PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

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# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
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sexta-feira, abril 13, 2012

XÔ! ESTRESSE [In:] E NEM ENCÉFALO ...

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TEORIA ECONÔMICA E ECONOMISTAS [In:] ''PERO NO MUCHO!!!''

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Um liberal heterodoxo


Autor(es): Por Sergio Leo | Do Rio
Valor Econômico - 13/04/2012
 

Para muita gente, ele dificilmente deixará de ser o arrogante presidente do Banco Central que sustentou a política de real sobrevalorizado até que a crise da Rússia sacudiu a economia brasileira. Um abalo que o derrubou do BC e, meses depois, obrigou o governo a liberar de vez a moeda brasileira para flutuar ao sabor do mercado. Hoje sócio da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco não mostra nenhuma arrogância. É gentil, paciente, sem deixar de ser apaixonado pelo que faz, seja na economia ou na literatura.
Franco, que completou 56 anos nesta semana, chega ao Antiquarius - afamado restaurante português próximo à praia, no Leblon -, poucos minutos após o horário marcado, acata a sugestão de subir ao mezanino, onde há uma mesa reservada para a conversa e, no caminho, explica por que reduziu as intervenções no debate público e abandonou as colunas regulares que tinha na imprensa. "Não dá tempo!" Queria pesquisar e escrever em projetos de fôlego, e a vida de colunista o impedia. "Quando escrevia na "Folha" comecei a pensar que estava virando jornalista."
- Parece pejorativo, esse comentário.
- Não, de jeito nenhum, mas o jornalismo requer uma postura diante dos eventos mais, mais...
- Mais superficial.
- Você está dizendo [concorda, rindo]. Os artigos davam muita vontade de escrever mais profundamente sobre os temas, e não conseguia. Precisava comentar, na semana, um assunto que, com o tempo, iria perder importância, mas naquele momento era o que se queria ouvir.
Franco mora, hoje, no apartamento de 600 metros quadrados que herdou do pai, no elegante bairro de São Conrado. Herdou também uma confortável situação financeira, um patrimônio de imóveis que o dispensaria de trabalhar, algo que não passa pela cabeça do bem-sucedido consultor financeiro, até hoje professor na Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), de onde saiu para trabalhar no Ministério da Fazenda sob Fernando Henrique Cardoso. No curso (que não dará neste semestre), ele ensina aos alunos a necessária relação entre direito e economia, baseado em sua experiência nos embates com os assessores jurídicos durante o Plano Real.
Apesar das queixas sobre falta de tempo, tornou-se ensaísta bem-sucedido no território insólito que une artes e dinheiro. No livro "Cartas a um Jovem Economista", em que traduz sua experiência, em tom confessional, diz, irônico, que economistas, como outros profissionais, erram, o que só significa que é preciso trabalhar duro: "Nessa profissão em que não há base científica para o ofício de profeta, mas há enorme demanda por profecia".
O economista, para Gustavo Franco, tem algo de pregador ou de militante, e ele acha que as "circunstâncias" o fizeram cumprir esse papel. "Acho que foi Paul Krugman quem disse: "no domínio das políticas públicas, fazer significa empreender, convencer as pessoas"."
Sem gravata, de camisa social e terno, ele parece pouco à vontade, pela maneira como esfrega as mãos. O garçom interrompe a conversa para apresentar uma espécie de campainha ("se precisarem de alguma coisa").
O economista diz que, na tarefa de empreender a política publica, às vezes existe um "terreno conflagrado", que pede confronto, "não desleal, mas contundente". É um papel que cumpriu no governo. "Gosto desse papel, não tenho nenhum problema com isso."
O folclore em torno dele inclui uma reunião em São Paulo, na qual, após ouvir queixas contra a abertura econômica e o câmbio de um empresário do setor calçadista, teria avisado: "Seu setor vai acabar". Mais tarde, Franco negou o incidente, que, hoje, diz ter sido possível. "Falei coisas do gênero, sim, em situações parecidas, inclusive com gente amiga."
Virou piada familiar: um parente, empresário do setor têxtil, foi convidado para um fondue na casa do economista e levou queijo, mesmo prevenido contra a iniciativa. "Detesto queijo. Na época, comíamos na minha mesa de trabalho, na biblioteca. A ideia do cheiro de queijo em meus livros era impensável." Não serviram o fondue levado pelo amigo, que, durante a conversa, lhe perguntou o que pensava do futuro da indústria têxtil. "Disse umas verdades; todas aconteceram: ele foi arrasado pelos coreanos", lembra. E na família ficou a lenda: "Não mexam com o Gustavo nisso, de queijo, que ele lança uma maldição".
Com manteiga não tem inimizade; mas queijo, ou leite, nem pensar. Uma amiga lhe dizia que essa aversão pedia tratamento com psicanalista. Franco fez análise, e, quando teve alta, constatou, no bandejão da PUC, que Freud era ineficaz contra fobia a certos laticínios. Em economia, também, o liberalismo de Franco pouco tem de freudiano, ainda que ele seja filho de um fundador do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um dos mais próximos auxiliares de Getúlio Vargas, Guilherme Arinos Lima Verde de Barroso Franco, filho de professora do interior do Amazonas. Concursado no Banco do Brasil, encantou Getúlio, que chegou a acompanhar durante o retiro na fazenda de São Borja. O nascimento de Gustavo está ligado, de certa forma, ao suicídio do líder populista.
Guilherme Arinos de Barroso Franco estava no palácio quando Getúlio se suicidou. Por influência do líder, havia sido poderoso chefe de gabinete em duas gestões do Ministério da Fazenda e só não foi designado interventor no Amazonas porque a noiva, Maria Isabel, não aceitou. Ela até entendia a dedicação de Guilherme a Getúlio, que a obrigou a estender o noivado por quase uma década. Mas, com o suicídio do presidente, deu um ultimato ao noivo: casaram-se e, 20 meses depois, vinha ao mundo Gustavo Henrique de Barroso Franco.
Com a morte de Getúlio, o pai de Gustavo Franco acompanhou a implantação da indústria automobilística, na direção do grupo Monteiro Aranha, que traria a Volkswagen ao Brasil. Já na faculdade, Gustavo fez estágio na corretora Garantia, hoje banco, onde o pai foi sócio. Decidiu estudar economia por influência paterna, mas o assunto não costumava ser discutido em casa. O pai, discreto, nem lhe contava dos debates homéricos que teve, no BNDES, com o amigo Roberto Campos, cofundador do banco. Divergências operacionais, ditadas pelo pragmatismo de Guilherme, garante o filho. "Nenhum dos dois era desenvolvimentista", assegura ele, que jura ser liberal "ma non troppo". "No contexto americano, de Estado mínimo, sou um heterodoxo."
"No Brasil, as situações e a experiência de política econômica são heterodoxas", diz. "Temos de navegar em um mundo de intervenção do Estado, onde o Estado é pesado." A PUC do Rio, "esse antro de neoliberais" onde estudou e até hoje dá aulas, é dissidência da Fundação Getúlio Vargas, essa sim, escola que seguiu por mais tempo o ideário ultraliberal da Escola de Chicago, que dominou países como o Chile nos anos 70.
Na PUC dos anos 70, Franco, estagiário, ajudou Edmar Bacha a escrever um bem-sucedido livro de introdução à economia, baseado no marxista polonês Michael Kalecki- o "Keynes de esquerda", para alguns, por ter antecipado ideias de John Maynard Keynes, santo padroeiro de muitos desenvolvimentistas. "O Edmar diz que eu é quem era o kaleckiano. Outro dia lemos que na Argentina queriam obrigar todo mundo a estudar Kalecki e pensamos: "Ora, vamos reeditar o livro"", brinca.
Após 40 minutos de conversa, pela primeira vez é acionada a campainha de chamar garçom. "Pode trazer aquelas coisinhas", pede Franco, íntimo da casa e do couvert, com delicados croquetes, risoles e outros acepipes. Indiferente ao ruído ambiente, Franco conta que, como professor na PUC, até adotou o manual kaleckiano escrito com Bacha.
"Seria ridículo ensinar economia pegando manual americano, escrito para um estudante que nem sabia o que era inflação, do tamanho que tínhamos, na época", defende-se. "Hoje, à medida que o Brasil fica mais normal, a integração com os livros-texto de outras partes do mundo fica mais tranquila."
Mas a economia brasileira não é excepcional? "É um velho tema", responde. E revela que, depois de ter produzido livros sobre a economia nas obras de Fernando Pessoa, Machado de Assis, Shakespeare e Goethe, se dedica a Kafka. Não o tcheco, Franz, mas um primo distante, o brasileiro Alexandre Kafka, ex-diretor do Brasil no FMI.
O Kafka brasileiro elaborou, nos anos 50, dez leis sobre a economia brasileira, uma delas, a "lei do comportamento discrepante", quando ainda era o Banco do Brasil que fazia política monetária: "Independentemente dos homens e suas intenções, sempre que o ministro da Fazenda se entrega à austeridade financeira, o Banco do Brasil escancara os cofres e vice-versa". Franco pretende atualizar e ampliar essas leis em um novo livro. "Não são leis da teoria, mas da sabedoria da política econômica, perfeitamente explicáveis dentro da teoria convencional."
"Simpatizo com a ideia de que o Brasil é meio diferente, mas morro de medo das implicações desse tipo de postura, principalmente no ensino." Admitir a excepcionalidade brasileira pode levar ao desprezo pelo estudo da teoria, na crença de que homens práticos, treinados na escola da vida, podem fazer coisas que dão certo, no fim, argumenta o filho de Guilherme Arinos, sem se dar conta da implicação edipiana do raciocínio.
Enquanto o garçom serve água, Franco conta sua experiência de edição, iniciada com a ideia, na Rio Bravo, de distribuir um livro como brinde de fim de ano, em lugar das óbvias agendas. Escolheram um discurso marcante de Rui Barbosa, feito antes do golpe de Floriano Peixoto na República recém-instalada. Franco fez a longa introdução ao texto, como historiador que é, autor de um ensaio sobre essa época que, na década de 80, lhe rendeu o prestigiado prêmio BNDES (Ph.D. por Harvard, sua tese lhe deu outro prêmio, o da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia).
O êxito do livro e a decisão de repetir a dose no fim do ano seguinte levariam o economista a se lembrar de uma resenha, "Pessoa Neoliberal", do jornalista Carlos Franco (nenhum parentesco), sobre textos de Fernando Pessoa dedicados a temas econômicos. Gustavo Franco teve a ideia de organizar os textos do poeta em verbetes atuais. Embora não existissem os termos, Pessoa escreveu sobre globalização, privatizações e até e-mails. "Ele tem um texto sobre correspondência comercial, encantador, que é um guia para a escrita de e-mails", diz Franco. Ele publicou, a seguir, um livro com crônicas econômicas de Machado de Assis, por sugestão de Mário Rosso, especialista no escritor brasileiro. Reuniu, pela primeira vez, textos sobre um personagem machadiano nada mencionado, o "rentista", aplicador que, do Império à República, não se importa com a situação da empresa em que investe, desde que lhe garantam os dividendos.
Chegam os pratos e as lulas grelhadas pedidas por Franco são, claramente, a melhor pedida. Uma demonstração prática de como é injusta a assimetria de informações do mercado: o cordeiro pedido pelo repórter estava saboroso, mas não como a lula escolhida pelo economista, que costuma ir ao restaurante só para pedir o prato.
Após um livro sobre Shakespeare, em que, orgulhoso, contribuiu para a fortuna crítica shakespeariana com o cálculo original de quanto valeria hoje a fortuna monetária do próprio bardo, Franco patrocinou a tradução de livro sobre artes plásticas "Arte e Dinheiro". Diz gostar de arte contemporânea, mas reclama dos preços das obras. Lamenta estar tão valorizada a gravura de Cildo Meireles que ilustra a capa do livro "Zero Cruzeiro". "Na primeira vez em que vi, numa galeria, não custava quase nada, mas não achei graça, pensei: "Pô, brincando com coisa séria..."
O último livro prefaciado por ele e editado pela Rio Bravo foi o delicioso ensaio de Hans Christoph Binswanger sobre "Dinheiro e Magia" baseado na segunda parte de "Fausto", de Goethe, que chegou a inspirar seu discurso de despedida do BC. Ele demorou a planejar a edição do livro porque não encontrava um exemplar de segunda mão do original, e não queria comprar um novo, por US$ 150. Meio pão-duro, hein, Gustavo? (surpreso, ele ralha, incorporando Pessoa, ou Machado, entre risos: "Que coisa mais insolente!"). "Eu compro muito livro, 20, 30 por mês; controlar o vício é duro."
O controlado liberal Franco já confessou, no passado, ter votado em Fernando Collor para a Presidência "em legítima defesa" contra Lula. Admite que o voto em José Serra teve a mesma motivação, "não era o candidato ideal". Quem seria? "Fernando Henrique, Pedro Malan seriam candidatos de sonho."
FHC e Malan o apoiaram em um dos episódios mais dolorosos da vida do economista, o chamado caso Banestado, escândalo sobre remessas de dinheiro ao exterior que acabou misturando em uma CPI todo tipo de pessoa ligada de alguma maneira a contas CC5, alternativa legal de remeter divisas para fora do Brasil. O relator da CPI, José Mentor, vinculado ao então presidente do PT José Dirceu - e, tempos depois, envolvido ele próprio em um escândalo, o do mensalão -, pediu indiciamento de Franco, então presidente do BC.
Os processos judiciais contra Franco o deixaram tenso, e abalaram os filhos mais novos (ele tem quatro, dois deles na adolescência e outros dois já formados, uma em direito, trabalhando na área financeira, outro em cinema). Foi absolvido de todos os processos, em segunda instância. "Passou. Não me queixo, embora tenha havido exagero, tanto do Ministério Público quanto da militância petista, que abusou da ação popular", diz. "Eu queria ver o mesmo tratamento para os mensaleiros; ver enfrentarem o mesmo rigor que o Ministério Público teve conosco". Inocentado, diz querer "julgamento justo, sem impunidade" para que seus adversários justifiquem os recursos de campanha não contabilizados, razão do escândalo no governo do PT.
Entre os candidatos na disputa presidencial, prefere Aécio Neves, que considera capaz de "renovar a linguagem do partido". Poderia incorporar "as virtudes do governo Lula e Dilma, que eram do PSDB na origem", diz, citando o câmbio flutuante, a meta de inflação e o superávit primário nas contas públicas. "Dá para dizer que essa criatura é nossa, mas o importante a essa altura da vida é que tenha se tornado política de Estado", diz.
Os juros altos são o desafio para o governo, como foi a hiperinflação no passado, e uma das barreiras à queda dos juros para um dígito, nos bancos, é a competição com a caderneta de poupança, acredita. "Daqui para a frente vai precisar mexer na poupança e uma porção de outras coisas, mas vejo a administração hesitar." Um desafio urgente é o aumento de investimentos no país (taxa de formação bruta de capital fixo, em língua de economista). "Isso significa mudar hábitos quase seculares de empresário que sempre considerou beijo de morte tomar empréstimo fora do BNDES".
Para mudar o custo de crédito, diz ser preciso mexer em mecanismos do sistema financeiro, "próprios do mundo de juros nominais elevados", como a Selic, os CDI, instrumentos que nada mudaram, 15 anos após a vitória contra a hiperinflação. Admite: é difícil. Os depósitos compulsórios dos bancos alimentam o crédito agrícola, por exemplo. "Tudo começa com o tamanho do superávit primário..."
O garçom interrompe, com a sobremesa, que Franco escolhe fora do mostruário de doces: um sorvete "de chocolate chop chip". Ele critica o prazo curto de rolagem da dívida pública, exigência de credores habituados à remuneração diária. Pede o bloco de notas do repórter e apela ao desenho: "O juro que afeta a formação bruta de capital fixo é este aqui", diz, apontando uma dramática curva ascendente que retrata os juros do setor privado. "Não adianta contar com o capital externo."
Hora de lembrar que o real se apoiou fortemente no capital externo. Franco recorda a barra-pesada internacional encontrada pelos autores do Plano Real, que, em meio a crises, derrubaram a inflação de 1998 para 1,6%. "Um recorde pessoal, tá?" O câmbio sobrevalorizado foi o tsunami cambial da época, diz. "Como o ministro Mantega, não conseguimos desvalorizar a taxa de câmbio", diz, lembrando os sucessivos leilões cambiais no governo FHC. "Mas a gente precisava disso para dar a estocada final na inflação; agora não, a situação é criada pela política fiscal", diz, e repara: "Hoje o câmbio está mais baixo que na minha época".
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''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''


