A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
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folha gmail df1lkrha
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quarta-feira, outubro 31, 2012
XÔ! ESTRESSE [In:] ''APAIXONADA POR VOCÊ... ABANDONADA POR VOCÊ..." *
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(*) Fafá de Belem.
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NAVEGADOR DOS SETE MARES ... *
Ex-deputado condenado no mensalão viaja para o Caribe
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(*) Tim Maia.
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''SNIFF, SNIFF ...''
Dirceu e Genoino pagam por Lula, diz primeira mulher de ex-ministro
Clara Becker afirma que petista, com quem viveu por quatro anos no Paraná, 'não é ladrão'

Ou você acha que o Lula não sabia das coisas, se é que houve alguma coisa errada? Eles assumiram os compromissos e estão se sacrificando", indigna-se.
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CADERNETA DE POUPANÇA E SELIC
Calcule os rendimentos da nova poupança
DRUMMOND: E AGORA, BRASIL ?
No Dia D, eventos celebram os 110 anos do nascimento de Drummond
Saraus, leituras, conversas e exibição de filmes relembram o poeta mineiro em seu aniversário



SANDY. GAROTA LEVADA !
Furacão Sandy mata ao menos 38 nos EUA e afeta milhões
Ciclone mata 38 pessoas e prejuízos devem chegar a US$ 20 bilhões nos EUA |
Autor(es): Gustavo Chacra |
O Estado de S. Paulo - 31/10/2012 |
Ao menos 38 pessoas morreram depois de o furacão Sandy - que se transformou em ciclone ao atingir o continente - destruir partes da Costa Leste dos EUA a uma semana das eleições presidenciais. Cerca de oito milhões de americanos ficaram sem energia elétrica e centenas de milhares precisaram deixar as suas casas. A cidade com mais estragos foi Atlantic City.
Passagem do Sandy deixa cerca de 8 milhões sem energia elétrica e cancela mais de 16 mil voos
O furacão Sandy, que se transformou em tempestade extratropical após atingir o continente, matou pelo menos 38 pessoas e causou muita destruição na Costa Leste dos EUA a uma semana das eleições presidenciais. Cerca de 8 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica e centenas de milhares precisaram deixar suas casas.
Ao todo, os custos da destruição podem chegar a US$ 20 bilhões - pelo menos US$ 10 bilhões seriam danos aos negócios provocados pela paralisação da economia em uma região que vai dos Estados da Carolina do Norte ao Maine, onde se localizam algumas das maiores cidades americanas, de acordo com estimativa da consultoria IHS Global Insight. O ciclone provocou o fechamento, por dois dias, da Bolsa de Nova York, que deve reabrir nesta quarta-feira.
Cerca de 16 mil voos foram cancelados e alguns aeroportos, como o JFK, de Nova York, voltam a operar normalmente nesta quarta-feira. O La Guardia, também em Nova York, não tem data para reabrir. Os trens também estão parados. O metrô nova-iorquino, em razão do alagamento em dezenas de estações, deve voltar a funcionar apenas em quatro dias.
"Em 118 anos de funcionamento do metrô, nunca tivemos tantos danos", disse o presidente da Autoridade de Transportes Metropolitanos. Várias áreas próximas ao distrito financeiro, como o sofisticado bairro de Battery Park, onde se localiza a sede do banco Goldman Sachs, sofreram com inundações de até 4 metros. O memorial do 11 de Setembro também sofreu com as enchentes durante a noite, embora a situação tenha melhorado ao longo do dia.
Nesta noite, alguns ônibus voltaram a circular, mas o transporte entre diferentes partes de Nova York ainda era precário. Muitos não sabiam quando retornariam ao trabalho ou mesmo para suas casas.
Um dos maiores dramas na maior cidade do país ainda era a grua pendurada no topo do Edifício One57, ainda em construção, que será o mais caro de Nova York. Todos os quarteirões ao redor, em uma das principais regiões de Manhattan, foram isolados e autoridades locais estudavam uma forma de evitar a queda que poderia atingir o Carnegie Hall. No Queens, cerca de 80 casas foram destruídas por incêndios.
