A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
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quinta-feira, fevereiro 28, 2013
XÔ! ESTRESSE [In:] ''NÃO 'TÁ FÁCIL P'RÁ NINGUÉM...''
''OS SEUS, OS MEUS, E OS NOSSOS'' (Comédia. Título de filme)
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PSD discute adesão e quer 2 ministérios
O PSD quer acelerar a adesão do partido ao governo Dilma.
A Executiva Nacional fez ontem uma reunião em Brasília para discutir o assunto e iniciar as consultas a todos os diretórios sobre o apoio ao governo e à reeleição da presidente em 2014.
Bahia, Rio Grande do Norte e Rondônia já aprovaram a entrada no governo.
Como contrapartida, o PSD espera ocupar dois ministérios, ainda que o discurso oficial seja de não vincular os dois assuntos.
Presidente do partido, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab reafirmou sua posição pessoal de "simpatia" por Dilma.
Afirmou que a discussão interna tem como foco debater o alinhamento do partido em 2014 e não a ocupação de cargos. "Não vamos condicionar o apoio a cargos."/ Eduardo Bresciani
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EMBAIXADA CUBANA: ''STATUS'' MANTIDO
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Não se preocupe, embaixador
:: Demétrio Magnoli
A Carlos Zamora Rodríguez, embaixador de Cuba no Brasil:
Circulam rumores de que a passagem da blogueira Yoani Sánchez pelo Brasil terá efeitos desastrosos para sua carreira diplomática.
Escrevo para acalmá-lo.
À luz dos critérios políticos normais, qualquer um dos quatro motivos mencionados como causas possíveis de sua queda seria suficiente para fulminar um diplomata. Contudo os governos de Cuba e do Brasil não se movem por critérios normais.
Comenta-se, em primeiro lugar, que o Planalto solicitaria sua remoção em reação à interferência ilegal da embaixada nos assuntos internos do País.
De fato, é ultrajante reunir militantes do PT e do PCdoB na representação diplomática cubana para distribuir um CD contendo calúnias contra uma cidadã em visita ao Brasil.
Mas não se preocupe.
Sob Lula, quando prendeu e deportou os pugilistas cubanos que tentavam emigrar, o governo brasileiro violou a Carta Interamericana de Direitos Humanos para atender a um desejo de Havana.
Dilma Rousseff só precisa ignorar a violação de leis nacionais para encerrar o “caso Yoani”.
Em segundo lugar, corre o rumor de que Havana pretende substituí-lo por razões de incompetência funcional.
A causa seria o vazamento para Veja das informações sobre a reunião na embaixada, que contou com a presença de Ricardo Poppi Martins, auxiliar do ministro Gilberto Carvalho - uma notícia depois confirmada pela própria Secretaria-Geral da Presidência.
Certamente as agências de inteligência de seu país não apreciaram a condução desastrada da operação, mas duvido que o governo de Raúl Castro desconsidere os fatores atenuantes: a inconveniência representada pela liberdade de imprensa e os “dilemas morais pequeno-burgueses” de militantes de esquerda não submetidos ao centralismo do Partido Comunista Cubano.
Um terceiro motivo para seu afastamento residiria nas implicações lógicas das acusações difundidas pela embaixada contra a blogueira.
O CD qualifica Yoani como “mercenária financiada pelo governo dos EUA” para “trabalhar contra o povo cubano”. Afirmar isso, porém, significa dizer que, mesmo dispondo das provas da atuação de uma agente inimiga em seu território, o governo de Cuba optou por não prendê-la e processá-la, pondo em risco a segurança do país. O raciocínio, impecável, destruiria um diplomata de um país democrático, mas não arranhará sua reputação perante o regime dos Castros: o discurso totalitário não almeja a persuasão racional, não se deixa limitar pela regra da consistência interna e não admite o escrutínio da crítica.
Afigura-se mais grave a quarta razão que apontam como ameaça à sua carreira.
Ao estimular a perseguição movida por hordas de militantes organizados contra Yoani, a embaixada amplificou a voz e o alcance da mensagem da blogueira, produzindo um efeito contrário ao desejado por Havana.
Construído no terreno de um cínico pragmatismo político, o argumento parece irretocável, mas não creio que deva alarmá-lo. Na perspectiva do regime cubano, as repercussões da visita sobre a opinião pública são o preço a pagar pela afirmação de um princípio inegociável do totalitarismo: os dissidentes nunca estão a salvo da violência real ou simbólica do “ato de repúdio”.
O “ato de repúdio” é o equivalente político do estupro de gangue. Na China da Revolução Cultural, onde alcançou o apogeu, a prática chamava-se “assembleia de denúncia”. Segundo o relato de Jung Chang, uma jovem chinesa que testemunhou aqueles tempos, a Universidade de Pequim realizou sua pioneira “assembleia de denúncia” em 18 de junho de 1966, quando o reitor e dezenas de professores sofreram espancamentos e foram obrigados a permanecer ajoelhados durante horas em meio à multidão histérica. “Enfiaram à força em suas cabeças chapéus cônicos de burro, com slogans humilhantes” e “derramaram tinta em seus rostos para deixá-los negros, a cor do mal” (Cisnes Selvagens: Três Filhas da China). A matriz chinesa, nós dois sabemos, inspirou a ditadura cubana, cujos “atos de repúdio” excluem a tortura, mas não a violência física moderada, a intimidação direta e uma torrente de insultos. Yoani relata no seu blog o primeiro “ato de repúdio” a que assistiu, quando tinha 5 anos (“as pessoas gritavam e levantavam os punhos ao redor da porta de uma vizinha”), e um outro, do qual foi vítima juntamente com as Damas de Branco (“as hordas da intolerância cuspiram em nós, empurraram e puxaram o cabelo”). No “ato de repúdio”, o “inimigo do povo” deve ser despido de sua condição humana e convertido em joguete da violência coletiva. A agressão física é um corolário último desejável, mas não é um componente necessário do ritual - e, dependendo das circunstâncias políticas, deve ser prudentemente evitada. Estou convicto de que sua embaixada levou isso em conta quando indicou o caminho dos atos contra Yoani. Seu conhecido Breno Altman, um quadro político do PT, defendeu os “atos de repúdio” contra a blogueira em debate televisivo, alegando que “ninguém saiu ferido”.
De fato, apenas em Feira de Santana chegaram a empurrar Yoani e a puxar-lhe o cabelo. Na mesma cidade e em São Paulo, gangues de vândalos insultaram-na em público, cassaram-lhe o direito à palavra, ameaçaram pessoas que queriam escutá-la, provocaram o cancelamento de eventos literários e cinematográficos. Tudo isso caracteriza constrangimento ilegal, um crime contra as liberdades públicas e individuais.
