PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

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# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
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quarta-feira, junho 19, 2013

PROTESTOS/VAIAS: ''O BRADO RETUMBANTE'' E O ''CLAMOR DAS RUAS'' (Para quem tem ouvidos de ouvir)

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Em defesa da honra

19 de junho de 2013 | 2h 04
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo

Enquanto a economia vai bem, tudo o mais vai também, reza a norma geral dos construtores de candidaturas, instrutores de campanhas e conselheiros de imagem inspirados em James Carville, marqueteiro do ex-presidente americano Bill Clinton.
Prova, diriam eles, é a coincidência entre os protestos que levam milhares às ruas do Brasil depois de duas décadas de apatia e a deterioração da economia. Do ambiente de estabilidade que deu duas vitórias em primeiro turno a Fernando Henrique Cardoso e levou Luiz Inácio da Silva à Presidência da República quando ele convalidou o compromisso na Carta aos Brasileiros.
Incontestável. Aceitemos, pois, que a economia tenha o condão de deflagrar as crises. Mas, é a política que dispõe dos instrumentos para construir as soluções, por meio da intermediação entre demandantes e demandados.
O professor Luiz Werneck Vianna foi preciso no artigo "O movimento da hora presente" publicado ontem no Estado.
Disse que é hora de a política se fazer presente removendo práticas e instituições que levaram a atividade à degradação, deixando a sociedade brasileira prisioneira do "anacronismo destes novos coronéis da vida republicana"; em seguida alertou para o risco de "intervenções desastradas dos atuais governantes" levarem a juventude a se afastar dos valores da democracia.
O exercício da política é valor democrático. O modo como ela está sendo exercida, no entanto, levou à depreciação desse ativo. Os jovens que não viveram os tempos em que, caladas as vozes dos políticos, falava o chicote do autoritarismo, com facilidade são levados a não acreditar no sistema representativo.
Ainda mais quando ele funciona "nesta forma bastarda de presidencialismo de coalizão sob a qual se vive", como bem afirmou Werneck Vianna.
Ou se encontram formas de reconstruir as pontes entre representantes e representados, ou se reabrem os canais de comunicação entre a sociedade e as instituições, ou iremos ao beco sem saída.
As ruas começaram a falar sobre aumento nas tarifas e os péssimos serviços dos transportes públicos, mas seguem falando de muito mais: de corrupção, de descaso, de desmandos, de desonra, de desvios de conduta. Na economia o poder público - e aqui o nome é governo do PT - abusou da sorte e agora chega para todos a dolorosa conta da farra de gastos.
Na política os Poderes abusaram do despudor, os valores foram dissolvidos. As pessoas não querem apenas de volta a estabilidade na economia. Elas desejam também recuperar o respeito perdido, a dignidade aviltada pela vulgarização dos modos e a celebração da esperteza.
Lula, que representava a esperança, que foi uma referência, acabou encarnando o personagem do herói sem princípios que a todos vence mediante o uso de quaisquer meios.
O ex-presidente não inventou a falta de ética na política, mas ao pretender construir uma unanimidade a poder de cooptação de partidos, entidades e movimentos, aprofundou os velhos vícios. 
Deu aval ao que havia de mais retrógrado, liderou um processo de rebaixamento dos padrões a níveis nunca vistos, incorporou a amoralidade como regra cotidiana.
As pessoas estão nas ruas para dizer que não estão dispostas a ser tratadas como massa de manobra. Terminem amanhã ou depois os protestos, o ânimo despertado voltará forte na campanha eleitoral. 
Sabem que não obterão passe livre nos transportes, mas avisam que ninguém é dono do passe de seus anseios.
A julgar pelo sentimento que emerge das manifestações, terá êxito em estabelecer um diálogo amistoso com a população não quem manipular emoções com mais competência, mas quem puder se mostrar confiável na tarefa de recuperação da política como fator essencial para o exercício da democracia.
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CURA GAY. O QUE VEM PELA FRENTE: CCJ e CDHM

Sob presidência de Feliciano, comissão aprova projeto da 'cura gay'

Proposta suspende trecho de resolução que proibe profissionais de tratarem homossexualidade como doença


18 de junho de 2013 | 15h 51

Eduardo Bresciani - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - 
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presidida pelo pastor Marco Feliciano (PSC-SP), aprovou nesta terça-feira, 18, a proposta que suspende trecho da resolução do Conselho Federal de Psicologia de 1999 que proibiu profissionais da área de colaborar com eventos e serviços que ofereçam tratamento e cura de homossexualidade, além de vedar manifestação que reforcem preconceitos sociais em relação aos homossexuais. 
Apelidado de "cura gay", o projeto seguirá ainda para duas comissões antes de ir a plenário.
Veja também:
Bancada evangélica, da qual Feliciano faz parte, tentava aprovar proposta há dois meses - Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE
Bancada evangélica, da qual Feliciano faz parte, tentava aprovar proposta há dois meses
A bancada evangélica tenta aprovar a proposta já há dois meses. Na sessão de hoje, Feliciano cortou em alguns momentos a palavra do deputado Simplício Araújo (PPS-MA), o único titular da comissão a se posicionar de maneira contrária, para evitar que novamente a sessão se alongasse e o início da ordem do dia no plenário impedisse a aprovação.
Ex-coordenador da bancada evangélica, o deputado João Campos (PSDB-GO) é o autor do projeto. 
Ele argumenta que o Conselho extrapolou suas atribuições restringindo a atuação de profissionais. "O Conselho Federal de Psicologia, ao restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional, por intermédio do questionado ato normativo, extrapolou o seu poder regulamentar", diz o tucano.
O relator, Anderson Ferreira (PR-PE), que também é pastor, destacou em seu voto que a resolução proíbe ainda os psicólogos de fazerem manifestações públicas sobre o tema. 
Para ele, isso seria um cerceamento à "liberdade de pensamento e de manifestação" dos profissionais. Na visão do relator, o projeto defende o livre exercício da profissão de psicólogo. "Seu texto constitui uma defesa da liberdade de exercício da profissão e mesmo da liberdade individual de escolher um profissional para atender a questões que dizem respeito apenas à sua própria vida, sem prejudicar outrem".
Araújo afirmou que a bancada evangélica mobilizou-se para a aprovação por motivos eleitorais e que a proposta não deve sobreviver à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) porque não caberia ao Congresso revogar atos de órgãos de classe. "Hoje temos projetos, que como esse aqui, me envergonham de estar dentro dessa casa. Estamos perdendo tempo com uma discussão que vai estar vencida. O que se quer aqui é uma ponte para ganhar voto", disse Araújo. "Não existe tratamento par ao que não é doença. A doença que temos de combater é a cara de pau de alguns políticos", complementou.
A comissão de Direitos Humanos aprovou ainda um requerimento para promover um debate sobre "a erotização das nossas crianças através de imagens, de músicas nos meios de comunicações, cartilhas educativas e demais exposições". 