SINOPSES - RESUMO DOS JORNAIS


13 de abril de 2012
O Globo

Manchete: Decisão histórica - Supremo libera aborto de fetos sem cérebro
Mulheres grávidas com bebê nessa condição não serão mais punidas

Por 8 votos a 2, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram ontem que não é crime para a mulher interromper a gestação em casos de feto anencéfalo (sem cérebro). Além de argumentar ser uma tortura obrigar levar adiante a gravidez nesses casos, a maioria entendeu que, como 100% dos bebes anencéfalos morrem logo após o parto, não haveria como falar em direito à vida. Para os críticos da decisão, o STF extrapolou suas funções atuando como legislador e abriu precedente perigoso para a ampliação do aborto em casos não previstos em lei. Já os defensores argumentam que a Corte fez história ao tratar do tema como uma questão de saúde pública. (Págs. 1, 3 e 4)

‘Dar à luz é dar à vida, e não dar à morte’
Ministro Ayres Britto

Foto-legenda: Feministas comemoram, na Praça dos Três Poderes, em frente ao STF, soltando balões: "A Justiça fez justiça com as mulheres brasileiras".

Base cede, e CPI prevê ampla apuração
Acordo fechado com a oposição inclui investigação de agentes privados ligados a Cachoeira

Após o impasse da véspera, líderes da base governista cederam e incluíram, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre as atividades de Carlinhos Cachoeira, a investigação de agentes privados ligados ao bicheiro. Apesar de ter conseguido um acordo que prevê ampla apuração, a oposição diz contar com a pressão da opinião pública, já que será minoria na CPMI. Parte dos governistas reagia à inclusão de agentes privados entre os alvos da comissão por temer que a investigação chegue à Delta, construtora que tem bilhões de reais em contratos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e com governos estaduais comandados por aliados. Com o acordo fechado ontem, começou a coleta de assinaturas necessárias para a instalação da CPMI e o início dos trabalhos, previsto para a próxima semana. (Págs. 1 e 10)

Achados e perdidos
O senador Demóstenes Torres reapareceu na sessão do Conselho de Ética em que foi escolhido o relator de seu processo; cinco senadores recusaram a função. A Polícia Federal ainda procura Geovani Pereira da Silva, contador de Carlinhos Cachoeira. (Págs. 1, 9 e 12) 
Agnelo já admite ter encontrado bicheiro
Depois de negar encontro com Carlinhos Cachoeira, como indicaria conversa gravada entre o bicheiro e o araponga Dadá, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, admitiu ontem que esteve com o contraventor, quando era diretor da Anvisa. (Págs. 1 e 11)
Evento discute a pirataria dos tipos
A Bienal de Tipografia Latino-Americana, que começa hoje no Rio, tratará do uso indevido das fontes. (Págs. 1 e Segundo Caderno)
Mantega contra-ataca os bancos
A mando da presidente Dilma, Mantega disse que os bancos têm lucro demais e não precisam de corte de impostos para baixar juros. (Págs. 1, 23, Miriam Leitão e editorial "Embate nos juros não é de fácil solução")
Obama: Cuba não quer mudanças
Em entrevista ao Grupe de Diarios América, do qual o GLOBO faz parte, o presidente Obama diz que líderes cubanos não têm interesse em mudar as relações com os EUA. (Págs. 1, 30 e 31) 
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Folha de S. Paulo

Manchete: Supremo libera aborto de fetos sem cérebro
Por 8 votos a 2, prevaleceu a tese de que anencefalia inviabiliza a vida

O Supremo Tribunal Federal decidiu por 8 votos a 2 que as mulheres tem o direito de interromper a gravidez de fetos sem cérebro ou sem parte dele. A maioria entendeu que a anencefalia inviabiliza a vida após o parto.