No Brasil, a palavra de Yoani desmoralizou a ditadura cubana. Mas, nessa particular guerra de princípios, sua embaixada venceu: a polícia não interferiu, os “intelectuais de esquerda” silenciaram, a editora que publica Yoani eximiu-se da obrigação de protestar e uma imprensa confusa sobre a linguagem dos valores democráticos qualificou os vândalos como “manifestantes”.
Por sua iniciativa, o “ato de repúdio” fincou raízes no meu país. Creio que lhe devem uma medalha.
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Sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP. |
QUEM TEM MEDO DE YOANI SÁNCHEZ ?
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Yoani, a mais recente batalha da guerra fria
:: Francisco Ferraz
A reação de setores da esquerda à visita da jornalista cubana Yoani Sánchez ao Brasil revelou alguns aspectos da política brasileira atual que exigem uma análise objetiva e desapaixonada.
A julgar pelas reações hostis a Yoani, impõe-se uma pergunta inevitável: ela significa alguma ameaça ao Brasil? Que atos terá praticado contra a humanidade para ser percebida como inimiga no País, mesmo que nunca antes tivesse aqui pisado? Qual o imenso e assustador poder que essa jornalista tem para assustar e ameaçar os governantes cubanos, o governo brasileiro, seu partido e sua base parlamentar?
Yoani é uma vítima da guerra fria. Ela conseguiu colocar sua insignificante pessoa na rota dos conflitos entre os grandes. Sua presença, seu exemplo, seu pensamento constituem uma ameaça real ao regime cubano porque são vistos como sinais de fraqueza por seus inimigos - internos e externos.
Mas, e o Muro? O Muro não caiu em 1989? A guerra fria não terminou com a débâcle da Únião Soviética e o fim do comunismo? Não.
É necessário rever conceitos e algumas "verdades" estabelecidas. Não podemos confundir o pertencimento geográfico a um mesmo mundo com um pertencimento decorrente de uma história comum.
Na realidade, há um abismo entre as sociedades do Hemisfério Norte - suas histórias, seus traumas, suas instituições, suas culturas, sua organização social, seus problemas e desafios - e as sociedades do Hemisfério Sul.
Vivemos num mesmo mundo apenas pelo imperativo geográfico, pela instantaneidade das comunicações e por processos sociais e econômicos de que participamos principalmente como espectadores e consumidores. Quando se tratado uso de produtos materiais que, sem dificuldade, incorporamos à nossa vida, a diferença entre quem os inventou e produz e quem os consome é de menor importância.
Há, entretanto, uma grande diferença na importação de produtos culturais, que resultam da experiência histórica de sociedades diferentes. Os grandes episódios da História ocidental, como as Revoluções Francesa e Russa, o nazismo e o comunismo, a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, a guerra fria e ameaça atômica, a débâcle do comunismo, nós os vivemos vicariamente, como leitores curiosos ou espectadores distantes, que podem escolher o que, quanto, quando e como desejam incorporá-los à sua vida.
Não temos, nem o Brasil nem a América Latina, nenhum significado existencial do que seja uma guerra. No Hemisfério Norte as pessoas não somente sabem, como guardam lembranças familiares amargas de suas consequências.
Não temos o menor significado existencial do que é uma revolução, tampouco o que é um regime totalitário como o nazismo e o stalinismo. Temos um conhecimento livresco, ou romântico, sobre o comunismo. Nada que equivalha ao conhecimento de russos e europeus que o viveram.
Para nós, terror é um gênero cinematográfico. Não temos nenhuma ideia do que é o terror como uma categoria da práxis política ou do que foi o holocausto como tragédia e pavor.
Essa a razão por que teorias, ideologias, conceitos, instituições, valores, interpretações do passado, embora usando-se os mesmos nomes, sofrem uma violenta refração de significado quando se deslocam do Hemisfério Noite para o Hemisfério Sul.
Nós os importamos desidratados. Passamos a usá-los com a leveza e até inconsequência de quem, não tendo vivido sua realidade, também não adquiriu a prudência, a lucidez, o senso crítico que só aquele "saber de experiências feito", de que fala Camões, ensina.
Fascista é um termo que evoca lembranças marcadas a fogo para um europeu. Para nós não passa de um adjetivo.
Por essas razões os muros que caíram de forma tão estrepitosa na Europa, teimam em não cair aqui... Como não têm significados existenciais para nós, podem continuar em pé, mesmo quando a realidade que os levantou alhures já deixou de existir.
Assim a queda do Muro de Berlim não tem a menor importância para a política brasileira nem potencial politicamente explorável entre nós, como não têm importância para a política europeia o futuro de Cuba, a doença de Hugo Chávez ou as decisões da Unasul.
O apoio do Brasil ao Irã, apesar da perseguição a gays, mulheres e cristãos, a proteção estendida a Cesare Battisti, o silêncio em relação aos prisioneiros políticos em Cuba e o tratamento de inimiga dado a Yoani são chocantemente contraditórios com a tradição política do PT e da esquerda brasileira, e com a sua política de direitos humanos.
A oposição acusa de "incoerência" o PT e a esquerda por essas atitudes políticas. Aliás, essa é a principal arma em que repousa a esperança da oposição para abalar o governo do PT e seu projeto político. Essa acusação, entretanto, não produz nenhum efeito político importante. Não constrange os acusados da incoerência nem é compreendida pelo eleitor médio.
Na verdade, para o PT e para a esquerda não há incoerência.
O que a oposição chama de incoerência é a necessária subordinação à lógica férrea da guerra fria. Assim a ação política dos historicamente deslocados sobre uma população com baixa informação e avaliação crítica acaba por conferir realidade àquele muro virtual.
Por isso Cuba precisa ser protegida. Cuba é o ícone que sobrou, o símbolo que resta. O ícone que a URSS deixou de ser.
O muro emblemático da esquerda na América Latina não é o de Berlim. Esse é o muro do Hemisfério Norte. O muro emblemático, cuja queda significaria o fim do comunismo e do socialismo para a América Latina, é Cuba.
E por isso que Yoani é perigosa para Cuba, para o bolivarianismo de Chávez, para o PT e seu governo. Na guerra fria do Hemisfério Sul ela é uma peça tão importante quanto eram os literatos e bailarinos russos que fugiam para o Ocidente nas décadas de 50 e 60.
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:: Francisco Ferraz. Professor de Ciência Política na UFRGS, pós-graduado pela Universidade de Princeton, é diretor-presidente do site Política para políticos (www. politicaparapoliticos.com.br)
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NÃO VALE O QUE ESTÁ ESCRITO !
