregá-lo à Justiça hondurenha) porque não reconhece um "governo golpista".
O secretário-geral Ban Kimoon declarou que a ONU suspenderá temporariamente sua assistência às eleições em Honduras. Ele disse não ver no país condições para realizar o pleito, previsto para novembro.
Segundo o chanceler Celso Amorim, a situação de Zelaya será discutida amanhã em uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU. (págs. 1 e A12)
Governo nega morte e militar reforça cerco a embaixada
A Embaixada do Brasil, que abriga o presidente deposto Manuel Zelaya, teve a segurança reforçada pelos militares, fiéis ao governo interino. Grade móvel fechou a quadra onde está a embaixada. A Folha foi impedida de se aproximar.
O governo negou que um manifestante tenha morrido. A suspensão do toque de recolher entre às 10h e às 17h causou corrida a postos e supermercados. (págs. 1 e A14)
Jânio de Freitas
Princípio básico da democracia é o que está em questão
O fundamental na situação em Honduras perdeu em interesse para aspectos secundários, como saber se estava tudo combinado com o Brasil. Como pessoa ou presidente, Zelaya não tem relevância alguma. O que está em questão é o princípio básico da democracia. (págs. 1 e A7)
Foto legenda: Manifestante é atingido por bala de borracha da polícia durante protesto perto da embaixada brasileira, onde Zelaya se refugiou
Obama propõe 'nova era de engajamento'
Segundo ele, essa era baseia-se em desarmamento, promoção da paz, preservação da Terra e "oportunidade para todos" na economia.
No discurso, Obama procurou marcar suas diferenças em relação a George W. Busb, que via a ONU como entrave aos americanos.
O democrata disse ainda que nenhuma nação deve tentar dominar outra. Suas metas, porém, foram vistas como vagas demais. (págs. 1 e A17)
Comissão aprova repatriação de dinheiro ilegal
O projeto ainda terá de ser votado em plenário, antes de ir ao Senado. (págs. 1 e B1)
Investigação aponta indício de novo cartel em aeroportos
As empresas negaram as acusações. A Infraero afirmou que desconhece a possibilidade de acerto em pregões eletrônicos. (págs. 1 e A4)
Agência quer fim de repasse da inflação em tarifa de energia
A medida beneficiaria o consumidor, que paga pelos repasses nas contas de luz. O governo cogita impor a regra como condição para renovar concessões. Para empresas geradoras e distribuidoras, ela é impraticável. (págs. 1 e B3)
Editoriais
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O Estado de S. Paulo
Manchete: Brasil atribui a estratégia da volta de Zelaya a Chávez
A estratégia para a volta do presidente deposto Manuel Zelaya a Honduras teve a colaboração da Venezuela. É o que sustentam assessores do presidente Lula e do Itamaraty, informa o repórter João Domingos. Segundo informações nos meios diplomáticos, Chávez considerou que a Embaixada do Brasil era o local mais seguro para Zelaya. Em Tegucigalpa, novos confrontos entre simpatizantes do deposto e a polícia mataram ao menos um manifestante e feriram dezenas. Para Zelaya, são seis os mortos. Houve saques em bairros pobres da capital, transformados em zonas de guerra. O toque de recolher paralisou a fronteira entre El Salvador e Honduras, e o abastecimento local estava comprometido, relata a enviada especial Denise Chrispim Marin. O governo golpista se disse aberto a dialogar, mas manteve o cerco a embaixada brasileira. Na ONU, Lula defendeu a recondução imediata de Zelaya a seu cargo e voltou a advertir Honduras sobre a inviolabilidade da missão brasileira. (págs. 1 e A12 a A17)
Análises
Rubens Barbosa
Ex-embaixador em Washington
Gestão temerária
Se é difícil ver ganho para o Brasil, é fácil esperar um sério arranhão em nossa credibilidade. (págs. 1 e A16)
Cândido Mendes
Cientista político
Pela democracia
O caso de Zelaya na embaixada do Brasil sacudiu a resignação em que o golpe já se sedimentara. (págs. 1 e A16)
Foto legenda: Pilhagem - Supermercado saqueado durante a madrugada em bairro pobre de Tegucigalpa: polícia registrou 50 focos de violência em todo o país e prendeu 113 pessoas
Gestores de rodovias querem mais verba
Obama diz que EUA querem nova era de engajamento
Kadafi discursa e mistura tudo
Atração à parte na ONU, o discurso do líbio Muamar Kadafi teve temas como "gripe do peixe” e sodomia de soldados americanos no Iraque. (págs. 1 e A22)
Europa terá controle maior do mercado financeiro
Anac autoriza nova ponte aérea entre Rio e São Paulo
Foto legenda: Sydney: Tempestade de areia
'Estado' sob censura há 55 dias (págs. 1 e A11)
Enem: Alunos criticam locais de prova
Notas e Informações: Selo de qualidade para o País
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quarta-feira, setembro 23, 2009
ILHA DE VERA CRUZ [IN:] NAU SEM RUMO...
