PENSAR "GRANDE":

***************************************************
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
***************************************************


“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

----

''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

=========
# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
1Radio 1455824919 nhm...

valor ...ria...nine

folha gmail df1lkrha

***

sábado, abril 03, 2010

EDITORIAL III [In:] ELEIÇÕES 2010 (''Por fin, mañana...") *

...
Brasil

O tucano alça voo

A seis meses da eleição que definirá o próximo presidente da República, José Serra, líder nas pesquisas, deixa o governo de São Paulo para se dedicar à campanha em tempo integral.


Fábio Portela
Luiz Carlos Marauskas/Folha Imagem
DE SÃO PAULO PARA O BRASIL
Em sua despedida do Palácio dos Bandeirantes, Serra falou em "honra" e "caráter" para se contrapor ao estilo petista de fazer política.


Nos últimos meses, boa parte do PSDB esteve à beira de um ataque de nervos. Ela não se conformava com o fato de José Serra, candidato do partido à Presidência da República, evitar fazer declarações públicas sobre sua campanha enquanto ainda ocupava o cargo de governador de São Paulo. Serra, líder nas pesquisas, não queria misturar as bolas. Para ele, governo é uma coisa, campanha é outra. Ele decidiu que só inauguraria o discurso de candidato quando deixasse o Palácio dos Bandeirantes. E foi o que fez.
Na quarta-feira passada, despediu-se do governo paulista. Era o fim do prazo legal para que os políticos se desvinculassem de seus cargos executivos para disputar as eleições de outubro. O lançamento oficial da candidatura de Serra será em Brasília, no sábado que vem, mas seu discurso de despedida do governo paulista já deu o tom da campanha tucana. Ele trouxe para o debate um tema que causa arrepios ao PT: a ética na política. "Aqui não se cultivam escândalos, malfeitos, roubalheira. Também nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito", disse Serra. Qualquer semelhança entre o "silêncio da cumplicidade" e a reação do presidente Lula ao caso do mensalão petista está muito além da coincidência, é claro.

Serra também falou sobre eficiência na gestão da máquina pública. "Austeridade, para nós, não é mesquinharia econômica. É cortar desperdícios e reduzir custos precisamente para fazer mais com aquilo de que se dispõe." Em seguida, enfileirou uma série de dados referentes às realizações alcançadas por sua administração, que estarão presentes em sua campanha no rádio e na TV: a inauguração do trecho sul do Rodoanel, a expansão da rede do metrô, a redução dos homicídios em São Paulo e a aprovação da lei antifumo, copiada em diversos estados. Além de repisar esses pontos, Serra também deverá entrar no debate econômico. Ele vai defender dois pontos de vista principais: 1) Se o Brasil está hoje em uma situação confortável, é porque atravessa um período virtuoso que já dura quase dezesseis anos, iniciado no governo de Fernando Henrique Cardoso, com a implementação do Plano Real e a estabilização da inflação; 2) Ele, Serra, é o nome mais qualificado para dar continuidade a esse ciclo de progresso.

Serra já pode se preparar para enfrentar a perseguição agressiva - e muitas vezes violenta - dos movimentos sociais controlados pelo PT.

Enquanto ele fazia seu discurso de despedida, um grupo de 4 000 sindicalistas tentava fechar a Avenida Paulista e se esforçava para entrar em confronto com a Polícia Militar, bradando slogans antitucanos. Queriam armar uma cena de sangue para manchar o último dia de Serra no governo. A maior evidência de que a gritaria sindical é puramente política é a altíssima aprovação do governo Serra em São Paulo.

Somando ótimo, bom e regular, 87% dos paulistas aprovam seu governo, segundo o Datafolha. Ou seja, seu trabalho é admirado, ao contrário do que querem fazer crer os sindicalistas. Eles não conseguiram armar a confusão que esperavam na semana passada, mas não vão desistir. A CUT, braço petista no meio sindical, já definiu que vai para a rua fazer barulho contra Serra. A UNE, financiada com recursos do governo federal, também deve ajudar. O MST, então... Está oficialmente aberta a temporada de caça aos votos de 2010. E ao candidato tucano.

----------

http://veja.abril.com.br/070410/tucano-alca-voo-p-056.shtml

-------------

(*) POR FIN, MAÑANA (Armando Manzanero). Roberto Carlos.

"(...) Por fin, mañana,
A mí lado volverás.
Por fin, mañana,
Igual que ayer,
comenzará cantar la fuente
Y mí jardin florescerá como hace tiempo...
Por fin, mañana,
A estas horas, te tendré! ...

www.vagalume.com.br

---------

EDITORIAL II [In:] ELEIÇÕES 2010 (''Vermelhou o curral...'') *

...

03/04/2010

Lula se dá por vencido e Temer será o ‘vice’ de Dilma

Lula Marques/Folha

Está pavimentado o caminho que levará o deputado Michel Temer à posição de candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff.

Em diálogo que manteve com um dirigente do PT, Lula disse que desistiu de “dar murro em ponta de faca”.

Patrono do projeto Dilma-2010, Lula torcia o nariz para Temer. Buscava alternativas. A principal era Henrique Meirelles, presidente do BC.

Lula desistiu de esmurrar a faca, segundo disse, porque Temer “fechou o PMDB”. Daí ter pedido a Meirelles que ficasse no BC.

Concluiu que, levada às últimas consequências, a resistência a Temer poderia comprometer “o essencial”.

E o que é “o essencial”? O apoio formal do PMDB a Dilma, com a cessão do tempo de televisão do partido à candidata.

Para ser oficial, a adesão precisa ser formalizada em convenção. E o grupo de Temer controla a grossa maioria dos votos.

O deputado “fechou o PMDB”, na expressão de Lula, em fevereiro, mês em que foi reconduzido à presidência do partido.

Temer reteve a cadeira, que ocupa desde 2001, em costura que envolveu os protolulistas José Sarney e Renan Calheiros.

De quebra, isolou o pedaço do PMDB que pende para o presidenciável José Serra, do PSDB. E fulminou a quimera da candidatura própria.

Também o PT rendeu-se a Temer. Ouvido pelo repórter, uma liderança do partido disse que o futuro vice não renderá votos a Dilma. Porém...

Porém, vai entregar à candidata um tempo de TV que, somado ao dos outros partidos da coligação, resultará na maior vitrine eletrônica da campanha.

Estimou que Dilma terá à sua disposição algo como 45% de todo o espaço televisivo a ser partilhado entre os candidatos à sucessão de Lula.

Num exercício retórico, o grão-petê explicou que, num cenário de disputa apertada, a televisão é tão importante para Dilma quanto o ar que a candidata respira.

Disse que, menos conhecida que o rival Serra, Dilma usará metade do tempo para se apresentar ao eleitor. A outra metade servirá para vinculá-la à gestão Lula.

Trabalha-se com a seguinte equação: Dilma + Lula x Continuidade = Favoritismo. Meirelles injetava na conta uma variável que poderia conspurcar o resultado.

Esta será a segunda vez que Temer vai às urnas como candidato a um cargo executivo. A primeira tentativa resultou em fiasco.

Deu-se em 2004, na eleição para prefeito de São Paulo, vencida por José Serra. Temer foi à disputa como vice de Luiza Erundina (PSB).

A dupla beliscou escassos 4% dos votos dos paulistanos. Amargou um constrangedor quarto lugar.

Deputado desde 1987 –primeiro como suplente, titular a partir de 1995— Temer receberia em 2006 um, por assim dizer, recado do eleitor.

Tomado pelo número de votos que obteve (99.046), Temer não teria sido devolvido à Câmara. Serviu-se, na bacia das almas, das sobras do quociente eleitoral.

Chegou ao Congresso com uma estatura menor que a exibida em 2002, quando amealhara sua melhor marca: 252.229 votos.

Naquele ano, graças às articulações do grupo de Temer, o PMDB entregara seu tempo de TV ao tucano José Serra.