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![]() | 28/02/2013 |
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Impunidade
Hoje faz um ano que o bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira foi preso durante operação da Polícia Federal contra o crime organizado em Goiás.
O caso, como se sabe, foi o estopim do escândalo que revelou a extensão das ligações de Cachoeira com políticos e com a Delta, empreiteira favorita do governo petista.
O episódio é representativo da leniência com o malfeito que predomina em parte do mundo político, justificando seu atual desprestígio. Por isso vale a pena lembrar da efeméride - e constatar que apenas um dos políticos envolvidos perdeu o mandato.
Os quatro governadores cujos nomes foram citados no escândalo - Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF), Siqueira Campos (PSDB-TO) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) - não enfrentam nenhum dissabor por conta do escândalo.
O caso de Cabral é particularmente notável, tendo em vista suas relações íntimas com Fernando Cavendish, o dono da Delta.
Na Câmara, a Corregedoria arquivou as sindicâncias que apuravam o envolvimento de Stepan Nercessian (PPS-RJ), Sandes Júnior (PP-GO) e Rubens Otoni (PT-GO), todos amigos de Cachoeira e beneficiários de generosos pagamentos do bicheiro.
O processo contra outro amigão de Cachoeira, Carlos Lereia (PSDB-GO), que chegou a usar o cartão de crédito do contraventor para fazer compras na internet, ainda está em curso - somente em dezembro passado a Mesa Diretora da Câmara encaminhou ao Conselho de Ética um parecer pela cassação.
Protógenes Queiroz (PC do B-SP), por sua vez, conversou diversas vezes com um araponga de Cachoeira, dando-lhe orientações sobre investigações da Polícia Federal, mas isso não foi o bastante para que o Conselho de Ética da Câmara abrisse processo.
O único parlamentar punido, por ora, é o ex-senador Demóstenes Torres, que admitiu ser "grande amigo" de Cachoeira, como atestam os quase 300 telefonemas entre eles, e que foi acusado de traficar influência em favor do bicheiro. Demóstenes, como se sabe, era o paladino da ética no Senado.
O caso Cachoeira é tão profícuo que criou o escândalo dentro do escândalo. Não bastasse a desenvolta atuação da quadrilha nas entranhas da República, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o caso superou todos os limites da desfaçatez, mesmo para os padrões atuais das CPIs.
Já se suspeitava, de saída, que a missão da CPI não era investigar nada, e sim constranger o governador Perillo, de modo a desviar a atenção do julgamento do mensalão. Tratava-se de uma revanche do ex-presidente Lula contra Perillo, porque o tucano havia tornado público que avisara o petista a respeito da compra de apoio no Congresso. Tornou-se uma CPI explicitamente a serviço dos governistas para uma vendetta.
O tiro saiu pela culatra e, dia após dia, surgiram informações dando conta da rede de negociatas envolvendo Cachoeira e figuras importantes do mundo político e empresarial, notadamente Cavendish. Sua empreiteira, recordista de contratos com o governo federal e estrela do PAC, faturou quase US$ 900 milhões com obras em 20 Estados em 2011, ano anterior ao escândalo.
Daí em diante, emergiram irregularidades e suspeitas em profusão, incluindo a informação segundo a qual ao menos 13 empresas de fachada tinham negócios com a Delta. Em junho de 2012, a Controladoria-Geral da União classificou a empresa como "inidônea".
Nada disso constrangeu os deputados.
O sigilo das empresas fantasmas que tinham negócios com a Delta, cuja quebra poderia revelar a extensão dos danos criminosos ao erário e o envolvimento de autoridades graúdas, manteve-se intacto. Os poucos parlamentares da oposição empenhados em levar o caso adiante ainda tentaram prorrogar os trabalhos para aprovar a quebra dos sigilos, mas os governistas impediram - a intenção era limitar o caso às relações da Delta no Centro-Oeste, para atingir o tucano Perillo, como queria Lula.
O relatório final dessa CPI que não puniu ninguém teve uma página e meia. Para retratar a impudência da caciquia política nacional, é o bastante.
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''QUEQUÉ ISSU CUMPANHÊRUS?'' (Navalha na carne)
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Lula pede à CUT compreensão com Dilma
Fernando Gallo
Isadora Perón
Empenhado em reeleger a presidente Dilma Rousseff em 2014, o seu antecessor e padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a cerimônia de comemoração dos 30 anos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizada ontem, em São Paulo, para pedir compreensão aos movimento sindicais caso o governo federal não consiga atender a todas as reivindicações da pauta dos trabalhadores.
"Eu sei que muitas vezes o movimento sindical fica nervoso, fica irritado e com razão. Mas eu ,acho que o mais importante não é apenas o resultado, é o fato de o governo, da forma mais democrática possível, como a presidenta Dilma vem fazendo, sentar com o movimento e discutir", disse Lula. "(As entidades) têm de cobrar do governo, mas têm de reconhecer também quando as coisas não podem acontecer", acrescentou.
A intervenção de Lula ocorre uma semana antes da "Marcha a Brasília", promovida pela CUT e por outras cinco entidades sindicais. O protesto, que pretende reunir cerca de 40 mil pessoas, tem o objetivo de pressionar o governo federal a atender as reivindicações da classe.
Na estratégia traçada pelo PT para garantir a permanência no poder, cabe a Lula o papel de articulador político, tanto para apaziguar os ânimos da base aliada como para promover a aproximação com os movimentos sociais. O ex-presidente foi um dos fundadores da CUT e começou a sua carreira política à frente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
Desde que assumiu a Presidência, Dilma não se envolveu diretamente na relação com movimentos sindicais e sociais, tarefa delegada ao ministro da Secretaria- Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Foi ele quem a representou no evento de ontem. Carvalho, no entanto, confirmou que a presidente vai se encontrar com as centrais na semana que vem. Essa será a primeira vez que Dilma vai receber, pessoalmente, a pauta de reivindicações dos trabalhadores.
Segundo o presidente da CUT, Vagner Freitas, a expectativa é que se inicie um processo de diálogo com o governo e que os resultados dessa negociação sejam anunciados em 1º de maio, Dia do Trabalho. "Vamos entregar uma pauta enxuta", afirmou. Entre os pontos considerados prioritários estão a redução da jornada de trabalho e o fim do fator previdenciário.
Delúbio. Ex-diretor da CUT, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão, esteve ontem no evento. Ele e Lula não trocaram cumprimentos publicamente.
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''CHORORÔ'' SECRETO. O fim das mordomias salariais
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Dora Kramer
Na pressão
Por votação simbólica e, portanto, sem que se saiba quantos deputados seriam contrários e tendo, assim, sido subtraído do público o direito de conhecer o tamanho da resistência, a Câmara aprovou ontem o fim dos 14º e 15º salários dos parlamentares.