Segundo a companhia de eletricidade ConEd, cerca de 684 mil usuários ficaram sem energia. A região mais atingida foi a parte sul de Manhattan. Em alguns casos, a queda de luz foi provocada pela explosão de uma subestação. Em outros, como medida preventiva. Em New Jersey, 2,5 milhões ficaram no escuro.
Atlantic City, localizada no Estado de New Jersey, a cerca de 100 quilômetros de Nova York, foi o local onde os estragos foram maiores. As ruas da cidade, conhecida por seus cassinos, ficaram completamente alagadas e a orla foi destruída.
"Estamos no meio das buscas e da procura por pessoas desaparecidas. Nossas equipes estão se movimentando o mais rapidamente possível. No entanto, os estragos no litoral de New Jersey são os maiores que eu já vi. Os prejuízos são incalculáveis", afirmou o governador do Estado, o republicano Chris Christie.
O presidente Barack Obama, que deixou de lado a campanha eleitoral e deve visitar New Jersey nesta quarta-feira. Segundo ele, "a tempestade ainda não acabou". O presidente pediu mais coordenação com os governadores. "Eles podem me ligar diretamente na Casa Branca. Não há desculpa para a falta de ação", afirmou Obama.
Os ventos, com cerca de 100 km/h, continuam se movimentando na direção do oeste dos EUA, atingindo a região dos Grandes Lagos, onde estão outros grandes centros urbanos, como Detroit e Chicago, segundo o Centro Nacional de Furacões, da Flórida (NHC, na sigla em inglês). O NHC e os meteorologistas preveem possíveis enchentes na região dos Grandes Lagos e fortes ventos nos Montes Apalaches entre esta noite e madrugada de quarta-feira. O diretor do NHC, Rick KnabbKnabb, alertou que os rios na Pensilvânia e em New Jersey ainda podem transbordar.
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BRASIL. ENERGIA ELÉTRICA e MATRIZ ENERGÉTICA
Sistema elétrico não é mais confiável
O Globo - 31/10/2012 |
O Brasil, pelas características de sua matriz energética, tem um sistema elétrico nacional interligado, dividido em subsistemas regionais. Dessa forma, o subsistema Norte pode transferir eletricidade para a região Nordeste, da mesma maneira que o Sul pode ser abastecido em parte pelo Sudeste e vice-versa. Essa interligação só é possível porque cada subsistema tem uma certa capacidade de autoabastecimento, e a transferência de eletricidade é complementar, administrada de maneira a preservar a armazenagem de água nos reservatórios das hidrelétricas dentro de razoáveis margens de segurança.
Como o Brasil tem extensão continental e o regime de chuvas varia de acordo com cada região, esta interligação possibilita transferências de energia entre os vários subsistemas, mantendo o equilíbrio na armazenagem de água entre eles. Há anos mais secos em algumas dessas regiões, o que exige um aumento na transferência. E, como a transmissão de eletricidade pode ocorrer por distâncias muito longas, os riscos de interrupção tendem a se multiplicar quando ficam próximos dos limites da capacidade dos subsistemas.
Existem medidas para reduzir esses riscos, e a principal delas é a ampliação da base de geração térmica em áreas vizinhas aos centros de consumo. São centrais elétricas que utilizam combustível nuclear, gás natural, óleo, carvão, biomassa, funcionando continuamente ou, para elevar a confiabilidade do subsistema, sendo acionadas apenas emergencialmente.
O Brasil tem procurado pôr em prática esse modelo, mas há um conflito entre aumento da confiabilidade e a necessidade de reduzir o preço da energia para os consumidores, especialmente os relacionados ao setor produtivo. E em função desse conflito investimentos deixam de ser realizados. O resultado tem sido, por exemplo, a sequência de apagões pelo país inteiro. Não se pode mais responsabilizar raios, incêndios, causas fortuitas.