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''A GENTE NÃO QUER SÓ COMIDA'' e/ou ''ELETRODOMÉSTICOS''

Quase 10% dos adolescentes já experimentaram drogas ilícitas, diz IBGE

Pesquisa com dados de 2012 mostra crescimento do uso, sobretudo entre as meninas, em relação a 2009, quando a proporção era de 8,7%

19 de junho de 2013 | 9h 59
Luciana Nunes Leal e Vinicius Neder - O Estado de S. Paulo

RIO - Cresceu o uso de drogas ilícitas por adolescentes entre 2009 e 2012, sobretudo entre as meninas. É o que mostra pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta quarta-feira, 19. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), em 2012, chegou a 9,9% a proporção de adolescentes que vivem nas capitais que já experimentaram drogas ilícitas, o que equivale a pouco mais de 312 mil jovens. Em 2009, quando foi feita a primeira pesquisa desse tipo, o porcentual foi de 8,7%.
Veja também:
Menor usa droga em praia do Rio - Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão
Menor usa droga em praia do Rio
Para garantir que o levantamento refletisse ao máximo a realidade, a pesquisa foi feita com entrega de equipamentos eletrônicos aos próprios adolescentes, que responderam com privacidade sobre hábitos e comportamento. Nas capitais, em 2009, 6,9% das meninas disseram ter usado alguma droga, índice que subiu para 9,2% em 2012. O consumo entre os meninos ficou praticamente estável, oscilando de 10,6% para 10,7%. Em 2012, a pesquisa foi feita no País inteiro e o resultado foi de 7,3% de adolescentes com alguma experiência de uso de drogas. O levantamento anterior havia sido feito apenas nas capitais.
Foram entrevistados 109.104 alunos do 9° ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas em todo País, a grande maioria (86%) com idades de 13 a 15 anos. Os resultados foram projetados para o universo de 3,1 milhões de adolescentes que estudam no 9º ano. Embora a proporção pareça pequena, os técnicos do IBGE se espantaram com a revelação de que 0,5% dos adolescentes usou crack no período de 30 dias que antecederam a pesquisa, pois, em números absolutos, são 15 mil estudantes no País inteiro que já experimentaram a droga, que tem o maior potencial de dependência.
Álcool. 
No caso das drogas lícitas, nada menos que sete em cada dez adolescentes já experimentaram alguma bebida alcoólica, proporção que teve pequena redução em relação a 2009, passando de 71,4% para 70,5%. No entanto, 50,3% informaram já ter tomado pelo menos uma dose, o que equivale a, no mínimo, uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de cachaça ou uísque. Esta pergunta não foi feita em 2009.
Os números mais recentes mostram que aumentou a proporção de jovens que já ficaram bêbados, de 22,1% para 24,3%. Chama a atenção o fato de que, apesar da pouca idade e da proibição de venda para menos de 18 anos, 16,6% dos adolescentes disseram ter comprado bebidas em estabelecimentos comerciais. O maior acesso dos jovens ao álcool é em festas (36%) e com amigos (20,9%). Tiveram acesso à bebida na própria casa 9,1% dos adolescentes.
Solidão e bullying. 
Embora a pesquisa não tenha investigado as razões que levaram os adolescentes ao uso de bebidas alcoólicas e drogas e os efeitos causados, 16,5% dos jovens entrevistados disseram terem se sentido sozinhos nos 12 meses que antecederam a pesquisa. O sentimento de solidão é muito maior entre as meninas (21,7%) do que entre os meninos (10,7%). As meninas também são mais suscetíveis à insônia em decorrência de preocupações: 12,85% delas disseram já ter perdido o sono, enquanto entre os meninos são apenas 6,3%.
Um quinto (20,8%) dos adolescentes pratica bullying, também revela a pesquisa do IBGE. De outro lado, 35,4% disseram ter sofrido agressão, humilhação e hostilidade por parte dos colegas, sendo que 7,2% disseram que a prática é frequente e 28,2% afirmaram que acontece raramente ou às vezes. Pela primeira vez os adolescentes foram questionados se participam de ataques aos colegas, por isso não há comparação com 2009.
Os dados mostram que a prática de bullying está crescendo nas escolas. Nas capitais, 5,4% disseram sofrer ataques sempre ou quase sempre em 2009, proporção que subiu para 7,2% em 2012. Os que sofrem algum tipo de bullying eram 30,8% e passaram para 35,4%.
Maior do que a proporção de adolescentes que sofrem bullying sempre ou quase sempre, no entanto, é a de jovens que são agredidos por adultos da própria família. Pouco mais de 10% dos entrevistados disseram terem sido agredidos nos 30 dias anteriores à pesquisa. As meninas são mais vulneráveis (11,5% delas sofreram agressões) que os meninos (9,6%).
Os dados também revelam que é crescente a proporção de adolescentes que se envolvem em brigas com armas brancas (passou de 6,1% para 7,3%) e com armas de fogo (de 4% em 2009 para 6,4%).
Trabalho. Embora o trabalho de crianças e adolescentes até 13 anos não seja permitido pela lei brasileira, 8,6% dos alunos do 9º ano no País trabalham, mostram os dados do IBGE. A Região Sul tem a maior proporção, com 11,9% de estudantes trabalhadores. O menor índice está no Sudeste, com 7,5%.
Sexo. 
A PeNSE mostra ainda uma ligeira queda entre os adolescentes que já tiveram relação sexual e um aumento do uso de preservativos. Em 2012, 28,7% dos adolescentes já tinham tido relação sexual, proporção um pouco inferior aos 30,5% de 2009. Dos que têm experiência sexual, 79,5% dos adolescentes usaram camisinha na última relação, índice maior que os 75,9% de 2009.