O partido plantara na chapa de Serra, como candidata a vice, a deputada pemedebê Rita Camata (ES), hoje filiada ao PSDB.

A vitória de Lula submeteu Temer a uma realidade adversa. Sob FHC, fora à presidência da Câmara duas vezes. Obtivera cargos na máquina pública.

No primeiro mandato de Lula, perderia os cargos. E seria ultrapassado em prestígio por Sarney e Renan, lulistas de primeira hora.

Reeleito em 2006, Lula decidiu ampliar sua base congressual. Encontrou em Temer um interlocutor maleável.

Fragilizado pelas urnas miúdas e premido pela necessidade de recuperar o espaço que seu grupo perdera para a ala do Senado, Temer acertou-se com o governo.

Firmou com o petismo um acordo que o faria presidente da Câmara pela terceira vez, no estratégico biênio 2009-2010.

Ampliou-se para seis o número de ministros do PMDB. Entre os que foram à Esplanada, Geddel Vieira Lima, outro ex-aliado do tucanato.

Geddel tornou-se o principal defensor do projeto de Temer. Candidato ao governo da Bahia, operou nos subterrâneos contra a conversão do cristão novo Meirelles em vice de Dilma.

Sempre que o nome de Meirelles emergia nas manchetes, Geddel cuidava de lembrar ao PT que o prestígio do presidente do BC se restringia ao mundo das finanças.

Cristão novo no PMDB, partido ao qual se filiou em setembro de 2009, Meirelles não arrastaria na convenção do partido um mísero voto para Dilma.

Ficou entendido que a parceria eleitoral dependia da entrega da vice a Temer, guindado à condição de fiador do entendimento.

A última pesquisa Datafolha como que aplainou a crista de Lula e do petismo. Embora competitiva, Dilma estacionou. E a vantagem de Serra foi a nove pontos.

Para evitar reviravoltas, Lula desistiu de Meirelles. Pressentiu que era hora de garantir “o essencial”: o tempo de TV do PMDB. Digeriu Temer.

-------------------------------------

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 07h11

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2010-04-01_2010-04-30.html#2010_04-03_08_11_10-10045644-0
--------------
(*) VERMELHO (Chico da Silva). Fafá de Belém.

(...) O velho comunista se aliançou
Ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom
E a expressão da minha côr
Meu coração!...

(...)
Tudo é garantido
Após a rosa vermelhar
Tudo é garantido
Após o sol vermelhecer...

Vermelhou o curral
A ideologia do folclore

Avermelhou!
Vermelhou a paixão
O fogo de artifício
Da vitória vermelhou..
-------------------

EDITORIAL: ELEIÇÕES 2010 (AMIGOS, ''pero no mucho!!!'')

...
Brasil

Prateleira eleitoral

Dilma Rousseff deixa o governo para ser a candidata petista à Presidência e passa, a partir de agora, a enfrentar os problemas reais de uma campanha – inclusive afastando-se de companheiros indesejáveis


Daniel Pereira
Fotos Wilson Pedrosa/AE, Cristina Gallo/BG Press e J. F. Diorio/AE
PARA ELEITOR VER
O comitê de campanha decidiu manter a distância o ex-ministro José Dirceu, o chefe da quadrilhado mensalão, e o ministro Franklin Martins.


A última etapa do processo de metamorfose da ministra Dilma Rousseff foi planejada para terminar de forma apoteótica. Depois de dois anos em campanha, a burocrata, que nunca disputou uma eleição, deixaria o governo como franca favorita à Presidência da República, catapultada pelo compromisso de continuidade da gestão petista e impulsionada pela ampla popularidade de seu mentor – o presidente Lula. Era esse o script.
A mais recente pesquisa de intenção de votos, porém, mostrou uma ligeira ampliação da liderança do tucano José Serra, que agora é de 9 pontos. Os números resfriaram o entusiasmo de alguns, que já previam uma vitória inexorável em primeiro turno, mas também serviram de motivação para ações eleitoralmente mais agressivas.

A mais visível foi o lançamento da nova edição do Programa de Aceleração do Crescimento. O PAC 2, como definiu o presidente da República, não passa de uma "prateleira de projetos" de realização incerta. Diante de trinta ministros, dezoito governadores e centenas de prefeitos, a petista anunciou investimentos de 1 trilhão de reais em obras – um superplano que, de concreto, tem muito pouca coisa.

Além de reforçar a imagem da agora ex-ministra como tocadora de obras, boa administradora e encarregada de dar sequência ao governo Lula, o PAC garante o entusiasmo dos empresários, principalmente os empreiteiros, sempre generosos financiadores das campanhas. Cumprida essa missão, o presidente Lula partiu para uma segunda etapa para manter empinada a candidatura petista – esta já bem menos visível: contornar os problemas políticos com potencial de criar turbulências à sua candidatura. A escolha do vice-presidente é uma ameaça real e imediata. O posto foi prometido ao PMDB como forma de viabilizar a aliança entre os dois partidos, mas era cobiçado por duas figuras exponenciais: o deputado Michel Temer, presidente da Câmara, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Lula, o senhor de todas as decisões, incentivou Meirelles a se filiar ao PMDB e a pleitear o cargo. Achava que um crescimento meteórico de Dilma empurraria para suas mãos também a escolha do vice que melhor lhe conviesse – e que nunca foi Michel Temer. As pesquisas, porém, não deram sustentação ao plano. Depois de conversar com Lula, Meirelles anunciou na semana passada que permanecerá no BC e, portanto, não disputará as próximas eleições. Deve continuar à frente do Banco Central num eventual governo Dilma. O PMDB, que emitia sinais de irritação, respirou aliviado.

Se o contencioso com o PMDB aparentemente está equacionado, a candidata petista vai precisar de muita habilidade para convencer que é real uma decisão que já teria sido tomada por seus assessores – tirar da linha de frente da campanha dois pesos-pesados do petismo: o conselheiro político e ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, e o deputado cassado e lobista José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil.

A ideia partiu dos ex-ministros Antonio Palocci e Márcio Thomaz Bastos e conta com a simpatia do ex-prefeito Fernando Pimentel, coordenador da campanha de Dilma. Para eles, Franklin é um foco permanente de tensão e Dirceu uma fonte inesgotável de problemas. Para mostrar que o afastamento é real, no início de março, todos os principais dirigentes petistas foram convidados para o jantar de aniversário do ex-ministro José Dirceu, em Brasília.

Dilma não apareceu. Estava ocupada, participando de uma importante reunião com a bancada do PTB do ex-presidente Fernando Collor e do ex-deputado Roberto Jefferson – ao menos foi essa a versão oficial. Escapou assim das fotos, das entrevistas e do constrangimento de aparecer ao lado do companheiro apontado como o chefe da quadrilha do mensalão.

O ex-prefeito Fernando Pimentel, que também estava na reunião do PTB, fez uma visita discreta à festa e cumprimentou o aniversariante em nome da ministra. É mais ou menos um retrato do que será durante a campanha. Dirceu e Franklin continuarão na trincheira, articulando e cumprindo variadas tarefas. Para o grande público, ficarão na prateleira.

----------

http://veja.abril.com.br/070410/prateleira-eleitoral-p-058.shtml

------------

N.B.: PRATELEIRA ELEITORAL = ANDAIME ELEITORAL.