O deputado Chico Alencar foi preciso na lembrança do dito: "O herói é um covarde encurralado".
O Congresso Nacional pôs fim a uma situação esdrúxula, injusta e absurda não porque quisesse, mas porque não tinha outro jeito, considerando o clímax do desgaste a que chegou o Parlamento na última eleição dos presidentes das duas Casas.
Evidentemente, a pressão tem seu valor e não se retira o mérito de o Congresso, antes tarde do que nunca, ter-se rendido aos reclamos da sociedade. Faz isso raras vezes e quando faz é algo para ser visto como positivo.
Teria sido bem melhor para a avaliação do espírito público do Poder Legislativo se a deformação tivesse sido extinta há décadas. Criada como forma de ajuda de custo para mudanças dos congressistas da capital para seus Estados, nunca fez sentido o pagamento anual.
Afinal, com o mandato de quatro anos as mudanças, quando e se realizadas, só aconteceriam ao fim da legislatura e não de cada sessão legislativa.
Oportunidades não faltaram. Em 2006 foi apresentado projeto do mesmo teor na Câmara. Deixado de lado, o Senado retomou o assunto por iniciativa da senadora Gleisi Hoffmann, hoje ministra chefe da Casa, Civil.
Aprovada no ano passado, a proposta dormiu na Câmara por 11 meses sem que suas excelências se dessem ao trabalho de acabar com o abuso.
Louve-se a decisão, mas que não se exagere nos cumprimentos. Inclusive porque continua em vigor o pagamento da "ajuda" no início e no fim dos mandatos, sendo que a grande maioria não se muda com a família para Brasília.
Até ontem, o Parlamento estava em situação, também nesse assunto, anômala. Agora apenas cumpriu uma de suas obrigações. Continuam faltando muitas outras.
Desejo de calar. Como de hábito, o ex-presidente Lula diz as coisas e desobriga-se de explicar o sentido preciso da declaração.
É o caso dessa última sobre a advertência feita ao antecessor, Fernando Henrique Cardoso, de que deveria "no mínimo, ficar quieto". "No máximo", talvez se exilar outra vez.
Qual a razão mesmo de alguém, seja ex-presidente, senador, deputado, professor, médico, engenheiro ou carregador do cais do porto, ter a obrigação de "no mínimo" cassar o próprio direito de falar?
Uma delas é o desejo de calar a crítica, notadamente quando ela vai ao ponto, na carência de argumento de debate à altura.
A outra é a vocação de falar pelos cotovelos sem pensar, sem prestar atenção à coerência e ao bom senso, sem observar o respeito ao espaço alheio, almejando a unanimidade a respeito da qual Nelson Rodrigues disse há décadas o que deveria ser dito.
Plano perfeito. Gabriel Chalita não ganhará mais um ministério. Primeiro, saiu do páreo para a pasta da Ciência e Tecnologia por causa da reação da comunidade científica.
Depois, ficou fora dos planos de abrigar mais um pemedebista na Esplanada em função de denúncias de que teve despesas pessoais pagas por um grupo educacional quando era secretário estadual da área em São Paulo.
Motivos mais que suficientes, de fato, para veto à ocupação de ministérios. Ocorre que tal critério não tem sido regra.
O mais provável é que Chalita nunca tenha sido realmente cogitado - é um potencial adversário do PT para a disputa do governo paulista em 2014 - e que tanto a reação no primeiro caso quanto a denúncia, no segundo, tenham vindo a calhar.
Como as razões se justificam, o PMDB não pode reclamar.
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VALIA QUANDO PESAVA
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Vale tem 1º prejuízo em 10 anos
Queda no valor do preço do minério, produção menor e perdas contábeis fizeram a Vale ter um prejuízo de R$ 5,628 bilhões no quarto trimestre, a primeira perda em dez anos e a maior da história da companhia. No ano de 2012, a mineradora teve lucro de R$ 9,734 bilhões, um tombo de 75% em relação a 2011 e o menor desde 2004
Vale no prejuízo
Perda de R$ 5,6 bi no 4º trimestre é a primeira em 10 anos. Lucro anual recua 75%.
Danielle Nogueira
A Vale registrou lucro líquido de R$ 9,734 bilhões em 2012, um tombo de 75% em relação ao ganho do ano anterior e o menor desde 2004, informou a empresa ontem. A principal razão para a queda foram as baixas contábeis de R$ 12,2 bilhões, que levaram a empresa a apresentar prejuízo líquido de R$ 5,628 bilhões no quarto trimestre. Esta foi a primeira perda trimestral desde 2002 e a maior da história da empresa. O menor preço do minério de ferro e uma leve queda na sua produção contribuíram igualmente para o mau desempenho da companhia.
As projeções de mercado para o lucro líquido da empresa eram muito diversas. Para o ano, iam de R$ 9 bilhões a R$ 12 bilhões. A variação dependia de quais baixas contábeis eram consideradas pelos analistas. As previsões mais pessimistas incluíam em seus cálculos a depreciação da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), na qual a Vale detém pouco mais de 25%. Segundo o balanço da empresa, essa baixa foi de R$ 1,8 bilhão. Entre outros ativos que tiveram seu valor reduzido está o projeto de níquel de Onça Puma (PI), que sofreu uma baixa de R$ 5,8 bilhões. Para o quarto trimestre, as estimativas de prejuízo iam de R$ 3 bilhões a R$ 6 bilhões.
Excluindo-se os itens não-recorrentes, como depreciação de ativos e perdas monetárias, a Vale teve um lucro de R$ 22,2 billhões, 43% menor que os R$ 39,2 bilhões obtidos em 2012, segundo dados atualizados pela empresa ontem. No quarto trimestre, desconsiderando-se esses itens não-recorrentes, a empresa teve lucro de R$ 4 bilhões. Ainda assim, abaixo dos R$ 8,9 bilhões registrados em igual período de 2011. Em comunicado, a Vale esclareceu que as alterações contábeis não afetam o resultado financeiro da empresa.
- A indústria como um todo apresentou baixas contábeis em 2012. Novas baixas são possíveis, mas não imediatamente. Queremos fazer tudo com a maior transparência para os investidores - disse Murilo Ferreira, presidente da Vale, ao comentar os resultados da companhia em teleconferência com jornalistas.