COPA DAS CONFEDERAÇÕES: ''HOJE QUEM PAGA SOU EU..." (Nelson Gonçalves)

19.junho.2013 10:29:52

AO VIVO: 

protesto antes do jogo da seleção 

fecha vias em Fortaleza


A polícia estima que 15 mil manifestantes já estejam protestando na BR-116, via que dá acesso ao estádio do Castelão. 
Os manifestantes estão parados diante do bloqueio realizado pelo Batalhão de Choque da PM. Não há confronto, apenas gritos e palavras de ordem.
Mais cedo, cerca de dois mil manifestantes, na maioria estudantes, já se aglomeravam próximo ao supermercado Makro, na BR-116, e planejavam invadir a via.
Entre os gritos de protesto, as pessoas pedem “menos Copa, mais escolas”.  Criticam o alto custo para a realização do evento e até mesmo os salários de jogadores.
O protesto que se organiza do lado de fora do estádio deverá ser visto também dentro do Castelão. Manifestantes se mobilizam há dias nas redes sociais, pedindo inclusive que a torcida cante o hino de costas para o gramado.
12h17Ambulantes são vistos nos semáforos no trajeto ao estádio. Eles vendem bandeiras e cornetas – que ninguém compra, já que a Fifa proíbe acesso de instrumentos musicais nos estádios.
12h08
Seleção - O local reservado para a saída do ônibus da seleção, no hotel Marina Park, está fortemente protegido e vigiado pela segurança. Cerca de 40 pessoas, na maioria adolescentes, começam a se aglomerar no local para tentar ver os jogadores. Eles se protegem do sol forte debaixo de árvores.
12h05
Taxistas que fazem ponto em hotéis da cidade, como o Oasis Atlântico e o Marina Park, estão dizendo abertamente que vão trabalhar hoje sem o uso do taxímetro. Vão cobrar o que acharem conveniente nas corridas para o local do jogo entre Brasil e México. Um deles contou ao Blog que acertou o preço com um grupo de quatro torcedores. Vai cobrar 300,00 para levá-los ao Castelão, esperá-los e trazê-los de volta.
12h03
Seleção -
 Bebida à vontade é servida neste momento a 154 convidados da Johnson&Johnson, uma das patrocinadoras da Fifa, numa área reservada no Hotel Marina Park. Há mexicanos no grupo. Eles bebem chope. O convívio com os brasileiros é cordial. Alguns gritos mais exaltados a favor de Brasil e México já podem ser ouvidos após curtos intervalos. O coquetel começou faz mais de uma hora. “O grupo chegou tímido, agora já está bem alegre”, contou uma funcionária da empresa.
11h55Avenida Alverto Craveiro, entre o viaduto do aeroporto e viaduto da BR-116, está fechada, tomadas por manifestantes. A polícia estima que 15 mil pessoas estão no movimento. A avenida de acesso ao aeroporto também está fechada, nos dois sentidos.
11h51Grupo de manifestantes acaba de chegar diante da polícia montada e do Batalhão  de Choque. Por enquanto o movimento é pacífico, sem nenhum tipo de confronto. Manifestação fecha uma das pistas da BR-116.
11h42Seleção - A saída da delegação do local para o Castelão estava prevista para às 14h, mas deve ser antecipada por causa dos protestos.

11h40
Seleção - Nenhum jogador circulou pelo saguão do Hotel Marina Park pela manhã de hoje, nem mesmo nenhum integrante da comissão técnica, segundo relato do capitão porteiro José Edson, funcionário há mais de 20 anos do hotel. Mesmo assim, vários hóspedes permanecem no local na expectativa de um contato com os atletas. Isso, porém, é pouco provável. O ônibus da delegação vai sair por outra ala do hotel, sem contato com o público.
11h33
Seleção - O saguão do Hotel Marina Park, onde se hospeda a seleção brasileira na capital cearense, está repleto de convidados dos patrocinadores oficiais da Confederação Brasileira de Futebol. Aguns estão seguindo de ônibus neste momento para um restaurante nas proximidades do hotel. Logo depois do almoço, vão para o Castelão. Muitos não usam a camisa amarela da seleção e sim a camisa que identifica o patrocinador.
11h21
Mesmo com a proibição da Fifa, moradores que moram a cerca de 1 km do estádio – portanto, já na área de acesso restrito – começam a instalar isopores para a venda de refrigerantes, água e cerveja.
1107
Manifestação vai ganhando corpo. Gritos de quem protesta é de “Fora Dilma”, “O gigante acordou”, “Brasil, presta atenção”, “O salário de Neymar vale mais que a educação”, dentre outros.
11h05
Um grande congestionamento começa a se formar nas vias de acesso ao estádio. Motoristas precisam deixar seus veículos a cerca de dois quilômetros e seguir a pé ao Castelão.
11h02
Ônibus lotados de manifestantes começam a se dirigir em direção ao estádio do Castelão. A reportagem avistou um em que as pessoas gritavam palavras de ordem, soavam apitos e ostentavam cartazes. Um dos cartazes pede Menos Copa, mais escolas, menos jogos, mais educação.
11hDois pontos de Fortaleza em que sairiam ônibus para transporte de passageiros com ingressos para o jogo não estão funcionando. Alguns torcedores chegam ao local – um no supermercado Extra, outro na estação Parangaba – e não encontram o transporte.