Ciro sobe e empata com Dilma, mostra CNI/Ibope
| Ibope aponta crescimento de Ciro na corrida presidencial |
Autor(es): Daniel Bramatti |
| O Estado de S. Paulo - 23/09/2009 |
Na primeira pesquisa CNI/Ibope em que é incluído o nome da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, recém-filiada ao PV, Ciro Gomes (PSB) aparece empatado, em segundo lugar, com Dilma Rousseff (PT) na disputa pela Presidência em 2010. O tucano José Serra (PSDB) lidera, mas com menos do que a soma dos adversários - ou seja, haveria segundo turno se as eleições fossem hoje. Ciro está em trajetória ascendente desde a pesquisa anterior, feita em junho, conforme indicam dois dos cenários avaliados pelo Ibope - em outros quatro não é possível fazer uma comparação, por causa da recente entrada de Marina na corrida. Nas simulações em que a representante do PV não aparece na lista apresentada aos eleitores, o pré-candidato do PSB sobe cinco pontos de junho para setembro. Com 17%, fica atrás de Serra, que cai de 38% para 34% e empata tecnicamente com Dilma, que passa de 18% para 15%. Quando é Aécio Neves quem aparece como candidato do PSDB, Ciro chega a liderar. Nos cenários com Marina - os mais prováveis, dada a movimentação política da ex-ministra -, a preferência por Ciro oscila entre 14% e 17%, quando Serra também está na disputa, ou entre 25% e 28%, quando o governador paulista é substituído por seu colega de Minas Gerais. "A pesquisa foi feita em um momento de boa exposição para Ciro e de desgaste para Dilma", disse o cientista político Carlos Melo, do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. Ele se referiu ao programa de TV do PSB, exibido em rede nacional no último dia 3, e ao episódio em que Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal, acusou a ministra da Casa Civil de pressioná-la para supostamente favorecer a família Sarney, alvo de investigação do Fisco. Carlos Melo destacou que uma pesquisa feita com tanta antecedência em relação à eleição serve mais para "definir o grid de largada" do que para indicar favoritos em 2010. Para ele, com o resultado, Ciro se posiciona como possível "plano B" da base governista ou como eventual vice de Dilma - cargo que o PMDB cobiça. Lúcio Rennó, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), fez avaliação semelhante: "Ciro Gomes fortalece sua posição e se posiciona como uma alternativa viável para a candidatura Dilma dentro do campo governista". TUCANOS Apesar de ter reduzido suas chances de uma vitória no primeiro turno, o governador de São Paulo, com índices entre 34% e 35%, permanece em situação confortável na disputa interna com Aécio. O tucano mineiro não passa da terceira colocação nos diferentes cenários e chega a empatar tecnicamente com Marina e Heloísa Helena (PSOL). Serra e Ciro são os mais conhecidos e os menos rejeitados entre os candidatos. Dilma e Marina, por sua vez, têm alta rejeição e são pouco conhecidas. Os fenômenos estão relacionados, segundo a MCI Estratégia, do cientista político Antônio Lavareda, empresa que assessora a Confederação Nacional da Indústria na interpretação dos dados da pesquisa. "Candidatos menos conhecidos podem apresentar índice de rejeição mais elevado", alerta o relatório que acompanha o levantamento. Em três meses, os eleitores que disseram não votar "de jeito nenhum" em Dilma passaram de 34% para 40%. No caso de Serra, essa evolução foi de 25% para 30%. Apenas 32% dos eleitores dizem conhecer "bem" ou "mais ou menos" a ministra da Casa Civil. Já o governador paulista é conhecido por 66% dos pesquisados. |
... VELHO BARREIRO ''SINCE'' 1930
Filho de Sarney afirma pôr 'quem quiser' no Senado
| "Boto quem eu quiser" no Senado, diz filho de Sarney | ||
Folha de S. Paulo - 23/09/2009 | ||
Em grampo da PF, Fernando Sarney acalma filho em relação a cerco ao nepotismo
O empresário Fernando Sarney ANDRÉA MICHAEL ANDREZA MATAIS HUDSON CORRÊA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
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BRASIL/HONDURAS [ In:] ...E AGORA JOSÉ (laya)?
