A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
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quinta-feira, setembro 30, 2010
ELEIÇÕES 2O1O [In:] ... QUASE UMA ''BOCA DE URNA''
Serra continua com 28% e
Marina, com 14%
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, aparece com 47% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (30). Dilma cresceu um ponto em relação ao levantamento de terça-feira (28). José Serra, do PSDB, continua com 28% das intenções, assim como Marina Silva, do PV, que continua com 14%.
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) teve 1% das intenções. Nenhum dos outros candidatos conseguiu 1%. Brancos e nulos somaram 3%, e indecisos, 6%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Considerando os votos válidos, Dilma subiu de 51% para 52%. Serra tem 31%, Marina, 15%, e Plínio, 1%. Segundo o Datafolha, é impossível afirmar que se petista seria ou não eleita no primeiro turno, caso a eleição fosse agora. O Sul e o Sudeste foram responsáveis pela subida de Dilma.
Em um eventual segundo turno Dilma aparece com 53%, e Serra, com 39%. A pesquisa foi encomendado pela TV Globo em parceria com o jornal Folha de S. Paulo.
RDF
ELEIÇÕES 2O1O [In:] ELEITOR ''ABESTADO''
REDAÇÃO ÉPOCA
A Justiça Eleitoral de São Paulo rejeitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra Tiririca (PR), candidato a deputado federal, por suposto analfabetismo. O juiz Aloísio Sérgio Rezende Silveira considerou que o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) já havia entendido “não haver qualquer causa de inelegibilidade do candidato inclusive no que se refere à instrução mínima, ou seja, o não analfabetismo”.
O promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes queria fazer um teste de escrita e leitura com o candidato. Nas suas representações, Lopes anexou uma reportagem publicada por ÉPOCA com indícios que sugerem que Tiririca não sabe ler nem escrever. A Constituição proíbe candidatos analfabetos e a lei obriga que todo candidato apresente um comprovante de escolaridade ou declaração de próprio punho afirmando que sabe ler e escrever.
A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP) divulgou na segunda-feira (27) uma nota afirmando que não havia possibilidade de impugnar a candidatura antes das eleições mas que o órgão iria solicitar o registro da candidatura ao TRE-SP para examinar o que foi apresentado por Tiririca. A PRE-SP também afirmou que se Tiririca for eleito e se for comprovada eventual irregularidade, há possibilidade de recurso.
RDF
GOVERNO LULA/LULISMO [In:] OS PARÂMETROS DA DEMOCRACIA
''Lula poderá ser um poder paralelo''
Merval Pereira, Jornalista - Em livro que reúne seus artigos desde 2002, jornalista mostra como o lulismo assumiu o poder
O Estado de S.Paulo
A releitura de 372 artigos selecionados entre aqueles que publicou no jornal O Globo, entre junho de 2002 e junho de 2010, levou Merval Pereira à conclusão de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva instalou no poder um lulismo que marcará o governo nos próximos anos, com a eventual vitória do PT e de Dilma Rousseff.
Os artigos publicados no livro O Lulismo no Poder, a ser lançado terça-feira na Academia Brasileira de Letras, no Rio (Editora Record, 784 páginas, R$ 79,90), apresentam uma visão realista e, às vezes, profética do governo Lula, embora alguns deles tenham sido ultrapassados pelos acontecimentos. "Resolvi manter essas colunas porque mostram como se faz o jornalismo político no dia a dia."
Quais são os indícios de que o lulismo assumiu o poder?
Cito o aparelhamento do Estado, o Bolsa-Família e a política externa. Vê-se aí que há uma lógica nesse governo. A confusão entre público e privado sempre existiu no governo Lula. Com o escândalo do mensalão, descobriu-se que, antes de chegar à administração federal, o PT já tinha essa mistura nas prefeituras que comandava. Foi a mesma coisa no controle dos meios de comunicação. Desde o primeiro momento, o governo apareceu com várias propostas de controle, como o Conselho Nacional de Jornalismo e o projeto para controlar a cultura.
O ex-ministro José Dirceu tem o maior destaque em seu livro. Foi com ele que se desenvolveu o lulismo?
Esse é o período do mensalão, quando Lula ficou enfraquecido e quase caiu. Depois que se recuperou, ele acelerou o projeto. Dirceu era e é até hoje fortíssimo no PT. A saída do Dirceu fez com que o lulismo crescesse. Lula passou a ser a figura central. Antes, era o Palocci, era o Dirceu. Claro que Lula nunca foi uma figura decorativa, mas havia personagens que tinham autonomia no governo. A partir da saída desses dois, especialmente do Dirceu, o lulismo cresceu. Lula teve essa sorte, é um homem de sorte. Quando a crise do mensalão veio, começaram a vir também os efeitos dos programas assistencialistas, que transformaram Lula num mito no Nordeste.
Quem constrói o lulismo, os petistas ou também Lula?
Principalmente o Lula. Tem aí uma figura central que é o Patrus Ananias. Porque o Fome Zero/Bolsa-Família, do jeito que estava montado pela turma do Frei Betto, era um projeto de reforma estrutural, da estrutura do Estado. Frei Betto queria fazer comissões regionais sem políticos, para distribuição do Bolsa-Família, e a partir daí fazer educação popular. Era um projeto muito mais de esquerda, muito mais voltado para mudanças estruturais da sociedade. O Bolsa-Família hoje é um programa para manter a dominação do governo sobre esse povo necessitado. Patrus transformou-o num instrumento político espetacular, que foi o começo da força do lulismo.
Em fevereiro de 2004, sua coluna mostrava que Lula estava por baixo e que talvez fosse melhor ele desistir da reeleição para voltar em 2010. Isso mudou. Foi aí que o lulismo disparou?
Deixei no livro vários artigos que foram depois superados pelos fatos justamente para mostrar como é feito o jornalismo político, no dia a dia. Naquele momento, Lula estava morto. Eu me lembro de que, no PSDB, achavam que era só deixar o Lula sangrando até a eleição. Aí a coisa virou. Na recuperação, Lula foi em frente, viu que tinha um respaldo popular, que era muito menor do que hoje.
O lulismo continuaria sem o Lula no poder, com a eventual eleição de Dilma, ou supõe que o Lula voltaria mais tarde?
Eu achava antes que o Lula não ia querer voltar em 2014 e que ia ter uma vida política no exterior, abrir uma ONG ou um instituto, que ia andar pelo mundo fazendo palestras e sendo homenageado. Esse projeto furou um pouco, depois da crise com o Irã, depois das crises internacionais em que se meteu.