10h58
O  juiz Francisco Pontes de Vasconcellos, da 2º Vara da Fazenda Pública, negou pedido de liminar do Ministério Público do Ceará, que pedia a liberação das vias do entorno do estádio para circulação normal de pessoas e veículos. A área é interditada a pedido da Fifa em todos os estádios-sede.
10h46
Mesmo com os transtornos provocados pelo trânsito interrompido pela manifestação, motoristas ouvidos pela reportagem do Estado aprovam o protesto. Houve quem se desculpasse por não poder participar.
10h40
Cerca de 2 mil pessoas protestam na BR-116, nas proximidades do estádio. Muitos estão de cara pintada e carregando bandeiras e cartazes. O clima da manifestação é pacífico.
10h30
Bom dia! Começamos agora a cobertura em tempo real do segundo jogo do Brasil na Copa das Confederações. Nossos enviados especiais Alex Silva, Almir Leite, Fernando Faro, Nilton Fukuda, Robson Morelli, Silvio Barsetti e Mateus Silva Alves já estão nos arredores do Castelão para trazer informações de tudo que antecede a Brasil x México, jogo que pode garantir a classificação antecipada de nossa seleção às semifinais da competição.
Além da bola rolando, a expectativa é de que o dia seja marcado por protestos em Fortaleza. Pelas redes sociais, torcedores pedem que quem for ao estádio cante o hino nacional de costas para o campo. Até a polícia promete protestar.

''A SERPENTE ESTÁ NA TERRA'' OS PROTESTOS ESTÃO NO AR (parafraseando Raul Seixas)

19/06/2013
Dilma e Lula se reúnem para 'salvar' Haddad


A presidente Dilma e o ex-presidente Lula criaram uma "operação para salvar´ Haddad, revelou com exclusividade o Broadcast Político, lançado ontem pela Agência Estado.

Dilma e Lula tentam salvar Haddad


 A presidente Dilma Rousseff e seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, montaram uma "operação de salvamento" do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, alvo de nova onda de protestos, na noite de ontem. O prefeito encontrou-se ontem com Dilma e Lula, na Base Aérea de Congonhas, depois de uma reunião com representantes do Movimento Passe Livre, na qual se comprometeu a estudar a revisão da tarifa.

A informação sobre a operação de resgate de Haddad foi divulgada com exclusividade ontem no fim da tarde pelo Broad-cast Político - o primeiro serviço em tempo real do País na cobertura dos assuntos políticos, lançado oficialmente também ontem em Brasília.

Antes dessa conversa, Dilma tinha se reunido com Lula, com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, com o presidente do PT, Rui Falcão, e com o marqueteiro João Santana, em um hotel da capital paulista. O ex-presidente disse que o PT e suas administrações erraram ao se distanciar da juventude e agora pagam o preço do afastamento.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deverá assumir a tarefa de interlocução com a juventude, e o governo estuda novos programas para beneficiar essa camada da população, que tem força eleitoral. Lula disse a Dilma e a Haddad que era preciso agir rápido para impedir mais desgaste aos governos do PT.

No diagnóstico do ex-presidente, a oposição começa a agir para "faturar" politicamente e, se o PT não abrir diálogo com a juventude, ninguém sabe como a onda de protestos terminará.

Diante dessa avaliação, Dilma acertou com João Santana, ainda na noite de segunda-feira, o tom do discurso lido ontem, durante a cerimônia de lançamento do Código de Mineração (mais informações nesta página).

Ajuste de discurso. No pronunciamento, elogiado por Lula, Dilma desviou do cerco político e se solidarizou com as manifestações pacíficas. "As vozes das ruas querem mais. O meu governo também quer mais", insistiu a presidente.

O discurso foi feito sob medida para tentar aproximar Dilma da juventude e, mesmo sem citar diretamente o escândalo do mensalão, protagonizado por petistas, ela disse entender a mensagem das ruas, de repúdio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público.

No Palácio do Planalto, a avaliação é a de que o PT perdeu o controle não só da juventude, como também dos movimentos sociais.

Pesquisas qualitativas em poder de dirigentes do partido indicam agora que a insatisfação generalizada atinge tanto a imagem de Dilma, candidata à reeleição, como a de Haddad.

"É uma insatisfação contra o status quo”, resumiu o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. “Isso pode até mesmo nos ajudar a apressar as mudanças que queremos para o País." A estratégia do PT é a de se solidarizar com os manifestantes, na tentativa de neutralizar o movimento, que começou com protestos contra o aumento da tarifa de transporte coletivo e fugiu ao controle do monitoramento do Planalto.

 “Eu penso que temos de fazer uma autocrítica porque há um distanciamento do PT em relacão à agenda da juventude no período pos-Lula”, afirmou o deputado estadual Edinbo Silva, presidente do PT paulista. "Existe um ideário em disputa no País e, se não tivermos a capacidade de dialogar, esse movimento poderá ser facilmente cooptado por setores mais conservadores."