----------

quinta-feira, abril 01, 2010

XÔ! ESTRESSE [In:] ''É MENTIRA, TERTA ?" *

\o/
















[Homenagem aos chargistas brasileiros].
-----
(*) Pantaleão e Terta, personagens criados por Chico Anísio.
-----------

ELEIÇÕES 2010 [In:] SEM NÍVEL, FICA DIFÍCIL !!! (III)

---

DILMA PREGA CONTINUÍSMO E SERRA DIZ QUE PAÍS 'PODE MAIS'

NA DESPEDIDA, SERRA AFIRMA QUE BRASIL "PODE MAIS" E DILMA PREGA CONTINUIDADE

Autor(es): Julia Duailibi, Silvia Amorim
O Estado de S. Paulo - 01/04/2010


Na despedida do cargo, os principais pré-candidatos delineiam o eixo da campanha à Presidência

Os dois principais pré-candidatos à Presidência deixaram o cargo e delinearam o eixo da disputa na campanha: enquanto a ex-ministra Dilma Rousseff pregou a continuidade da obra do presidente Lula, o ex-governador José Serra disse que "o Brasil pode mais". A petista atacou o governo de FHC, chamando os tucanos e os demais partidos de oposição de "viúvos da estagnação". Para Dilma, os opositores do governo "não sabem o que oferecer ao povo, que hoje é orgulhoso, tem certeza de que sua vida mudou e não aceita mais migalhas". Segundo a ex-ministra, no governo de Lula "o povo é o centro das nossas atenções". Já o ex-governador evitou críticas a Lula e preferiu enfatizar o que diz ter feito por São Paulo, como a criação de empregos e os investimentos. Serra afirmou que seu governo é "popular" e, numa comparação indireta com a administração petista, sublinhou que fez uma gestão “ética”: “O governo tem de ter honra. Assim falo porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras".


O governador José Serra (PSDB) e a ministra Dilma Rousseff (PT) anunciaram ontem a saída dos cargos para se dedicarem às pré-candidaturas à Presidência da República. No discurso de despedida, Serra buscou marcar diferenças em relação ao governo federal, mas evitou críticas diretas ao presidente Lula. Procurou se apresentar como alguém capaz de aperfeiçoar as conquistas do governo atual. "O Brasil pode mais", disse ele.

...

Dilma, por sua vez, reforçou sua ligação com Lula, pregando continuidade: "Sabemos que aqueles que lamentam, os viúvos do Brasil que crescia pouco, da estagnação, fingem ignorar que a mudança é substancial". Além de Dilma, outros nove ministros na prática se afastaram ontem. Nos Estados, pelos menos dez governadores também deixaram suas funções. Filiado ao PMDB, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, decidiu adiar sua decisão. Ele sonha com a vaga de vice na chapa de Dilma e avalia se deve sair do BC.

"Aqui não se cultivam roubalheiras", diz tucano

No discurso de saída, Serra coloca em prática a estratégia de sugerir que os adversários flertam com a falta de ética


O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), despediu-se ontem do cargo, apresentando os dois principais eixos de sua campanha à Presidência: a aposta no discurso ético e no avanço das políticas sociais dos últimos anos.

Com um discurso afirmativo, Serra falou das realizações de sua administração e marcou as diferenças em relação ao governo federal, estabelecendo o confronto sem críticas diretas a um presidente com índices recordes de popularidade.

Para uma plateia de cerca de 2 mil pessoas, no Palácio dos Bandeirantes, o tucano evidenciou que na corrida presidencial não divergirá do PT na questão social, enfatizando que realizou em São Paulo um "governo popular". Por outro lado, sublinhará as diferenças com a atual gestão, pondo em pauta questões éticas.

Ao afirmar que o governo tinha "caráter", colocou em prática a estratégia tucana de mostrar ao eleitor que os adversários flertam com a falta de ética. "O governo tem que ter honra. Assim falo porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras. Nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade ou conivência com o malfeito."

Durante o discurso, em que citou Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa e Washington Luís, lembrou do lema da bandeira paulista, Pro Brasília Fiant Eximia ("pelo Brasil façam-se as grandes as coisas"), encerrando seu pronunciamento com a frase: "Vamos juntos. O Brasil pode mais."

Serra seguiu então para o terraço principal do Palácio dos Bandeirantes, onde fez um novo discurso, desta vez para 3 mil militantes. Destacou a ação de seu governo na área econômica, no enfrentamento da crise mundial e na geração de empregos. "Na crise, agimos com rapidez e geramos apenas em São Paulo quase 1 milhão de empregos diretos e indiretos com nossos investimentos."

A mensagem de renúncia do governador será enviada para a Assembleia amanhã, quando assumirá o governo o vice. Alberto Goldman (PSDB).

"Este é um governo de caráter. Não se deixou pautar por mesquinharias", disse Serra. "Estou convencido de que as pessoas têm de ter honradez."

Bravatas. Em uma breve biografia, o governador disse que nunca se deu a "frivolidades das bravatas". "Na minha vida pública já fui governo e oposição. De um lado ou de outro, nunca me dei às frivolidades das bravatas, nunca investi no quanto pior melhor, nunca exerci a política do ódio. Sempre desejei o êxito administrativo dos adversários no poder, pois isso significa querer o bem do cidadão."

O tucano fez questão de afirmar que seu governo é uma gestão popular. Citou vários de seus programas voltados para a baixa renda, como o Leve Leite, o Emprega São Paulo e o salário mínimo paulista. "Este governo, que é um governo popular, se orgulha de redistribuir renda. Essa é a alma do nosso governo. Tivemos sensibilidade para agir e diminuir a desigualdade."

Sisudo. Criticado pela falta de carisma e por ser centralizador, Serra se defendeu. "Procuro ser sério, mas não sou sisudo. Realista, mas não sou pessimista. Calmo, mas não omisso. Otimista, mas não leviano. Monitor, mas não centralizador."

O governador ainda se contrapôs à gestão econômica do PT na área fiscal. "Austeridade para nós não é mesquinharia econômica, não. Austeridade é cortar desperdícios, reduzir custos, precisamente para se fazer mais com aquilo de que se dispõe." Disse que sua gestão aumentou a receita sem elevar impostos, "apenas combatendo a sonegação".

Sem citar números, Serra destacou os principais projetos da sua gestão, com prioridade para os sociais e os de infraestrutura. Falou do programa de metas na área da educação, das obras em saneamento e dos investimentos em ensino técnico. Citou frase de Washington Luís, segundo a qual "governar é abrir estradas". Mas disse: "Governar é saber quais estradas vamos abrir."

O tucano frisou a importância do "planejamento", uma das bandeiras da adversária Dilma Rousseff. "O governo tem de fazer isso mesmo. Botar o Estado para funcionar, no lugar de fazer nomeações e cabides de emprego."

O governador tentou durante todo seu discurso falar para os paulistas e, segundo ele, para "todo o Brasil". "Olhando para trás e vendo tudo o de que participei, sinto ganhar bastante força para esta etapa seguinte, a etapa que nos espera", disse o pré-candidato do PSDB.

Dilma deixa governo com ataque a FHC

Lula engrossa coro e manda recado a José Serra: "Vai ter que botar o pé no barro"

João Domingos e Tânia Monteiro

BRASÍLIA

Transformada em mestre de cerimônias da despedida dos dez ministros que deixaram o governo para se candidatar às eleições de outubro, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, voltou a insistir numa eleição plebiscitária.


Ela atacou o governo de Fernando Henrique Cardoso, chamando os tucanos e partidos de oposição de "viúvos da estagnação, do Brasil que crescia pouco".

"Essas pessoas fingem ignorar que as mudanças no Brasil são substanciais porque têm medo", afirmou Dilma, que deixou o ministério ontem. "Não sabem o que oferecer ao povo, que hoje é orgulhoso, tem certeza que sua vida mudou e não aceita mais migalhas, parcelas e projetos inacabados." Segundo a ex-ministra, no governo de Lula o povo não é coadjuvante. "É o centro das nossas atenções."

A petista encheu Lula de elogios. Disse que o presidente é o líder mais popular da história do País e que é, entre todos, "o mais brasileiro". Numa demonstração de que dependerá da ajuda de Lula para fazer sua campanha, dirigiu-se ao presidente de forma reverente, chamando-o a todo instante de "senhor".

"O governo do senhor é um momento importante, de ápice, de vitória", afirmou a ex-ministra. "Talvez o mais longo momento de vitória de todos esses que lutaram." Ela citou as lutas contra a ditadura, a redemocratização, pelos direitos, igualdade, justiça e liberdade. "A geração que me sucedeu conseguiu realizar seus sonhos, até mais do que imaginou." Dilma estava confiante. Pregou a necessidade de todos reafirmarem a continuidade da obra de Lula e se despediu com um "até breve", esperando voltar dentro de nove meses ao Palácio do Planalto, agora como presidente.