Lula então se voltaria mais para o Brasil?
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Lançamento
‘O Lulismo no poder’
O livro de Merval Pereira será lançado no próximo dia 28
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O jornalista Merval Pereira vai lançar, no próximo dia 28 de setembro, o livro “O Lulismo no poder”, da editora Record. O evento acontecerá na Academia Brasileira de Letras, no Castelo. Segundo o autor, o título é uma homenagem ao jornalista Carlos Castello Branco, uma espécie de patrono dos colunistas políticos brasileiros. Recentemente, o livro de Castello Branco “Os militares no poder” foi reeditado. Merval Pereira foi responsável pelo prefácio da obra. A Academia Brasileira de Letras fica na Avenida Presidente Wilson, número 203, térreo, Castelo.
''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''
30 de setembro de 2010
------------------------------------------------------------------Folha de S. Paulo
Mercadante sobe e reduz vantagem de Alckmin, que tem 54% dos votos válidos
No RS, distância entre Tarso Genro e rivais diminui e torna o 1º turno indefinido
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, estancou a tendência de perda de votos dos últimos 20 dias e mantém seu favoritismo.
Segundo pesquisa nacional Datafolha feita ontem e anteontem, Dilma oscilou positivamente um ponto e tem 52% em votos válidos. José Serra (PSDB) variou um ponto para baixo e ficou com 31%, mesmo movimento de Marina Silva (PV), que passou de 16% para 15%.
Os rivais de Dilma somam 48% dos votos válidos; ela precisa de 50% mais um para vencer já neste domingo. Como a margem de erro é de dois pontos, é impossível afirmar com segurança que não haverá segundo turno.
Cenário similar se repete no RS, onde a vantagem de Tarso Genro (PT) sobre os adversários caiu e ele tem 52% dos votos válidos; na pesquisa gaúcha , porém, a margem de erro é de três pontos.
Em SP, a vantagem de Geraldo Alckmin sobre Aloizio Mercadante diminuiu seis pontos: o petista subiu para 29% e o tucano recuou para 54%, mas ainda venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje. (Págs. 1 e Esp.3)
Edir Macedo, da Universal, divulga carta a favor de Dilma. (Págs. 1 e Esp. 3)
Após ligação de Serra, Mendes para julgamento de ação do PT
A interrupção, quando a votação era de 7 a 0 a favor da ação, foi provocada por Gilmar Mendes, que pediu mais prazo para análise.
Horas antes, a Folha viu em SP quando o tucano José Serra solicitou uma ligação para o ministro do Supremo, com quem conversou.
A exigência dos dois documentos é apontada como prejudicial para os petistas.
Serra e Mendes negaram ter conversado. (Págs. 1 e Esp. 5)
Tucano defende revisão de idade para servidores se aposentarem
“Prefiro mexer muito mais na idade do que na remuneração”, disse o tucano aos servidores. (Págs. 1 e Esp. 4)
Polícia apura se Netinho omitiu a casa em que mora
Análise
Boa notícia
Eleições 2010
Caderno mostra como os candidatos querem manter o ciclo de desenvolvimento do país e os cinco momentos cruciais das campanha de cada um. (Págs. 1 e Especial Presidente 40)
Eleições 2010
Desembarcar do pedestal vai dar trabalho a Lula. (Págs. 1 e Especial Presidente 40)
Editoriais
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O Estado de S. Paulo
Manchete: Polêmica do aborto faz Dilma se explicar a líderes cristãosPreocupada com a perda de votos entre cristãos por causa de polêmica sobre o aborto, a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) reuniu padres e pastores para dizer que nunca defendeu a interrupção da gravidez. Dilma disse que a confusão é "vilania" de quem está perdendo a eleição. A polêmica é alimentada por declarações dadas por Dilma em outras ocasiões. Marina Silva (PV) afirmou que a petista "já disse que era favorável e depois mudou". 0 bispo Edir Macedo disse que o "jogo do diabo" a difusão de texto que atribuía a Dilma declaração de que "nem mesmo Cristo” lhe tiraria a vitória. (Págs. 1 e Nacional A7e A8)
Ibope dá petista no 1º turno
A pesquisa mostra Dilma com 55% dos votos válidos. Segundo o levantamento, ela não perdeu eleitores, diferentemente do que informou pesquisa Datafolha. (Págs. 1 e Nacional A4)
A 4 dias da eleição, STF não define como votar
Entrada de dólares bate recorde e cotação cai
ANS determina que planos de saúde agilizem autorizações
Anvisa suspende o Avandia
O registro do Avandia, usado para tratamento de diabete tipo 2, foi cancelado. Estudos mostraram que o remédio aumenta o risco de problemas vasculares, como enfarte e AVC. (Págs. 1 e Vida A30)
Pelo 3º dia segue suspensa emissão de passaportes
Greve dos bancários afeta 3,8 mil agências (Págs. 1 e Economia B8)
Dora Kramer
Excesso de autoconfiança acabou fazendo Lula errar ao pesar a mão na reação ao caso Erenice. (Págs. 1 e Nacional A6)
Notas & Informações
O governo não poderá ficar parado em meio à desordem cambial global. Terá de continuar interferindo no câmbio. Produzindo efeito maior se eliminasse outros obstáculos à competitividade. (Págs. 1 e A3)
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Valor EconômicoManchete: Petrobras atrai R$ 21 bi do exterior
A venda total de ações da estatal somou R$ 120 bilhões, e R$ 85 bilhões corresponderam ao que ficou conhecido como oferta prioritária, destinada aos acionistas já existentes, principalmente a União. A oferta efetivamente pública (livre) correspondeu a R$ 35 bilhões. Pelas estimativas obtidas pelo Valor, os estrangeiros ficaram com aproximadamente 60% das ações vendidas na oferta livre. (Págs. 1, C1 e C2)
Múltis do país já faturam lá fora R$ 136 bi
O ranking das empresas brasileiras mais internacionalizadas tem a Odebrecht em primeiro lugar, seguida por JBS, Gerdau, Metalfrio e Andrade Gutierrez. 0 índice de internacionalização, formado pela média da participação de ativos, empregos e receitas no exterior em relação ao total, está detalhado no anuário "Multinacionais Brasileiras" que circula hoje para os assinantes do Valor. (Pág. 1)
Rota final de campanhas obstinadas
Seu principal oponente, o candidato tucano José Serra, usou um Learjet 60 em uma campanha que enfrentou turbulências desde antes de receber o mandado do PSDB para concorrer à Presidência. Uma disputa na qual o tucano chega com pequena chance de ir para o segundo turno. Apesar da lenda de ter pavor de aviões, na campanha ele literalmente morou dentro de jatinhos - único jeito de "caçar" votos num país continental. Para ser mais preciso, o candidato passou madrugadas dentro de aviões e helic6pteros.