Governadores. 

A presidente Dilma também telefonou ontem para os governadores do São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), para falar sobre as manifestações ocorridas ontem nas capitais.

Na conversa com Alckmin, elogiou especificamente a ação da polícia, que, diferentemente da semana passada, não agiu com violência nem tentou conter a ação dos manifestantes na capital paulista. Também destacou o caráter pacífico da manifestação de segunda-feira.

Setores do partido entendem que a estratégia da comunica-cão com foco no social e a bandeira da retirada de milhões de pessoas da miséria precisa ser modificada porque já não dá conta de englobar os anseios da população que agora começam a aparecer.


O encontro de Dilma e Lula ocorreu no Hotel Shcraton, um dos mais luxuosos da capital paulista,e durou três horas. Como de costume, nem a Presidência e nem o Instituto Lula divulgaram o local do encontro. 


Ontem, especificamente, temiam que a publicidade da reunião pudesse juntar manifestantes contrários a ambos. Após conversar com Dilma e Lula em Congonhas, Haddad aparentemente abandonou a disposição, que se mantinha firme desde a véspera, de não rever aumento da tarifa de R$ 3,20



PROTESTOS: ''FOI NUMA LEVA QUE A CABOCLA MARINGÁ..." (Joubert de Carvalho)

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  • Protesto de cinco horas reúne mais de dez mil pessoas em Maringá

  • Clóvis Augusto Melo e Rosângela Gris





22h30 O portal O Diário encerra aqui a transmissão em tempo real do protesto que levou mais de dez mil pessoas às ruas de Maringá nesta terça-feira (18). Foram quase cinco horas e meia de manifestação pacífica por ruas e avenidas da cidade, apenas com incidentes isolados. Veja aqui a galeria de fotos. Confira também a cobertura completa da manifestação na edição impressa de O Diário desta quarta-feira (19).
22h10 Um pequeno grupo de manifestantes ainda resiste após mais de cinco horas de manifestação e impede a entrada de ônibus no terminal.
22h00 Ônibus são pichados ao final da manifestação no terminal urbano.
21h50 Um grupo de manifestantes tentou incendiar dois ônibus que estavam do lado de fora do terminal ateando fogo em um monte de lixo que foi jogado sob os veículos. Rapidamente outros manifestantes usaram extintores para apagar as chamas antes que os ônibus fossem danificados.
21h45 Manifestantes se dividem em dois grupos. Enquanto uns se concentram no interior do terrminal urbano, outros permanecem do lado de fora.
21h38 Manifestantes gritam palavras de ordem contra o transporte coletivo e incentivam os usuários a pularem as catracas.
21h28 Viatura da Polícia Militar (PM) é recebida com vaias no terminal urbano.
21h26 No percurso, motoristas que passavam pela passeata ouviram os gritos de "Ei você carro, o combustível também está caro".
21h25 Manifestantes chegam ao terminal urbano e barram a saída dos ônibus.
21h14 As duas pistas da Avenida Brasil estão tomadas por uma multidão de aproximadamente três mil.
21h08 Grupo de manifestantes segue pela Avenida Brasil em direção a Avenida São Paulo. Cruzamento é fechado.

João Paulo Santos
Motorista da TCCC atende pedidos dos manifestantes e coloca a máscara do V de Vingança










21h03 Depois de mais de três horas e meia de manifestação, cerca de mil pessoas ainda caminham pela Avenida Herval. Próximo cruzamento a ser fechado será o da Herval com a avenida Brasil.
21h00 Das janelas dos prédios na Avenida Tiradentes, moradores manifestam apoio ao protesto.
Confira a galeria de fotos do protesto aqui.
20h55 Depois de passarem pela Avenida Tiradentes, passeata chega a Avenida Herval. No trajeto, manifestantes continuam gritando "Vem pra rua".


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terça-feira, junho 18, 2013

XÔ! ESTRESSE [In:] ''CHEGOU A HORA DESSA GENTE BRONZEADA MOSTRAR SEU VALOR..." (Os Novos Baianos/Baby do Brasil)


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POR QUEM OS SINOS DOBRAM [?]

18/06/2013 - 03h25

TSE ignorou parecer técnico ao aprovar as contas do PT de 2003

RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA


Ao aprovar as contas do Diretório Nacional do PT de 2003, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ignorou um parecer contrário produzido pela sua própria coordenadoria de exame de contas eleitorais.

A Folha havia revelado, em maio, que o TSE aprovou as contas em 2010 --em decisão tomada pela ministra Cármen Lúcia, com base na área técnica-- desprezando as irregularidades que o processo do mensalão, no STF, e uma auditoria da Receita Federal apontaram nas finanças do PT naquele ano --na época em que Delúbio Soares era o tesoureiro da legenda.

Caio Kenji/Folhapress
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares (centro)
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares (centro)
Um parecer de 24 páginas produzido em 2010 por auditor lotado na Coepa (Coordenadoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias) do TSE, cujo conteúdo foi divulgado no último domingo pelo jornal "O Globo", pedia a reconsideração da decisão do TSE de junho do mesmo ano, que aprovara as contas apenas com algumas ressalvas.

Produzido pelo auditor Rodrigo Aranha Lacombe, o parecer nem chegou a ser anexado aos autos da prestação de contas. O trabalho de Lacombe alertava que tanto os dados do mensalão quanto da Receita Federal poderiam e deveriam ser levados em conta durante a análise da contabilidade oficial do PT.

Procurado para falar, Lacombe não se manifestou.