Na fala, a ex-ministra da Casa Civil avisou que não faria discurso de improvisos, porque gastaria a metade chorando, enquanto na outra metade se esqueceria do que tinha de falar. Mesmo assim, a pré-candidata petista cometeu seus costumeiros erros. Chamou Fernando Haddad (Educação) de Paulo Haddad (ministro do Planejamento no governo de Itamar Franco) e referiu-se ao Palácio do Itamaraty como Palácio do Planalto.

Missão. No discurso em que se despediu dos dez ministros e cumprimentou os novos integrantes da Esplanada, o presidente Lula disse que Dilma era a única entre os ministros que não queria ser candidata ao Palácio do Planalto. Mas acabou tendo de sair do governo para se candidatar a "um cargo talvez até melhor do que a Casa Civil".

Evitou referir-se à Presidência, para não ser punido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por campanha antecipada ? ele já foi condenado duas vezes e terá de pagar R$ 15 mil de multas por isso.

"Tinhoso".

Lula aproveitou o discurso para fazer elogios a todos os ministros que saíram. Baseou-se, para isso, em informações fornecidas pelos próprios ex-ministros, nas reuniões que tiveram nos últimos dias. Fez piadinhas, contou histórias, deu leveza à cerimônia. Ao falar sobre Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), lembrou que o ex-ministro lhe fez oposição durante os primeiros quatro anos de governo. E que, apesar de ser "tinhoso, brigão, era um cumpridor de tarefas".

Lula lançou ainda um desafio ao governador José Serra, pré-candidato tucano ao Planalto. "Quem quiser me derrotar vai ter que trabalhar mais do que eu. Quem quiser dormir até as 10 (Serra tem fama de dormir até tarde), quem quiser achar que tem que fazer relação com um formador de opinião pública e vai me derrotar, vai ter que botar o pé no barro, vai ter que viajar este País, vai ter que correr", disse Lula.

Mídia. O presidente aproveitou ainda o discurso para atacar os meios de comunicação, seu exercício predileto das últimas semanas. Lembrou que recentemente foi a Israel e não visitou o túmulo do criador do sionismo ? Theodor Herzl ? porque o ato não estava previsto nem na agenda dele nem na de Israel. Mesmo assim, segundo Lula, foi criticado pelos jornais brasileiros por não ter ido lá.

"E ainda diziam: "O que o Lula está se metendo, o que ele pensa que é? Discutir crise internacional... Se coloca no seu lugar, baixinho". Eu sou baixinho, mas o povo brasileiro não é. O povo brasileiro é muito grande", afirmou o presidente.

Lula disse que a ONU criou o Estado de Israel e ela tem de ter força para criar o Estado palestino, e para fazer com que haja a paz entre os dois. "Todo mundo ? judeus e palestinos ? já sabe que precisa dos dois Estados. Agora, aquilo não é um clube de amigos. Ali, é preciso saber o seguinte: a paz só vai acontecer quando os que estão em guerra quiserem." Lula afirmou que é amigo de todo mundo. "Da mesma forma que eu cumprimento o Sarkozy (presidente da França), eu cumprimento o Ahmadinejad (Irã), cumprimento o rei Abdullah (Jordânia). Não tem problema. Um chefe de Estado não escolhe amizades, um chefe de Estado se relaciona com outro chefe de Estado. E discute interesses, não é questão de amizade pessoal." /

---

COLABORARAM CÉLIA FROUFE e LEONARDO GOY

---

ELEIÇÕES 2010 [In:] SEM NÍVEL, FICA DIFÍCIL !!! (II)

--

CAMPANHA EM CLIMA DE DUELO

LULA DÁ POSSE A 10 MINISTROS


Autor(es): Vanessa Dezem, de São Paulo
Jornal do Brasil - 01/04/2010

A cerimônia de posse dos novos ministros deu o tom da campanha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado ao principal rival do PT, o tucano José Serra. "Quem dorme até as 10 horas e busca apoio de formadores de opinião pública terá de pôr o pé no barro para me derrotar", afirmou Lula. De São Paulo, ao sair do governo estadual, Serra reagiu: "Aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras".

Em uma cerimônia concorrida realizada no Palácio do Itamaraty quarta-feira, dez novos ministros tomaram posse em substituições aos titulares que deixam os cargos para disputar as eleições de outubro. A descompatibilização é exigida pela Justiça Eleitoral para ministros e governadores. A maioria dos ministros que assumiu os cargos quarta-feira tem perfil técnico e eram auxiliares diretos dos ex-ministros. O objetivo do governo é evitar que a debandada no primeiro escalão implique em alguma espécie de paralisia administrativa nos últimos meses do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pré-candidata do PT à Presidência da República, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff será substituída pela secretária-executiva Erenice Guerra. Na Agricultura, assume o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento, Wagner Rossi, no lugar de Reinhold Stephanes, que concorrerá a uma vaga na Câmara.

Já os pré-candidatos ao governo de Minas Gerais Patrus Ananias (PT) e Hélio Costa (PMDB) serão substituídos por Márcia Lopes, no Desenvolvimento Social, e José Artur, nas Comunicações, respectivamente. Também candidatos aos governos do Amazonas e da Bahia, os ministros dos Transportes, Alfredo Nascimento, e da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, deixarão em seus lugares os secretários executivos Paulo Passos e João Santana, respectivamente.

Já os ministros de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), e da Previdência, José Pimentel (PT), serão substituídos pelos secretários executivos Márcio Zimmermann e Carlos Gabas para disputar um mandato de senador. Carlos Minc sai do Ministério do Meio Ambiente para tentar uma vaga de deputado estadual pelo Rio. Assume a secretária executiva Izabella Teixeira. Minc e sua sucessora protagonizaram quarta-feira, junto com Lobão e novo ministro de Minas e Enegia, Márcio Zimmermann, uma quebra de protocolo simbólica. Os quatro subiram ao palco juntos e se abraçaram, num gesto bastante aplaudido pela plateia presente. A área ambiental e energética do governo travaram diversos embates nos últimos anos, principalmente no licenciamento de hidrelétricas.

Por fim, o secretário adjunto da Secretaria Especial de Políticas e Promoção da Igualdade Racial, Elói Ferreira, substitui Edson Santos.

------------------

ELEIÇÕES 2010 [In:] SEM NÍVEL, FICA DIFÍCIL !!!

...

SERRA CRITICA ROUBALHEIRA, E DILMA , VIUVOS DA ESTAGNAÇÃO

Dilma e Serra antecipam a artilharia da campanha


Folha de S. Paulo - 01/04/2010

De saída dos cargos, petista e tucano trocaram ataques velados e fizeram balanço

OS DOIS candidatos que disputam a liderança na corrida ao Palácio do Planalto, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), anteciparam ontem a munição que deverão usar na campanha durante os discursos em que se despediram, respectivamente, do governo de São Paulo e a Casa Civil da Presidência da República.
Serra disse que seu governo não "cultiva escândalos, malfeitos, roubalheira" nem incentiva o "silêncio da cumplicidade", numa referência indireta aos escândalos do governo Lula, como o mensalão, de 2005.
Já Dilma louvou programas e os índices econômicos de Lula, a quem chamou de "um dos líderes mais populares" do país. Ela criticou os "viúvos do Brasil que crescia pouco, da estagnação", numa menção, também velada, aos tucanos. "Eles não sabem o que oferecer a um povo que tem certeza que sua vida mudou."