Embaixada sob fogo cruzado em Honduras
| Cerco a Zelaya | ||||
Autor(es): Rodrigo Craveiro | ||||
| Correio Braziliense - 23/09/2009 | ||||
Militares reprimem com violência simpatizantes do líder deposto que se reuniam diante da Embaixada do Brasil e matam um ativista. Governo de fato corta luz, água e telefone do prédio, na tentativa de forçar a saída do presidente A volta de Manuel Zelaya a Honduras transformou a capital, Tegucigalpa, em um ambiente cada vez mais tenso. Enquanto o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, permanecia aquartelado dentro da Embaixada do Brasil, no bairro de Colonia Palmira (região central), um clima de guerra tomou conta da cidade: soldados do Exército tomaram as ruas, reprimiram manifestações e isolaram a representação diplomática brasileira. Nas vias que dão acesso a Tegucigalpa, cerca de 600 mil simpatizantes do líder deposto estão impedidos, pelas forças de segurança, de prosseguir viagem. O presidente de fato, Roberto Micheletti, ordenou o corte de água, eletricidade e dos telefones da embaixada — um artifício para levar Zelaya à rendição. Durante todo o dia, nenhum tipo de alimento podia chegar ao prédio. Lá dentro, ele; a mulher, Xiomara Castro; os filhos e assessores mais próximos contavam com o fornecimento de luz por meio de um gerador. O governo brasileiro apelou na noite de ontem por uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir a crise. Por telefone, Juan Barahona, coordenador do Bloco Popular e da Frente Nacional contra o Golpe de Estado, afirmou ao Correio que esteve ao lado do presidente afastado até as 23h de segunda-feira (3h de ontem em Brasília), quando deixou o prédio e montou guarda diante dos portões, com cerca de 4 mil pessoas. Os seguidores de Zelaya desafiaram o toque de recolher, imposto inicialmente até as 7h (hora local) de ontem e estendido até as 6h de hoje, e não arredaram do local. Foram retirados à força. “Às 5h30 de hoje (ontem), a polícia e o Exército chegaram usando canhões d’água, bombas de gás lacrimogêneo e gás lacrimogêneo. Resistimos por várias horas e, às 9h, conseguiram dispersar a resistência. Foi aí que eles (policiais) usaram ‘balas vivas’”, relatou o ativista, assegurando ter visto feridos. Relatos davam conta de que pelo menos uma pessoa morreu, várias ficaram feridas e 300 estão detidas em um estádio de Tegucigalpa. O jornalista Eduardo Maldonado, da Rádio Globo de Honduras, confirmou à reportagem que o sindicalista Oscar Chávez, do Instituto Nacional Agrário, foi morto ontem durante a repressão. “Temos dezenas de feridos nos hospitais. Houve uma repressão terrível por parte da polícia”, contou. “Cerca de 400 pessoas estão dentro da embaixada”, acrescentou. Depois de expulsarem os manifestantes, policiais colocaram amplificadores voltados em direção à embaixada e tocaram o hino nacional de Honduras. Invasão “A repressão aqui é brutal. Vários veículos foram danificados”, admitiu o radialista Omar Rodríguez, um militante de esquerda cuja emissora de rádio teve ontem o fornecimento de energia elétrica cortado. “Há uma ordem da Suprema Corte de Justiça para invadirem o prédio e capturarem Zelaya, mas Honduras é signatária das Convenções de Viena”, observou. Barahona garantiu que uma comissão de advogados foi chamada à Casa Presidencial, ao meio-dia de ontem (15h em Brasília), para analisar o tratado. A informação foi desmentida por um assessor de Micheletti. “Isso (invasão) é impossível”, disse, sob a condição de anonimato. Dario Nuñez Fiallos, de 34 anos, afirmou ao Correio que vive a apenas 400m da representação brasileira. “As casas aqui perto estão pichadas com mensagens de apoio a Zelaya e de repúdio a Micheletti, muitos vidros foram quebrados e várias pessoas foram golpeadas.” Ele acusou a polícia de negligência, ao usar bombas de gás lacrimogêneo. “Crianças e famílias foram atingidas dentro da embaixada”, denunciou. O presidente de fato disse que não tem a intenção de entrar em confronto com o Brasil. “Se ele (Zelaya) quiser ficar vivendo lá uns 5 ou 10 anos, nós não temos nenhum inconveniente em que viva lá”, afirmou Micheletti, em entrevista à agência de notícias Reuters. “Nós não iremos fazer absolutamente nada que confronte outro país irmão, nós queremos que eles compreendam que ou lhe dão asilo político ou o entregam às autoridades hondurenhas para seu julgamento.” Para evitar a extensão do confronto entre partidários de Zelaya e governistas, a comunidade internacional engajou-se numa corrida diplomática. José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), revelou