O principal ponto de controvérsia diz respeito ao uso de informações produzidas pela CPI dos Correios, no Congresso, e por uma devassa realizada pela Receita nas contas de diversos partidos.

Ao aprovar as contas, o TSE fez uma interpretação meramente contábil dos registros e não levou em consideração toda a movimentação em caixa dois. Segundo o auditor contrário à aprovação, caberia ao TSE "analisar qualquer documento fiscal" que indique irregularidade, segundo decisão da própria corte.

OUTRO LADO

O Tribunal Superior Eleitoral não comentou, até a conclusão desta edição, o parecer que recomenda a desaprovação das contas do Diretório Nacional do PT de 2003.

Em maio a assessoria disse que a ministra Cármen Lúcia decidiu com base na manifestação da área técnica. Procurada para falar, a chefe da Copea em 2010, Mary Ellen Gleason Gomide Madruga, hoje no STJ, preferiu não se manifestar: "Estou fora do eleitoral e não tenho autorização [para falar]. Na época até poderia, mas fora de lá não tenho autorização para falar sobre assuntos de lá".
+ CANAIS

A GERAÇÃO ''BOLSA NOVA''

18/06/2013
O aumento de uma geração que nem trabalha, nem estuda


O grupo dos "nem-nem" cresceu de 12,3% para 16% dos jovens entre os anos de 2000 e 2010

Natanael Damasceno
Selma Schmidt

Kelly Cristina Estrela, de 24 anos, deixou a escola há nove, ao descobrir que estava grávida do primeiro dos quatro filhos. 

História semelhante à de Evelyn Marcelli Lima Marcelino, que em 2010, logo após saber que estava esperando filho, abandonou o oitavo ano do ensino fundamental aos 15 anos. Já Glauciane Rodrigues Hilário, de 22, interrompeu os estudos há uns três ou quatro anos, quando concluiu a oitava série, e parou de trabalhar há um ano, pouco antes de engravidar de Maria Eduarda, hoje com 3 meses. 

As três fazem parte de um um grupo de cariocas que cresceu significativamente entre os censos realizados pelo IBGE em 2000 e 2010. São jovens com idade entre 15 e 24 anos que nem estudam, nem trabalham e nem procuram emprego. 

No último levantamento demográfico, os "nem-nem", como são chamados nos círculos acadêmicos, eram pouco mais de 157 mil dos 972.856 cariocas nessa faixa etária (16%). Em 2000, eram 124,6 mil, ou 12,3% dos cariocas nessa idade.

No terceiro dia da série Retratos Cariocas, O GLOBO destaca essa e outras conclusões de um estudo do Instituto Pereira Passos (IPP) sobre mercado de trabalho, juventude e educação no Rio de Janeiro. Os painéis, que serão divulgados na íntegra no Armazém de Dados, site da instituição, mostram que pouco menos da metade (48,9%) dos jovens com idades entre 15 e 24 anos compunha a população economicamente ativa do município, ou seja, estava trabalhando ou procurando emprego. Mostra ainda que o desemprego jovem na cidade registrava em 2010 uma taxa de 17,5%, bem menos que os 29% de 2000. E, que entre as Regiões de Planejamento da cidade, a que apresentou um maior índice no Censo de 2010 foi a de Santa Cruz, com 23,3% de desempregados entre 15 e 24 anos. Em seguida ficaram Campo Grande, com 21,5%; e Inhaúma, com 19,6%.

Marcelli mora com os pais e uma irmã no Bairro Canaã, em Santa Cruz. O pai de seu filho viveu com ela na casa de sua família, mas há alguns meses voltou para a residência dos pais dele, em Campo Grande. Em janeiro, ela completou 18 anos e, estimulada por uma amiga, aceitou um emprego do qual tinha poucas informações. Foram, no entanto, apenas cinco dias de trabalho:

- Não dão oportunidades para as pessoas. Olho às vezes na internet. Exigem ensino fundamental completo e experiência. Como vou ter experiência se nunca trabalhei? Estou desestimulada.
Kelly, que mora com o companheiro numa casa de apenas um cômodo no alto do Morro do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, tem argumento semelhante e ainda acrescenta:

- Meu marido trabalha como entregador de jornais e passa os dias fora. Se for trabalhar, além de ganhar pouco, não tenho com quem deixar meus dois filhos pequenos.

Glauciane, por sua vez, diz que precisa encontrar creche integral para sua filha para voltar a trabalhar.

- Era muito cansativo trabalhar e estudar. Mas me arrependo de ter parado de estudar. Quando minha filha ficar um pouco maior, pretendo voltar para a escola e até fazer faculdade.

Para especialistas, no entanto, as causas do aumento do grupo dos "nem-nem" extrapolam as explicações usuais, associadas à gravidez ou à falta de motivação e de apoio para procurar emprego. Doutora em educação, Andrea Ramal diz que a evasão no ensino médio é um dos fatores que agravam a situação.

- O Censo Escolar de 2011 (Inep) mostrou que dois milhões de jovens brasileiros de 15 a 17 anos estão fora do ensino médio. Os jovens abandonam os estudos por muitos fatores: falta de estímulo; necessidade de obter uma renda; ambiente familiar com baixa escolaridade e com poucas oportunidades de ampliação do repertório cultural; aspectos comportamentais, como baixa motivação para o autodesenvolvimento e falta de um projeto de vida; e reprovação. No caso de muitas meninas, a gravidez precoce também é um fator de abandono escolar. Como resultado, no Brasil constatamos o crescimento dessa geração "nem-nem". Por sua baixa qualificação, esses jovens acabam não se colocando bem no mercado de trabalho e, com o passar dos anos, têm mais dificuldade para permanecer. Esse quadro não traz boas perspectivas para o Brasil e tampouco para o Rio. Essa geração de jovens certamente vai fazer falta no horizonte de crescimento sustentável desejado para o município.

