PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

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# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
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sexta-feira, julho 20, 2012

FALTA ''AZEITE'' NA DOBRADIÇA; SOBRA ''ÓLEO DE PEROBA''



Mobilidade emperrada



O Estado de S. Paulo - 20/07/2012

O Brasil seria um animado canteiro de obras, se o governo da presidente Dilma Rousseff mostrasse tanta competência para executar programas e planos quanto para lançá-los. Dado esse retrospecto, pouco se pode esperar da nova promessa de obras de mobilidade para cidades com populações entre 250 mil e 700 mil pessoas. Estão previstos R$ 7 bilhões para aplicação nesses projetos, mas nada assegura a efetiva aplicação desses recursos. A presidente, no entanto, prometeu resultados com a maior rapidez possível, ao apresentar, ontem, o PAC Mobilidade Médias Cidades, a mais nova extensão do Programa de Aceleração do Crescimento. A execução desse programa, criado em 2007, tem sido muito lenta e continua tão ineficiente na atual gestão quanto foi no governo anterior.
Ao apresentar o novo ramo do PAC, a presidente mencionou a possibilidade de usar o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para ganhar tempo na implementação dos projetos. O RDC foi criado como exceção à Lei de Licitações para facilitar a execução das obras da Copa. Foi um lance arriscado, porque aumentou o risco de mau uso de recursos públicos. O risco já era crescente, mesmo sem essa mudança, por causa do grande atraso na execução das obras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esforçou-se para trazer para o Brasil a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Cuidou de sua projeção internacional, mas negligenciou as providências para dotar o País de aeroportos, estradas, estruturas de transporte urbano e outras instalações necessárias a grandes eventos internacionais.
Atribuir o atraso das obras aos critérios da Lei de Licitações é distorcer a história, mascarando o desleixo e a incompetência administrativa do governo Lula. Mas essa distorção ocorreu e assim surgiu o RDC. O passo seguinte foi o esforço para estender as facilidades de contratação às obras do PAC, como se isso tornasse mais eficiente a elaboração e a execução dos projetos. Essa tentativa é mais uma mistificação, porque os atrasos do PAC se devem a outro fator - a má qualidade da gestão pública.
Antes do programa especial para cidades médias, o governo federal já dispunha de planos de obras de mobilidade urbana. Foram previstos para essas obras R$ 2,1 bilhões no Orçamento-Geral da União deste ano. De janeiro a junho, no entanto, só foram desembolsados pelo Ministério das Cidades R$ 64,8 milhões, correspondentes a 3% da verba autorizada para 2012. O total empenhado - R$ 324,9 milhões - equivaleu a apenas 15,5% dos recursos previstos. Os números, divulgados pela ONG Contas Abertas, apenas confirmaram a deficiente execução dos programas. Resposta do Ministério das Cidades: das 43 ações pesquisadas, somente 8 estavam vinculadas ao PAC e, além disso, as aplicações de recursos foram dificultadas pelo contingenciamento de verbas. Péssima resposta. Afinal, as obras de mobilidade urbana são ou não prioritárias? Se a resposta for afirmativa, por que o governo se mostra incapaz de preservá-las, quando congela parte das verbas orçamentárias?
Mas todo o PAC vai mal, como sempre foi, desde seu lançamento há cinco anos. Neste ano, até junho, foram pagos R$ 18,6 bilhões, ou 42,9%, da verba orçamentária prevista para os 12 meses (R$ 43,4 bilhões). Mas a maior parte dos desembolsos, no valor de R$ 14,6 bilhões, correspondeu a restos a pagar. Além disso, 52,6% do total pago foi composto de financiamentos a programas habitacionais. É muito menos complicado liberar esse dinheiro que cuidar da elaboração de projetos e da condução de obras.
Enfim, o próprio governo parece muito desconfiado da própria capacidade de avançar na execução dos projetos. Afinal, o valor previsto para o PAC de 2013, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo ano, é pouco maior que o autorizado para este exercício fiscal. Mudar o regime de contratações poderá simplificar uma parte do processo, mas será preciso muito mais que isso para desemperrar o PAC. Para cuidar do problema realmente importante - a incompetência do governo - a presidente pouco tem feito. Para isso, seria preciso abandonar a concepção de governo implantada por seu antecessor, padrinho e mentor político.