A energia mais cara é a que não existe. Em função dos últimos acontecimentos, o sistema interligado tem de passar por uma reavaliação. O que precisa ser reforçado para evitar que qualquer falha desarme o fornecimento de energia para todo um subsistema, como já ocorreu no Norte e há poucos dias em todo o Nordeste? As respostas das autoridades do setor não tranquilizam mais os consumidores. A garantia de que não ocorrerão novos apagões agora não é mais levada em conta.
O Brasil será sede de grandes eventos internacionais a partir de 2013. Não podemos correr o risco de passar vexames diante dos olhos do mundo exatamente por falta de energia elétrica. Ainda mais que estes eventos serão uma oportunidade para mostrar ao resto do planeta que o Brasil tem uma matriz elétrica limpa. Mas é preciso que seja também eficiente.
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''ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA..."
Mudanças no Minha Casa, Minha Vida: em que direção?
Autor(es): Claudia M. Eloy e Rafael F. Cagnin |
Valor Econômico - 31/10/2012 |
No início de outubro, o Conselho Curador do FGTS resistiu às pressões para o aumento do limite máximo de renda familiar que dá acesso ao Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Ampliou, entretanto, os subsídios, reajustou os limites de renda das faixas intermediárias e o valor máximo dos imóveis. A elevação do teto atual de R$ 5 mil mensais para a renda e do valor máximo dos imóveis financiados pelo programa é defendida pelas construtoras imobiliárias sob a justificativa de permitir à classe média o acesso ao programa.
Vale ressaltar, contudo, que a classe média brasileira, segundo diferentes definições, já vem sendo atendida pelo MCMV. A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), por exemplo, define como classe média aqueles que recebem renda per capita mensal entre R$ 291 e R$ 1.019. É importante, ainda, ter em mente que as famílias com rendas superiores ao teto do MCMV já são favorecidas pela existência de circuitos regulamentados de crédito que integram o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com funding nas cadernetas de poupança. É justamente o fato de ter como objetivo o atendimento das famílias cujo nível de renda lhes dificulta o acesso ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH) que justifica o montante importante de subsídio que aporta o MCMV.
As fortes pressões no sentido de elevação dos tetos dos valores dos imóveis e da renda das famílias que balizam o acesso ao MCMV devem, entretanto, continuar presentes. Isso porque os retornos da atividade imobiliária são maiores nas faixas superiores de renda do programa, cujo mercado tende a se estreitar diante da escalada de preços de terrenos e de imóveis.
Alterações no programa devem calibrar incentivo à construção e a universalização do acesso à moradia digna
A busca de aperfeiçoamento do programa é fundamental, mas caminha na direção de viabilizar o atendimento da chamada Faixa I (isto é, de famílias com rendas de até três salários mínimos) que compreendem 89,6% do déficit habitacional brasileiro, segundo cálculo da Fundação João Pinheiro (FJP). Para essas famílias, a solução adotada pelo programa - a de produzir unidades habitacionais e entregá-las às famílias em troca de uma contrapartida financeira equivalente a 5% da renda familiar por 10 anos - tem se mostrado de difícil implementação do ponto de vista da oferta. Segundo a Caixa, das 1.691.626 unidades habitacionais contratadas entre abril de 2009 e maio de 2012, somente 677.769 unidades (40%) destinavam-se à Faixa I. A meta do programa (somando-se suas duas fases) era destinar ao menos 1,6 milhão de unidades para esse segmento (atualmente 2 milhões); o que não é muito se considerada a proporção dessa faixa de renda no déficit habitacional. Além disso, o desempenho obtido frente às metas regionais é bastante assimétrico, sendo os piores resultados encontrados nas regiões Sul e Sudeste.