O TIRO NO PÉ

18/06/2013
Dora Kramer

No pé de quem?


O ministro Gilberto Carvalho parece que estava adivinhando. Em meados de dezembro, há exatos seis meses, o secretário-geral da Presidência da República gravou em vídeo uma saudação de fim de ano ao PT convocando a militância à ir às mas "assim que passarem as festas".

Aconselhava os companheiros a "descansarem bem agora" porque "em 2013 o bicho vai pegar". Demorou um pouquinho, mas não deu outra: o bicho pegou.

Em configuração diferente daquela pretendida pelo ministro na convocatória de dezembro. Lá a ideia era "a gente ir para as ruas" em defesa do governo federal, contra os "ataques sem limites ao nosso querido presidente Lula".

Na concepção do ministro, em protesto a "eles". Quem? "Os mafiosos midiáticos da oposição ao Brasil", cujo objetivo único na versão natalina de Carvalho seria a destruição "do nosso projeto, do nosso governo, do nosso PT".

Note-se a expressão "da oposição ao Brasil". Refere-se a qualquer grupo, cidadão ou instituição que critique ou discorde do governo tomando-se, por isso, automaticamente inimigo do País.

O ministro atirou na imagem construída por devaneios persecutórios costumeiramente usados como armas , de ataque disfarçadas em instrumentos de defesa, mas acertou em sentimentos distantes do alcance da vista.

Há exaustão, há revolta, há contrariedade. Mas não há por parte dos exaustos, dos revoltados, dos contrariados adesão a partido algum. Não que os manifestantes ou parte deles não tenham suas preferências, mas elas não se expressam na explosão da chama acesa pelo aumento das passagens de ônibus.

À exceção de grupos alojados em pequenas legendas cuja expressão é nenhuma, não há até agora a digital de partidos por trás dos protestos que pegaram o Brasil de surpresa.

De um modo geral os políticos têm evitado falar. Estão tentando entender o que se passa, antes de se pronunciar.

Os poucos que o fizeram ou falaram bobagem ao repetir os velhos bordões sobre "orquestração" de adversários ou passaram ao largo da questão central a discrepância entre a agenda do mundo política e as demandas de uma sociedade maltratada pelo Estado.

Seja ele representado por governantes do PT, PSDB, PMDB ou qualquer partido. Estão evidentemente à margem dessa mobilização popular. 

Além de não terem, o menor interesse em transferir o jogo da política de espaços conhecidos (gabinetes, Congresso e tribunais) para o terreno desconhecido das ruas, são todos eles alvos da insatisfação.

Nessa altura quem aparecer para tentar capitalizar eleitoralmente a comoção provavelmente será repudiado, O levante também é motivado pelo descrédito na política. A desqualificação do Congresso, a preocupação exclusiva dos partidos com a disputa de votos, a discussão concentrada em eleição distante enquanto as condições objetivas da vida vão piorando dia a dia, não faz dos políticos aliados confiáveis.

Os "mafiosos midiáticos da oposição ao Brasil", referidos pelo ministro Gilberto Carvalho para (des)qualificar os críticos, como se vê não são mafiosos, não são midiáticos, não são inimigos do País. Ao contrário, estão chamando atenção para a Indiferença do poder público, independentemente do matiz partidário.

O bicho realmente está pegando. Resta saber, porém, no pé de quem exatamente. Em outras palavras: é de se conferir para onde caminhará essa insatisfação quando chegar a hora de a manifestação se expressar nas urnas.

No momento a única certeza é a de que não se direciona em favor de força político-partidária alguma. 

De um lado é bom porque não permite que nossos representantes enfrentem a questão debitando o custo na conta do vizinho. De outro há o risco de se deixar prosperar a semente para a pregação do voto nulo, ferindo gravemente a representação.

O ministro estava certo quando vaticinou: "Em 2013 o bicho vai pegar".

SEM FALSAS LIDERANÇAS, A EXEMPLO DOS ''CARAS PINTADAS'' DE 1992

18/06/2013
Os sem-rosto 


:: Carlos Alexandre

Uma característica dos protestos que desde a semana passada vicejam pelo país é a ausência de um rosto. Não se sabe quem são os líderes dos movimentos contra os vinte centavos na tarifa de ônibus de São Paulo, tampouco os próceres das manifestações em Brasília. Há uma dificuldade em se identificar porta-vozes dessa grita generalizada, que se organiza nas redes sociais e vai às ruas para protestar.

Até o momento, o que se observa é uma grande balbúrdia, promovida até pelas autoridades. A ação da Polícia Militar em São Paulo provocou indignação, com jornalistas e público feridos seriamente, e a suspensão do uso de balas de borracha indica que houve excessos. Mas é preciso ressaltar que ativistas destruíram o patrimônio público, como paradas de metrô. Estamos, pois, no pior dos cenários: manifestantes vândalos e policiais despreparados. O governador Geraldo Alckmin, para complicar a confusão, avaliou os protestos como ato político. Como se houvesse algum demérito na livre expressão de brasileiros, um direito assegurado pela Constituição.

Em Brasília, os grupos contrários aos gastos exorbitantes da Copa enfrentaram a força a partir do momento em que queriam interferir na entrada dos torcedores rumo ao estádio. Havia crianças no local. Com a exaltação dos ânimos, bastava um instante para a situação fugir do controle. O que se poderia fazer? É sabido que todo aparato de segurança age com força para reprimir, de forma inequívoca, abusos em manifestações. Não há como pedir gentilmente a 2,5 mil jovens que se afastem da área isolada do estádio para evitar que o pânico se instale no local onde estão mais de 60 mil pessoas.