''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''

01 de abril de 2010

O Globo

Manchete: Dilma ataca viúvos da estagnação; e Serra, os cúmplices da corrupção
Petista se despede com 'até breve'; tucano contesta fama de sisudo

Líderes nas pesquisas sobre a disputa pela Presidência, a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra deixaram ontem seus cargos com criticas indiretas ao grupo político adversário. Ao discursar na cerimônia de troca de ministros, Dilma, que deixou a Casa Civil para disputar o Planalto, elogiou o governo Lula e atacou a oposição:
"Aqueles que lamentam, os viúvos do Brasil que crescia pouco, (o Brasil) da estagnação, fingem ignorar que esta mudança é substancial.
Têm medo." Emocionada, ela se despediu dos colegas em tom otimista e deu-lhes um "até breve". Em seu lugar, assumiu Erenice Guerra, a secretária polêmica acusada de elaborar o dossiê sobre gastos com cartão corporativo do governo FH. Serra, que fica no cargo até amanhã, fez um discurso de críticas veladas ao governo federal. Disse que os governos, como as pessoas, têm caráter. E afirmou que sua gestão não cultivou escândalos de corrupção nem roubalheiras:
"Nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito." (págs. 1 e 3 a 12)

Fora, Aécio já não descarta ser vice

O tucano Aécio Neves deixou o governo de Minas afirmando que seu futuro político está indefinido: "Despeço-me para receber o que o destino me reservar." Seu sucessor, Antonio Anastasia, deu aumento de, 10% aos servidores. (págs. 1 e 9)

Panorama Político

Gabeira desiste de Cesar Maia
Ilimar Franco, página 2

Foto legenda: “Procuro ser sério, mas não sisudo. Realista, não pessimista. Monitor, não centralizador"

Foto legenda: Dilma, com os novos ministros Wagner Rossi e Erenice Guerra: otimismo e alegria

EUA já têm 200 agentes em atuação no Brasil

Os EUA, que já têm 200 agentes do FBI, da DEA (agência de combate ao tráfico) e de outras instituições de segurança atuando no Brasil, poderão aumentar sua presença, por iniciativa do governo brasileiro, que estuda a criação de uma força-tarefa internacional nos moldes da que já existe em Key West (Flórida). A ideia foi apresentada ao chefe do Comando Sul do Pentágono, Douglas Fraser. (págs. 1 e 26)

Alta do aço puxará preços no varejo

Depois da Usiminas, foi a vez de a CSN anunciar que reajustará o preço do aço em 10% a partir de hoje. Especialistas preveem impacto de até 3 pontos na inflação, dependendo do índice. O aço mais caro puxa preços de carros e eletrodomésticos. (págs. 1 e 21)

Pelo 2º mês, inflação ganha de fundos

A inflação bateu os fundos de investimento em renda fixa pelo segundo mês consecutivo. A melhor aplicação em março foi o FGTS Vale. O Banco Central anunciou que prevê inflação de 5,2% este ano, bem acima da meta de 4,5%. (págs. 1, 22 e 23)

Colunas e Artigos: Merval Pereira

BNDES também poderá ser atingido pelas sanções ao Irã (págs. 1 e O País 4)

Colunas e Artigos: Carlos A. Sardenberg

Ter aprovação popular não significa que se faz tudo certo (págs. 1 e 6)

Colunas e Artigos: Verissimo

Os padres pedófilos poderiam culpar os demônios menores (págs. 1 e 7)

------------------------------------------------------------------------------------

Folha de S. Paulo

Manchete: Serra critica roubalheira, e Dilma, viúvos da estagnação

Tucano e petista deixaram ontem seus cargos para disputar Presidência

Os pré-candidatos do PT e do PSDB à Presidência, Dilma Rousseff, 62, e José Serra, 68, atacaram as gestões dos adversários nos discursos em que se despediram dos seus cargos (Casa Civil federal e governo paulista).

Na saída do Palácio dos Bandeirantes, Serra afirmou que em seu governo não se cultivou a "roubalheira" nem se incentivou "o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito". O tucano não mencionou nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o escândalo do mensalão.

Dilma chamou de "viúvos da estagnação" os opositores à gestão petista e disse que o povo não aceitará "migalhas". "Nós nos orgulhamos de ter participado do governo Lula. Não importa perguntar por que alguns não têm orgulho dos governos de que participaram. Devem ter seus motivos."

Professores grevistas da rede estadual de São Paulo voltaram a bloquear a avenida Paulista e a atacar Serra, no que chamaram de "bota-fora" para o tucano. (págs. 1 e Brasil)

Clóvis Rossi
Campanha tem início com 'scripts' fáceis de antever

A campanha eleitoral começou da forma mais previsível possível. Dilma Rousseff pendurou-se, com direito a lágrimas e tudo, no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Natural. Já José Serra, também de acordo com um "script" fácil de antever, fugiu do plebiscito. (págs. 1 e A2)

Foto legenda: Beijinho, beijinho, tchau, tchau
José Serra recebe beijo da mulher, Mônica, após discurso em que fez balanço e se despediu do cargo de governador; Dilma Rousseff, que deixou a Casa Civil, cumprimenta a cigana Miriam Stanescon, conselheira da Secretaria da Igualdade Racial (págs. 1 e A10)

China recua e aceita debate sobre novas sanções ao Irã

A China recuou de sua posição inicial e já aceita discutir com as demais potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas a possibilidade de impor novas sanções ao Irã, segundo fontes do governo americano.

Dos membros permanentes do CS (EUA, França, Reino Unido, Rússia e China), só os chineses ameaçavam vetar punições aos iranianos por seu programa nuclear, suspeito de ter fins militares - o que Teerã nega. (págs. 1 e A14)

Tchetcheno assume ataque à Rússia; nova ação mata 12

O líder rebelde tchetcheno Doku Umarov assumiu a autoria do atentado ao metrô de Moscou que deixou 39 mortos na segunda-feira.

O recado veio em vídeo publicado na internet horas após um segundo ataque suicida, ainda não reivindicado, matar 12 no Daguestão, perto da fronteira com a Tchetchênia. Umarov chamou o atentado ao metrô de "vingança" pela morte de tchetchenos e disse que ele não será o último. (págs. 1 e A17)

Sem incentivos, carro flex custará até R$ 2.000 mais

Com o fim do último incentivo fiscal, ontem, os preços de veículos flex com motorização entre 1.0 e 2.0 devem subir entre R$ 800 e R$ 2.000, segundo lojistas.

Mesmo com recorde de vendas por causa da redução do IPI, o nível de emprego na indústria não retomou o patamar pré-crise. (págs. 1 e B8)

Restrição de mobilidade afeta 29% da população

Cumprir tarefas cotidianas como tomar banho sozinho, abaixar-se, subir escadas, empurrar uma mesa, levantar objetos pesados ou caminhar por mais de 1 km tem se tornado difícil para cada vez mais brasileiros.

Pesquisa do IBGE, com dados de 2008, mostrou que 29,1% da população acima de 14 anos relatou dificuldades nessas tarefas. Cinco anos antes, eram 26,2%.

Quase 72% dos idosos relataram dificuldades, mas o problema cresce mais entre os mais jovens. (págs. 1, C1 e C6)

Editoriais

Leia "Cidade em crise", acerca da gestão Kassab; e "Cerco às Farc", sobre a libertação de reféns da guerrilha. (págs. 1 e A2)

------------------------------------------------------------------------------------

O Estado de S. Paulo

Manchete: Dilma prega continuísmo e Serra diz que País 'pode mais'

Na despedida do cargo, os principais pré-candidatos delineiam o eixo da campanha à Presidência

Os dois principais pré-candidatos à Presidência deixaram o cargo e delinearam o eixo da disputa na campanha: enquanto a ex-ministra Dilma Rousseff pregou a continuidade da obra do presidente Lula, o ex-governador José Serra disse que "o Brasil pode mais". A petista atacou o governo de FHC, chamando os tucanos e os demais partidos de oposição de "viúvos da estagnação". Para Dilma, os opositores do governo "não sabem o que oferecer ao povo, que hoje é orgulhoso, tem certeza de que sua vida mudou e não aceita mais migalhas". Segundo a ex-ministra, no governo de Lula "o povo é o centro das nossas atenções". Já o ex-governador evitou críticas a Lula e preferiu enfatizar o que diz ter feito por São Paulo, como a criação de empregos e os investimentos. Serra afirmou que seu governo é "popular" e, numa comparação indireta com a administração petista, sublinhou que fez uma gestão “ética”: “O governo tem de ter honra. Assim falo porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras". (págs. 1 e Nacional A4 a A8)