As incorporadoras alegam que os limites de preços estabelecidos pelo governo são inferiores aos custos de produção. Desde o início do programa, em 2009, os reajustes nos limites de preço da Faixa I superaram 50% em todas as capitais do país e em alguns casos ultrapassaram 60%. Nesse mesmo período (abril de 2009 a julho de 2012), o INCC acumulado foi de 27,7% e o IPCA, de 19,4%. Mesmo descontando as exigências de melhorias construtivas que acompanharam essas alterações, o aumento real dos limites chegou, em alguns Estados do Nordeste a 28%.
A resposta ao problema não parece ser o aumento contínuo de limites de preços. O estudo recente de Mendonça e Sachsida1 (Ipea, agosto de 2012) alerta para a responsabilidade de o governo, ao validar a elevação dos preços dos imóveis, contribuir para a formação de uma "bolha" imobiliária no Brasil. Esse curso de ação põe em risco, ainda, a própria sustentabilidade do programa, pela erosão dos orçamentos dispensados, comprometendo o equacionamento do déficit habitacional. Nesse sentido, a expansão do MCMV e seus subsídios para rendas mais altas não é apenas socialmente injusta, mas agrava a atual situação. Tivemos essa experiência nos anos do BNH, conhecemos o seu resultado e não devemos repeti-la.
Será que, diante da exiguidade de renda de muitas dessas famílias, a solução recai unicamente na entrega de unidades prontas e acabadas, em geral mal localizadas? O já esquecido Plano Nacional de Habitação, finalizado em 2008, previa uma gama mais variada de soluções para o atendimento dessas famílias, respeitando também as diferenças regionais.
Estudos sugerem que a expansão da oferta de novas unidades não é o único caminho para o enfrentamento do déficit habitacional. De acordo com a FJP, em 2008, o segundo maior componente do déficit, responsável por 34% do total, era o ônus excessivo com aluguel (mais de 30% da renda). No Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país, o ônus excessivo era o maior componente do déficit, representando 48%, 43% e 38% respectivamente. Estudo de Magalhães Eloy & Paiva2, com base na Pnad 2009, aponta para um crescimento deste componente, passando a representar 39% do déficit habitacional total. Este componente exprime uma condição de "financial burden", a rigor, uma situação que poderia ser enfrentada sem a construção de novas unidades, em franco contraste com os demais componentes do déficit habitacional que requerem, de fato, o incremento do estoque habitacional - a coabitação familiar, a precariedade e o adensamento excessivo.
Alterações no MCMV devem calibrar o incentivo à construção de moradias - que tem papel importante como dinamizador da economia - com a universalização do acesso à moradia digna, meta máxima da nossa Política Nacional de Habitação. Para isso, é imperioso aliar as políticas de subsídio habitacional a políticas fundiárias e urbanas, que mobilizem os instrumentos de inserção urbana com a elevação do número e da qualidade da produção habitacional recente. Somente dessa forma o governo poderá mitigar a apropriação dos subsídios pelos agentes dos mercados fundiário e imobiliário por meio da elevação dos preços.
1 Mendonça, M. & Sachsida, A. "Existe bolha no mercado imobiliário brasileiro?" TD nº1.762, agosto de 2012.
2 Magalhães Eloy, C.; Paiva, H. Paving the Way to Extend Mortgage Lending to Lower Income Groups in Brazil: The Case of the French System. Housing Finance International, ago/2011.
Claudia Magalhães Eloy é urbanista, participou da formulação do Plano Nacional de Habitação (2008) - Ministério das Cidades. Doutoranda em Arquitetura e Urbanismo na FAU-USP. E-mail: claudiamagalhaes@usp.br.
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(*) Vinicius de Moraes.
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DELAÇÃO PREMIADA: FATO OU VERSÃO?
Valério tenta evitar a prisão
A nova manobra de Valério |
Autor(es): DIEGO ABREU |
Correio Braziliense - 31/10/2012 |
O presidente do STF confirma que o empresário pediu o benefício da delação premiada. Ayres Britto descarta qualquer influência no julgamento
Ayres Britto confirma que réu tenta a delação premiada, mas frisa que ato não vai interferir no julgamento. Ministros acreditam que o empresário quer ser incluído em programa de proteção para escapar da prisão
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, afirmou ontem que o pedido de delação premiada feito pelo empresário Marcos Valério não vai interferir no julgamento do processo do mensalão. O ministro confirmou ter recebido um fax com a solicitação apresentada pela defesa do réu, apontado como operador do esquema de compra de apoio parlamentar no primeiro mandato do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Chegou um fax que não posso dizer o conteúdo, porque está sob sigilo, mas é hiperlacônico", destacou Britto.