que apenas esperava garantias de segurança para viajar a Tegucigalpa e mediar o restabelecimento da democracia. Em carta aos membros do Conselho de Segurança da ONU, o Itamaraty demonstrou-se preocupado “com a segurança do presidente Zelaya e com a segurança e integridade física das instalações da embaixada e de funcionários”. Localizado pelo Correio no Rio de Janeiro, o embaixador Brian Michael Neele, preferiu não falar. O líder deposto exortou seus embaixadores a retornarem a Honduras. Por telefone, o deputado Toribio Aguilera, do Partido de Inovação e Unidade Social Democrata (Pinud-SD), se disse decepcionado com o Brasil. “A posição de Lula e de outros presidentes é uma intromissão”, afirmou. Ouça entrevistas com o líder pró-Zelaya, Juan Barahona, e com o deputado Toribio Aguilera (ambas em espanhol) Eu acho...
“Zelaya é um homem que não respeita acordos, é um homem irresponsável. Me preocupa muito a forma bruta que ele volta ao país. Tememos um derramamento de sangue. O papel do Brasil nos deixou muito decepcionados. Era importante seguir com o diálogo do Acordo San José. Estávamos analisando alguns aspectos para operacionalizar o acordo, mas a intromissão do Brasil nos obriga a reconsiderar o caminho. A posição de Lula e de outros presidentes é de intromissão. Lula e companhia estão dizendo que não vão respeitar nossas eleições, o que é um absurdo” Toribio Aguilera, deputado do Partido de Inovação e Unidade Social Democrata (Pinud-SD) Amorim rejeita ameaça O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assegurou que o Brasil “não vai tolerar” nenhuma ação contra as instalações da embaixada em Tegucigalpa, onde o presidente deposto, Manuel Zelaya, está aquartelado desde a última segunda-feira. Segundo Amorim, o governo de fato enviou uma “nota impertinente e em termos inadequados” à representação, na qual afirmava que ia “blindar” as imediações do prédio. O chanceler brasileiro condenou de forma veemente a suspensão do fornecimento de água, luz e telefone à representação, bem como a decisão da polícia de lançar bombas de gás lacrimogêneo próximo ao prédio. “Entramos em contato com outros países que mantêm diálogo com o governo de fato para que saibam que seria intolerável qualquer ataque à nossa embaixada”, anunciou Amorim em entrevista coletiva, em Nova York. O ministro evitou dizer que a embaixada na capital hondurenha estava “cercada”, mas confessou preocupação com a segurança de todos os que estão na representação — entre 60 a 80 pessoas, inclusive crianças. Amorim afirmou ainda que o Brasil estudou enviar uma carta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para abordar a questão da segurança na embaixada. Em Brasília, o líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja, apresentou requerimento pedindo a convocação de Amorim para explicar o abrigo dado a Zelaya. Segundo o partido, é preciso esclarecer melhor se o Brasil tinha conhecimento da entrada do presidente deposto e se houve descumprimento de acordos internacionais no episódio. “O senhor Zelaya não pode estar na embaixada e atuando politicamente, usando a embaixada como plataforma política. Ele não pode fazer comício de lá de dentro”, disse o vice-líder do partido, Raul Jungmann. |
"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"
23 de setembro de 2009
O Globo
Manchete: Ação do Brasil acirra crise e tensão cresce em Honduras
A presença do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, abrigado na Embaixada do Brasil após obter autorização de Brasília, agravou a crise política no país. Ainda sob versões desencontradas sobre a chegada de Zelaya, a embaixada viveu momentos de muita tensão com confrontos entre policiais e manifestantes. Água, luz e telefone foram cortados. O chanceler Celso Amorim pediu reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para garantir a integridade da embaixada. Já o presidente de fato, Roberto Micheletti, foi taxativo: ou o Brasil entrega Zelaya ou lhe dá asilo. Senadores brasileiros criticaram o cerco à embaixada, mas advertiram que ela não pode ser usada como palanque por Zelaya. (págs. 1, 28 e 29 e editorial "Campo minado")
Foto legenda: Em berço esplêndido
Manuel Zelaya descansa numa poltrona improvisada em cama, na embaixada brasileira: mapa do Brasil ao fundo e bandeira do Rio ao lado
Perguntas sem resposta
Zelaya estava fora de Honduras em segurança e entrou deliberadamente no país. Ao voltar e se colocar em condição voluntária de risco, o problema é dele ou do Brasil?