Até então, as gestantes precisavam entrar na Justiça para conseguir a realização do aborto nesses casos. Ministros favoráveis à decisão disseram que ela não abre brecha para o aborto no caso de outras anomalias. (Págs. 1 e Cotidiano C1)

Análise

Há oito anos, o resultado do julgamento provavelmente teria sido diferente, diz Joaquim Falcão. (Págs. 1 e C1)

Criação de CPI do Cachoeira preocupa Dilma e divide petistas
A criação de uma CPI para investigar o empresário Carlinhos Cachoeira e suas relações com políticos preocupa Dilma Rousseff e provoca racha no PT. 

O temor da presidente é que aliados insatisfeitos usem a comissão para pressionar o governo. Entre os petistas, há divergência quanto ao apoio declarado pelo partido a CPI. (Págs. 1 e Poder A4) 

Rui Falcão: É preciso apurar relação de senador com a imprensa (Págs. 1 e Opinião A3)


Mônica Bergamo: Sarney aparece em grampo da PF que investiga o caso (Págs. 1 e Ilustrada E2)


Foto-legenda: Bancando o jogo
Acusado de defender interesses de Cachoeira, Demóstenes Torres (ex-DEM) reaparece no Senado, onde disse que provara ser inocente; relatoria de processo no Conselho de Ética foi recusada por cinco senadores. (Págs. 1 e Poder A6) 
Polícia prende em PE três suspeitos de canibalismo
Três pessoas foram presas sob a suspeita de matar, esquartejar, comer e enterrar partes dos corpos de ao menos três mulheres em Garanhuns (PE). Segundo a polícia, o primeiro crime foi relatado em um livro e registrado em cartório por um dos suspeitos. (Págs. 1 e Cotidiano C4) 
Foto-legenda: Todos por um
Blindado do Exército circula por rua de Francisco Beltrão (PR) em busca de um fuzil roubado de quartel; a ação mobilizou 250 militares de quatro cidades. (Págs. 1 e Cotidiano C4)
Coreia do Norte lança foguete mesmo após advertências
Apesar de ameaças, a Coreia do Norte lançou um foguete que, diz, serviria para por um satélite em órbita. EUA, Coreia do Sul e Japão dizem que a ação e um teste disfarçado de míssil de longa distância. O foguete se desintegrou e, segundo a Coreia do Sul, os destroços caíram no mar a 165 km de Seul. A Coreia do Norte não se manifestou. (Págs. 1 e Mundo A12)
Argentina estuda estatizar petroleira YPF, afirma jornal
A Argentina quer expropriar parte da YPF, produtora de petróleo subsidiária da espanhola Repsol. Segundo o jornal "Clarin", o governo enviou projeto ao Congresso para tornar públicas 50,01% das ações. Madri disse que a iniciativa terá consequências. (Págs. 1 e Mundo A16)
Por juros menores, governo sobe o tom contra bancos
O governo subiu o tom contra os bane os privados, que exigem contrapartidas para reduzir os juros de empréstimos. Após encontro com Dilma, Guido Mantega (Fazenda) atacou o setor. "Se são tão lucrativos, tem margem, sim, para reduzir taxas", afirmou. (Págs. 1 e Mercado B1)
Editoriais
Leia "Renegociação de risco", acerca de correção das dívidas dos Estados, e "Pedagogia e tecnologia", sobre informatização de salas de aula em SP. (Págs. 1 e Opinião A2)
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O Estado de S. Paulo

Manchete: Por 8 votos a 2, STF libera aborto de fetos sem cérebro
Ministros consideraram que anencéfalo não tem vida e, nesse caso, interrupção da gravidez deixa de ser crime

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem que mulheres que optam por abortar fetos anencéfalos e os médicos que provocam a interrupção da gravidez não cometem crime. Oito ministros votaram a favor e dois contra. A maioria entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal. A coordenadora da área técnica da saúde da mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilella, afirmou que o governo quer acelerar a habilitação de mais 30 centros, além dos 65 já existentes, para realizar os abortos nos casos previstos por lei. O governo reconhece que a procura deve crescer, mas não a ponto de sobrecarregar o sistema. (Págs. 1 e Vida A22 e A23)

Legislação é desconhecida

Em pesquisa do Hospital das Clínicas na capital paulista, 97% dos enfermeiros e 33% dos médicos disseram não saber quando o aborto é legal. (Págs. 1 e Vida A23)

Mantega critica bancos privados por juro alto e falta de crédito
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez duras críticas à posição dos bancos privados na concessão de crédito e no custo do dinheiro. Segundo ele, há todas as condições para que os bancos deixem de ser "campeões do spread". Para Mantega, as instituições ficam cobrando "a toda hora" mais medidas. "Eles querem jogar as contas nas costas do governo." (Págs. 1 e Economia B1 e B3)

Guido Mantega
Ministro da Fazenda

"Quero que os bancos tenham lucro, a partir do crédito, sem afligir os consumidores".

Escândalos antigos voltarão à tona na CPI do Cachoeira
A CPI do Cachoeira, que deve ser instalada na próxima semana, promete ressuscitar escândalos do governo Lula e pode esbarrar no financiamento ilícito de campanhas eleitorais. Ontem, o senador Demóstenes Torres, um dos alvos da investigação, apareceu de surpresa no Conselho de Ética. (Págs. 1 e Nacional A4) 
Delta fez nomeações

A construtora indicou nomeados a cargos-chave para manter sua influência na administração petista no Distrito Federal, mostram grampos. (Págs. 1 e Nacional A6) 

Greve em estádios preocupa Fifa
Onda de greves em obras de estádios da Copa preocupa a Fifa. Ontem, trabalhadores cruzaram os braços em Salvador. Em Fortaleza, a greve já dura dez dias. (Págs. 1 e Esportes E1)
MP quer demolir prédio no Morumbi em área ambiental
O Ministério Público está lançando uma ofensiva contra 30 prédios no Morumbi que, segundo os promotores, foram construídos em Área de Proteção Permanente, a poucos metros de nascentes e córregos. Um deles já é alvo de ação civil pública que pede sua demolição. (Págs. 1 e Cidades C1)
Cúpula das Américas debaterá uso de drogas (Págs. 1 e Internacional A17)


Síria tem trégua, que será testada hoje
O regime sírio cumpriu ontem a promessa de cessar-fogo, relata o enviado especial a Damasco, Lourival Sant'Anna. O grande teste será hoje, nos protestos da oposição. (Págs. 1 e Internacional A12) 
Imon Homero
Aspectos positivos em destaque

Os gestos de amizade entre Brasil e EUA durante visita da presidente Dilma mascaram série de discórdias em questões importantes. (Págs. 1 e Visão Global, Al8) 

Fernando Gabeira
O vapor de Cachoeira

Se ele foi capaz de criar suas leis, aprovando-as no âmbito estadual e levando-as à esfera nacional, o que não podem outros grupos poderosos? (Págs. 1 e Espaço Aberto, A2) 

Washington Novaes
Difícil, mas não há outro caminho

Parece que o governo não pretende aproveitar a Rio+20 para discutir a nossa matriz energética. Mas não há outro caminho. (Págs. 1 e Espaço Aberto, A2) 

Notas & Informações
A CPI deve ir em frente

A sociedade receia que um arreglo faça da CPI uma pizza antes até de começar. (Págs. 1 e A3)

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Correio Braziliense

Manchete: "Essa crise é do DEM e do PSDB", diz Agnelo
Em entrevista ao Correio Braziliense, o governador do Distrito Federal nega ligações com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Para ele, o que existe é uma tentativa “desesperada” de envolvê-lo no esquema criminoso do contraventor. "É bom lembrar que Demóstenes, no epicentro desse escândalo, foi quem pediu o meu impeachment no ano passado", diz. (Págs. 1 e 3)
1, 2, 3, 4, 5.. Ufa, um relator!
Na hora do vamos ver, todos pularam fora. Só no sexto sorteio, o Conselho de Ética conseguiu um relator, Humberto Costa, para o processo contra Demóstenes, que esteve na Casa e acompanhou tudo. (Págs. 1 e 2)
Polícia e MP abertos a araponga
Espião ligado a Cachoeira tinha acesso a processos do Ministério Público do DF e da Polícia Civil e repassou ao contraventor informações sobre a possível ocorrência de três operações da PF em 2011. (Págs. 1 e 4)
Cracolândia na porta da polícia
A cena se repete de manhã, de tarde, de noite: moradores de rua que vivem no Sudoeste transformaram uma caixa de medidores da Caesb e uma parada de ônibus às margens da Epig em pontos de consumo de drogas. E tudo a apenas 70 metros do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e a 450m de um posto da PM. (Págs. 1 e 23)
STF libera aborto de fetos sem cérebro
Em julgamento concluído ontem, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por 8 votos a 2, que mulheres grávidas de feto anencéfalo poderão interromper a gravidez sem que a atitude seja considerada crime. Até então a legislação brasileira só permitia o aborto em casos de estupro e de gestação com risco para a vida da mulher. (Págs. 1 e 8)
UTI da morte: Treze casos sob suspeita no Hospital de Santa Maria
Pacientes que ocuparam um leito da unidade no ano passado morreram por terem recebido ar comprimido em vez de oxigênio. Segundo médicos e enfermeiros, a tubulação estava trocada. (Págs. 1 e 24)
Caso Bauer: Livre na Europa, assassino pega 18 anos de cadeia
Marcelo Bauer foi condenado ontem pela morte da estudante Thaís Mendonça, crime ocorrido em 1987. Com dupla cidadania alemã, ele não pode ser extraditado para o Brasil. (Págs. 1 e 28)
Consumo: Prestação baixa vira armadilha
Sem se preocupar com as taxas de juros, o brasileiro foi às compras apostando que o valor das parcelas caberia no orçamento familiar. O resultado é o endividamento de grande parte da população. (Págs. 1 e 9)
Renda máxima para o Fies é de R$ 12,4 mil (Págs. 1 e 25)


Bancos privados cedem e começam a reduzir os juros (Págs. 1 e 10)


Visto para os EUA custará até US$ 405 (Págs. 1 e 25)


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Valor Econômico

Manchete: Pacote para portos traz concessões e reforma na gestão
O governo finaliza um pacote para encarar um dos grandes gargalos da infraestrutura do país: modernizar e alavancar investimentos no setor portuário. Sem qualquer aprimoramento relevante, os portos aumentaram em 67% a movimentação total de cargas nos últimos dez anos. Os contornos das medidas apontam para três direções: leilão de novos portos públicos, licitação de 98 terminais existentes e renegociação dos contratos de delegação de 16 portos da União (administrados por governos estaduais e municipais).