Otimismo com China em 2013
O ano de 2012 foi de fato ruim para as mineradoras. A anglo-sul-africana Anglo American registrou prejuízo líquido de US$ 1,493 bilhão em 2012, contra um lucro líquido de US$ 6,169 bilhões em 2011. O resultado negativo foi puxado pela baixa contábil de US$ 4 bilhões do projeto Minas-Rio, que inclui minas de minério de ferro e um mineroduto para escoamento da produção, comprado do grupo EBX, de Eike Bastista, em 2008. Já a anglo-australiana Rio Tinto teve perda de US$ 3 bilhões, também relacionada à depreciação de ativos e provisões.
Além das mudanças contábeis, o resultado da Vale foi afetado pelo recuo de 0,8% na produção de minério de ferro em 2012, para 319,9 milhões de toneladas. A queda, a primeira desde 2009, está vinculada ao excesso de chuvas em alguns períodos de 2012 e também à retração do apetite chinês pela commodity. A redução no preço do minério de ferro em 2011 no mercado internacional foi outro fator que pesou no desempenho da companhia.
Para o analista da corretora SLW Pedro Galdi, as perspectivas para 2013 são boas, com um cenário menos volátil de preços em relação a 2012. No ano passado, a média do preço por tonelada de minério de ferro foi US$ 130, ante US$ 143 em 2011, ano em que a Vale teve o melhor resultado de sua história. Nos dois primeiros meses de 2013, a média de preço já está em US$ 150 a tonelada.
- Em 2012, a Vale arrumou a casa, fez as baixas contábeis e teve que enfrentar cenário adverso principalmente no terceiro trimestre, quando o minério caiu muito. Este ano tudo indica que o cenário será melhor - diz Galdi.
Segundo o diretor-executivo de Ferrosos e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, a expectativa é que os preços subam no primeiro semestre, mas desacelerem no segundo, quando haverá aumento de capacidade de produção de minério na Austrália.
- Temos uma visão otimista em relação a China. Isso não significa que não vai haver oscilações. Mas a China não nos tira o sono - afirmou o executivo.
Apesar da perspectiva melhor para 2013, a Vale manterá a racionalização dos gastos. O diretor financeiro da empresa, Luciano Siani, frisou que os esforços da companhia vêm dando resultado. No ano, houve queda de 5% nas despesas aministrativas em relação a 2011. Se considerado o quarto trimestre, esse recuo foi ainda maior: 30% ante igual período. A empresa também reduziu os gastos com pesquisa mineral em 12% em 2012, para US$ 1,5 bilhão e continua a buscar sócios para tocar projetos, como o Rio Colorado (minas de potássio em Mendoza, na Argentina). O prazo para que a Vale entregasse um novo cronograma do projeto ao governo de Mendoza acabaria hoje, mas, segundo Murilo Ferreira, o Conselho de Administração da companhia ainda não conseguiu analisar a proposta, o que deve acontecer apenas em 11 de março.
Perda de R$ 27 bi em valor de mercado
O resultado da mineradora deve pressionar ainda mais suas ações no curto prazo, segundo analistas. A mineradora já perdeu R$ 27,5 bilhões em valor de mercado neste ano, praticamente quanto vale a siderúrgica Gerdau, caindo para um valor de mercado de R$ 187,6 bilhões. O desempenho das ações foi pior do que o das concorrentes internacionais. Há um descolamento entre as cotações da Vale e o preço do minério de ferro na China. Enquanto o minério sobe 4,83% no ano, os papéis preferenciais da Vale recuam 13,26% no período.
Segundo Marcel Kussaba, estrategista da gestora Quantitas, isso é um sinal de que o mercado passou a temer excessivamente uma maior cobrança de royalties sobre a mineração. Um novo marco regulatório do setor está em preparo pelo governo federal, e analistas já estimam que a operação da mineradora vai ser mais onerada. Ontem as ações preferenciais da Vale subiram 0,85%, a R$ 35,45, enquanto o Ibovespa avançou 0,57%, aos 57.273 pontos.
- Na maior parte do tempo, a ação da Vale sobe com o preço do minério.
Agora nem de perto está acompanhando. O novo marco regulatório está atrapalhando. O mercado está com muito receio de ser criada uma nova cobrança parecida com a participação especial das petrolíferas e isso está fazendo muitos investidores venderem Vale. O medo é que a Vale vire uma Petrobras - disse Kussaba.
Com o mau momento para as ações, os fundos FGTS que aplicam em Vale acumulam perda média de 15,68% em 2013 até 22 de fevereiro, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Nesse período, foram resgatados R$ 57 milhões por investidores insatisfeitos. Mas, desde que esse tipo de uso do FGTS começou a ser oferecido, em março de 2002, os fundos já renderam em média 859,66%.
Apesar do resultado trimestral, o analista Felipe Reis, do Santander, espera desempenho melhor no primeiro trimestre, puxado pela alta no preço médio do minério de ferro. (Colaborou Daniel Haidar)
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''ENTRE NESSA FESTA..." (As Frenéticas)
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STF libera Congresso para decidir já sobre royalties
O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou ontem, por 6 votos a 4, a liminar do ministro Luiz Fux que obrigava o Congresso Nacional a votar em ordem cronológica os mais de três mil vetos presidenciais que aguardam apreciação há mais de dez anos. A decisão permite que o Congresso vote a qualquer hora o veto de Dilma ao projeto que muda as regras de distribuição dos royalties do petróleo e prejudica Rio de Janeiro e Espírito Santo, estados produtores. Parlamentares dos demais estados querem apreciar e derrubar o veto já na próxima semana. Também ontem, a Câmara, de olho na opinião pública, reduziu o pagamento do 14º e do 15º salários dos parlamentares. Agora, o parlamentar só terá um salário extra no início do mandato e um no final.
Votação à vista
STF derruba liminar que impedia Congresso de votar logo veto de Dilma sobre royalties
Carolina Brígido, André de Souza e Cristiane Jungblut
Em minoria.
O ministro Luiz Fux, entre Zavascki e Cármen Lúcia, viu ontem sua liminar ser derrubada em plenário a guerra do petróleo
BRASÍLIA
O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou ontem a liminar do ministro Luiz Fux que obrigava o Congresso Nacional a votar em ordem cronológica os mais de três mil vetos presidenciais que aguardam apreciação há mais de dez anos, antes de analisar o veto à lei que criou novas regras para a partilha dos royalties do petróleo.
Na prática, isso permitirá que o Congresso retome a votação do Orçamento Geral da União de 2013, que estava suspensa desde dezembro, quando Fux concedeu a liminar, e vote a qualquer momento o veto ao projeto que muda as regras de distribuição dos royalties e prejudica Rio de Janeiro e Espírito Santo, estados produtores de petróleo.