No Estado campeão em focos de incêndio, a candidata do PV, Marina Silva, procurou enfatizar sua profissão de fé no "onda verde". "A eleição tem que ter dois turnos, para pensar duas vezes. No primeiro turno a gente vota em quem a gente gosta. No segundo, desvia do pior". 0 crescimento aa candidata na reta final e a possibilidade de Marina forçar a realização de um segundo turno deixaram o comitê de campanha e o partido em clima de festa - reavivando a lembrança de que ela não foi a primeira opção do PV para disputar a Presidência.
Às vésperas da eleição, o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, tem encontrado espaço em sua agenda para encontros em universidades, em que aproveitou o apoio estudantil e o espaço nos debates para chamar a atenção para questões polêmicas, como a desapropriação de escolas particulares e terras agrícolas e a legalização da maconha. (Págs. 1 e A7 a Al2)
Mobilidade nos pagamentos
Ampliação de Jirau custará R$ l bi
Cenários sustentam preço da carne
Relatório de inflação
Ideias
Há dois óbitos iminentes: a eficácia eleitoral da redistribuição de renda e o poder desestabilizador da grande mídia. (Págs. 1 e A5)
Ideias
Velhos medos conservadores não cabem no novo mundo nem no Brasil de 2010, mas estão sendo chamados às urnas. (Págs. 1 e A6)
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quarta-feira, setembro 29, 2010
ELEIÇÕES 2O1O/VENEZUELA [In:] A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR...
Uma jovem jornalista precisou de um minuto e meio para desmoralizar o bufão bolivariano
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Em menos de 10 minutos, o vídeo ergue um monumento ao jornalismo de verdade e, simultaneamente, escancara a grandiosa pequenez de um farsante. Repórter da Rádio França Internacional, a jovem venezuelana Andreina Flores precisou de 1 minuto e 39 segundos para emparedar o presidente Hugo Chávez com a interrogação que inquieta os democratas do mundo inteiro. Se o governo ganhou as eleições parlamentares por uma diferença ligeiramente superior a 100 mil votos, como pôde instalar no Congresso uma bancada que tem 37 integrantes a mais que a formada pela oposição? A distorção não seria fruto das mudanças introduzidas por Chávez no sistema eleitoral às vésperas da votação, concebidas para impedir que as urnas traduzissem efetivamente a vontade popular?
Clara, concisa, corajosa, Andreina disse tudo o que o embrião de ditador não queria ouvir. A apresentação de Chávez ocupa os 7 minutos e 58 segundos restantes. Mistura piadas infelizes, grosserias, sorrisos amarelos, frases desconexas, falácias, provocações, patriotadas malandras, alusões preconceituosas, truques de quinta categoria, ameaças veladas — tudo, menos argumentos consistentes. Sentada na primeira fileira, sem arrogância e sem medo, Andreina continua à espera da resposta que não virá.
O rei Juan Carlos desmoralizou o bufão bolivariano com a célebre ordem para calar-se. A jornalista venezuelana desmoralizou-o ao exigir que falasse.
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ELEIÇÕES 2O1O [In:] FÉ E TRABALHO
Um pronunciamento exemplar de Silas Malafaia, líder evangélico, sobre liberdade de expressão, religião e eleições
Os leitores sabem que sou católico, e alguns bobos confundem a crítica que faço a alguma “igrejas mais novas do que o uísque que eu bebo” com preconceito contra evangélico. Não tenho preconceito nenhum! Combato é vigaristas disfarçados de religiosos. Se vejo alguém recorrer ao Eclesiastes para justificar o aborto por causa de uma metáfora que há naquele texto, acuso a besteira; afirmo com clareza: “É mentira! Não há uma só passagem na Bíblia que justifique tal crime”. Combato também o que chamo de indústria da fé, que recorre aos assuntos de Deus para cuidar de assuntos demasiadamente humanos.
Pois bem. Abaixo, segue um vídeo de um líder evangélico que costuma ter opiniões muito claras — o que alguns confundem com posições polêmicas. Aliás, no Brasil, ultimamente, se você evita a ambigüidade, logo vira um “polêmico”. Trata-se do pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus Vitória em Cristo. Ele faz uma das melhores defesas que já ouvi da liberdade de expressão e trata de modo muito correto a relação entre fé e política.
Não estou me alinhando com esta ou com aquela opiniões de Malafaia. O que me interessa em sua fala é a abordagem irretocável sobre democracia e estado de direito. Assista. Volto em seguida.
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Voltei
A organização evangélica a que Malafaia pertence tem seis horas de programação diária na TV aberta (Bandeirantes, RedeTV e CNT). Um irmão seu é candidato a deputado pelo PR do Rio — nacionalmente, o partido apóia a candidata Dilma Rousseff. Mas não Malafaia. Estava com Marina (ela também é fiel da Assembléia de Deus), mas rompeu o apoio por causa da posição da candidata sobre o aborto: ela se diz favorável a um plebiscito. Para o pastor, cristão não tergiversa sobre esse assunto. Nesse particular, concordo com ele. O pastor passou a apoiar o tucano José Serra.
O partido a que ele se refere no vídeo é o PT, que lhe mandou uma carta. Reproduzo trecho do texto de seu site que explica as circunstâncias
*
No programa Vitória em Cristo, exibido no dia 11 de setembro deste ano, o pastor Silas Malafaia sugeriu que os telespectadores assistissem ao vídeo do Pr. Paschoal Piragine (aqui) sobre as eleições 2010. Nele, Piragine criticou o PT e pediu aos internautas para não votarem em nenhum candidato do partido.
A repercussão foi tão grande que, até o fim da tarde desta sexta-feira (17/09), o vídeo postado no YouTube já havia sido assistido (sic) por mais de 1,6 milhão de pessoas. O fato motivou integrantes do Partido dos Trabalhadores a enviarem uma carta ao pastor Silas Malafaia alegando: “Não é verdade que deputados do PT foram expulsos por se manifestarem contra o aborto. É verdade que eles tiveram conflitos com movimentos de mulheres sobre questões relacionadas ao aborto, mas não houve expulsão.”