O novo porto de Manaus, com foco na movimentação de contêineres, deve ser o primeiro a ser leiloado. Em seguida, devem ser licitados os projetos do Porto de Águas Profundas (ES) e do Porto Sul da Bahia, na região de Ilhéus. Também pode ir a leilão o Porto de Imbituba (SC), o único hoje administrado pela iniciativa privada e cuja concessão expira em 2012. O prazo previsto das concessões deve ser de 25 anos, renováveis por igual período. (Págs. 1 e A3)

Foto-legenda: Busca da autossuficiência
A AACD passa a contar com uma gestão profissionalizada, liderada por João Octaviano Machado, cuja principal meta é tornar a entidade totalmente autossuficiente. (Págs. 1 e B4)
Yser investe R$ 2,4 bilhões em resinas
Com projeto orçado em R$ 2,4 bilhões, o grupo português Yser, especializado na produção de resinas vegetais, está em busca de terras para arrendar em Minas Gerais para formar o que poderá ser sua maior área florestal de pinus. O objetivo é a produção de carvão e a extração de resina usada na fabricação de derivados. Hoje, a maior parte da resina que abastece as fábricas do grupo vem da China. O plano prevê o plantio em 100 mil hectares, disse Bernardo Maia, principal executivo do grupo, que pertence à sua família.

Em Minas serão construídos também cinco usinas para produção de carvão vegetal. A empresa tem duas fábricas no Brasil (São Paulo e Curitiba) e outra em Portugal. (Págs. 1 e A13)

Cosan negocia compra da Comgás
Depois de perder o páreo para a Petrobras na disputa pela Gas Brasiliano Distribuidora, controlada pela italiana Eni, a Cosan está em negociações para a compra da participação da British Gas (BG) na Companhia de Gás de São Paulo (Comgás). O investimento é considerado estratégico para o portfólio da Cosan na área de energia.

A empresa de Rubens Ometto não quis informar o preço do negócio, mas o Valor apurou que a transação envolvendo os 60,1% da BG na Comgás está avaliada entre R$ 3,4 bilhões a R$ 3,7 bilhões. O ágio da transação pode ficar em torno de 20%. (Págs. 1 e B8)


Pela primeira vez, CUT será presidida por um bancário
Maior central sindical do país, com 2,2 mil sindicatos filiados, a CUT será presidida pela primeira vez, quase 30 anos depois da sua criação, por um bancário. Atual tesoureiro da entidade e ex-caixa do Bradesco, Vagner Freitas, de 45 anos, tem apoio da corrente majoritária da central e deverá ser eleito presidente no Congresso Nacional da CUT, em julho.

Para Freitas, apenas os bancos públicos estão cumprindo o papel "de auxiliar o desenvolvimento do Brasil". O sindicalista segue a linha da presidente Dilma, eleita pelo PT - partido do qual se diz um "militante crítico" -, e cobra dos bancos privados mais financiamentos para auxiliar o crescimento do país e a redução dos spreads bancários. (Págs. 1 e A16)

Usinas eólicas geram menos que o previsto
A implantação de projetos de energia eólica enfrenta problemas no país, como atrasos nos sistemas de transmissão e limitação da capacidade de atendimento dos órgãos ambientais. Mas as dificuldades vão além e incluem a oferta de energia abaixo do esperado. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), nos últimos 12 meses, até março, 14 de 20 parques que se conectam diretamente ao Sistema Interligado Nacional estavam com fator de capacidade (índice de eficiência) inferior ao declarado inicialmente. Em alguns casos, estão produzindo 40% menos que o previsto. Em vez dos 339 MW médios de energia que os 20 parques deveriam gerar, só 294 MW médios foram produzidos. (Págs. 1 e B8)
Caixa concentra a venda de título imobiliário para FGTS
A Caixa Econômica Federal vai ficar com quase todos os recursos destinados pelo FGTS para a compra de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), títulos com lastro em financiamentos habitacionais de bancos. Dos R$ 2,5 bilhões reservados pelo fundo para esse fim, a Caixa deve levar cerca de R$ 2,2 bilhões, apurou o Valor. O resultado irritou outras instituições que participaram do processo. Além da Caixa, que também é o agente operador do FGTS, pelo menos quatro bancos fizeram ofertas: Banco do Brasil, HSBC, Itaú e Santander.

Segundo as regras do processo, os bancos deveriam apresentar o volume total de créditos para venda e, em caso de excesso de demanda, as propostas seriam atendidas proporcionalmente. Para obter a maior parte dos recursos, a Caixa teria feito proposta de securitizar mais de R$ 30 bilhões de sua carteira imobiliária. (Págs. 1 e C1)

Um liberal 'ma non troppo'
Para muitos, ele dificilmente deixará de ser o arrogante presidente do Banco Central que sustentou a política do real sobrevalorizado até que a crise da Rússia sacudiu a economia brasileira. Um abalo que o derrubou do BC e obrigou o governo a liberar a moeda para flutuar ao sabor do mercado. Hoje sócio da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco não mostra arrogância: é gentil e paciente, sem deixar de ser apaixonado pelo que faz, na economia ou na literatura. Aos 56 anos, jura ser um liberal, "ma non troppo". "No contexto americano, de Estado mínimo, sou um heterodoxo", diz "À Mesa com o Valor", durante almoço no restaurante Antiquarius, do Rio. (Págs. 1 e Eu & Fim de Semana)
Mais de R$ 5 bi em ofertas de ações vão testar a investidor (Págs. 1 e B1)


GE e Caterpillar disputam mercado de locomotivas (Págs. 1 e B11)


Venda de PCs cresce 2,3%
As vendas mundiais de computadores cresceram 2,3% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2011. A HP lidera o setor, seguida por Lenovo e Dell. Juntas, têm 43% do mercado. (Págs. 1 e B3) 
Investimentos da Contax
A Contax, maior empresa de call center do país, vai investir R$ 400 milhões em modernização e tecnologia nos próximos 24 meses. Os recursos virão de financiamento do BNDES e emissão de debêntures, também com apoio do banco estatal. (Págs. 1 e B6)
DOF amplia frota de navios
O norueguês DOF ASA, controlador no Brasil das empresas Norskan Offshore e DOF Subsea, que atuam no apoio marítimo à exploração de petróleo, vai investir US$ 500 milhões nos próximos dois anos para ampliar a frota, hoje com 24 embarcações. (Págs. 1 e B7)
MP investiga a Celpa
O Ministério Público Federal no Pará vai pedir a quebra do sigilo bancário da Centrais Elétricas do Pará (Celpa). O órgão suspeita de empréstimos irregulares entre companhias do grupo Rede Energia, controlador da distribuidora. (Págs. 1 e B9) 
Seca ameaça lideranças da soja
Prestes a ser ultrapassada pelo milho como na colheita brasileira de grãos - o que não acontecia há mais de uma década -, a soja também poderá perder, para a cana, a posição de cultura com maior valor bruto da produção (VBP) no país. (Págs. 1 e B14) 
CNJ cria banco de dados Judiciário
O Conselho Nacional de Justiça lança hoje um banco de dados que permitirá a pessoas e empresas saberem quantos processos há contra elas no Judiciário. O sistema começa a funcionar com 33 milhões de processos do Distrito Federal e mais sete Estados. (Págs. 1 e E2) 
O conservadorismo busca um rumo
Confrontada com um momento de "dúvidas existenciais", a direita brasileira enxerga na nova classe média o caminho mais propício para o pensamento liberal e conservador no país. (Págs. 1 e Eu & Fim de Semana)
Ideias
Claudia Safatle

A presidente Dilma Rousseff resolveu comprar a briga do spread com os bancos, cuja reação julgou inadequada. (Págs. 1 e A2)

Ideias
Maria Cristina Fernandes

A presidente monta uma ampla aliança política para isolar o sistema financeiro na guerra do spread. (Págs. 1 e A6)

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quinta-feira, abril 12, 2012

XÔ! ESTRESSE [In:] DISK-ENTREGA

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BRASIL/MERCADO DE TRABALHO [in:] ''HOMO-MACHINE''