O ministro disse ter decretado o sigilo do caso e enviado o pedido para o relator do processo, Joaquim Barbosa, a quem caberá apreciar a questão. Questionado se a petição poderá gerar alguma interferência no julgamento, que está em andamento desde o começo de agosto, o presidente do STF negou prontamente. "Em minha opinião, a essa altura, não", frisou, antes de reiterar que caberá ao relator se pronunciar sobre o tema. Dois ministros do STF disseram reservadamente que o pedido pode ser uma estratégia de Valério para ser incluído no serviço de proteção a testemunha e, assim, não ser preso.
Em agosto, o Correio antecipou que a defesa de Marcos Valério pediria ao Supremo que considerasse a "colaboração" do empresário com as investigações. No fax encaminhado à Suprema Corte no fim de setembro, Valério se oferece para ser ouvido em juízo novamente e relata que corre o risco de morrer. Na semana passada, os ministros fixaram uma pena de 40 anos para o empresário, durante o início da fase de dosimetria do julgamento.
PassaportesUm dos 25 condenados no processo do mensalão, o advogado Rogério Tolentino antecipou-se ao Supremo ao enviar, na segunda-feira, seu passaporte à Corte. Ex-sócio de Marcos Valério, Tolentino aguarda ainda o STF calcular as penas pelos crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O documento foi enviado via Sedex, com um ofício no qual o defensor do réu, Paulo Sérgio Silva, afirma ter tomado o conhecimento de que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu a apreensão dos passaportes dos condenados na Ação Penal 470.
Ayres Britto observou ontem que a decisão sobre o pedido de apreensão dos passaportes será tomada somente após Joaquim Barbosa retornar de viagem, na semana que vem. O relator do mensalão está em Dusseldorf, na Alemanha, onde passa por tratamento médico — ele sofre de problemas crônicos no quadril.
Interrompido na última quinta-feira, o julgamento do mensalão será retomado somente em 7 de novembro, em exatamente uma semana. Os ministros terão que definir ainda as penas de 24 condenados. A tendência é que a análise do processo se prolongue até o fim de novembro, o que levará o Supremo a concluir o julgamento após a aposentadoria de Carlos Ayres Britto, que deixará o tribunal no próximo dia 18.
O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, não quis comentar o pedido de delação premiada. Ele avisou, porém, que Valério foi o primeiro dos réus no processo do mensalão a entregar o passaporte, em 2005. "Ele tomou a iniciativa de deixar o passaporte à disposição para mostrar que não tinha a intenção de fugir, como de fato não faz. Portanto, esse assunto, para nós, é inócuo."
Absolvidos festejam na Câmara
A cerimônia de comemoração da edição número 5 mil do informativo do PT na Câmara serviu também para o partido fazer um desagravo aos réus do mensalão, confirmar que vai defender os mandatos de João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), e homenagear, ainda que discretamente, os absolvidos Professor Luizinho e Paulo Rocha . Os dois últimos não subiram ao palco montado em frente ao corredor das comissões, mas foram festejados por todos os correligionários. "Sabe como se sente um ex-presidiário? É assim que estou me sentindo", disse ao Correio o ex-deputado Professor Luizinho. Ele negou que tenha se tornado empresário na Bahia de uma companhia de celulose, como veiculado na imprensa. "Você deve ter comprado a empresa com os R$ 20 mil que eles (apontando para a reportagem do Correio) diziam que você tinha pego", reclamou o paranaense Paulo Rocha, bem menos à vontade do que o colega paulista. Na denúncia julgada pelo Supremo Tribunal Federal, Luizinho era acusado de pegar R$ 20 mil do esquema do Valerioduto.