Em resposta, o pastor Silas Malafaia saiu em defesa do vídeo e afirmou em carta enviada aos integrantes do PT: “Espero que, se Dilma ganhar, vocês que são cristãos não fiquem envergonhados, e não se calem diante de coisas que virão por aí, e que só o tempo poderá nos mostrar.” A íntegra da carta dos petistas e da resposta de Malafaia está aqui.
29/09/2010
às 6:55------------
Pr. Silas recebe carta de integrantes do PT e responde
17/09/2010 17:00Nele, Piragine criticou o PT e pediu aos internautas para não votarem em nenhum candidato do partido.
A repercussão foi tão grande que, até o fim da tarde desta sexta-feira (17/09), o vídeo postado no youtube já havia sido assistido por mais de 1,6 milhão de pessoas. O fato motivou integrantes do Partido dos Trabalhadores a enviarem uma carta ao pastor Silas Malafaia, alegando: "Não é verdade que deputados do PT foram expulsos por se manifestarem contra o aborto. É verdade que eles tiveram conflitos com movimentos de mulheres sobre questões relacionadas ao aborto, mas não houve expulsão."
Em resposta, o pastor Silas Malafaia saiu em defesa do vídeo e afirmou em carta enviada aos integrantes do PT: "Espero que, se Dilma ganhar, vocês que são cristãos não fiquem envergonhados, e não se calem diante de coisas que virão por aí, e que só o tempo poderá nos mostrar."
Leia abaixo, na íntegra, a carta enviada pelo PT e, em seguida, a resposta do pastor Silas Malafaia:
CARTA ENVIADA POR INTEGRANTES DO PT
“Prezado Pr. Silas Malafaia
Graça e Paz!
Somos evangélicos e tomamos conhecimento da Vossa orientação no programa exibido em 11/09/2010, para que os expectadores assistissem ao vídeo do Pr. Paschoal Piragine, que pede aos cristãos não votar nos candidatos do Partido dos Trabalhadores do qual fazemos parte.
O Pr. Paschoal Piragine é bastante conhecido e o temos como uma pessoa íntegra que esteja considerando que as informações que possui contra o PT sejam realmente verdadeiras. Entretanto, trata-se de afirmações que não correspondem com a realidade.
Diante do conteúdo vídeo, gostaríamos de esclarecer que:
Não é verdade que um parlamentar do PT não pode descumprir uma deliberação coletiva do partido por uma questão religiosa ou de foro íntimo. Veja o que diz o inciso XV do art 13 do estatuto do PT:
“Art. 13. São direitos do filiado:
XV – excepcionalmente, ser dispensado do cumprimento de decisão coletiva, diante de
graves objeções de natureza ética, filosófica ou religiosa, ou de foro íntimo, por decisão da
Comissão Executiva do Diretório correspondente, ou, no caso de parlamentar, por decisão
conjunta com a respectiva bancada, precedida de debate amplo e público.”
Não é verdade que deputados do PT foram expulsos por se manifestarem contra o aborto. É verdade que eles tiveram conflitos com movimentos de mulheres sobre questões relacionadas ao aborto, mas não houve expulsão. Em função desses problemas eles foram punidos pelo PT, o que os levou a mudarem de partido.
Não é verdade que o PT possui uma orientação pela legalização do aborto. Em seu IV Congresso, o PT modificou a resolução que falava de aborto e estabeleceu para o atual programa de governo da Dilma o seguinte texto: “Promover a saúde da mulher, os direitos sexuais e direitos reprodutivos: O Estado brasileiro reafirmará o direito das mulheres ao aborto nos casos já estabelecidos pela legislação vigente, dentro de um conceito de saúde pública”.
O Plano Nacional de Diretos humanos é elaborado pela sociedade por meio dos conselhos de diretos humanos com a participação do governo federal, mas não é uma novidade do governo Lula. O primeiro plano foi publicado através do Decreto número 1.904, de 13 de maio de 1996, e o segundo através do Decreto número 4.229, de 13 de maio de 2002. Em todos eles estão presentes assunto polêmicos ligados com a sexualidade. Diante disso seria um equívoco afirmar que todos os méritos e deméritos do PNDH 3 é de responsabilidade do governo Lula ou do PT.
O conteúdo apresentado no vídeo não corresponde, portanto, com a realidade do que está sendo defendido pelo PT. Podemos pegar os posicionamentos do PT e comparar com o conteúdo do vídeo e observaremos que não existe veracidade. Um exemplo bastante claro é a questão da pedofilia. Não conhecemos nenhum parlamentar, de nenhum partido político, ou algum grupo social que defenda a pedofilia. Atribuir uma acusação dessa natureza ao PT é de extrema injustiça.
Até o dia 13/09/2010 já houve mais de um milhão, duzentos e cinquenta mil acessos ao vídeo disponibilizado na internet. Diante desses fatos nos sentimos extremamente injustiçados e pedimos que os esclarecimentos fossem veiculados em seu próximo programa.
Desde já agradecemos um retorno.
Na Graça de Deus!
Gilmar Machado
Candidato a Deputado Federal – PT/MG – Igreja Batista Central de Uberlândia
Isaac Cunha
Candidato a Deputado Estadual – PT/BA – Primeira Igreja Batista
Joaquim Brito
Candidato a Vice-Governador de Ronaldo Lessa - PT/AL – Igreja Batista do Pinheiro
Walter Pinheiro
Candidato ao Senado – PT/BA – Igreja Batista da Pituba
Wasny de Roure
Candidato a Deputado Distrital – PT/DF – Igreja Batista do Lago Norte”
“Sr. Geter Borges e Candidatos do PT,
Já que vocês me enviaram um e-mail apresentando defesa do Partido dos Trabalhadores em relação às questões que o pastor Paschoal Piragine levanta, gostaria de contraditar a argumentação de vocês. Antes de fazê-lo, quero deixar bem claro que não tenho restrições pessoais ao PT ou a qualquer outro partido. Os meus questionamentos têm a ver com os princípios que defendo, independente de partidos políticos. Esclareço também que sou amigo pessoal de Walter Pinheiro. Em duas eleições passadas, eu o ajudei. Já o citei várias vezes em meu programa de TV como exemplo de cristão na política. Ele tem a liberdade de usar a minha imagem na sua campanha, o que permito de maneira muito restrita a pouquíssimos candidatos.
Vamos aos fatos:
1. O deputado que saiu do PT, saiu por ter posição cristã contrária aos princípios do partido. E se não saísse, seria expulso.