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Educação e trabalho


Autor(es): Marcio Pochmann
Valor Econômico - 12/04/2012
 

A partir do último quartel do século XX, com alterações significativas no conteúdo e nas condições de produção e gestão em rede das empresas, novos requisitos à formação para o trabalho foram introduzidos, cada vez mais distantes do tradicional sistema de educação e formação profissional herdado da sociedade urbano-industrial. O avanço da economia de serviços, assentada na disseminação do trabalho imaterial, exige uma profunda transformação no atual sistema de formação para que o ensino superior seja universalizado e a educação se torne um ativo para a vida toda.
Ao contrário do problema do analfabetismo rudimentar reinante nos séculos XIX e XX, tem destaque atual o analfabetismo funcional, imposto pela mudança técnica e informacional. Nesse sentido, expandem-se as ocupações que utilizam maior informação e exigem o exercício de atividades multifuncionais, geralmente aquelas sustentadas pelas exigências de maior escolaridade e qualificação profissional ao longo da vida laboral.
O avanço da economia de serviços exige uma profunda transformação no atual sistema de formação
Isso, por si só, não corresponde, necessariamente, à garantia da elevação do nível geral de emprego, nem mesmo à melhor qualidade das condições de trabalho. A inserção nacional na Divisão Internacional do Trabalho determina cada vez mais a estrutura do sistema produtivo que exerce, por sua vez, pressão interna sobre o nível quantitativo e qualitativo das ocupações.
No caso da distribuição ocupacional nas economias capitalistas percebe-se a trajetória de longa duração iniciada com a transição das ocupações no setor primário (agropecuário) para os empregos na manufatura até atingir, mais recentemente, o trabalho generalizado no setor terciário. Com o movimento de redução relativa do emprego no setor industrial, ganha cada vez maior destaque as ocupações nos serviços.
Mesmo o intenso crescimento do setor terciário não tem sido suficiente para compensar a queda na participação relativa das ocupações nos setores industrial e agropecuário, o que faz presente o excedente da força de trabalho expresso pelo desemprego. Neste contexto, a reorganização em curso do trabalho material para o imaterial pressupõe uma profunda reflexão a respeito da formação profissional ao longo do século XXI. Com os avanços da nova economia da tecnologia, os sistemas de formação educacional e formativos para o exercício do trabalho heterônomo herdados da sociedade urbano-industrial tornam-se cada vez mais antiquados.
Por força do avanço do trabalho imaterial, a condição de trabalho pressupõe cada vez mais a alteração profunda do ciclo de vida e de estudo. Isso porque as condições tradicionais de coesão social encontram-se fraturadas, com padrão familiar fortemente superado por arranjos monoparentais e a extensão do individualismo sobrepondo a sociabilidade mecânica.
Na sociedade pós-industrial, o conhecimento torna-se estratégico na inserção e configuração das novas trajetórias ocupacionais portadoras de maior articulação da vida com o estudo e trabalho. Sobre o resgate da formação profissional não cabe partir da mera reprodução do passado, mas de sua reinvenção nos termos necessários à reorganização da vida e trabalho em plano superior ao atualmente existente.
Com isso, a educação deixa de ser algo centrado nas fases precoces da vida (crianças, adolescente, jovens e alguns poucos adultos), como no passado, para ser algo necessário ao longo da vida. Ao invés da separação do tempo de inatividade com o tempo de trabalho presente na sociedade urbano-industrial, chega-se cada vez mais à transição do tempo da inatividade com a atividade pelo trabalho imanente do conhecimento.
Para haver educação comprometida com o ciclo completo da vida (infância, adulto e velhice), cuja expectativa aproxima-se dos 100 anos de idade, os sistemas de formação profissional precisam incorporar cada vez mais os pressupostos do diálogo desenvolvidos pelo conjunto dos atores sociais. Novas formas de produção e de reorganização do trabalho não existem sustentavelmente sem uma base recorrente de educação e formação profissional.
O resgate da educação e da formação profissional deve compreender o saber como elemento central do rearranjo básico entre os atores sociais, como a postergação do ingresso no mercado de trabalho e a conexão alongada da qualificação educacional para os segmentos populacionais envelhecidos. Sem isso, o processo de metamorfose no trabalho tende a obstaculizar as possibilidades de universalização das oportunidades da sociedade fundadas no conhecimento.
Na atual transição do sistema de formação para o trabalho da sociedade urbano-industrial para pós-industrial, o entendimento entre os atores sociais relevantes torna-se a condição necessária para maior eficiência alocativa dos meios de produção regulados pelo Estado. Da mesma forma, reveste-se de extrema importância a possibilidade de compartilhar os novos ganhos de produtividade com patamar de civilidade superior ao do século XX.
Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
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PT/DEM [In:] COM QUE CPI EU VOU, ... P´RÁ ''PIZZA'' QUE VOCÊ ME CONVIDOU ???



PT QUER ABAFAR MENSALÃO COM A CPI DO CACHOEIRA


OPERAÇÃO ABAFA MENSALÃO
Autor(es): Maria Lima
O Globo - 12/04/2012

Presidente do partido diz que investigação vai acabar com farsa
O presidente do PT, Rui Falcão, associou a CPI do Cachoeira, defendida pelo partido para investigar conexões criminosas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a uma operação para desviar o foco do mensalão – que será julgado este ano Supremo Tribunal Federal. Num vídeo postado no site do PT, Falcão convocou centrais sindicais e partidos a se mobilizarem contra o que chamou de "operação abafa" que tentaria impedir investigações sobre Cachoeira e parlamentares de várias siglas, como DEM, PPS e do próprio PT. "A bancada do PT na Câmara e no Senado defende uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão", afirmou. No Congresso, governistas trabalham para assegurar o comando da CPI e impedir que a comissão fuja do controle, atingindo aliados. A oposição, com PSDB à frente, fala em investigação sem limites.
Para presidente do PT, CPI do Cachoeira é oportunidade para esclarecer "farsa"

A estratégia antes negada publicamente pela maioria dos petistas, - de usar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) de Carlinhos Cachoeira para desviar o foco e neutralizar o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) - foi admitida ontem pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão. Em vídeo de quase dois minutos postado ontem à tarde no site oficial do partido, Falcão conclama centrais sindicais e partidos políticos que defendem o combate a corrupção, além de movimentos populares, a fazerem uma mobilização contra o que chamou de "operação abafa" que visaria a impedir a realização da investigação da CPMI, que já envolve parlamentares de seis partidos, inclusive do PT.
No vídeo, pela primeira vez, Falcão cita a intenção de desmascarar, na CPMI, aqueles que, segundo o presidente do PT, são os autores do que ele chama de "farsa do mensalão", PSDB e DEM. As declarações foram criticadas pela oposição e até por setores mais moderados do PT.
Falcão começa sua fala dizendo que está em operação "uma verdadeira operação abafa, uma tentativa de setores políticos e veículos de comunicação que tentam, a qualquer custo, impedir que se esclareça plenamente toda a organização criminosa montada por Carlinhos Cachoeira em conluio com o senador Demóstenes Torres, que já se afastou com DEM na tentativa de isolar o partido do escândalo".
Em seguida é específico sobre o mensalão:
- A bancada do PT na Câmara e no Senado defende uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão. É preciso que a sociedade organizada, movimentos populares, partidos políticos comprometidos com a luta contra a corrupção, como é o PT, se mobilizem para impedir a operação abafa, e para desvendar todo o esquema montado por esses criminosos, falsos moralistas que se diziam defensores da moral e dos bons costumes - conclama Falcão.
No vídeo, ele ataca o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mas não faz nenhuma menção ao envolvimento do governador petista do Distrito Federal, Agnelo Queiroz - que teve seu nome citado na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, como interessado num suposto encontro com Cachoeira, o que Agnelo nega.
- Nós queremos que uma CPI possa apurar todos os vínculos desse senador (Demóstenes) e vários políticos de diferentes partidos com o jogo do bicho, com contrabando, com informações privilegiadas sobre operações da policiais. É um esquema que chega ao governador de Goiás, Marconi Perillo, que tenta colocar todo mundo na vala comum. Esta semana mesmo ele disse que em Goiás todo mundo tinha relações com Carlinhos Cachoeira - diz Falcão.
Vídeo não cita petistas envolvidos com bicheiro
O presidente do PT não citou também o suposto envolvimento do deputado Rubens Otoni (PT-GO) e do subchefe de assuntos federativos da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto, outro petista histórico em Goiás, com o bicheiro goiano:
Falcão encerra o vídeo com um apelo final:
- CPI do Demóstenes para esclarecer seus vínculos com a corrupção e com os políticos corruptos!
O senador Jorge Viana (PT-AC) mostrou preocupação, temendo que a declaração de Falcão e a vinculação com o mensalão contaminem a credibilidade da CPMI
- Essa CPMI é suprapartidária e não tem essa característica de ser um partido contra outro. Ela não pode estar vinculada ao tema do mensalão. Esse é um problema que nós no PT temos uma versão, e o Brasil tem outra. A CPMI tem origem em pessoas que nos acusavam, mas eu defendo que a gente não dê à oposição o mesmo tratamento que recebemos dela no inicio. O presidente do PT tem outras missões a cumprir - disse Viana.
Na oposição, houve reação à fala de Falcão:
- É um esforço para evitar o óbvio: a condenação dos culpados, que já foram inocentados pelo PT. Se a sociedade se mobilizar, vai ser para exigir a condenação - disse o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.
Para o ex-petista e líder do PSOL na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ), negar o mensalão e usar a CPI para desviar o foco do julgamento é um exercício de ficção:
- É um delírio completamente artificial. Estou assustado com essa tentativa que é até infantil de tão precária, de tão frágil. Desde que surgiram as primeiras evidências do mensalão, setores do PT ficaram indignados e nunca negaram sua existência.
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IDELI SALVATTI/CONGRESSO [In:] ''DEU ÁGUA'' NESSAS RELAÇÕES



Câmara convoca Ideli para explicar lanchas da Pesca


Ideli terá de explicar lanchas da Pesca
Autor(es): EUGÊNIA LOPES
O Estado de S. Paulo - 12/04/2012
 

Com a ajuda da base, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara aprovou ontem a convocação da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para explicar as denúncias de irregularidades, publicadas pelo Estado, na compra de lanchas pelo Ministério da Pesca
Deputados aliados votaram em comissão da Câmara pela convocação da ministra para falar sobre denúncias envolvendo sua antiga pasta