PETROBRAS E OS MOINHOS DE VENTO [II]



"Graça Foster foi inábil", diz Gabrielli



Autor(es): Por Cláudia Schüffner | Do Rio
Valor Econômico - 20/07/2012
 

Graça Foster foi "inábil" disse o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, referindo-se a apresentação que ela fez, em 25 de junho, do plano estratégico da companhia recheado avaliações negativas aos projetos implementados na gestão dele frente à estatal. Logo depois, Gabrielli minimizou a declaração. Corrigindo-se, considerou que houve "falta de cuidado" e que nova presidente está fazendo uma administração de continuidade.
Gabrielli vinha distante da estatal, na Bahia, onde ocupa, desde o início de março, a secretaria de Planejamento do Estado, mas a pedido do Valor, em conversa, no Rio, frisou que não só a Petrobras como o setor mudou muito nos sete anos que esteve frente à estatal.
Graça Foster que é do estilo franco e direto, dias depois das declarações tentou suavizar as críticas e fez uma espécie de reparação pública. Passou a dizer que, também, é responsável por tudo que aconteceu na Petrobras nos quatro nos e meio, que na gestão de Gabrielli era diretora da estatal. Gabrielli não havia feito declarações mas a paz entre os dois precisou ser selada, semana passada, na Bahia, na presença da presidente Dilma Rousseff.
Na entrevista ao Valor, o ex-presidente da Petrobras falou em aumento de custos, da queda da produção de petróleo da estatal, que, segundo ele, foi causada pela falta de sondas e defendeu a polêmica construção das quatro novas refinarias no país.
Abaixo, parte da conversa:
Valor: Quais as diferenças entre sua gestão e a de Graça Foster?
Gabrielli: Ela mesmo disse que eu sou menino e ela é menina. (risos) Mas existem diferenças de estilo, é claro. Quando eu assumi a presidência da Petrobras estávamos saindo de um estágio de completa desconfiança. A partir de 2006, com o pré-sal, [a ascensão] foi vertiginosa em termos de percepção do mercado. Antes dessa fase, me lembro que logo que assumi a diretoria [em 2003] fiz 1.200 reuniões com o mercado. Foram 100 reuniões por mês com agentes do mercado. E quando a Graça assumiu não precisou fazer isso.
Valor: O que a atual presidente criticava quando era diretora?
Gabrielli: A mesma coisa que eu criticava. Que os projetos tinham que ter mais controle, mais aceleração e que era preciso se voltar mais para a situação interna. Então, objetivamente, essa gestão é uma continuidade, em uma nova etapa. E isso é relevante. Isso foi que ela defendeu. A interpretação que vocês [imprensa] estão dando é que está equivocada. Ela [Graça] foi diretora quatro anos e todas as decisões na Petrobras são por consenso. Ela fazia críticas do mesmo jeito que eu fazia, tanto que nos últimos dois anos montamos uma gerência de desempenho. Pegue minhas entrevistas antes de eu sair. Está tudo publicado.
Valor: A Petrobras produziu 316 milhões de barris abaixo da projeção mais conservadora, o que representou uma receita não realizada de US$ 25 bilhões entre 2003 e 2011.
Gabrielli: Mas o que aconteceu com o investimento?
Valor: A produção que não virou receita foi gasta com refinarias que não estão prontas. A Abreu e Lima, em Pernambuco, vai custar nove vezes mais, já que orçamento pulou de US$ 2,3 bilhões US$ 20,1 bilhões em 2012 em sete anos.
Gabrielli: Essa foi outra inabilidade da Graça, aliás, não diria inabilidade, mas falta de cuidado naquela apresentação [referindo-se a apresentação do Plano Estratégico]. Por dez anos, de 1994 até 2004, o mercado brasileiro de combustíveis era estável. A partir de 2005 o mercado de combustíveis começa a crescer aceleradamente no Brasil. Os Revamps [ampliações e modernizações] das refinarias chegaram ao limite. Não se pode fazer mais. Aumentou-se em até 400 mil barris por dia a capacidade de processamento das refinarias sem novas construções. E isso foi antes do pré-sal. E onde fazer novas refinarias? Precisava ser no Nordeste que tem 19% do mercado brasileiro e está a três dias de Caracas e a quatro de Houston. E, portanto, era o mais vulnerável para um ataque competitivo de outros fornecedores.
Valor: E aí veio o pré-sal
Gabrielli: E em cima disso veio o pré-sal. E a estimativa de produção do pré-sal leva a um volume gigantesco e aí se diz, olha, vamos refinar no Brasil para exportar derivados, revertendo uma vantagem logística do Nordeste. Aí vem também um crescimento mais do que acelerado do mercado interno e essa posição se reverte. E hoje nenhuma das refinarias está organizada para exportação. Todas elas estão organizadas para o mercado interno.
Valor: E o custo?
Gabrielli: Aí vamos à construção. Faz-se um projeto de refinaria com autossuficiência petroleira você faz um projeto próprio. Totalmente customizado, sem estar tropicalizado. Ou seja, sem estar ajustado a preços e estruturas no Brasil. Consequentemente, as estimativas que se teve no primeiro momento estavam furadas. A base de dados de preços usada não foi nacional, se perdeu a referência. O primeiro orçamento [US$ 2,2 bilhões] estava errado. E isso foi dito várias vezes no Congresso e no TCU. Houve um erro inicial, saiu de US$ 2 bilhões para US$ 7 bilhões. A última refinaria feita pela Petrobras foi em 1980. Não tinha engenharia de construção de refino, o mercado estava estável, não crescia, toda a atenção da Petrobras estava voltada para a exploração e produção de petróleo. Isso é fato e por isso a produção saiu de 700 mil para 2 milhões de barris/dia. Aí você pode dizer que o fato de entrar com petróleo venezuelano e brasileiro atrapalha porque a refinaria não é otimizada para nenhum tipo de petróleo, já que ela vai trabalhar com dois tipos de cargas (venezuelana e brasileira).