2. O PT está na vanguarda da defesa do aborto e da PL 122. Estes são fatos reais, verdadeiros. Inclusive, no último dia antes do recesso parlamentar no senado no ano de 2009, se não fossem os senadores Magno Malta e Demóstenes Torres, a líder do PT teria aprovado na calada da noite, por voto de liderança, a PL 122. Isto é uma vergonha, e vocês querem que a liderança evangélica fique quieta!
3. O PNDH3 foi enviado ao congresso pelo Sr. Presidente da República no dia 21/12/2009, e a vergonha é que, nesse documento, em vários pontos, só houve recuo em alguma coisa devido à pressão violenta da igreja católica. O PNDH3, sim senhor, é responsabilidade do governo Lula e do PT.
4. Lamento dizer, mas a verdade absoluta é que os princípios cristãos são inegociáveis para nós. Quanto a isto, o PT está do outro lado. Quero ser franco e honesto: eu só não entrei de cabeça na campanha do Serra, porque também não vi nele garantias de respeito a esses princípios. Nas duas vezes em que fui convidado para participar de audiências públicas pela Comissão de Constituição e Justiça, na primeira vez, que foi sobre a questão do aborto, os deputados que estavam defendendo a legalização do mesmo, eram do PT. Na segunda vez, no Estatuto das Famílias, os deputados do PT estavam defendendo a inclusão dos homossexuais a fim de beneficiá-los na adoção de crianças. Esta é a verdade nua e crua.
Espero que, se Dilma ganhar, vocês que são cristãos não fiquem envergonhados, e não se calem diante de coisas que virão por aí, e que só o tempo poderá nos mostrar. Sinceramente, honestamente, gostaria de estar equivocado em relação às posições do PT. Não ficarei triste se o tempo mostrar que estou equivocado nestas questões, porque no tempo presente, elas são a realidade dos fatos.
Um forte abraço!
Na paz de Cristo,
Silas Lima Malafaia”
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http://www.vitoriaemcristo.org.br/_gutenweb/_site/pg_noticias.cfm?cod_materia=291
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29ª BIENAL/SP [In:] O CÉU É O LIMITE (?)
O artista pernambucano Gil Vicente virou a vedete da 29ª Bienal de São Paulo antes mesmo de o evento abrir para o público. É uma série de desenhos em que o próprio artista se autorretrata assassinando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o papa Bento XVI, a rainha Elizabeth II da Inglaterra e o presidente George W. Bush, entre outros líderes. As imagens podem parecer chocantes para muita gente. Por esse motivo, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio D’Urso, solicitou em nota que os as obras de Gil Vicente fossem retiradas da mostra da Bienal porque elas fazem “apologia ao crime” (sic). Quem tem razão nesse caso? O artista em expressar graficamente sua revolta contra os líderes mundiais, assassinando-os simbolicamente, ou o jurista indignado com a incitação ao crime manifestada na série de desenhos? Na minha opinião, os dois têm lá suas razões. O artista, ao chamar atenção sobre si próprio com uma obra que ele considera de teor “crítico”. E o jurista, que deseja também ele promover as artes, mesmo que seja falando mal. Ambos manifestam comovente ingenuidade. Os dois, mesmo em polos opostos, pensam que a arte ainda tem um poder de afetar a realidade. Pobre arte. Ela já não pode nada, virou refém do mercado e tem pouco ou nada a dizer. A controvérsia pelo menos ajuda a arte a sair da tumba para fazer algum barulho.
Para o curador da Bienal, Agnaldo Faria, a indignação da OAB só ajudou a promover a obra de Gil Vicente – até então um artista mais ou menos obscuro no cenário local, embora veterano e dono de uma produção numerosa. Pelo que pude ver, a série de Gil Vicente é formada realistas, sem nenhum tipo de recurso simbólico ou abstrato e revelam o talento do artista em representar personagens reais. É um artista que usa a boa e velha mimese (imitação da natureza) para fazer efeitos especiais em desenhos de boa fatura. Agora Gil Vicente vive seu momento de glória.
Não conheço os gostos artísticos do doutor D’Urso, mas aparentemente ele se rendeu ao efeito mais óbvio da arte: o fato de que ela imita a natureza e, por isso, carrega dentro dela características que a tornam tão real quando a realidade. Mostrou toda a sua noção “naif” em relação a obras artísticas. E acabou promovendo uma obra, tentando aplicar censura, como nos tempos da ditadura.
Condenar obras de arte por subversão à ordem é algo antiquado. Em 1857, o escritor francês Gustave Flaubert teve de responder nos tribunais por ofensa à moral e à religião. Teve de defender a personagem de seu romance, Madame Bovary, Emma, uma adúltera que chamaríamos hoje de viral ou serial. “Madame Bovary c’est moi” (Madame Bovary sou eu), foi a frase que Flaubert pronunciou no tribunal. Queria dizer assim que o artista carregava todos os pecados de sua personagem – e da humanidade. O artista, portanto, era culpado como todos nós o somos, porque imaginamos crimes, porque a arte não é pregação moral. A arte faz perguntas – e tenta responde-las muitas vezes com violência.
O crítico Affonso Romando de Samnt’Anna lembra o fenômeno da “morte em efígie”, uma forma que os artistas encontraram de eliminar gente que de quem não gostavam, exterminando-as em representação. Sant”Anna cita o assassinato simbólico do artista Marcel Duchamp feito em 1965 por três pintores: Gilles Aillaud, Antonio Recalcati e Eduardo Arroyo. Eles pintaram oito quadros em que apareciam agredindo e matando Duchamp, o artista que preconizava a morte da arte. Duchamp não gostou das obras. E quem gostaria de se ver representado assim? Mas ali havia pelo menos uma motivação artística: contra aquele que queria matar a arte, nada melhor que matá-lo e assim restituir a arte. O crítico lança uma questão incõmoda: até que ponto o artista pode se atrever? Para ele Gil Vicente comete violência. Ele seria um justiceiro, ainda que simbólico. “É o artista um cidadão acima de qualquer suspeita, acima de todas as leis sociais?”
Eu responderia que não. Quando um artista magnífico como Iberê Camargo matou um homem, foi julgado, e, mesmo absolvido, seu ato teve consequências em sua arte, contaminada desde então pelo luto. O mesmo se deu ao príncipe Gesualdo di Venosa, que no século XVII assassinou a mulher e o amante – e se persignou por isso até morrer inutilmente. Mesmo assim, compôs madrigais cromáticos e dissonantes que até hoje nos impressionam. O marquês de Sade criou um catálogo de perversões sexuais, praticou algumas, foi preso por longos anos por isso, mas hoje é considerado um gênio. O artista não está acima do bem e do mal, quando ele pratica um crime. Mas a arte que ele pratica não deve ser considerada como um prolongamento do crime que supostamente cometeu.