Com a ajuda da base aliada, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara aprovou ontem a convocação da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para explicar as denúncias de irregularidades na compra de 28 lanchas pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, publicadas pelo Estado há duas semanas.
Insatisfeitos com a demora na liberação de verbas orçamentárias e no preenchimento de cargos de segundo escalão e com a decisão do Palácio do Planalto de apoiar a criação da CPI do Cachoeira, deputados aliados resolveram votar a favor da convocação da ministra, derrotando o governo por oito a sete na comissão. A data do depoimento da ministra - que é obrigada a comparecer - ainda não foi marcada.
A vitória da oposição só foi possível porque cinco deputados da base governista - dois do PP, dois do PR e um do PMDB - votaram pela convocação de Ideli.
"Foi uma derrota apertada e equivocada. Tivemos parlamentares da base do governo que votaram a favor da convocação, o que identifica um problema político. Foi também um problema de quórum porque deputados do PMDB foram embora da sessão", lamentou o vice-líder do governo, Odair Cunha (PT-MG).
"Eu diria que foi uma mistura de vacilo, cochilo do governo com a insatisfação da base aliada", resumiu o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), autor do requerimento de convocação.
Em nota divulgada ontem pelo Ministério das Relações Institucionais, Ideli negou qualquer envolvimento com irregularidades na compra das lanchas. Ao garantir não ter relações com a Intech Boating, a ministra argumentou que nos cinco meses em que esteve à frente da Pesca "não assinou e não firmou nenhum novo contrato ou convênio".
"Devido aos deveres intrínsecos ao cargo, executou os contratos e convênios sobre os quais não recaíam quaisquer vetos dos órgãos fiscalizadores", diz a nota. A ministra afirmou ainda que sua campanha ao governo de Santa Catarina não foi beneficiada com doações da Intech Boating.
Troca. A convocação de Ideli foi aprovada depois que a Comissão de Fiscalização e Controle desistiu de votar requerimento de convocação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Por interferência do líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), que foi pessoalmente à comissão, o pedido para arguir Padilha não foi votado.
Em troca, o líder garantiu que o ministro da Saúde irá comparecer na semana que vem à comissão para explicar as denúncias envolvendo um ex-assessor do ministério e hospitais federais do Rio. A posição de Alves irritou, no entanto, os peemedebistas, que preferiram se retirar da comissão e não votaram a convocação de Ideli, permitindo a vitória da oposição.
Há 13 dias, o Estado revelou que em 2009 o Ministério da Pesca comprou 28 lanchas-patrulha. O valor do contrato chegou a R$ 31 milhões. Parte da conta, cerca de R$ 5,2 milhões, foi paga já na gestão de Ideli, no início do ano passado. A pedido do ministério, o dono da fabricante das lanchas, a  Intech Boating, doou R$ 150 mil ao comitê financeiro do PT de Santa Catarina, que bancou 81% dos custos da campanha de Ideli ao governo do Estado.
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Ideli é convocada a se explicar sobre lanchas

Ideli terá que explicar compra de lanchas
Autor(es): Isabel Braga
O Globo - 12/04/2012
 

A Comissão de Fiscalização da Câmara convocou a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para explicar irregularidades na compra de 28 lanchas por sua antiga pasta, a Pesca. A fabricante doou ao PT-SC em 2010, quando Ideli disputou o governo.
Com votos de deputados governistas, comissão da Câmara consegue convocar ministra, que já vive crise em sua pasta

A Secretaria de Relações Institucionais (SRI) sofreu mais um revés ontem: por 8 votos a 7, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara aprovou a convocação da ministra Ideli Salvatti para falar sobre irregularidades constatadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na compra de 28 lanchas pelo Ministério da Pesca. A empresa Intech Boating, fabricante das lanchas, contribuiu com recursos para a campanha do PT em Santa Catarina nas eleições de 2010, quando Ideli concorreu ao governo do estado.
A oposição contou com votos e ausências de deputados governistas para aprovar o requerimento. O resultado surpreendeu o Palácio do Planalto, que já vinha administrando desde o início da semana uma outra crise envolvendo a ministra Ideli: as relações de um assessor direto seu, Olavo Noleto (subchefe de Assuntos Federativos), com Wladimir Garcez, ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia e número dois no esquema de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Para enfrentar os ataques, Ideli se socorreu da empresa de comunicação Entrelinhas, de São Paulo, especializada em "gerenciamento de crises". Desde a semana passada, profissionais da empresa têm assessorado a ministra. Segundo a SRI, a empresa foi contratada "em caráter pessoal, diante da crescente demanda de imprensa, nos últimos dias, acerca de assuntos que extrapolam a atuação da ministra à frente da SRI".
Sobre a convocação para falar na Câmara, Ideli, que foi ministra da Pesca nos primeiros meses do governo Dilma Rousseff, disse, em nota à imprensa, que comparecerá à comissão para dar "todos os esclarecimentos que forem necessários". Afirma que não era ministra quando foi feita a licitação questionada pelo TCU, mas senadora. E que, à frente do Ministério da Pesca, não assinou novos contratos, mas cumpriu os já existentes.
Também negou ter relações com a empresa e afirmou que a sua campanha para o governo de Santa Catarina, em 2010, "não foi beneficiada com doações da Intech Boating".
Governo crê em insatisfações isoladas
Na Câmara, o vice-líder do governo, Odair Cunha (PT-MG), tentou explicar o cochilo dos governistas:
- É uma convocação absurda, mas ela vem. Estou atrás dos reais motivos (da aprovação do requerimento) e prefiro confiar no que estão me justificando. Foi ato isolado, insatisfações isoladas e não rebelião da base.
Autor do requerimento, o deputado tucano Vanderlei Macris (SP) diz que cobrará da ministra explicações sobre a compra por R$ 31,1 milhões das 28 lanchas, que estão inoperantes, além das doações para a campanha de Ideli. E alfineta o governo:
- Vários pagamentos à empresa foram feitos na gestão da ministra no Ministério da Pesca. Ela não procurou saber por que estavam subutilizadas? A ministra foi leniente.
A decisão do governo de manter Noleto no posto, a partir de suas explicações de que não tem ligações com o bicheiro Cachoeira, não convenceu o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), que formalizou ontem no Planalto pedido de detalhes do telefonema entre o assessor de Ideli e Garcez.
- As informações são necessárias já que o próprio ministro da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, confirmou ao jornal O GLOBO que Noleto conversou com Garcez sobre um possível apoio do senador Demóstenes Torres à candidatura de Dilma Rousseff, em 2010. Na prática, um assessor direto do Planalto recorreu a um bicheiro para reforçar a campanha do PT - provocou Bueno.
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SENADO/DEMÓSTENES [In:] TUDO SE TORNARÁ N´UMA ''MAROLINHA''



ALIADOS TEMEM QUE CPI DO CACHOEIRA VIRE TSUNAMI



A RESSACA DA CPI
Autor(es): » JÚNIA GAMA » ERICH DECAT » GABRIEL MASCARENHAS » PAULO DE TARSO LYRA
Correio Braziliense - 12/04/2012

As apurações sobre o envolvimento de parlamentares com o esquema criminoso do bicheiro Carlinhos Cachoeira correm o risco de se resumir ao processo no Conselho de Ética para cassar Demóstenes Torres (GO). Isso porque senadores e deputados governistas se deram conta, menos de 24 horas após anunciarem com estardalhaço a criação de uma CPI mista, de que uma investigação desse porte pode causar estragos imprevisíveis dentro e fora do Congresso. Uma saída, defendida pelo PT, seria limitar os trabalhos às denúncias baseadas na Operação Monte Carlo. Mas a oposição não aceita. Quer ampliar o foco e destrinchar também as relações de empresas do bicheiro com o governo federal.
Escutas apontam supostas ligações com o governador do DF.

Com receio de uma investigação muito ampla, deputados e senadores tentam definir o foco da comissão parlamentar mista de inquérito para apurar os negócios do bicheiro Carlinhos Cachoeira

Menos de 24 horas depois de anunciar, com estardalhaço, a criação de uma CPI mista para investigar os negócios do bicheiro Carlinhos Cachoeira, deputados e senadores começaram a procurar caminhos para diminuir o estrago que uma investigação desse tipo pode causar no Congresso. A estratégia passa por dois caminhos. O primeiro é garantir, com base em um precedente legislativo, que o Conselho de Ética do Senado tenha acesso ao inquérito que corre em segredo de justiça no Supremo Tribunal Federal, o que tornaria desnecessária a criação da CPI.
A outra alternativa seria restringir o foco dos trabalhos, para evitar destrinchar as relações de empresas privadas com o governo federal. No início da noite de ontem, uma reunião de emergência foi convocada na Câmara para afinar o texto do requerimento de criação da Comissão. O PT bateu o pé e só aceitava investigar as denúncias baseadas na Operação Monte Carlo, de 2009, porque os fatos já seriam conhecidos. Já a oposição quer uma investigação mais ampla das atividades de Carlinhos Cachoeira, o que poderia envolver diretamente empresas contratadas para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Próximo das 22h, um texto provisório foi divulgado. O documento afirmava que a CPI investigaria, em um prazo de 180 dias, "práticas criminosas desvendadas pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal, mas sem prejuízo de aditamentos de fatos novos que se liguem, intimamente, ao objeto central, particularmente a existência de um esquema de interceptações e monitoramento de conversas telefônicas". Valeu a tese mais ampla, por enquanto.
No Senado, mais cedo, um grupo de petistas deu início à operação "abafa" para justificar um recuo. A alegação é de que, em 2001, o Conselho de Ética teve acesso a escutas da Polícia Federal que estavam sob segredo de Justiça no processo contra o então senador Luiz Otávio (PPB-PA), indiciado por crime contra o sistema financeiro. "Se o conselho tiver acesso a essas conversas, isso será um fato novo. Com a questão de ordem atendida, dá para recuar", aponta um petista do grupo que trabalha para abafar o caso.
"Imaturidade"
Alguns integrantes do partido acusam o líder do PT na Casa, Walter Pinheiro (BA), de ter levado a questão para o lado pessoal ao insistir na criação da CPI. Ele se defende. "Os deputados do PT caíram em cima de mim quando o Senado manteve a cautela em relação a Demóstenes. Ameaçaram recorrer à Executiva nacional para nos pressionar. Fui bombardeado até pelo Twitter, acusado de não ter pulso firme", justificou Pinheiro.
Apesar do impasse, o sentimento é de que a instalação da CPI mista é irreversível uma vez que tanto o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), quanto da Câmara, Marco Maia (PT-RS), assumiram publicamente o compromisso de criação do colegiado. "A maioria do nosso grupo achava que era blefe. O governo achou que não toparíamos e nós achamos que o governo não iria topar. É uma imaturidade enorme, ninguém queria ficar com o ônus de se recusar a fazer uma CPI", aponta o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).
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''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''