(Paulo de Tarso Lyra, Amanda Almeida e Juliana Colares)
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... E AGORA VALÉRIO ?
Marcos Valério diz que corre risco de morte e quer confessar no STF

O |
(*) José ("E agora, José") - Poema, de Carlos Drummond de Andrade.
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre''.
AMARGO REGRESSO *
DERROTA
Petistas comemoram o resgate do partido
Pochmann é visto como o homem que virou a página do PT local
bruna.pinto@rac.com.br
Diante da derrota nas urnas, o partido assumirá a postura de oposição ao governo do futuro prefeito Jonas Donizette (PSB) na Câmara — o PT conseguiu eleger quatro vereadores — e se articulará para evitar um racha na bancada, como ocorreu no último mandato.
Pochmann chegou no comitê por volta das 19h junto com a vice, Adriana Flosi, pouco antes de 100% das urnas estarem apuradas. Ele acompanhou o processo em sua casa. Discursou aos militantes e estava um pouco emocionado. No caminho, telefonou para Jonas e afirmou ter dito que o PT assumirá papel de fiscalizador de seu governo e de suas propostas feitas durante a campanha.
Logo após o resultado da pesquisa boca de urna, do Ibope/EPTV, o clima no comitê era de derrota. Aos poucos, o local encheu de petistas que demonstraram apoio ao candidato, mas poucos políticos apareceram.
Pochmann disse que não se sente derrotado diante de sua projeção durante a campanha — ele começou com 1% nas primeiras pesquisas — e acredita no resgate do PT campineiro. “Se observarmos como nós começamos e como nós saímos dessa eleição, não pode dizer que é uma derrota, nós saímos mais ampliados dos que éramos.”
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que indicou seu nome para a disputa, a presidente da República, Dilma Rousseff, ministros e políticos nacionais subiram no palanque para anunciar o apoio ao petista. No entanto, um “passado negro” do PT com o governo Izalene, mal avaliado pela população, e a presença na sua campanha de pessoas ligadas à ex-prefeita pode ter sido mais forte do que os apoios que recebeu e os projetos apresentados. “Ainda é preciso avaliar melhor, ainda é muito cedo para dizer se erramos.”
O presidente do PT de Campinas, Ari Fernandes, disse que a candidatura de Pochmann serviu para virar a página da história do partido na cidade. Uma página, segundo ele, que começou com o assassinato do prefeito Antonio da Costa Santos (PT), em 2001, e prosseguiu com as divergências internas do partido que, segundo ele, resultaram em dificuldades no governo de Izalene. “Mas acho que nós fomos muito além do que, politicamente, esperávamos. A militância está com a moral em alta.” Fernandes disse que é preciso assumir os erros do PT no passado, mas virar, definitivamente, a página.
Entrevista
Pochmann diz que não vai abandonar o papel de político
Correio Popular — O senhor está decepcionado?
Marcio Pochmann
Eu, possivelmente, volto para a universidade (Unicamp, onde é professor de Economia) porque eu tenho uma opção profissional. Obviamente, não vou abandonar a política, tenho um papel de cidadão e ao mesmo tempo uma contribuição que espero dar para que Campinas seja uma cidade melhor do que temos atualmente.
Jonas nos atacou em relação ao passado. Desde o início, eu disse que é necessário virar uma página da história do PT de Campinas, para que a gente pudesse construir uma nova página, que está aberta e precisa ser escrita. Não acho que se escreva uma história com o passado, que precisa ser analisado. Se houve erros, eles não podem ser repetidos.
Eu discordo. O Jonas foi muito mais agressivo do que nós. A novidade das questões que nós trouxemos contra ele foi muito mais em relação ao trabalho infantil. Em relação à privatização da saúde, em relação à participação dele no PSDB, tudo isso nós havíamos feito no primeiro turno. Eu não entendo que possa ser essa explicação por nós não termos a maior parte dos votos. Nós fomos exitosos, nós saímos de 28% para uma coisa acima de 48%, nosso crescimento foi acima de 50%. O Jonas cresceu 25%. Nós fomos felizes nesse resultado.