Eu me pergunto se Gil Vicente praticou um crime simplesmente porque se desenhou matando personalidades vivas e ativas no cenário mundial. Ele incita a violência ou provoca nosso desalento e reflexão? A motivação do artista pernambucana é motivação política. Ele quer se vingar da ordem constituída e matar os ícones em seus desenhos. Diz que as personalidades que ele matou no papel são em geral criaturas detestáveis e muitas delas desonestas. Quer mostrar sua revolta contra o Estado e a ordem jurídica. Gil Vicente diz que não vota e odeia líderes. Podemos discordar ou não dessas afirmações, mas não vejo mais do que isto: a intenção de chocar que todo artista cedo ou tarde (neste caso tarde) tem.
Não vou me deter na qualidade das obras. Elas me parecem bem feitas, hiper-realistas e interessantes. São virulentas no efeito, e refletem este mundo feito de violência desenfreada, em que atentados contra políticos, tortura e crueldades passam a ser tolerados. Gil Vicente está debaixo do mal, afetado por um espírito de época em que tudo parece permitido. Nem por isso deve ser condenado. Retirar suas obras da Bienal seria um ato de violência e censura maior que os perpetrados na série do artista. Seria interpretar literalmente uma obra de arte. Bom ou mal, o artista só é criminoso quando pratica um crime. As obras não constituem um crime em si mesmas.
O doutor D’Urso está agindo como inocente útil, e colaborando na divulgação do evento. Sugiro que os monitores da Bienal levem-no a dar um passeio pelas obras, para entender o estado da arte contemporânea. Ele talvez se espante. E, quando quiser prender todo mundo no pavilhão da Bienal, será preciso explicar que a ordem simbólica e imaginária é outra que a real.
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Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV.
(Luís Antônio Giron escreve às terças-feiras)/ÉPOCA.
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CRÔNICA/ENSAIO: DORA KRAMER
Dora Kramer
Em marcha à ré
Agência Estado •
dora.kramer@grupoestado.com.br
A justificativa do desembargador Liberato Póvoa para impor censura a 84 jornais, sites, emissoras de rádio e televisão expressa o pensamento dos defensores da tese de que liberdade de expressão é um conceito relativo.
Bem como a alegação do governador do Tocantins para pedir na Justiça o embargo da divulgação de notícias sobre a investigação de que é alvo por corrupção reproduz o raciocínio de que a imprensa serve aos propósitos da oposição, devendo, por isso, ser obrigada a calar.
O ato do governador acusado, e que disputa agora a reeleição, de mandar a Polícia Militar apreender a partida da revista Veja no aeroporto, antes da distribuição às bancas de Palmas, caracteriza, entre outros crimes, o de uso da máquina pública em proveito individual.
Dirão que é exagero, pois agora se instituiu a prática da defesa moderada da democracia, mas nesse caso escabroso estão presentes todos os elementos da guerra contra a liberdade de manifestação aberta pelo PT em geral e o presidente Luiz Inácio da Silva em particular.
Há o conceito do PT, aprovado no último congresso do partido, sobre a necessidade de se criar controles sobre o conteúdo do que se publica nos meios de comunicação; há o envolvimento do outro parceiro da aliança presidencial, o PMDB, como o partido do requerente da censura; há a argumentação presente nos discursos do presidente e há o uso eleitoral do patrimônio público.
A Justiça já havia feito parecido numa sentença que mantém o jornal O Estado de S.Paulo há mais de um ano impedido de publicar notícias sobre a investigação que alcança o filho empresário do senador e presidente do Senado, José Sarney. A última providência judicial foi remeter o caso para a Justiça do Maranhão, onde está até hoje sem decisão enquanto o jornal e o leitor ficam interditados.
Agora a atitude de um desembargador cuja suspeição é total, porque teve a mulher indicada para cargo pelo governador favorecido pela censura, atingiu 84 veículos.
A liminar foi dada na sexta-feira e suspensa ontem à tarde pelo plenário do TRE do Tocantins. A suspensão alivia, mas não resolve o problema.
A gravidade do episódio é que junto com outros dá sinais de que os arautos do atraso e do retrocesso estão se sentindo à vontade ultimamente.
Só isso explica uma decisão tão obviamente contrária aos ditames democráticos e que muito dificilmente esse desembargador teria tido coragem de proclamar caso não se sentisse em ambiente propício.
Muito já se falou sobre isso, mas é sempre bom repetir: o Brasil avançou em quase tudo da redemocratização para cá, menos na política, cujos métodos são exatamente os mesmos da primeira metade do século passado. E agora, no governo Lula, celebrados como evidência de habilidade.
Primeiro escolhemos não avançar, depois optamos por aprofundar relações com os velhos vícios e mais recentemente parece que resolvemos manifestar preferência pelo retrocesso.
Estamos voltando ao tempo em que era preciso organizar um abaixo-assinado, lançar um manifesto por dia. OAB, AMB, CNBB e similares toda semana estão no noticiário dizendo alguma coisa em defesa da democracia ou denunciando alguma agressão à Constituição.
Ora, o que precisa ser defendido com essa frequência, convenhamos, é porque vai mal.
Alguém já viu isso em país de democracia consolidada?
Pois aqui no Brasil voltou a se tornar uma questão em aberto. Governantes consideram que têm o condão de arbitrar o que seja correto ou incorreto divulgar, juízes prestam serviços particulares, militantes decretam o fim da moralidade que agora passa a se chamar “moralismo udenista” e os parvos ainda acham que os protestos exorbitam e enxergam fantasmas ao meio-dia.
Amanhã ou depois nada impede que o gesto do desembargador tocantinense se repita, até ampliado, caso não haja uma reação muito forte e desprovida de meios tons.
Defesa da democracia que o Brasil reconquistou ao custo de vidas, da liberdade e de anos perdidos não comporta moderação nem bom-mocismo de ocasião.
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CRÔNICA/ENSAIO: ARNALDO JABOR
Arnaldo Jabor - As boquinhas fechadas
Estamos vivendo um momento grave de nossa história política em que aparecem dois tumores gêmeos de nossa doença: a união da direita do atraso com a esquerda do atraso.
O Brasil está entregue à manipulação pelo governo das denúncias, provas cabais, evidências solares, tudo diante dos olhos impotentes da opinião pública, tapando a verdade de qualquer jeito para uma espécie de "tomada do poder". Isso; porque não se trata de um nome por outro - a ideia é mudar o Estado por dentro.