SINOPSES - RESUMO DOS JORNAIS


Sinopses anteriores:  
12 de abril de 2012
O Globo

Manchete: PT quer abafar mensalão com a CPI do Cachoeira
Presidente do partido diz que investigação vai acabar com farsa

O presidente do PT, Rui Falcão, associou a CPI do Cachoeira, defendida pelo partido para investigar conexões criminosas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a uma operação para desviar o foco do mensalão – que será julgado este ano Supremo Tribunal Federal. Num vídeo postado no site do PT, Falcão convocou centrais sindicais e partidos a se mobilizarem contra o que chamou de “operação abafa” que tentaria impedir investigações sobre Cachoeira e parlamentares de várias siglas, como DEM, PPS e do próprio PT. “A bancada do PT na Câmara e no Senado defende uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”, afirmou. No Congresso, governistas trabalham para assegurar o comando da CPI e impedir que a comissão fuja do controle, atingindo aliados. A oposição, com PSDB à frente, fala em investigação sem limites. (Págs. 1, 3 a 10, Merval Pereira e editorial “todos correm riscos na CPI de Cachoeira”)

Foto-legenda: O fantasma do Senado

O painel registra presença de Demóstenes: ele entrou por uma porta lateral e saiu sem ser visto. A Sarney, avisou que não renuncia. (Págs. 1 e 4)
Para PF, governador do DF era chamado de ‘01’
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), teria tentado negociar encontro com Carlinhos Cachoeira. Em conversa com o bicheiro, o araponga Dada diz que o “01” está querendo falar com ele. Para a Polícia Federal, trata-se do governador do DF. (Págs. 1 e 10)
Ideli é convocada a se explicar sobre lanchas
A Comissão de Fiscalização da Câmara convocou a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para explicar irregularidades na compra de 28 lanchas por sua antiga pasta, a Pesca. A fabricante doou ao PT-SC em 2010, quando Ideli disputou o governo. (Págs. 1 e 12)
Aloprado volta à política e se candidata no ABC
Um personagem do caso dos aloprados volta à cena política como candidato a vereador pelo PT em São Caetano (SP): Hamilton Lacerda, suspeito de, em 2006, entregar a outros dois homens R$ 1,7 milhão. O dinheiro compraria um dossiê contra tucanos. (Págs. 1 e 11)
STF deve liberar hoje aborto de anencéfalos
Com o placar de 5 votos a favor e um contra, o Supremo Tribunal Federal retomará hoje o julgamento da descriminalização do aborto de fetos anencéfalos. Apenas o ministro Ricardo Lewandowski votou contra a ação e outros quatro ministros ainda não se manifestaram. Religiosos fizeram protestos. (Págs. 1, 14 e 15)
Fim do imposto sindical divide as centrais
Maior central sindical do país, com 22 milhões de filiados e 30 anos de vida, a CUT volta a defender o fim dos imposto sindical. Todas as outras centrais lutam para manter a receita. (Págs. 1 e 23)
Bancos lucram mais e pedem imposto menor
Os 25 grandes bancos brasileiros lucraram R$ 49,4 bilhões no ano passado. Apesar de serem o setor mais lucrativo do país, querem cortar imposto para baixar juros. (Págs. 1 e 24)
E-mails expõem mazelas do Souza Aguiar
Uma troca de e-mails entre médicos do Hospital Souza Aguiar, mostrada pelo “Jornal das Dez” da Globonews, revela a rotina de mazelas do serviço público de saúde. (Págs. 1 e 17)
Foto-legenda: A batalha da Praça Quinze
O anexo da Alerj, que deve ser demolido, e o prédio espelhado da Bolsa de Valores, que o governo desapropriou para acomodar a sede do Legislativo. Donos do imóvel protestam e dizem que não custará menos de R$ 500 milhões – valor de 166 UPAs. (Págs. 1 e 16)
EUA: promessa síria de trégua já não basta
Apesar dos esforços diplomáticos de última hora e a promessa de trégua do governo sírio – que, segundo os opositores, matou mais 97 pessoas ontem -, a expectativa para o cumprimento do cessar-fogo, hoje, era baixa. Segundo a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, a promessa síria já não é o bastante: “Assad tem pouca ou nenhuma credibilidade.” (Págs. 1 e 31)
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Folha de S. Paulo

Manchete: Gravação da PF indica pagamento de propina no DF
Escutas do caso Cahoeira sugerem que empresa pagava comissão em troca de negócio com o governo Agnelo (PT). (Pág. 1)
Câmara convoca Ideli para explicar compra de lanchas (Págs. 1 e Poder A7)

Roseana usa jato de empresário para viagem oficial aos EUA (Pág. 1)

Governo paulista suspende compras da PM sob suspeita (Págs. 1 e Cotidiano C1)

Projeto aprovado por deputados endurece lei seca (Pág. 1)

Supremo deve aprovar hoje aborto de feto sem cérebro (Pág. 1)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: Grampo indica que Agnelo, o '01', procurou Cachoeira
Investigação da PF sugere aproximação do governador petista com o contraventor que atuava no DF

Escutas telefônicas dentro da Operação Monte Carlo sugerem que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), pediu reunião com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Queiroz negava ter tido qualquer encontro com Cachoeira, acusado de chefiar máfia que tinha negócios com o governo do DF. Nas gravações da Polícia Federal, um aliado de Cachoeira o avisa que foi procurado por funcionário do governo do DF, que disse que o '01' queria falar com ele. De acordo com a PF, '01' era a forma como os aliados de Cachoeira se referiam a Agnelo - o que o governador nega. (Págs. 1 e Nacional A4, A6 e A7)

Alcance da CPI assusta

Integrantes do PT e do PMDB demonstraram arrependimento pelo apoio à CPI que investigará as ligações políticas de Carlinhos Cachoeira. (Págs. 1 e Nacional A4)
Câmara convoca Ideli para explicar lanchas da Pesca
Com a ajuda da base, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara aprovou ontem a convocação da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para explicar as denúncias de irregularidades, publicadas pelo Estado, na compra de lanchas pelo Ministério da Pesca. (Págs. 1 e Nacional A10) 
Votos no STF apontam apoio a aborto de anencéfalo
Em julgamento iniciado ontem, cinco ministros do Supremo Tribunal Federal reconheceram o direito ao aborto de fetos anencéfalos. A sessão será retomada hoje. Vão votar Carlos Ayres Britto, que já se manifestou a favor desse direito, e outros três ministros. Por enquanto, apenas Ricardo Lewandowski votou contra. Confirmado o resultado, toda mulher grávida de anencéfalo poderá procurar um hospital público para antecipar o parto. Não terá de ir à Justiça, como ocorre hoje. (Págs. 1 e Vida A22)

Marco Aurélio Mello
Relator do processo no Supremo

"Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida em potencial. No caso do anencéfalo não existe vida possível" 
Síria promete cessar-fogo, com ressalvas
O Ministério da Defesa da Síria comunicou ontem que pretende iniciar um cessar-fogo a partir das 6 horas de hoje (zero hora em Brasília), informa o enviado especial a Damasco, Lourival Sant'Anna. Mas o governo se reservou o direito de retaliar caso rebeldes ataquem as forças leais ao regime. (Págs. 1 e Internacional Al2) 
Inadimplência faz bancos de montadoras frearem crédito
Com a alta da inadimplência, os bancos de montadoras já projetam um ano com crescimento menor do crédito para financiar a compra de veículos. "Está mais difícil aprovar novos empréstimos", afirma Marcos Ferreira, do Banco Volkswagen. A Anfavea se queixou ontem ao governo de que o setor bancário não está atendendo a demanda por crédito. (Págs. 1 e Economia B1 e B3) 
Previ quer investir em aeroportos e varejo (Págs. 1 e Economia B15)

Estudante invade escola e fere três na Paraíba (Págs. 1 e Cidades C1)

ONU é alvo de crítica pela 'amplitude' da Rio+20 (Págs. 1 e Vida A24)

Foto-legenda: Temporal leva caos a SP
Carros ficam ilhados na esquina das Avenidas Francisco Matarazzo e Pompeia (zona oeste) durante temporal que logo tomou SP e causou congestionamento de 225 km por volta das 19h, o maior do ano na cidade. (Págs. 1 e Cidades C5)
Dora Kramer
Gatos pardos

Não está claro se o empenho na realização da CPI para investigar as armações ilimitadas das organizações Cachoeira é para explicar ou para confundir. (Págs. 1 e Nacional A6) 
Notas & Informações
O STF contra a guerra fiscal

Se editar súmula, o Supremo poderá contribuir para o fim dessa prática desastrosa. (Págs. 1 e A3)
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Correio Braziliense

Manchete: Aliados temem que CPI do Cachoeira vire tsunami
As apurações sobre o envolvimento de parlamentares com o esquema criminoso do bicheiro Carlinhos Cachoeira correm o risco de se resumir ao processo no Conselho de Ética para cassar Demóstenes Torres (GO). Isso porque senadores e deputados governistas se deram conta, menos de 24 horas após anunciarem com estardalhaço a criação de uma CPI mista, de que uma investigação desse porte pode causar estragos imprevisíveis dentro e fora do Congresso. Uma saída, defendida pelo PT, seria limitar os trabalhos às denúncias baseadas na Operação Monte Carlo. Mas a oposição não aceita. Quer ampliar o foco e destrinchar também as relações de empresas do bicheiro com o governo federal.