Análise
Dora Kramer
Caberá aos candidatos evitar que as campanhas descambem para o terreno da selvageria. (págs. 1 e Nacional A8)

Foto legenda: "Aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras"
José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência

"Os viúvos do Brasil que crescia pouco têm medo"
Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência

Meirelles adia decisão, mas BC já troca diretorias

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, adiou ontem, mais uma vez, a decisão sobre se deixará ou não o cargo. Mesmo antes de qualquer definição, a diretoria do BC teve mudanças. Mário Mesquita será substituído em Política Econômica por Carlos Hamilton Araújo, de Assuntos Internacionais. A vaga será ocupada por Luiz Awazu Pereira, funcionário do Banco Mundial. (págs. 1 e Nacional A7 e Economia B1)

Análise
Celso Ming
Se resolver ficar, serão dias difíceis à frente do BC

Caso decida permanecer à frente do Banco Central, Henrique Meirelles terá de enfrentar uma conjuntura de disparada da inflação num ambiente de forte turbulência política. (págs. 1 e Economia B2)

Saúde da Família atende 96,5 milhões

A cobertura do Programa Saúde da Família (PSF) do governo federal atingiu 50,9% (96,5 milhões) da população em 2008, revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). A região com maior atendimento foi o Nordeste: 36,2 milhões, ou 67,7%, estavam inscritos no PSF, formado por equipes multiprofissionais. (págs. 1 e Vida A17)

Novo ataque na Rússia faz 12 mortos

Um atentado de rebeldes do norte do Cáucaso no Daguestão (Rússia) matou ontem 12 pessoas, das quais 7 policiais. A ação ocorreu dois dias após o duplo atentado que matou 39 pessoas em Moscou, ataque reivindicado pelo jihadista caucasiano Doku Umarov. (págs. 1 e Internacional A14)

China aceita negociar sanções ao Irã

A China, único membro permanente do Conselho de Segurança da ONU reticente sobre novas sanções contra o Irã, aceitou negociar sua adoção, disseram diplomatas americanos. Para o governo dos EUA, as sanções serão aprovadas nas próximas semanas. (págs. 1 e Internacional A12)

Cameron faz campanha contra megausina no PA (págs. 1 e Economia B6)

'Pulseira do sexo' acaba em estupro no Paraná (págs. 1 e Cidades C5)

Base multinacional no Rio deve operar já em 2010 (págs. 1 e Nacional A11)

Veríssimo: Padres pedófilos

Entre acobertamento e omissão, a hierarquia da Igreja tem muito a ver com o crime. (págs. 1 e Caderno 2 D14)

Demétrio Magnoli: Israel contra Israel

Suas opções nacionais se tornam cada vez mais disfuncionais diante dos EUA. (págs. 1 e Espaço Aberto A2)

Notas & Informações: A nova Marginal

A única coisa a lamentar é que as obras não tenham sido feitas antes. (págs. 1 e A3)

-------------------------------------------------------------

Correio Braziliense

Manchete: Atropelaram o respeito

Truculência dos motoristas se impõe sobre a faixa de pedestre em Brasília

Símbolo de civilidade no trânsito, a faixa de pedestre se apaga lentamente da consciência dos brasilienses. As estatísticas do Detran-DF apontam um crescimento preocupante no número de casos fatais nos pontos de travessia. Os dados referentes ao primeiro semestre de 2009 dão o alerta: seis mortos, quase o total de vítimas registrado em 2008. Nas ruas, exemplos de desrespeito são frequentes. Às 11h de ontem, na região central de Brasília, um carro avançou na pista enquanto uma mulher com duas crianças utilizava a faixa. A infração ocorreu a poucos metros de um policial militar. Às 12h13, graças à interferência de grupos de teatro, formou-se o cenário ideal: os carros aguardavam a passagem do grupo. A partir de maio, a fiscalização promete mais rigor. O motorista flagrado paga multa de R$ 191 e ganha sete pontos na Carteira de Habilitação. Especialistas ouvidos pelo Correio afirmam que campanhas educativas constantes e medidas de engenharia de trânsito são imprescindíveis para manter vivo o respeito à faixa. A capa da edição de 23 de janeiro de 1998, reproduzida abaixo, sinalizava a necessidade de se dar o bom exemplo nas pistas. (págs. 1, 34 e 35)

“Rolo compressor” envolve votação do PDOT (págs. 1 e 29)

Dilma sela seu destino, mas quer tomar conta do BC

Com direito à previsão da cigana Mirian Stanescon de que as mulheres ascenderão ao poder, Dilma Rousseff deixou a Casa Civil para se lançar à Presidência. Mas a ministra pretende manter o comando. Negocia para escolher o sucessor do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que reluta em sair do cargo para disputar o Senado. (págs. 1 e 2 a 8)

Disparada da inflação já assusta

Projeções mostram que os índices do custo de vida vão superar a meta oficial de 4,6% e chegar a 5,2% em 2010. Tendência de alta deve continuar em 2011. (págs. 1, 15 e 16)

------------------------------------------------------------------------------------

Valor Econômico

Manchete: Arrendamentos dão novo impulso a estaleiros no Rio

Um dos grandes problemas do Estado do Rio, os estaleiros que enfrentam dificuldades para operar a plena carga e atender a demanda crescente por equipamentos da indústria de petróleo e gás, está perto de uma solução. Nos próximos dias deve ser anunciado o arrendamento, com opção de compra, dos estaleiros Mauá e do antigo Ishibrás, por Andrade Gutierrez e Petrobras, respectivamente.

Nos bons tempos, os dois estaleiros tinham milhares de funcionários e figuravam entre os maiores empregadores do Rio. O Mauá chegou a contar com quase cinco mil trabalhadores, segundo estimativas do setor. Hoje tem cerca de 2 mil. Em seu auge, o Ishibrás - que entrou em declínio e não constrói navios há muitos anos - exibia números semelhantes. (págs. 1 e B11)

Petróleo e jogos atraem investidor

Numa conferência em Nova York sobre o Rio, turismo seria o tema principal alguns anos atrás. Agora, o assunto é investimento em infraestrutura. Empresários, investidores, banqueiros e lobistas de vários países, que participaram ontem do "Invest in Rio", seminário promovido em Nova York pelo Valor e "The Wall Street Journal", mostraram interesse em participar de investimentos no Estado, que deverão atingir US$ 90 bilhões para atender às demandas da Copa do Mundo de 2014, da Olimpíada de 2016 e da expansão da indústria petrolífera.

"A falta de investimentos durante anos se tornou agora uma oportunidade", resumiu o diretor de investimentos da Previ, Fábio de Oliveira Moser. O governador do Estado, Sérgio Cabral, chamou a atenção para a necessidade de investimentos na modernização da estrutura aeroportuária para que o Estado possa receber a Copa e a Olimpíada. (págs. 1 e F1 e F14)

Foto legenda: O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, com empresários e investidores no seminário "Invest in Rio", em Nova York

Empresas pagam menos dividendos

Os acionistas receberam menos dividendos em 2009, um ano de crise. Segundo dados dos balanços anuais divulgados em março, o total pago por 250 empresas abertas aos investidores, excluindo a Petrobras do cálculo, caiu de R$ 57,849 bilhões em 2008 para R$ 51,531 bilhões no ano passado, um recuo de 10,92%. Os números refletem o esforço de algumas empresas em segurar os dividendos para reforçar o caixa e enfrentar a crise, que secou as linhas de crédito durante boa parte do ano. Apesar de terem acumulado lucros ao longo de 2008, elas resolveram segurá-los. A Petrobras contrariou a regra ao distribuir R$ 15,4 bilhões, quase o triplo dos R$ 6,2 bilhões de 2008. (págs. 1 e D1)

Crédito para veículos tem forte avanço em março

Com projeções de novo recorde de vendas de automóveis em março - cerca de 330 mil unidades -, os últimos resquícios da crise desapareceram das carteiras de leasing e crédito direto ao consumidor (CDC) no primeiro trimestre. Cálculos feitos pelo Valor Data indicam que os recursos liberados no último mês de vigência da redução do IPI podem ter chegado a R$ 26,6 bilhões, com o total do trimestre rondando os R$ 50 bilhões, quase 40% superior aos R$ 36,5 bilhões do primeiro trimestre de 2009.