Valor: Como se justifica a perda de valor da companhia?
Gabrielli: A empresa tinha um mercado interno crescendo mais do que sua capacidade de atender.
Valor: Por que a produção da Petrobras atrasou tanto na sua gestão?
Gabrielli: O primeiro elemento é que a maior parte das empresas de petróleo não divulga metas de produção específica, já que existem dois componentes que são probabilísticos. Um é o que está no subsolo, os elementos geológicos. E o grau de conhecimento à medida que você vai avançando [no conhecimento] do reservatório é que você tem mais precisão nas estimativa de produção. O segundo elemento está na superfície, que é se o fornecedor vai atrasar, se vai faltar material, se não teve greve, se o licenciamento ambiental está atrasado ou não, se houve um acidente que teve que parar a produção. Ajustar meta de produção é coisa normal na indústria de petróleo.
Valor: Mas porque um desvio tão grande?
Gabrielli: Há nove anos a Petrobras tinha apenas uma sonda com capacidade de perfurar a mais de 2 mil metros. Quantas vai ter no final de 2012? 40. E com sonda você faz perfuração exploratória, intervenção de poço, desenvolve a produção. Sonda é vital. Consequentemente, aumentar a capacidade de adquirir informações custa, não é instantâneo. O segundo elemento é que nessa transição tem atraso na entrega de sondas, que são 100% internacionais.
Valor: Atrasaram também plataformas de produção. A decisão política de espalhar estaleiros pelo país atrapalhou?
Gabrielli: Aí tivemos um problema da indústria local. Não é política. Quando você olha os estaleiros de Cingapura e da Coreia, tivemos duas plataformas, a P-43 e a P-48, que atrasaram dois anos. Eram contratos de turn key com a KBR e com a Halliburton. Ou seja, totalmente no modelo que todo mundo diz que é bom. Veio a P-50 que também era um processo de transição. A partir daí vieram a P-51, P-52 e inauguramos a P-59 na Bahia. E já estão em projeto para a P-61 e P-62. Nove anos se levaram para montar as plataformas.
Valor: Em entrevista ao Valor, em 2009, o ex-presidente Lula mencionou várias vezes interferência na Petrobras, o que é visto como problema de governança.
Gabrielli: A forma como o governo intervém na Petrobras é a forma como qualquer acionista majoritário dominante, em qualquer empresa. Quando você tem um acionista majoritário dominante ele conduz a empresa de acordo, principalmente, com seus interesses. Que não vão ser, necessariamente, contra os interesses de todos os acionistas. Provavelmente serão muitas vezes contrários aos interesses de acionistas minoritários de curto prazo. Porque geralmente o acionista dominante valoriza muito mais o crescimento de longo prazo da empresa do que o retorno no curto prazo.
Valor: Como explica essa tese na importação de combustíveis vendidos aqui com prejuízo?
Gabrielli: A questão é que com os preços internos mais baixos que os internacionais, não há estímulos às importações por outros atores. Se as expectativas de que o diferencial de preços nacionais e internacionais tende a se manter no mesmo patamar, as importações não se realizam. No entanto se há a certeza que os preços domésticos vão ficar superiores aos internacionais por um certo tempo, novas importações ocorrem e a Petrobras perde market share. Como perdeu em 2008. Perdeu participação de mercado com importações de álcool e gasolina que não foram feitas por ela. Pegue o mercado entre 2007 e 2010 e faça as contas de importações e da produção da Petrobras.
Valor: A Petrobras importa a preço de mercado e vende mais barato aqui. Como pode essa equação fechar?
Gabrielli: Concordo. É um problema. E só pode ser temporário porque se teve preços mais altos do que o mercado também. Você é grande. Vai voltar um dia, você acha que não? Nada sobe para sempre, nada desce para sempre. Agora vamos ver do ponto de vista dos acionistas minoritários.
Valor: Os minoritários perderam cerca de 21 % do que aplicaram na capitalização em 2010 e o valor de mercado caiu 30%
Gabrielli: O preço está muito ruim. O mercado está penalizando a Petrobras. Mas é um pouco de redução de expectativas em função do pré-sal. A Petrobras foi a R$ 440 bilhões em outubro, novembro de 2008. O preço do petróleo foi a US$ 147 em julho de 2008 e caiu para US$ 33 em dezembro, seis meses depois. E hoje está flutuando em torno de US$ 100. Por outro lado o pré-sal deixou de ser miragem para ser uma realidade. Com os problemas de implantação, é verdade.
Valor: Agora pode dizer se é candidato? Vai concorrer à sucessão de Jaques Wagner?
Gabrielli: Não sou candidato a nada. É muito cedo para falar disso. Estou aqui organizando a secretaria.
Valor: Como está o trabalho no governo da Bahia?
Gabrielli: Estou trabalhando mais, muito mais. Na Petrobras eu tinha uma agenda só. Na Bahia eu tenho três agendas, uma profissional, a política que eu não tinha antes, e uma agenda pessoal. É bom, mas leva tempo e consome energia. Também tenho que dar atenção para a minha mãe, que tem 86 anos. E mãe carente é um problema.