Os parlamentares dos demais estados querem votar esse veto na próxima semana, para derrubá-lo, e manter na lei a distribuição dos royalties para todos. O placar do julgamento, que não tratou do mérito, foi de seis votos a quatro. Caso seja confirmada a derrubada dos vetos, as novas regras dos royalties deverão ser contestadas pelos estados produtores por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) ao STF, que questione o mérito da lei, e não o processo legislativo que levou à sua aprovação.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), comemorou a decisão do STF: disse que ela respalda a posição do Congresso e marcou para hoje reunião com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para discutir a retomada das votações na sessões conjuntas do Congresso (Câmara e Senado). Os ministros do STF que votaram contra a liminar de Fux tiveram o mesmo entendimento do Congresso: a medida cautelar engessava a atividade legislativa.
- Ficamos felizes com a decisão do Supremo, porque ela consubstancia o papel principal do Congresso. Amanhã, vamos decidir com o presidente Henrique em relação à pauta e voltar a trabalhar - disse Renan, evitando falar se vai colocar imediatamente o veto dos royalties do petróleo em votação. - Não decidimos nada. Só a partir de amanhã vamos decidir.
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse crer que a pressão dos demais estados será grande:
- É uma derrota enorme do Rio, mas é uma decisão do Supremo. Vamos fazer uma batalha regimental e de conteúdo na sessão do Congresso, mas temos que reconhecer que é muito difícil.
Autor do mandado de segurança ao STF que gerou a liminar de Fux, o deputado Alessandro Molon (PT-RJ), também lamentou a decisão:
- Estou triste. Como todo o respeito ao Supremo, lamento a decisão. Na prática, a cassação da liminar vai permitir que o Congresso, descumprindo a Constituição, vote a derrubada do veto dos royalties.
Na sessão de ontem, Fux defendeu a manutenção da ordem para a votação no Congresso. Votaram da mesma forma s Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e o presidente da Corte, Joaquim Barbosa. Do lado oposto ficaram Teori Zavascki, Rosa Weber, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.
Primeiro a discordar de Fux em plenário, Zavascki defendeu a modulação da liminar de dezembro. Ele não explicou como isso ocorreria. A solução sugerida pelo governo federal é que a análise cronológica sirva apenas para os vetos que aguardam análise nos últimos 30 dias. O restante continuaria na fila de votação. Caberia aos parlamentares escolher a ordem de análise do acervo. Mas esse assunto não foi decidido ontem. Os ministros apenas derrubaram a liminar. Em data ainda não prevista, o plenário julgará o mérito da ação.
Em seu voto, Zavascki argumentou que a falta de análise dos cerca de três mil vetos por parte do Congresso gera um "grave cenário". Porém, não seria viável a votação cronológica desse pacote para solucionar o problema. Isso porque poderia ser considerada ilegal a forma como os parlamentares analisaram outros vetos antes desse passivo - afinal, a ordem cronológica não era obedecida. Zavascki defende que o STF resolva a situação no julgamento do mérito.
Rosa Weber lembrou que o STF costuma considerar questões do Congresso como "interna corporis" (a serem resolvidas pelos parlamentares). Logo, não caberia ao STF dar uma liminar como a de Fux. Toffoli argumentou que a ordem de votação dos vetos é uma decisão política a ser tomada pelo Congresso. Para ele, a liminar de Fux engessou as atividades parlamentares.
- Obstar um Poder de deliberar é algo possível, não se fecha a porta nunca à teratologia, ao absurdo. Vamos supor que o Congresso Nacional queira condenar um presidente à morte. Mas não vejo absurdo desse tipo aqui - alegou Toffoli.
Fux explicou que a Constituição determina que, no caso de descumprimento do prazo de 30 dias para votação dos vetos presidenciais, ele deve ser automaticamente inserido na pauta da sessão seguinte, suspendendo a tramitação de outras proposições.
- Não é o Judiciário que está determinando, é a Constituição Federal que assim faz. Até porque não votar o veto tranca a pauta - disse o ministro, que também rebateu o argumento de parlamentares de que a questão seria "interna corporis": - O regimento (do Congresso) complementa aquilo que estabelece a Constituição Federal. São regras jurídicas. Como essas normas jurídicas não podem ser sindicadas pelo Poder Judiciário? Eu não consigo (entender), sinceramente, é uma limitação que eu tenho...
Fux voltou a dizer que a liminar não impedia o Congresso de votar outros temas, mas só vetos. Gilmar Mendes questionou essa interpretação:
- É esse estado de anomalia e patologia que tem sérias repercussões sobre todo o sistema. Dizer que isso não repercute na lei orçamentaria? Mas tem de combinar com os russos. Veja o quadro que se coloca no mundo é de muita sensibilidade - disse Mendes.
Marco Aurélio apoiou o relator:
- Sua Excelência escancarou uma mazela desta sofrida República. Rasgando a Constituição Federal, a maioria esmaga a minoria e fica por isso mesmo. Não se avança culturalmente dessa forma. É um flagrante retrocesso.
jucá quer votar orçamento antes de vetos
Celso de Mello e Barbosa votaram no mesmo sentido. O presidente do STF considerou "muito grave" os parlamentares terem abandonado a análise dos vetos nos últimos anos:
- Estamos diante de um fenômeno de extrema gravidade, de um exemplo muito claro de como se dá a hipertrofia do Poder Executivo no nosso sistema de governo. Essa hipertrofia se dá por meio da abdicação do Congresso das suas prerrogativas constitucionais - disse Barbosa.
No veto que gerou o impasse, a presidente Dilma Rousseff suprimiu artigo da lei que diminuía a parcela de royalties e da participação especial dos contratos em vigor destinada a estados e municípios produtores de petróleo. O artigo ainda ampliava os ganhos dos demais estados. Sem o veto, que deve ser derrubado, a lei retira dividendos dos estados produtores. Molon, que acompanhou o julgamento, afirmou:
- O Rio de Janeiro e o Espírito Santo já estão com as Adins prontas para ingressar no Supremo assim que o veto for derrubado. Portanto, perdemos a batalha, mas, certamente, não perdemos a guerra.
O deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) disse que o veto pode ser votado na próxima semana:
- Achei a decisão maravilhosa. Já aprovamos a urgência para a votação dos royalties e o Supremo disse que podemos o que quisermos.
Mas o relator do Orçamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), disse que o Orçamento tem que ser votado antes:
- Queremos que seja votado até terça-feira.