O cálculo de R$ 50 bilhões pode ser conservador. "Março foi muito vigoroso, com performance acima da curva normal de crescimento e até melhor do que 2008, antes da quebra do Lehman Brothers", diz Luiz Montenegro, presidente da Anef, associação dos bancos das montadoras. No Banco GMAC, ligado à General Motors, mais de 50% das vendas financiadas no trimestre foram feitas no mês passado, afirma Sérgio Diniz, diretor financeiro. "Foi um mês excepcional em relação a todas as bases de comparação", confirma André Miguel do Nascimento, superintendente de planejamento financeiro da Aymoré Financiamentos, do grupo Santander. (págs. 1 e C1)

Consumo dá sinais de alta nos EUA

Dados recentes do governo sugerem que os gastos do consumidor poderão aumentar a uma taxa de 3% ou mais no primeiro trimestre. Isso representaria um grande salto em comparação ao aumento de 1,6% registrado no quarto trimestre de 2009 e o melhor desempenho desde o começo de 2007.

Os relatos que estão sendo feitos pelas empresas americanas também são reconfortantes. Na Home Depot, o maior grupo varejista de casa e construção dos EUA, os clientes voltaram a comprar balcões de cozinha e armarinhos de banheiro. Na rede de supermercados Kroger, os clientes voltaram a comprar flores e estão escolhendo vinhos melhores. A Starbucks e a Whole Foods Market, populares entre a classe média, também registram crescimento nas vendas. (págs. 1 e A11)

Previsão de safra dos EUA traz pressão de baixa na soja

Dois relatórios divulgados ontem pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) aumentaram a pressão de baixa sobre as cotações internacionais do milho, trigo e soja, as commodities agrícolas de maior liquidez. Eles apontaram estoques americanos em 1º de março maiores do que o esperado e projeções para a área plantada no país na safra 2010/11 que tendem a garantir ofertas confortáveis no segundo semestre do ano.

Ainda que o USDA aponte queda da área plantada de trigo, em parte graças aos estoques elevados, a de milho deverá crescer 3% e a de soja tende a aumentar 1% em relação ao plantio recorde da temporada anterior. (págs. 1 e B14)

MP permite aos Correios ter empresa aérea

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) poderá ser transformada em sociedade anônima, ter participação acionária em outras empresas e criar sua própria companhia aérea. Tudo isso está previsto em minuta de medida provisória enviada ontem pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, à Casa Civil.

As novidades poderão levar a alterações na contratação de companhias aéreas pelos Correios. Tornando-se uma SA, a ECT poderá ter contratos mais longos e flexíveis com as fornecedoras de serviços aéreos. A MP também propõe que os Correios possam começar a atuar em correio eletrônico, numa tentativa de levar a empresa ao mundo digital. Prevê-se ainda a criação de escritórios fora do país, para que a ECT amplie sua atuação em operações de comércio exterior. (págs. 1 e B4)

EU& fim de semana

Jarbas Passarinho diz que Geisel fez política de Estado de extermínio de adversários

À mesa com o valor, José Simão fala do humor que esculhamba sem rancor (pág. 1)

Alento eleva desemprego

O otimismo com a economia levou a uma maior procura por trabalho em fevereiro, elevando a taxa de desemprego calculada pela Fundação Seade e o Dieese. O índice subiu de 12,6% em janeiro para 13% na média das principais regiões metropolitanas do país. (págs. 1 e A2)

O peso da folha

Os gastos do governo com pessoal poderão chegara 5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, reduzindo a diferença em relação ao gasto com juros a cerca de 0,5 ponto percentual. Mantida a dinâmica atual, às duas contas deverão empatar em 2011. (págs. 1 e A4)

Recuperação americana

As encomendas à indústria dos Estados Unidos aumentaram 0,6% em fevereiro, a décima alta mensal em 11 meses, e os estoques são os mais altos em um ano. (págs. 1 e A11)

O novo protecionismo chinês

Relatório do governo dos Estados Unidos acusa Pequim de usar regulamentações excessivas para prejudicar a entrada de produtos americanos no mercado chinês. (págs. 1 e A14)

Ideias

Maria Inês Nassif: a recusa em mexer no lixo da repressão praticada pela ditadura cobra seu preço. (págs. 1 e A6)

Ideias

Raquel Balarin: próximo presidente poderia aproveitar os bons ventos para arrumar ainda mais a casa. (págs. 1 e A2)
--------------------------
RADIOBRAS.
---

quarta-feira, março 31, 2010

XÔ! ESTRESSE [In:] OVO DE COLOMBO ou ELEFANTE BRANCO ?

\o/










[Homenagem aos chargistas brasileiros].
---

ELEIÇÕES 2010/PAC 2 [In:] QUEM NÃO PODE, SE ESTABELECE (V)

---

PAC 2: é preciso encher mais o copo

Jornal do Brasil - 31/03/2010

MUITO JÁ SE FALOU SOBRE os atrasos das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e sobre seu caráter eleitoreiro, para catapultar a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, batizada simbolicamente como a “mãe do PAC”. Todas as críticas fazem sentido.

O governo federal não concluiu nem a metade do planejado.

De acordo com levantamento da ONG Contas Abertas, 54% das ações do programa, lançado há três anos, não saíram do papel. Ainda assim, o PAC tem servido de plataforma, ou melhor, de palanque, para os discursos em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exalta as transformações pelas quais o país vem passando durante o seu mandato, faturando os ganhos políticos para Dilma, PT e partidos e políticos aliados.

Para completar, o governo resolveu lançar na última segunda-feira, com alarido, a segunda etapa do programa, o PAC 2, sem ter concluído a primeira. A iniciativa despertou as queixas da oposição, que vê como absurdo o atropelo, considerado um oportunismo de duplo sentido. Por um lado, haveria uma espécie de assédio eleitoral, uma chantagem implícita aos eleitores: ou eles votam pela continuidade do governo, representado pela candidatura Dilma, ou o conjunto trilionário de obras do PAC e do PAC 2 corre o risco de não se concretizar. Por outro lado, há a acusação de que o governo, a nove meses de terminar, não pode planejar um programa tão profundo e impô-lo ao sucessor, caso este não seja do campo governista.

Até que ponto estas críticas fazem sentido? O questionamento, obviamente, está intimamente ligado ao papel da oposição no tabuleiro político.

Ela vai discordar. É inerente à sua natureza e segue o instinto de sobrevivência.

Quantas vezes os detratores de hoje, quando no governo, reclamaram, com razão, da postura intransigente do oposicionista PT, que taxou o Plano Real de eleitoreiro, quando a população, sabiamente, o apoiava? Ocorre o mesmo agora. É possível que a classe política brasileira já tenha aprendido com algumas lições do passado, mas as posições dos jogadores na dinâmica política por vezes turvam e impedem uma análise fria e sensata, ainda mais num ano eleitoral.

As críticas ao PAC fazem sentido do mesmo modo que o inverso delas também faria. É o típico caso comparável ao copo d’água pela metade. Tanto se pode dizer que ele está quase vazio ou quase cheio. Depende do ponto de vista. Trata-se, logo, de uma questão mais de quantidade, a respeito do ritmo de conclusão, do que de qualidade. No debate que se vem travando sobre o PAC, desde 2007, poucas críticas da oposição questionam a necessidade, a importância das obras do programa.