PETROBRAS E OS MOINHOS DE VENTO



O longo e pedregoso caminho que Graça Foster começou a trilhar



Valor Econômico - 20/07/2012
 

A Petrobras vive uma ressaca política desde que nova presidente, Graça Foster, assumiu o cargo adotando medidas cobradas há anos pelos analistas do mercado de ações. A empresa, que chegou a valer R$ 510,4 bilhões na Bolsa em maio de 2008, hoje está valendo perto de R$ 256 bilhões. Há seis meses no cargo, Graça trouxe realismo não apenas às metas de produção de petróleo e gás como também empurrou para o final da década os projetos da gestão anterior de erguer quatro refinarias simultaneamente. E indicou para sua diretoria executivos de primeira linha, profissionais respeitados e sem vinculação política.
Sua difícil missão será reverter a percepção de que a empresa foi capturada pelo acionista controlador, o governo, que toma decisões contrárias às de interesses dos minoritários que gostariam de ver a estatal com resultados maiores, melhores e mais em linha com os dos seus pares internacionais. Mas terá que fazer isso de olho no calendário eleitoral, sem esquecer que no dia 1º de janeiro de 2013 a presidente Dilma Rousseff estará de novo em campanha pré-eleitoral.
Um catalizador do péssimo humor do mercado com relação à estatal foi o primeiro dos dois reajustes dos combustíveis obtido quase a fórceps às vésperas da apresentação do plano estratégico, no dia 25 de junho. A conquista ainda é insuficiente para acalmar o mercado. A aquisição de equipamentos com índice elevado de conteúdo local, ainda defendida por Graça Foster, é vista como uma amarra que pode conter por muitos anos os índices financeiros e operacionais da estatal.
Na já antológica apresentação do plano estratégico da estatal até 2016, Graça Foster expôs um segredo público ao apontar falhas de orçamento, de operação e supervisão de projetos vitais e bilionários. As declarações, feitas com sua franqueza habitual, foram elogiadas e comemoradas dentro e fora da Petrobras por quem viu ali um retorno da companhia a objetivos empresariais. Mas houve quem, acertadamente, previsse problemas políticos como os que surgiram depois.
Graça tem se saído relativamente bem até agora na tentativa de juntar os estilhaços da bomba que parece ter explodido ao apresentar sua análise sobre a Petrobras que herdou. Na Bahia, quando encontrou José Sergio Gabrielli em evento público, chamou o antecessor para participar de uma coletiva em que fez questão de frisar que também foi responsável pelas decisões que criticou.
Ao admitir atrasos e outras ineficiências da estatal, colocando projetos de US$ 28 bilhões para fora do horizonte do plano estratégico, Graça Foster pode ter ganho opositores dentro e fora do governo. Também entrou na mira dos governadores do Maranhão (berço do ministro de Minas e Energia Edison Lobão) e do Ceará, que liderou um pedido de comparecimento da executiva à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Uma leitura atenta dos comunicados da Petrobras para acalmar os ânimos dos governadores desses Estados mostra que a integridade do que foi dito antes permanece. A companhia disse que os projetos são importantes e estão sendo adequados "aos parâmetros internacionais de preço, prazo e uso de tecnologia padronizada". Traduzindo: irão adiante sim, desde que comprovada viabilidade técnica e financeira.