Imediatamente, vou assumir minhas funções na universidade. Não vou abandonar o papel político que essa candidatura me abriu. Vou ver o melhor encaminhamento, ter uma conversa dentro do partido.
GUERRA, SANTA
Pastor Silas Malafaia vê vitória dos evangélicos
Autor(es): Por Raphael Di Cunto | De São Paulo |
Valor Econômico - 31/10/2012 |
Depois de polemizar no segundo turno da eleição paulistana com ataques ao agora prefeito eleito Fernando Haddad (PT) por causa de um material de combate à homofobia feito pelo petista na época em que era ministro da Educação, o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, afirmou em seu blog que os evangélicos continuarão a influenciar o processo político brasileiro e que os candidatos pensarão duas vezes antes de propor projetos em defesa dos direitos homossexuais.
"A partir desta eleição, os candidatos a cargos majoritários (prefeitos, governadores e presidentes) vão tomar muito cuidado ao fazerem leis para beneficiar o que os ativistas gays desejam, bem como materiais didáticos que vão contra os princípios da família", afirmou.
O pastor apoiou o adversário de Haddad na disputa, José Serra (PSDB), ao polemizar sobre o que os evangélicos chamaram de "kit gay". A estratégia, porém, foi mal avaliada pelos tucanos, principalmente depois de vir a público que o próprio Serra tinha produzido material semelhante no governo de São Paulo.
Para Malafaia, os evangélicos não devem se impressionar com a vitória de Haddad. "O número de prefeitos eleitos com os votos evangélicos, desculpe-me a expressão popular, "arrebentou a boca do balão"", disse. O pastor fala de "milhares de vereadores evangélicos e dezenas e dezenas de prefeitos".
Segundo ele, dos 18 candidatos a vereador que apoiou, 16 foram eleitos. O pastor ainda diz ter ajudado na eleição de 18 prefeitos, dos 25 candidatos que tiveram seu apoio. Entre os quais destaca Neilton Mulin (PR), eleito prefeito São Gonçalo, segunda maior cidade do Rio de Janeiro, com 665.326 eleitores.
O pastor ressalta que apareceu quase diariamente na propaganda de Mulin na TV e que o adversário era apoiado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), o prefeito Eduardo Paes (PMDB) e a presidente Dilma.
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O PETRÓLEO NÃO É NOSSO ! *
País importa mais petróleo dos árabes
Países árabes vendem quase 40% do petróleo importado pelo Brasil |
Autor(es): Por Rodrigo Pedroso | De São Paulo |
Valor Econômico - 31/10/2012 |
O Brasil importou neste ano, até setembro, US$ 21,9 bilhões em petróleo e derivados, valor 1,8% menor que no ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. Mas aumentou muito as compras feitas nos países árabes, que substituíram parcialmente fornecedores como os Estados Unidos e nações africanas. Os países da Liga Árabe exportaram US$ 6,7 bilhões para o Brasil, valor 25% superior ao de janeiro a setembro de 2011. Com isso, Arábia Saudita (US$ 2,4 bilhões) e Argélia (862 milhões) passaram a ser o segundo e terceiro maiores fornecedores do Brasil, sendo superados pela Nigéria.
Uma das razões para essa troca parcial de parceiros seria a qualidade do petróleo árabe, mais leve, de melhor qualidade e mais compatível com as refinarias brasileiras.
Michel Alaby: "O petróleo árabe é mais leve e as refinarias brasileiras estão mais ajustadas ao produto mais limpo"
O petróleo árabe ganha espaço entre os fornecedores de combustível para o Brasil e já representa quase 40% de todo o óleo importado pelo país, deixando para trás mercados exportadores tradicionais, como países da África e Estados Unidos.