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''ACABOU, CHORARE'' (Os Novos baianos)
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Fim. Pressão acaba com 67 anos de privilégio
Regalia era paga a deputados federais e a senadores desde 1946, com dinheiro dos impostos cobrados dos brasileiros que trabalham e não têm direito à mordomia. A partir de agora, parlamentares passarão a embolsar os salários extras — hoje no valor de R$ 26,7 mil cada um — apenas no início e no fim do mandato. A abolição do privilégio esbarrou em muita resistência na Câmara dos Deputados. T erminou aprovada exatamente um ano depois de o Correio denunciar que, além de receberem os dois salários a mais, senadores ainda davam calote na Receita Federal ao não recolher o imposto de renda. Antes de chegar ao Congresso, a campanha pelo fim do 14º e do 15º derrubou os pagamentos na Câmara Legislativa
Acabou a regalia
Câmara aprova a extinção do 14º e do 15º salários recebidos pelos parlamentares. A partir de agora, verba extra será paga apenas no início e no fim do mandato
JOÃO VALADARES
ADRIANA CAITANO
O Brasil varreu, na tarde de ontem, a mordomia histórica paga desde 1946 com o dinheiro do contribuinte. Em votação simbólica, os deputados federais aprovaram o fim dos chamados 14º e 15º salários e vão deixar de receber R$ 53,4 mil anualmente.
A abolição da regalia foi aprovada exatamente um ano após o Correio denunciar que, além de receberem dois salários a mais do que qualquer trabalhador brasileiro, os senadores aplicavam um calote na Receita Federal e não pagavam Imposto de Renda. O privilégio poderia ter sido extinto no ano passado, mas foi protelado. Na semana passada, deputados e senadores ainda embolsaram a primeira parcela extra no valor de R$ 26,7 mil.
Com a abolição do privilégio, a expectativa agora é de que ocorra o fortalecimento de um efeito cascata nas assembleias legislativas espalhadas pelo Brasil que ainda insistem em pagar o chamado auxílio-paletó. O projeto de decreto legislativo sobre o fim dos vencimentos extras, de autoria da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, quando era senadora, havia sido aprovado no Senado em maio de 2012. O texto prevê que a verba extra seja mantida apenas no início e no fim de cada mandato, uma espécie de apoio àqueles que precisam se mudar para Brasília para exercer o cargo. Depois de aprovada ontem, a proposta seguiu para receber a assinatura de promulgação do presidente do Congresso e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o que deve ocorrer ainda hoje. A votação teve início às 18h. Pela manhã, informações de bastidores apontavam que um grupo de parlamentares estaria tentando uma última manobra para não votar o fim da regalia. Não funcionou. No momento em que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), avisou que a matéria seria votada, vários deputados queriam ser “o pai da criança”. Alves precisou interromper algumas falas. “Quero deixar claro que eu não sou o pai dessa criança. Estou apenas pautando a matéria. A Câmara pode ter seus pecados e equívocos, mas não vamos nos omitir”, disse. Inicialmente, os deputados aprovaram, por unanimidade, o regime de urgência da matéria. Logo depois, após pronunciamentos dos líderes, houve uma votação simbólica. “Todo mundo aqui recebeu a vida inteira 14º e 15º salários, inclusive eu. Portanto, não é hora de discurso. Chegou o momento em que devemos acabar e pronto. Vamos fazer uma votação simbólica e resolver logo isso”, sugeriu o deputado Sílvio Costa (PTB-PE). Após a aprovação, o deputado Antônio Reguffe (PDT-DF), que abriu mão do benefício desde o primeiro dia de mandato, fez questão de falar na tribuna. “Muitas vezes, subi à tribuna para criticar as ações desta Casa. Mas, esta Casa hoje tomou uma medida extremamente importante ao aprovar esse projeto. Quero dizer que é um avanço”, declarou. Palmas e parabéns Após a aprovação, os deputados bateram palmas e Henrique Eduardo Alves parabenizou os congressitas. “Parabéns a este plenário, que resgata a altivez desta Casa.” O deputado Chico Alencar (PSol-RJ) ressaltou que sentiu um clima parecido com a aprovação da Lei da Ficha Limpa. “Foi exatamente a mesma coisa. No início da Ficha Limpa, grande parte dos parlamentares era contra. No entanto, criou-se uma clima e acabou fazendo a virada. Muitos votaram aqui, hoje, contrariando suas próprias convicções. Dizem que o herói é um covarde encurralado. Demos um pequeno grande passo”, disse. Até a aprovação na tarde de ontem, a novela dos salários extras teve vários capítulos. Logo após as primeiras denúncias do Correio, o Senado rebateu as reportagens em nota oficial, alegando que os rendimentos adicionais não seriam tributáveis “por terem caráter indenizatório”. Logo em seguida, a Receita Federal alertou que os vencimentos eram tributáveis, sim, por apresentarem natureza remuneratória. O discurso oficial caiu por terra quando os próprios senadores, pressionados após as reportagens, aprovaram em plenário projeto que acabava com a regalia. No entanto, em setembro do ano passado, quando a Receita Federal, resolveu cobrar o calote, a Mesa Diretora tomou uma decisão polêmica e decidiu pagar a dívida de todos os senadores. Um grupo de parlamentares não aceitou a decisão e resolveu pagar o que deviam. Colaborou Julia Chaib “Todo mundo aqui recebeu a vida inteira 14º e 15º salários, inclusive eu. Chegou o momento em que devemos acabar e pronto” Sílvio Costa (PTB-PE), deputado federal Entenda o caso Origem em 1946 O pagamento do benefício a deputados e senadores foi instituído pela Constituição de 1946 para cobrir os altos gastos que os parlamentares tinham com o deslocamento das famílias para o Rio de Janeiro, capital da República na época. Os salários extras permaneceram no texto constitucional de 1967, que vigorou durante a maior parte do período da ditadura militar, iniciada em 1964. Com a redemocratização, a Constituição de 1988 eliminou qualquer menção ao chamado “auxílio-paletó”, mas a mordomia não deixou de ser paga. Atualmente, a regalia é regularizada por um ato conjunto das mesas diretoras do Senado e da Câmara, assinado em 2003. De acordo com o ato, a mordomia pretende compensar despesas com transporte e outros custos “imprescindíveis ao comparecimento à sessão legislativa”. Os parlamentares, no entanto, já recebem ajuda financeira para custear viagens entre seus estados de origem e Brasília.
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QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?
SINOPSES - RESUMO DOS JORNAIS
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No mesmo dia, a Câmara, pressionada pela opinião pública, aprovou a redução do 149 e do 152 salários de parlamentares; deputados e senadores só terão salário extra ao início e ao final de cada mandato.