Involuntariamente, a executiva reacendeu discussões sobre a politização da companhia no governo Lula, que alguns acham ter sido a maior da história da estatal. De fato, é difícil encontrar no passado um governo que tenha utilizado tanto a Petrobras como plataforma partidária, mas não foi o PT quem inventou a submissão da estatal aos interesses do governante de plantão.
Não ficaram boas lembranças do "Caso BR" no governo Sarney, tendo como pivô um general-diretor, ou o "Esquema PP" no governo Fernando Collor, que ficou conhecido na renúncia do advogado Luis Octávio Motta Veiga da presidência da empresa. Motta Veiga denunciou pressões do Planalto e de Paulo César (PC) Farias, o braço direito de Collor, para forçar uma operação de crédito à então recém-privatizada e hoje finada Vasp. Mesmo no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, quando a Petrobras teve gestão focada em resultados em um ambiente pós-abertura do setor, a empresa foi envolvida no PPT, um programa de incentivo à construção de térmicas a gás para ajudar o país a sair do racionamento de energia.
Ainda assim, sob o PT de Lula, a impressão de muitos observadores é que o uso político o mais radicalizado desde a redemocratização e comprometeu um volume maior de recursos financeiros da estatal.
"O que era exceção, como a nomeação política de um ou outro diretor, virou regra", afirma um executivo que trabalhou na empresa sob vários governos. Até em razão do governo de coalizão que leva a conceder cargos em nome da governabilidade. "E os governos permitem que esses políticos dirijam empresas como a Petrobras, que estão perdendo mecanismos naturais de frenagem que eram acionados pelo corpo técnico", avalia a fonte.
Mesmo quem vê com simpatia o uso da empresa para objetivos estratégicos de Estado ressalta que a associação com a venezuelana PDVSA na refinaria de Pernambuco (que na Petrobras chamam de Rnest e os venezuelanos, que ainda não colocaram um tostão, chamam de Abreu e Lima) é um caso " emblemático e escancarado". Graça disse que é uma história para a Petrobras aprender e nunca mais repetir.
Não por acaso a Rnest é um dos projetos mais sintomáticos da "era bonde desgovernado" na Petrobras. Quando foi aprovada, em 2005, custaria US$ 2,3 bilhões e ficaria pronta em novembro de 2011. Em março deste ano o preço já estava em US$ 17,1 bilhões, que no mês passado subiram para US$ 20,1 bilhões, com a inauguração prevista para novembro de 2014. Nesse período, as obras avançaram apenas 57,5%.
Quem pilotava tudo era o diretor Paulo Roberto Costa que, todos sabiam, era sustentado por uma "joint-venture de partidos", como resumiu um influente político. O que ainda não foi respondido sobre a refinaria de Pernambuco é onde foi parar a bilionária diferença entre o custo inicial e o final.
Os atrasos na produção na última gestão também levaram a Petrobras a deixar de produzir uma fortuna em petróleo. Tendo em conta as estimativas mais otimistas de produção nos seus planos de negócios desde 2003, a estatal deixou de produzir 963 milhões de barris de petróleo nesses nove anos, que representaram uma perda de receita da ordem de US$ 77 bilhões, supondo um Brent a US$ 80. Considerando as estimativas mais conservadores, a companhia deixou de produzir 316 milhões de barris, que representaram uma perda de US$ 25,3 bilhões, volume superior ao PIB da Bolívia em 2011, que foi de US$ 24,4 bilhões segundo Bird.
Parte do dinheiro que ela não ganhou foi gasto com refinarias que não produzem nenhuma gota. Graça Foster tem muito trabalho pela frente. E ninguém acha que vai ser fácil.