De janeiro a setembro deste ano, a importação total brasileira de petróleo cru diminuiu 4,3% em volume na comparação com igual período do ano passado. Os produtores árabes, no entanto, elevaram em 31% as vendas para o Brasil e faturaram US$ 4 bilhões. Movimento semelhante aconteceu com os derivados de petróleo, mas em menor intensidade: com queda de 5,8% no volume total, os árabes ainda conseguiram vender 2,7% mais no mesmo período.
"O petróleo árabe é mais leve e de melhor qualidade, e as refinarias brasileiras estão mais ajustadas ao produto mais limpo", afirma Michel Alaby, diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Para ele, há um segundo fator para explicar a mudança de fornecedor. "Também pode ser uma estratégia para facilitar as exportações brasileiras de outros produtos a esses mercados. A Petrobras tem projetos na região, como em Marrocos. A Vale tem interesses em Omã, por exemplo, e a BR Foods tem estratégia de distribuir alimentos processados na área."
Em relação aos derivados, a maior utilização das refinarias brasileiras este ano e a baixa capacidade de refino árabe estão por trás de números mais tímidos do que o petróleo bruto, segundo analistas.
Este ano, o Brasil importou US$ 21,9 bilhões em petróleo e derivados em todo o mundo, valor 1,8% menor do que ano passado, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento. A Liga Árabe, por outro lado, vendeu US$ 6,7 bilhões, valor um quarto maior do o registrado entre janeiro e setembro de 2011.
A Nigéria continua sendo o maior fornecedor brasileiro de petróleo, apesar de registrar recuo na participação de mercado. Vendeu US$ 5,9 bilhões, US$ 500 milhões a menos que no ano anterior. Os Estados Unidos também venderam menos, assim como Guiné Equatorial e Peru. Angola e Congo não exportaram uma gota do produto ao Brasil em 2012.
Em contrapartida, Arábia Saudita (US$ 2,4 bilhões) e Argélia (US$ 862 milhões) ganharam espaço e hoje são os segundos e terceiros maiores fornecedores, respectivamente. O Iraque manteve o nível de US$ 650 milhões em vendas e permaneceu em quarto lugar entre os exportadores para o Brasil.
Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o petróleo é usado como arma nas estratégias comerciais dos países. "Ao mesmo tempo em que o Brasil passa a importar mais dos árabes, abre-se espaço para a exportação. A Nigéria é um grande fornecedor, mas a contrapartida dela em termos de comércio exterior é muito pequena", diz.
A especificidade política dos países árabes facilita esse movimento, afirma Castro. Segundo ele, os chefes políticos de países como Arábia Saudita, Qatar e Omã detêm o controle das empresas locais e escolhem os fornecedores. "O Brasil é superavitário com esses países e faz isso exatamente para contrabalançar o comércio."
De janeiro a setembro, o Brasil registrou um superávit de US$ 2,2 bilhões com a Liga Árabe, bloco formado por 21 países, entre eles Argélia, Sudão, Egito, Arábia Saudita e Iraque. Além disso, a estratégia de conseguir contrapartidas por meio do petróleo também vale para os vizinhos do Brasil. A Argentina, que ano passado não aparecia na balança do produto cru e vem colocando barreiras à manufatura brasileira, vendeu este ano US$ 193 milhões em petróleo.
Nos derivados de petróleo, como diesel, gasolina e querosene, também há aumento da presença da Liga Árabe e diminuição de outros países. O ritmo é menor em função de uma estratégia da Petrobras, de acordo com Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Neste ano, a empresa aumentou de 90% para 97% da capacidade máxima a operação nas refinarias, ajudando a segurar um pouco o nível de importação, que vem crescendo desde o ano passado. pressionado por forte demanda.
"O Brasil precisa produzir muita gasolina. Quando mais leve o petróleo que você importar, mais consegue-se extrair. Além do aumento do nível de operação nas refinarias, importou-se mais nafta, que é utilizado para o refino dos combustíveis", afirma Pires.
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(*) Paráfrase ao contrário.
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