Por que o Brasil permitiu que Zelaya usasse a embaixada para fazer comício e manifestações políticas?
É verdade que Zelaya aterrissou primeiro em El Salvador, procedente da Nicarágua, num avião venezuelano, como publicou o jornal espanhol “El País”?
O governo Lula sabia que Zelaya pediria abrigo ou foi surpreendido com o presença do presidente deposto batendo na porta da embaixada brasileira?
É verdade, como disse o embaixador Gonçalo de Barros Carvalho e Mello Morão, chefe do departamento da América Central e Caribe do Itamaraty que Zelaya “quase que se materializou na embaixada”?
Que certeza tinha Zelaya do sucesso de sua ação para levar um grupo de 70 pessoas, incluindo a família, para o interior da embaixada?
Amorim perde outra, na Unesco
A série de derrotas do Itamaraty em eleições para órgãos internacionais, na gestão Celso Amorim, aumentou ontem com a derrota do egípcio Farouk Hosni, candidato apoiado pelo Brasil à direção geral da Unesco. Ele perdeu para a ex-chanceler e atual embaixadora da Bulgária na França, Irina Bokova. Hosni era acusado de antissemitismo. (págs. 1 e 30)
Trânsito melhor no Dia Sem Carro
China surpreende no clima
EUA e China, os maiores poluidores do mundo, disseram ontem na ONU estarem comprometidos a combater o aquecimento global. Mas só a China apresentou metas, modestas. Os EUA de Obama ficaram só nas intenções. (págs. 1 e 31)
Foto legenda: O prefeito Eduardo Paes pedala pela Rua São Clemente: 20 quilômetros de bicicleta, de casa ao trabalho
Governador diz querer estuprar ministro
Senado paga até capoeira em Cingapura
Peixe fora d’água
Agência promove Brasil, primeiro após crise
Ciro sobe e passa Dilma no Ibope
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Folha de S. Paulo
Manchete: Honduras sitia Embaixada do Brasil
Forças de segurança do governo golpista de Honduras cercaram a embaixada brasileira no país, onde o presidente Manuel Zelaya, deposto em junho, está abrigado desde anteontem.
Soldados lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra cerca de 4.000 manifestantes pró-Zelaya nos arredores da casa, e os manifestantes atiraram pedras. Houve ao menos 20 feridos. De madrugada, o governo cortara água, luz e telefone da embaixada, deixando os 313 presentes na dependência de um gerador a diesel.
O Brasil pediu reunião do Conselho de Segurança da ONU para garantir a segurança de Zelaya. O presidente Lula chamou o governo hondurenho de "golpista" e defendeu negociações por "uma saída democrática". O presidente interino do país, Roberto Micheletti, diz que não invadirá a embaixada.