Escutas apontam supostas ligações com o governador do DF (Págs. 1, 2 a 4 e 31)
Julgamento – STF: aborto de feto sem cérebro perto da aprovação
A votação para decidir se mulheres grávidas de fetos anencéfalos podem interromper a gestação foi suspensa ontem quando o placar estava em 5 a 1 a favor do aborto nesses casos. A sessão será retomada hoje às 14h. Em processos anteriores, dois dos quatro ministros que faltam cotar se declararam favoráveis à interrupção da gravidez. (Págs. 1, 12 e 13)
Até a bandeira do Brasil está fora da ordem
Mais importante símbolo nacional, a bandeira hasteada em frente ao Palácio do Planalto não cumpre as exigências estabelecidas em lei. Há falhas de proporções e de disposição das estrelas. Até o slogan Ordem e Progresso está fora do lugar. (Págs. 1 e 8)
Pilotos do Legacy livres de punição
Para entidade dos EUA, processo contra americanos que guiavam jato envolvido em acidente com avião da Gol, em 2006, prescreveu. A tragédia matou 154 pessoas. (Págs. 1 e 11)
Trânsito: Lei seca tem vitória parcial na Câmara
Multa para quem dirige alcoolizado sobe de R$ 957 para R$ 1,9 mil, mas ampliação de provas sobre embriaguez ainda é vista com ressalvas por especialistas. (Págs. 1 e 38)
Golpe contra a Receita no DF
Cerca de 1,5 mil funcionários públicos estão envolvidos num esquema de sonegação do Imposto de Renda. Eles são investigados por apresentar despesas falsas para obter gordas restituições. (Págs. 1, 14 e 15)
Patrimônio da Previ chega aos R$ 155 bilhões (Págs. 1 e 20)

MP investiga denúncias contra direção do Serpro (Págs. 1 e 6)

Servidores estão atolados em dívidas
O emprego estável deu à categoria o acesso fácil ao crédito. Mas a maioria exagerou nas compras e tomou muitos empréstimos. Há débitos de até R$ 600 mil. (Págs. 1 e 16)
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Valor Econômico

Manchete: União quer abrandar lei que disciplina renúncias fiscais
O governo pretende modificar dois artigos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a Lei Complementar 101, e já comunicou essa intenção a seus líderes no Congresso. A primeira alteração dá mais flexibilidade ao governo para conceder incentivos tributários que impliquem renúncia de receitas, como no caso das desonerações, por exemplo. A segunda permite a mudança das condições financeiras dos contratos de renegociação das dívidas dos Estados com a União.

O Valor teve acesso à minuta do projeto de lei complementar que altera a LRF. A grande novidade é o interesse do governo em mudar o artigo 14, que não tem qualquer relação com os três temas que estarão na mesa de negociação com governadores e parlamentares - a 'guerra dos portos', nova partilha do ICMS do comércio eletrônico e a redução do custo financeiro das dívidas estaduais. (Págs. 1 e A2)
Suez negocia mais R$ 1 bi para Jirau
O grupo GDF Suez negocia com o BNDES um adicional de financiamento para a usina de Jirau e avalia a possibilidade de comprar a fatia da Camargo Corrêa no negócio. Os recursos serão destinados à expansão da hidrelétrica, que terá mais seis turbinas. O presidente da Suez no Brasil, Maurício Bähr, disse que a ampliação vai demandar pouco mais de R$ 1 bilhão. Para ele, os problemas de Jirau vão mudar a perspectiva que as empresas têm quanto a investimentos em novas usinas no país. "Teremos energia mais cara porque nenhum empreendedor vai imaginar que conseguirá fazer a obra dentro do cronograma". (Págs. 1 e B1)
Regras da Funai devem atrasar licenciamentos
A Fundação Nacional do Índio (Funai) criou regras que devem atrasar a concessão de licenças ambientais para obras de infraestrutura em terras indígenas. Pelas novas normas, o Rima - relatório simplificado de estudo do impacto ambiental - deve ser encaminhado às tribos afetadas "em linguagem acessível ou com tradução para línguas indígenas". Além disso, as comunidades poderão opinar sobre os futuros empreendimentos em consulta "prévia, livre e informada".

As exigências contrariam decisão tomada pelo governo, em outubro, de agilizar a análise socioambiental de grandes projetos de infraestrutura. "Há etapas e procedimentos novos. Isso pode acentuar a morosidade do processo de licenciamento, que já é lento", reclama o coordenador do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (Fmase), Marcelo Moraes. (Págs. 1 e A3)
Corte de juros pode não ser o último do ano
Há um certo consenso de que o Comitê de Política Monetária (Copom) fará mais um corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) na reunião da próxima semana, reduzindo-a para 9% ao ano. Mas há muitas dúvidas sobre onde estará a taxa no restante do ano. Uma hipótese que não deve ser descartada é a de o Comitê fazer uma parada não muito longa para avaliação. Depois disso, a taxa de juros pode até voltar a cair.

O Copom indicou em março que reduziria a Selic para no máximo 9%, um pouco acima da mínima histórica de 8,75% ao ano. De lá para cá, porém, a desinflação da economia foi mais acentuada e surpreendeu tanto o mercado quanto o Banco Central. Isso pode ajudar a inflação a convergir mais rapidamente do que esperava o próprio Copom para a meta de 4,5% neste ano. (Págs. 1 e C3)
A CPI que todos apoiam e ninguém quer
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar as relações de parlamentares, governadores e integrantes do governo federal com o contraventor Carlinhos Cachoeira tem apoio em todos os partidos, mas não interessa a ninguém. A oposição teme que Cachoeira tenha feito acordo de delação premiada que preserve o PT e o governo.

Foram envolvidos na investigação da Polícia Federal os principais partidos de oposição, como DEM e PSDB, e integrantes do governo como assessores da ministra Ideli Salvatti e do governador Agnelo Queiroz (PT-DF). Enquanto a oposição tentar levar a crise ao centro do Executivo, o objetivo petista é usar a CPI para dividir atenções com o julgamento do mensalão. (Págs. 1 e A6)
Processos relevantes estão parados no Supremo
Vinte e seis anos após a edição do primeiro plano econômico brasileiro e mais de 550 mil ações sobre o assunto no Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF) incluiu na pauta de julgamento de hoje recursos que discutem se os correntistas devem ser ressarcidos por perdas na correção da caderneta de poupança nas décadas de 80 e 90. Apesar da expectativa em torno do assunto, que há três anos aguarda um desfecho, a questão ainda não deve ser solucionada. O ministro Gilmar Mendes confirmou ao Valor que vai sugerir que se adie de novo o julgamento, após pedido formal do Banco Central.

A indefinição sobre os planos econômicos espelha um problema recorrente no Supremo nos últimos anos: processos de grande repercussão política, econômica e social estão parados nos gabinetes dos ministros ou entram e saem da pauta sem perspectiva de análise. "Há um problema de excesso de processos e de muita discricionariedade na escolha dos temas", afirma o advogado Luís Roberto Barroso. Há dois anos, quando assumiu a presidência da Corte, o ministro Cezar Peluso quis zerar a pauta do STF. Mas a ideia não foi para frente e hoje ainda se veem pautas com centenas de processos. (Págs. 1 e A16)
Importação chinesa de grãos bate recorde (Págs. 1 e B14)

Microsoft reforça área de software de negócios no país, diz Tatarinov (Págs. 1 e B3)

Projetos de R$ 21 bi para portos
Pedidos de empresas interessadas em receber autorizações do governo para operar terminais portuários de uso privativo já somam R$ 21 bilhões na Agência Nacional de Transportes Aquaviários. (Págs. 1 e A4) 
Governo prevê R$ 18 bi na banda larga
Estimativas oficiais apontam que as operadoras de telefonia deverão investir até R$ 18 bilhões em redes de banda larga até 2016 como resultado das medidas de desoneração anunciadas pelo governo. (Págs. 1 e B2) 
Cade limita CSN na Usiminas
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) não poderá indicar membros aos conselhos de administração e fiscal da Usiminas. (Págs. 1 e B7)
Santos precisa de até US$ 1,1 bi
Estudo aponta que o porto de Santos precisa de investimentos entre US$ 800 milhões e US$ 1,1 bilhão para eliminação de gargalos de infraestrutura e modernização de procedimentos. (Págs. 1 e B9) 
Avanço dos transgênicos
A área plantada com sementes transgênicas de soja, milho e algodão no Brasil deverá crescer 54% até a safra 2020/21 e totalizar 49 milhões de hectares, que deverão ser equivalentes a quase 90% da área ocupada com as três culturas. (Págs. 1 e B14)
Emissões de dívida aumentam
Companhias de todo o mundo emitiram US$ 850 bilhões em títulos de dívida no primeiro trimestre. Entre as brasileiras, as captações por meio da emissão de bônus somaram US$ 23 bilhões, alta de 70,4% em relação a igual período de 2011. (Págs. 1 e C3) 
Rio desapropria edifício da Bolsa
O edifício da antiga Bolsa do Rio, na Praça XV, que pertence à BM&FBovespa, será desapropriado pelo governo do Estado. O prédio vai abrigar a Assembleia Legislativa, cujas instalações atuais, o Palácio Tiradentes, serão transformadas em museu. (Págs. 1 e C9)
Diamond foca cadeia do petróleo
A Diamond Mountain, empresa de assessoria e investimentos com foco em infraestrutura, pretende levantar até R$ 3 bilhões no país e no exterior para investir em participações e financiar capital de giro a fornecedores da Petrobras. (Págs. 1 e Cl3) 
Ideias
Cristian Klein

Dificuldade da presidente Dilma Rousseff com a base governista teria relação com a crise de carreiras políticas no PT. (Págs. 1 e A6)
Ideias
Nelson Carlini

Retomada do setor naval é incontestável, mas equívocos precisam ser corrigidos para não se repetir a debacle dos anos 80. (Págs. 1 e A10)
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