Evidentemente, é possível que tenham ocorrido abusos das forças policiais. Existem instâncias que têm, por dever, investigar e coibir procedimentos inadequados. No mais, o que se observa é a política do grito. Enquanto os governistas afirmam — sem apresentar provas irrefutáveis —que os manifestantes foram pagos para perturbar a ordem, a internet está recheada de ataques generalistas a políticos. Para um país que poderia transmitir ao mundo uma imagem positiva, a foto não é das melhores.

''DEITADO ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO...! (Ops!!!)

18/06/2013
Protesto se espalha pelo País e políticos viram alvo


Uma nova onda de protestos - maior que as anteriores e com leque de reivindicações mais amplo - voltou a tomar conta das ruas de importantes cidades do País ontem. A maior manifestação, em São Paulo, reuniu 50 mil pessoas, segundo a PM. Foi a quinta na capital e a primeira sem violência. Uma das principais características das marchas foram demonstrações de insatisfação e rejeição da política institucional. Em Brasília, manifestantes tentaram invadir o Congresso, com palavras de ordem como “Fora Renan” e “Fora Feliciano”. No Rio, as ações se concentraram diante da Assembleia Legislativa. Em São Paulo, representantes de partidos foram impedidos de levantar bandeiras. “Não é comício, fora partidos”, gritaram manifestantes. Em Porto Alegre, uma das principais exigências foi a maior transparência dos negócios públicos. Em Curitiba, Belo Horizonte, Belém, Salvador e Maceió também ocorreram protestos e marchas aconteceram em cidades de médio porte como Londrina e Ponta Grossa, no Paraná.

No 5º e maior protesto, SP não tem presos e feridos

Manifestação pela redução da tarifa fechou Faria Lima, Paulista e Marginal, mas sem que houvesse registro de ocorrências

Na maior passeata desde o começo do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo, pelo menos 50 mil pessoas (segundo relatório do setor de Inteligência da Polícia Militar às 18 horas) caminharam pacificamente pelas zonas oeste e sul da capital paulista. O grito de guerra pela redução da tarifa de ônibus, metrô e trem - que era originalmente a pauta central - marcou presença, mas o coro foi engrossado por outras demandas como mais educação, fim da violência policial e contra todos os paitidos políticos.

A marcha seguiu o roteiro ditado pelos organizadores. Sem restrição da Polícia Militar, a passeata teve liberdade para tomar e fechar vias importantes da cidade. Começou com uma concentração no Largo da Batata, na zona oeste, e se dividiu em três: uma parte cruzou os jardins até a Avenida Paulista; outra pegou a Ponte Eusébio Matoso e Marginal do Pinheiros; e outra pela Avenida Brigadeiro Faria Lima até o Itaim-Bibi. As duas últimas divisões tinham o mesmo destino, a Ponte Octavio Frias de Oliveira. Lá, sobre o Rio Pinheiros, penduraram uma imensa bandeira preta com uma das frases tema da manifestação: "Se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar".

Depois de tomar a ponte, os grupos desceram pela Marginal do Pinheiros e foram em direção à Paulista, onde cerca de 2 mil pessoas já marchavam da Consolação ao Paraíso e voltavam. Um grupo até desceu para a Avenida 23 de Maio e fechou a via.

Paz. 

Em toda a passeata o clima foi de cessar-fogo entre a Polícia Militar e os manifestantes. Depois de quatro protestos com confrontos entre manifestantes e PM, o governo do Estado mudou de estratégia, chamou o grupo para uma reunião de manhã e descartou o uso da Tropa de Choque.

Na Avenida Brigadeiro Faria Lima, só seis PMs acompanhavam marcha de milhares de pessoas, entre eles o major Paulo Wilhelm de Carvalho. "A garantia que vai dar tudo certo é que só estamos nós aqui", disse o major. "Até porque se não der sou o primeiro a ser trucidado!", brincou.
O máximo de hostilidade com a PM era o grito mais comum de ontem à noite: "Que coincidência: sem polícia não tem violência". Quando a liderança do MPL informou, durante as negociações com a Corporação, que pretendia tomar a Ponte Octavio Frias de Oliveira, o major Wilhelm não reclamou e só comentou: "Vai dar uma boa foto".

Moradores e funcionários de empresas na Avenida Brigadeiro Faria Lima aplaudiam e gritavam palavras de apoio para a passeata. Das janelas, jogavam papel picado e estendiam panos brancos - sinal de apoio aos manifestantes já combinado pelo Twitter e pelo Facebook, com a hashtag #vemprajanela.

Sem políticos. 

Representantes do PSTU, PSOL, União Nacional dos Estudantes (UNE) foram vaiados e seus militantes tiveram de manter discrição. 


Continuaram empunhando as bandeiras, mas não gritavam palavras de ordem como nos outros protestos. "Oportunista", "não é comício" e "sem partidos" foram alguns dos gritos da maioria. "Vejo como positiva essa crítica pois questiona a corrupção e a forma dos financiamentos de campanha", disse deputado federal Ivan Valente (PSOL), presente no protesto. "O negativo é que só por meio dos partidos organizados é possível direcionar as demandas." Wilson Ribeiro, um dos líderes do PSTU presente na marcha, também lamentou o afastamento. "É uma pena, fica um movimento mais fraco." Presença maciça nos protestos anteriores, as bandeiras do PT e da Juventude do partido sumiram. A reportagem viu apenas uma, discreta, perto da Estação Faria Lima do Metrô. /

ARTUR RODRIGUES, BRUNO PAES MANSO, BRUNO RIBEIRO, DIEGO ZANCHETTA e OCIMARA BALMANT