Tudo bem: muitos intelectuais têm todo o direito de acreditar nisso. Podem votar em quem quiserem. Democracia é assim.
Mas, e os intelectuais que discordam e estão calados? Muitos que sempre idealizaram o PT e se decepcionaram estão quietinhos com vergonha de falar. Há o medo de serem chamados de reacionários ou caretas.
Há também a inércia dos "latifúndios intelectuais". Muitos acadêmicos se agarram em feudos teóricos e não ousam mudá-los. Uns são benjaminianos, outros hegelianos, mestres que justificam seus salários e status e, por isso, não podem "esquecer um pouco do que escreveram" para agir. Mudar é trair... Também não há coragem de admitirem o óbvio: o socialismo real fracassou. Seria uma heresia, seriam chamados de "revisionistas", como se tocassem na virgindade de Nossa Senhora.
O mito da revolução sagrada é muito grande entre nós, com o voluntarismo e o populismo antidemocrático. E não abrem mão de utopias - o presente é chato, preferem o futuro imaginário. Diante de Lula, o símbolo do "povo que subiu na vida", eles capitulam. Fácil era esculhambar FHC. Mas, como espinafrar um ex-operário? É tabu. Tragicamente, nossos pobres são fracos, doentes, ignorantes e não são a força da natureza, como eles acham. Precisam de ajuda, educação, crescimento para empregos, para além do Bolsa-Família. Quem tem peito de admitir isso? É certo que já houve um manifesto de homens sérios outro dia; mas faltam muitos que sabem (mas não dizem) que reformas políticas e econômicas seriam muito mais progressistas que velhas ideias generalistas, sobre o "todo, a luta de classes, a História". Mas eles não abrem mão dessa elegância ridícula e antiga. Não conseguem substituir um discurso épico por um mais realista. Preferem a paz de suas apostilas encardidas.
Não conseguem pensar em Weber em vez de Marx, em Sérgio Buarque em vez de Florestan Fernandes, em Tocqueville em vez de Gramsci.
A explicação desta afasia e desta fixação num marxismo-leninismo tardio é muito bem analisada em dois livros recentemente publicados: Passado Imperfeito, do Tony Judt (que acaba de morrer), e o livro de Jorge Caldeira História do Brasil com Empreendedores (Editora Companhia da Letras e Mameluco). Ali, vemos como a base de uma ideologia que persiste até hoje vem de ecos do "Front Populaire" da França nos anos 30, pautando as ideias de Caio Prado Jr. e deflagrando o marxismo obrigatório na Europa de 45 até 56. Os dois livros dialogam e mostram como persiste entre nós este sarapatel de teses: leninismo, getulismo desenvolvimentista - e agora, possível "chavismo cordial".
A agenda óbvia para melhorar o Brasil é consenso entre grandes cientistas sociais. Vários "prêmios Nobel" concordam com os pontos essenciais das reformas políticas e econômicas que fariam o Brasil decolar.
Mas, não; se o PT prevalecer com seu programa não-declarado (o aparente engana...), não teremos nada do que a cultura moderna preconiza.
O que vai acontecer com esse populismo-voluntarista-estatizante é previsível, é bê-á-bá em ciência política. O PT, que usou os bons resultados da economia do governo FHC para fingir que governou, ousa dizer que "estabilizou" a economia, quando o PT tudo fez para acabar com o Real, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra tudo que agora apregoa como atos "seus". Fingem de democratas para apodrecer a democracia por dentro.
Lula topa tudo para eleger seu clone que guardará a cadeira até 2014. Se eleito, as chamadas "forças populares", que ocupam mais de 100 mil postos no Estado aparelhado, vão permanecer nas "boquinhas", através de providências burocráticas de legitimação.
Os sinais estão claros.
As Agências Reguladoras serão assassinadas.
O Banco Central poderá perder a mínima autonomia se dirigentes petistas (que já rosnam) conseguirem anular Antonio Palocci, um dos poucos homens cultos e sensatos do partido.
Qualquer privatização essencial, como a do IRB, por exemplo, ou dos Correios (a gruta da eterna depravação) , será esquecida.
A reforma da Previdência "não é necessária" - já dizem eles -, pois os "neoliberais exageram muito sobre sua crise", não havendo nenhum "rombo" no orçamento.
A Lei de Responsabilidade Fiscal será desmoralizada.
Os gastos públicos aumentarão pois, como afirmam, "as despesas de custeio não diminuirão para não prejudicar o funcionamento da máquina pública".
Portanto, nossa maior doença - o Estado canceroso - será ignorada.
Voltará a obsessão do "Controle" sobre a mídia e a cultura, como já anunciam, nos obrigando a uma profecia autorrealizável.
Leis "chatas" serão ignoradas, como Lula já fez com seus desmandos de cabo eleitoral da Dilma ou com a Lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, "esquecendo-a" de propósito.
Lula sempre se disse "igual" a nós ou ao "povo", mas sempre do alto de uma "superioridade" mágica, como se ele estivesse "fora da política", como se a origem e a ignorância lhe concedessem uma sabedoria maior. Em um debate com Alckmin (lembram?), quando o tucano perguntou a Lula ao vivo de onde vinha o dinheiro dos aloprados, ouviu-se um "ohhhh!...." escandalizado entre eleitores, como se fosse um sacrilégio contra a santidade do operário "puro".
Vou guardar este artigo como um registro em cartório. Não é uma profecia; é o óbvio. Um dia, tirá-lo-ei do bolso e sofrerei a torta vingança de declarar: "Agora não adianta chorar sobre o chopinho derramado!"...
Autor: O Estado de S.Paulo
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''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''
29 de setembro de 2010
----------------------------------------------------Folha de S. Paulo
Presidente 40 Eleições 2010 Candidata muda estratégia após queda de 6 milhões de virtuais eleitores em 2 semanas
A ameaça de segundo turno fez a campanha de Dilma Rousseff (PT) reforçar a mobilização nos Estados e acionar o presidente Lula para uma nova participação no horário eleitoral. A candidata apelou à militância, pedindo "para não esmorecer" e disputar voto a voto.
O PT identificou três motivos para a queda: o clima de "já ganhou", o caso Erenice Guerra e boatos entre religiosos de que Dilma aprova o aborto e o casamento gay.
Cálculo baseado na mais recente pesquisa do Datafolha revela que a petista teve perda de cerca de 6 milhões de votos em duas semanas. Mais da metade (cerca de 3,6 milhões de eleitores) se concentrou na classe C.