''RIQUINHO RICO'' **



"Privacidade invadida"



Correio Braziliense - 20/07/2012
 

A legalidade da divulgação dos salários dos servidores na internet de forma nominal é um dos motivos que provocaram apreensão entre membros do Poder Judiciário. Apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) já ter se manifestado favorável à publicação dos dados, alguns presidentes de tribunais de Justiça do país veem a medida de transparência imposta pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como exagero.
Segundo o presidente do Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça do Brasil, desembargador Marcus Faver, os órgãos cumprirão a norma, "embora muitos descordem". "Nem a lei nem a Constituição determinam isso. Há uma avaliação nos tribunais de que essa divulgação é indevida e invade a privacidade não só de magistrados, mas de servidores também", diz.
Marcus Faver avalia que não tem sentido social divulgar os salários dos servidores, mas acredita que a medida vai "ser boa, porque o Judiciário mostrará à sociedade que ganha muito menos do que se pensa".
Conselho
O CNJ divulgou, na noite de ontem, as remunerações dos seus funcionários, de forma nominal e individualizada, na internet. A disponibilização dos dados ocorreu à véspera de acabar o prazo que o próprio conselho estipulou para todos os tribunais do país publicarem os contracheques de funcionários e magistrados.
No site do órgão, foi disponibilizada a lista com os vencimentos, total e líquido, de todos os servidores, conselheiros, juízes auxiliares, colaboradores, aposentados e pensionistas. É possível fazer a busca por nome ou cargo, mas não há como exportar os dados para uma tabela Excel ou em formato PDF, por exemplo.
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(*) Personagem de história em quadrinhos (''gibis'').

QUEIMA DE ARQUIVO [?]



Luto: Honras ao policial executado



Polícia reforça suspeita de morte premeditada

Autor(es): » MARA PULJIZ » SAULO ARAÚJO » KELLY ALMEIDA » LILIAN TAHAN
Correio Braziliense - 20/07/2012
 

Mais de 500 pessoas acompanharam o velório de Wilton Tapajós, assassinado no Cemitério Campo da Esperança. Carros da Polícia Federal ligaram as sirenes, e o agente foi enterrado ao som de corneta. Crescem as suspeitas de que o crime foi encomendado. Investigadores têm dois suspeitos e contam com uma testemunha-chave para elaborar retrato falado.

Precisão dos tiros, rapidez no ataque e posição das mãos da vítima antes do disparos levam os investigadores da morte do agente federal Wilton Tapajós a acreditar na possibilidade de ação planejada e executada por profissional. Arma usada é a preferida dos pistoleiros