O PAC reinaugura uma visão que faltava ao país, que esteve às voltas com outras prioridades nas últimas duas décadas: a estabilização da economia e a inserção de amplas camadas da população à margem da cidadania e do mercado. O PAC retoma o investimento pesado em infraestrutura – energia, transporte. É um planejamento de longo prazo, sim. E é melhor tê-lo que não tê-lo, apesar da oposição fazer bico. Tem razão o presidente Lula ao lembrar que a execução também não é simples, pelo impacto e capilaridade do programa e por questões técnicas, como o licenciamento ambiental. Quanto a capitalizar eleitoralmente, fica a pergunta: que animal político racional faria diferente?

ELEIÇÕES 2010/PAC 2 [In:] QUEM NÃO PODE, SE ESTABELECE (IV)

..

PAC do PAC

Folha de S. Paulo - 31/03/2010

"Prateleira de projetos", na definição de Lula, o maior investimento do PAC 2 é na candidatura da ministra Dilma Rousseff

EM NOVO ATO de campanha eleitoral, o governo divulgou anteontem a segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Além de proporcionar mais um palanque para a candidata oficial Dilma Rousseff, é de perguntar qual seria o objetivo desse PAC 2.
Quem sabe seja o de acelerar o PAC original, que foi lançado em 2007 com um plano de investimentos de R$ 638 bilhões. Como entre 2007 e 2010 foram executados apenas R$ 256,9 bilhões, 40% do valor previsto, temos agora o que seria uma espécie de PAC do PAC. O fato é que entre 2007 e 2010 o plano não teve efeito sobre a capacidade de investimento da União, que permaneceu próxima a 1% do PIB.
O PAC 2 associa medidas de desoneração fiscal a financiamento público e privado para investimentos em infraestrutura, num total de R$ 959 bilhões entre 2010 e 2014 - e mais R$ 631 bilhões a partir de 2015. Da primeira etapa, cerca de R$ 220 bilhões viriam de investimentos da União. O restante divide-se entre empresas estatais (R$ 300 bilhões), recursos da poupança para financiamento imobiliário (R$ 180 bilhões), Estados e municípios (R$ 95 bilhões), setor privado (R$ 46 bilhões) - e uma parcela ainda com fonte de financiamento incerta.

...
A vedete é o setor de energia, que contaria com 70% do total, com destaque para o pré-sal. Apesar de algumas boas (e vultosas) intenções, tudo não passa de uma "prateleira de projetos", como definiu o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva -algo que está muito longe de se constituir em nova referência de planejamento estatal, como pretende a propaganda.
O investimento público não foi o principal fator a acelerar o crescimento da economia brasileira nos últimos anos. Bem maior influência, por exemplo, pode ser atribuída à elevação dos preços das commodities, decorrente da forte demanda chinesa, e a situações internas, como o consumo das famílias.
É correto considerar que as políticas de transferência de renda e de aumento do salário mínimo desempenharam papel importante nesse processo. A ação governamental também se fez sentir, entre outras medidas, na reação à crise internacional, ao elevar a oferta de crédito público para empresas e consumidores.
Neste quesito, a prorrogação até o fim do ano do Programa de Sustentação dos Investimentos, anunciada pela Fazenda, foi acertada, pois proporciona até R$ 80 bilhões adicionais em crédito subsidiado (mesmo considerando o custo estimado de R$ 10,5 bilhões para o Tesouro) para a aquisição de máquinas.
Mas é preciso separar as coisas e reconhecer que a competência em executar projetos não está entre os pontos altos da atual gestão - nem das anteriores. Até que se prove o contrário, o PAC 2 não muda esta realidade. O esforço para capacitar o Estado depende de progressos, até agora insuficientes, na profissionalização do serviço público e no controle dos gastos de custeio.

ELEIÇÕES 2010/PAC 2 [In:] QUEM NÃO PODE, SE ESTABELECE (III)

O comício do PAC 2

O Estado de S. Paulo - 31/03/2010

O último comício da pré-candidata Dilma Rousseff antes de sair do governo foi preparado com capricho. O governo gastou R$ 170 mil de dinheiro público para montar o espetáculo de lançamento do PAC 2, um embrulho de sobras do PAC 1 e de promessas ? mais que de projetos ? com custo estimado em R$ 1,59 trilhão. Ministros, altos funcionários, governadores, prefeitos e aliados de todo o País foram reunidos para compor o cenário e conferir solenidade a mais um evento de palanque destinado a promover a candidatura lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra, ungida com a missão de tomar conta do Palácio do Planalto nos próximos quatro anos, até o retorno do presidente Lula, aproveitou a ocasião como pôde e conseguiu, com algumas lágrimas, um aplauso extra de uma plateia até então fria.


Foi quando, dirigindo-se ao seu padroeiro, disse: "Este é o país que o senhor recuperou e que os brasileiros não deixarão escapar de suas mãos." O balanço deve ter sido satisfatório para os articuladores da campanha petista. O tratamento cerimonioso foi mais uma garantia de continuísmo. Batendo nessa tecla, a maior parte de sua fala foi uma arenga previsível. Prometeu a continuidade de um governo marcado, segundo ela, pelo planejamento e pela valorização do Estado como promotor do desenvolvimento.

A candidata discursou como se o PAC 1 houvesse resultado em realizações importantes e o governo houvesse melhorado substancialmente a infraestrutura do País. Mas o primeiro PAC, ninguém pode ignorar, foi mais uma prova da incompetência gerencial do governo petista e, acima de tudo, da própria chefe da Casa Civil, designada pelo presidente para cuidar dos investimentos. Mais de metade dos projetos, 54%, não saiu do papel. Os desembolsos mal passaram de 40% do prometido. Dessa parcela, cerca de metade correspondeu a créditos imobiliários.

Se o PAC 1 foi um fracasso, o segundo é uma mistura de mistificação e de jogada política. O objetivo, segundo o presidente Lula, é dar um rumo ao próximo governo e ajudá-lo a economizar um ano de planejamento. Mas o PAC 2 não é um plano. O próprio presidente o descreveu como uma "prateleira de projetos" para o próximo governo. Também essa declaração, no entanto, desfigura os fatos. Quantos projetos foram realmente elaborados? Nessa prateleira não há sequer um estudo sobre os principais obstáculos ao desenvolvimento nem uma escala de prioridades.

A maior parte do programa não passa de um amontoado de restos do PAC 1 e de promessas destinadas a seduzir uma parte do eleitorado urbano: mais casas, transportes, água, luz, saneamento e outros serviços essenciais. Anunciaram-se 2 milhões de moradias, o dobro do número previsto no programa Minha Casa, Minha Vida, ainda quase todo no papel.

O PAC 2 contém uma lista de obras para o próximo governo e para o seguinte. É parte de um discurso continuísta, não de continuidade administrativa. Pode-se cobrar de qualquer governante a continuação das obras mais importantes iniciadas pelo anterior. Não se pode exigir de nenhum administrador a aceitação de promessas formuladas pelo antecessor, mas é essa a ideia embutida no PAC 2.

Como exercício de planejamento, essa lista de promessas não vale um tostão furado. Não há uma clara indicação das fontes de recursos nem dos passos necessários para a execução de quaisquer projetos. A política de saneamento resultou em quase nada, no período do PAC 1, porque a maior parte das prefeituras não teve condições de elaborar projetos. Como se resolverá esse problema? Não há respostas satisfatórias a essa e a outras perguntas essenciais.

Segundo o programa, haverá investimentos de R$ 958,9 bilhões até 2014. Depois disso serão aplicados R$ 631,6 bilhões. A maior fatia do total de R$ 1,59 trilhão, R$ 879,2 bilhões, será destinada a projetos na área de petróleo e gás. Como sempre, caberá ao Grupo Petrobrás investir a maior parte do previsto para as estatais e mesmo para todo o PAC. Também nisso há mistificação. A Petrobrás tem sido há muitos anos uma grande investidora e seus programas continuariam existindo sem aquele arremedo de planejamento. Mas o PAC realizado seria quase nada sem as aplicações da Petrobrás.