As pessoas com renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos (R$ 1.020 e R$ 2.550) são exatamente a parcela da população mais beneficiada pelas políticas econômica e social do presidente Lula. (Págs. 1 e Eleições 2010)
Marco Antonio Villa: Polarização em eventual 2º turno acabará com a falta de ideologia (Págs. 1 e Pág. Esp. 6)
Estratégia de Serra precisará mudar, diz Aécio
Lula levou ao Irã pedidos de libertação de jovens dos EUA
Hillary telefonou em maio, antes de Lula viajar a Teerã. Os jovens haviam sido presos acusados de espionagem - deles, só Sarah Shourd foi solta. (Págs. 1 e A10)
Estacionamento sobe mais que o dobro da inflação, aponta o IBGE (Págs. 1 e B1)
Em 2010, já foram emitidas 2.247 autorizações de retorno para viajantes sem documento. No ano passado inteiro, foram 1.385. (Págs. 1 e C1)
Sistema para agendar a emissão de passaporte pela internet deve voltar a funcionar hoje, diz a PF. (Págs. 1 e C3)
Tucano obtém nova censura a Datafolha no PR
Sob Alckmin, matriculas caem e repetência sobe
No ensino médio, de 2003 a 2006, a reprovação passou de 11,2% para 17,8% e foram "perdidos" 260 mil alunos. A campanha de Alckmin contesta parte dos números e diz que houve melhoria do acesso ao ensino. (Págs. 1 e Pág. Esp. 8)
Bancários iniciam greve por tempo indeterminado em 24 Estados e no DF (Págs. 1 e A7)
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O Estado de S. Paulo
Manchete: Chance de 2° turno altera estratégias das campanhasA quatro dias da eleição, pesquisa Datafolha que aponta a possibilidade de a disputa presidencial ser levada para o segundo turno alterou a estratégia das campanhas, que se intensificaram. No comitê de Dilma Rousseff, dirigentes reconhecem que ela sofreu um revés - segundo a pesquisa, a vantagem da petista sobre a soma dos demais candidatos caiu de sete para dois pontos porcentuais, e ela teria, agora, 51% dos votos válidos. O presidente Lula se reuniu com a cúpula da campanha para dar o tom da reação. Já entre os tucanos, a intenção agora é que José Serra seja cauteloso, para não interferir na aparente tendência de queda de Dilma. Para eles, um eventual segundo turno não será resultado da campanha de Serra, mas de fatores externos, e ela terá de ser modificada. Marina Silva (PV), por sua vez, passou a atacar tanto Dilma quanto Serra, embalada por seu crescimento nas pesquisas. O comando da campanha quer caracterizar os dois como iguais e Marina como alternativa. (Págs. 1 e Nacional A4)
Ibope vê refluxo em áreas ricas
Segundo o Instituto, o refluxo da "onda vermelha" da candidatura petista ocorreu em áreas mais ricas do Sul e do Sudeste: um corredor que vai de Porto Alegre a São Paulo, cortando Santa Catarina e Paraná. (Págs. 1 e Nacional A6)
Foto legenda: Corpo a corpo. Dilma Rousseff em Brasília, José Serra em Salvador e Marina Silva em Belém, em dia de campanha
Gasto federal cresce e afeta esforço fiscal
Disputa pelo Senado em SP é voto a voto
Justiça pede reforço militar no Tocantins
Kassab, em seu 6º ano, promete obras
R$ 34,6 bilhões
É a previsão de orçamento para 2011
Oposição já especula nomes para enfrentar Chávez em 2012
'Queda de avião da Air France foi crime'
Ensino fundamental determina o superior
Dora Kramer: De Severino a Tiririca
Roberto Damatta: Notas de um marciano
Leôncio Martins: A via sindical para o poder
Notas & Informações: A derrota de Chávez
Planeta: Vigilância espacial
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Valor EconômicoManchete: Reservas crescem rápido e BC acena com mais IOF
Os emergentes estão recebendo enorme fluxo de capitais e seus bancos centrais adquiriram até agosto US$ 133 bilhões. A relutância chinesa em valorizar o yuan e as baixas taxas de juros no mundo desenvolvido trazem enormes pressões de valorização das moedas dos emergentes. Depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter apontado "uma guerra global de moedas", ontem foi a vez do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, avisar que o Brasil "não vai pagar o preço” pelo desequilíbrio econômico global, que para ser remediado precisa de um acordo entre os Estados Unidos e a China. (Págs. 1, C1 e C2)
Eleições injetam até R$ 15 bi na economia
Os candidatos a presidente apostaram alto de maneira generalizada. O tucano José Serra pediu um limite de gastos de R$ 180 milhões, mais que o dobro do que o PSDB solicitou há quatro anos. A petista Dilma Rousseff apresentou um limite de R$ 157 milhões, enquanto Lula previu R$ 86 milhões em 2006. O mesmo quadro se repete entre os principais candidatos a governador.
A dotação orçamentária para a própria Justiça Eleitoral neste ano foi de R$ 549,3 milhões, em comparação aos R$ 515,8 milhões de 2006. Só a alimentação dos dois milhões de mesários exigirá R$ 82 milhões. (Págs. 1 e A14)
Companhias fogem da crise nos correios
"De uns seis meses para cá o serviço de entrega está um caos, o atraso é permanente", diz Fernando Banas, diretor da Epse Editora e da Editorial Latina. A Natura também rompeu contrato com a estatal para a entrega de material de comunicação e encomendas em alguns Estados. (Págs. 1 e B1)
Dividendos de ações batem rendimento de fundos DI
Merck faz parceria de R$ 1,2 bi no país
Empresas aceitam divulgar salários
O comunista Aldo ganha voto de ruralistas
LLX negocia acesso ferroviário para o porto de Açu (Págs. 1 e B11)
Banda larga sem fio
Lowe investe no ponto de venda
Vale leva Devex à Oceania
Escalada do mercado de imóveis
Produtor antecipa venda de soja
Brasil rejeita ‘seguro transgênico'
Visa Vale fecha com elo
CVM impõe multas milionárias
Governos na bolsa
Ideias
Decisão do Ministério da Fazenda de intervir para desvalorizar o real pode ter efeito contrário ao pretendido. (Págs. 1 e A2)
Ideias
Os EUA estão tentando inflacionar a China e a China, deflacionar os EUA. Não estão tendo êxito, e o resto do mundo sofre. (Págs. 1 e A13)
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RADIOBRAS.