Em entrevista por telefone a Eliane Cantanhêde, Zelaya afirmou que não combinou com o Brasil sua volta a Honduras e se disse "muito tranquilo". (págs. 1 e Mundo)
CLÓVIS ROSSI
Brasil foi atacado por golpistas e não tem como reagir
Ao cortar água, telefone e luz da embaixada, o governo Micheletti atacou o território brasileiro. E o Brasil não tem como reagir. Pelo, menos não fisicamente. É inimaginável mandar tropas. Resta o recurso à legislação internacional, demorado demais e que não tem comovido os golpistas. (págs. 1 e A12)
Foto legenda: O presidente deposto Manuel Zelaya dorme dentro de uma das salas da embaixada brasileira em Tegucigalpa, capital hondurenha
Agência recomenda investimentos no país
Para a agência americana, a economia brasileira foi "resiliente" durante a crise e teve um desempenho melhor que o de outras nações.
Em 2008, antes da crise, as agências Standard and Poor's e Fitch Ratings já haviam elevado o Brasil a patamares de alta confiabilidade.
O dólar caiu a R$ 1,798, nível mais baixo em um ano. Com a decisão da Moody's, analistas preveem valorização maior do real. (págs. 1 e Dinheiro)
Governador de MS chama Minc de 'veado' e diz que o estupraria
Mais tarde, o governador disse que, "na hipótese" de ofensa,
"apresenta seu pedido de desculpas". A assessoria de Minc definiu Puccinelli como "truculento ambiental" e disse que o caso "revela seu caráter". (págs. 1 e A8)
Filho de Sarney afirma pôr 'quem quiser' no Senado
Brasil: Congresso aprova criação de 7.709 novas vagas de vereadores (págs. 1 e A6)
Fleury alega ser vítima em caso de remédio roubado
Editoriais
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O Estado de S. Paulo
Manchete: Dívida no cartão de crédito é recorde
Os brasileiros nunca deveram tanto no cartão de crédito, informa o repórter Fernando Nakagawa. Dados do Banco Central mostram que o uso de crédito rotativo, o parcelamento com juros e os saques somaram R$ 14,56 bilhões em julho, um recorde histórico. No mês, 28,3% das transações tinham atraso superior a 90 dias. Apesar de o juro do cartão - hoje em.237,9% ao ano - ser mais alto até que o do cheque especial, a participação dessa modalidade nos empréstimos só cresce. Hoje, a cada R$ 4 tomados pelas pessoas físicas, R$ 1 é no cartão. Para especialistas, o aumento do consumo e o já elevado nível de endividamento nos financiamentos mais baratos explicam a alta. Em julho, enquanto o volume de novas operações no crédito pessoal recuou 0,16% e o cheque especial caiu 1,02%, as novas concessões nos cartões saltaram 15,4% ante junho. Assim, o saldo acumulado de endividamento nessa modalidade atingiu R$ 26,49 bilhões em 31 de julho. A dívida é 580% maior que o total de financiamentos para a compra da casa própria e 54% superior à do cheque especial. (págs. 1 e B5)
Número
28,3% das transações com cartão de crédito tinham atraso superior a 90 dias em julho
Missão do Brasil em Honduras vive tensão
Fotos legendas:
Sono - Zelaya dorme na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa: situação sem precedentes na diplomacia
Conflito - Polícia usa água e bombas de gás contra manifestantes
Agência de risco sobe avaliação brasileira
Um ano e meio depois de suas principais concorrentes, a agência de classificação de risco de crédito Moody's concedeu ao Brasil o grau de investimento. Isso sinaliza aos investidores que a probabilidade de o País dar calote é baixa. Para analistas, o grau não terá implicações relevantes, mas é simbólico que tenha sido dado em meio à crise global. "É a cereja de um bolo que já estava pronto", afirmou o vice-presidente do Bradesco, Norberto Barbedo. A Moody's informou que pode haver em breve nova elevação do grau, ao definir a perspectiva do País como "positiva". (págs. 1, B1 e B3)
Ciro avança e empata com Dilma, mostra CNI/Ibope
Artigo
No G-20, temos motivo para festejar?
O mundo soube reagir à crise. Devemos simplesmente esperar a próxima crise? Afinal, caiu por terra a ilusão de que os mercados são autorreguláveis. (págs. 1 e B9)
Análise: Dora Kramer
Eleitorado atrapalha o jogo de cartas bem marcadas entre PT e PSDB. (págs. 1 e A6)
Cresce em SP número de crianças analfabetas
Quadrilha de jogatina pela internet agia em 12 Estados
Rombo: Briga entre famílias afeta PIB saudita
Notas e Informações: Licença para gastar
'Estado' sob censura há 54 dias (págs. 1 e A11)
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