O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou ontem, por 6 votos a 4, a liminar do ministro Luiz Fux que obrigava o Congresso Nacional a votar em ordem cronológica os mais de três mil vetos presidenciais que aguardam apreciação há mais de dez anos. A decisão permite que o Congresso vote a qualquer hora o veto de Dilma ao projeto que muda as regras de distribuição dos royalties do petróleo e prejudica Rio de Janeiro e Espírito Santo, estados produtores. Parlamentares dos demais estados querem apreciar e derrubar o veto já na próxima semana. Também ontem, a Câmara, de olho na opinião pública, reduziu o pagamento do 14º e do 15º salários dos parlamentares. Agora, o parlamentar só terá um salário extra no início do mandato e um no final.
Por um triz. Dilma na reunião do Conselho de desenvolvimento: veto prestes a ser votado. (Págs. 1 e 3)
Artigo: Luiz Paulo Horta - O legado de uma crise
O Papa que sai deixa uma herança que ajudará a Igreja nos tempos duríssimos em que ela está mergulhada. (Págs. 1 e 31)
Cardeal mexicano também está sob pressão (Págs. 1 e 31)
Bento XVI se despediu ontem deixando como legado a coragem de expor ao mundo os desafios da Igreja. Seu discurso, para uma Praça São Pedro lotada, resumiu seu pontificado, deixando claro que a instituição atravessou “águas turbulentas”, informa o enviado especial Jamil Chade. “Houve dias de sol e uma brisa leve. Mas também outros em que as águas estavam agitadas, o vento soprava contra e o Senhor parecia estar dormindo”, disse, em referência às crises envolvendo o Vaticano. “Mas eu sabia que Ele estava dentro da barca.” Para muitos no Vaticano, a mensagem é simples: não é o poder nem o papa que estão no centro da Igreja, mas a fé. “A barca da Igreja não é minha, não é nossa. Mas Dele e Ele não deixará que afunde”, completou. Bento XVI admitiu que sabia das consequências de seu ato, mas que a decisão foi tomada “com serenidade”. Ele reafirmou que não voltará à vida pública e mandou um recado ao sucessor: “Aquele que assume o Ministério de Pedro não tem mais privacidade”. (Págs. 1 e Vida A16 a A20)
Fotolegenda: Fim
Bento XVI saúda peregrinos na Praça São Pedro.
Bento XVI deixa marca, sem fazer concessão
Sem o entusiasmo visto nas visitas de João Paulo II, a vinda de Bento XVI ao Brasil deixou dois marcos: a canonização de Frei Galvão e a abertura da 5ª Conferência do Episcopado. O relacionamento com Roma foi respeitoso, sem rusgas. O papa, porém, não fez concessões a questões contestadas pelos brasileiros. (Págs. 1 e A19)
Análise: Francisco Borba R. Neto
Gratidão e esperança
Bento XVI comoveu ao falar das dificuldades do cargo, declarando que “não abandona a cruz” e que deseja que cada um se abandone como “uma criança nos braços do Senhor”, (Págs. 1 e A17)
Contra protesto, censura
Para evitar manifestações contra a Igreja, cartazes eram verificados, um a um, por policiais antes da última fala do papa aos fiéis. (Págs. 1 e A17)
Textos mostram tensão entre governo e Vaticano
Telegramas da Embaixada do Brasil no Vaticano indicam tensão entre a Igreja e o governo brasileiro. Um padre praticamente exigiu a presença de representantes do País em evento que concedeu o título de cardeal a d. João Braz de Aviz. (Págs. 1 e A20)
Fotolegenda: Energia.
Dilma acusou a oposição de provocar instabilidade ao falar de racionamento.
A Câmara aprovou o fim do 14° e do 15° salários dos parlamentares. O Parlamento apenas cumpriu uma de suas obrigações. Faltam muitas outras. (Págs. 1 e Nacional A6)
Por sua iniciativa, embaixador Carlos Zamora Rodríguez, o “ato de repúdio” a Yoani Sánchez fincou raízes no meu País. Creio que lhe devem medalha. (Págs. 1 e Espaço Aberto A2)
Não sei se vai virar exemplo de propaganda enganosa, mas o slogan “O fim da miséria é só o começo”, do PT, é ótimo do ponto de vista publicitário. (Págs. 1 e Caderno 2, D14)
Atrair capitais também envolve um delicado teste de imagem do governo e do País. (Págs. 1 e A3)
Regalia era paga a deputados federais e a senadores desde 1946, com dinheiro dos impostos cobrados dos brasileiros que trabalham e não têm direito à mordomia. A partir de agora, parlamentares passarão a embolsar os salários extras — hoje no valor de R$ 26,7 mil cada um — apenas no início e no fim do mandato. A abolição do privilégio esbarrou em muita resistência na Câmara dos Deputados. Terminou aprovada exatamente um ano depois de o Correio denunciar que, além de receberem os dois salários a mais, senadores ainda davam calote na Receita Federal ao não recolher o imposto de renda. Antes de chegar ao Congresso, a campanha pelo fim do 14º e do 15º derrubou os pagamentos na Câmara Legislativa. (Págs. 1 e 2 a 4)
ordem cronológica. O Orçamento de 2013 e os royalties do Petróleo devem
entrar em pauta. (Págs. 1 e 6)
Minutos após o início da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que reúne alguns dos empresários mais importantes do país, a presidente escreveu um recado, fotografado pelo Valor “Afirme o controle da inflação como um valor em si”. Logo depois, o ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, que estava ao lado de Dilma, disse que o controle da inflação é parte “indispensável” da estratégia de crescimento. Dilma, em seu discurso, repetiu a frase anotada. (Págs. 1 e A3, C1 e C2)
O presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar, ressaltou a importância de vencer uma licitação no maior mercado de defesa do mundo, o que deverá gerar interesse pelo avião brasileiro em outros mercados. (Págs. 1 e A2)
Criada em 1985, a Linx é bem-vista por especialistas do setor. Ela não participa da guerra de preços que eventualmente corrói as margens de lucro em contratos muito disputados, prática adotada por várias empresas de software. A companhia também possui contratos com grandes marcas — Toyota, Hering e Burger King entre elas — o que é visto como uma vantagem para sua expansão. (Págs. 1 e B4)
De acordo com Rafael Souto, presidente da consultoria Produtive, a procura por esse tipo de profissional tem crescido principalmente por conta de consolidações nos setores de TI e de serviços financeiros. (Págs. 1 e D1)
Murilo Ferreira, presidente executivo da Vale, não descartou a possibilidade de novos ajustes de preços de ativos em 2013, caso sejam necessários. (Págs. 1 e A2)
Desde 2010, a despesa com o pagamento dos servidores tem sido uma das principais variáveis de ajuste das contas públicas. (Págs. 1 e A2)
Jairo Saddi
Imputar aos bancos as perdas com os expurgos da inflação beira a loucura, mas no Brasil a loucura sempre tem defensores. (Págs. 1 e A19)