As circunstâncias do assassinato do policial federal Wilton Tapajós Macêdo, 54 anos, apontam para um crime planejado. As evidências reunidas até agora afastam a possibilidade de latrocínio (roubo com morte) e reforçam a ideia de que houve uma execução, motivada por vingança ou acerto de contas. A forma como o agente foi morto (rendido e com as mãos na cabeça), a ação rápida e a precisão dos tiros levaram a polícia a acreditar em vingança executada por atirador profissional. "Há indícios de que o crime foi premeditado. Os assassinos foram muito frios. Não foi um atentado contra a Polícia Federal, mas contra a Segurança Pública", declarou ao Correio a superintendente da PF em Brasília, Silvana Helena Vieira Borges, durante o velório do agente, no Cemitério Campo da Esperança.
Até o momento, os investigadores sabem que o assassino usou um revólver com tambor, provavelmente um calibre .38, que tinha munição especial. O armamento é mais difícil de ser manuseado, mas aparece como um dos preferidos dos pistoleiros. As cápsulas ficam preservadas na arma, e o projétil, no corpo da vítima. O policial foi morto na última terça-feira, por volta das 15h, no momento em que estava no Cemitério Campo da Esperança e diante do túmulo dos pais. Tapajós acabou surpreendido pelas costas. Levou um tiro na nuca e, ao cair, recebeu outro na têmpora. O agente foi enterrado às 11h de ontem na mesma sepultura dos pais, com a presença de, pelo menos, 500 pessoas.
Diante das evidências, a família da vítima também acredita em execução. "O criminoso sabia atirar muito bem. Foi uma queima de arquivo, com certeza", declarou o irmão da vítima, Jairo Tapajós. Depois de dois dias de silêncio, o filho de Wilton, André Neves Tapajós, 30 anos, fez um desabafo. Ele acredita que o assassinato do pai esteja relacionado com a vida profissional. "Não acho que seja latrocínio, mas que tenha a ver, sim, com alguma ameaça", afirmou. O policial também acumulava dívidas. E tinha três execuções na Fazenda Pública do DF.
Investigação
Por enquanto, as polícias Civil e Federal ouviram mais de 20 pessoas, entre elas seis jardineiros e dois vigilantes do Campo da Esperança, além dos filhos, da mulher, Marian, e duas ex-companheiras. Os funcionários do cemitério contaram terem ouvido os disparos e uma pessoa colocando algo na cintura e caminhando em direção ao Gol da vítima, placa JIN-2896/DF. Cerca de uma hora antes de o policial chegar ao local, dois homens em um Fiesta prata sedan, de quatro portas, foram vistos pelos jardineiros circulando pelo lugar.
Uma testemunha contou ao Correio ter visto o Gol passar e estacionar na Quadra 605, mas não percebeu o momento em que Tapajós desceu do carro. Em seguida, o Fiesta passou e estacionou próximo à 609. Os suspeitos também não desceram do veículo. Como os homens tinham passado três vezes pelo mesmo ponto, o rosto de um deles acabou sendo visto pelo funcionário. "Ele tinha cabelo cortado na máquina um (raspado), sem entrada na cabeça. Tinha cavanhaque, sem bigode, e usava uma blusa clara. O outro era mais moreno e forte, mas não deu para ver direito", detalhou o jardineiro.
Os relatos das testemunhas serão usados para a provável confecção de um retrato falado por parte do Instituto de Identificação da Polícia Civil do DF e pela Polícia Federal. Por enquanto, não há elementos concretos para a elaboração do rosto do suspeito. "Se tiver retrato falado, nem sempre é conveniente divulgar", destacou o diretor da PCDF, Jorge Luiz Xavier. Até agora, segundo Xavier, as investigações não apontaram se o assassinato do policial teve alguma relação com a Operação Monte Carlo. "Não tem nada a ver com a profissão dele. Não faz muito sentido ter relação com a operação", disse.
No entanto, o Correio levantou que o agente Tapajós figura nos relatórios de interceptação telefônica da Monte Carlo como um dos principais responsáveis pelo monitoramento de dois policiais federais acusados de dar suporte à quadrilha de Carlinhos Cachoeira.
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A GRANDE FAMÍLIA **


TCU considera legal contrato usado no mensalão

TCU diz agora que contrato de Valério usado em caso do mensalão é regular
Autor(es): Marta Salomon,
O Estado de S. Paulo - 20/07/2012
Baseado em parecer da ministra Ana Arraes, Tribunal de Contas conclui que não houve problemas no acordo anual de R$ 153 milhões entre agência DNA e o Banco do Brasil

O Tribunal de Contas da União considerou regular o contrato milionário da empresa de publicidade DNA, de Marcos Valério Fernandes de Souza, com o Banco do Brasil. O contrato é uma das bases da acusação da Procuradoria-Geral da República contra o empresário mineiro no julgamento do mensalão, marcado para agosto.
A decisão referente ao contrato de R$ 153 milhões para serviços a serem realizados pela agência em 2003 foi tomada pelo plenário do TCU no início deste mês, a partir de relatório da ministra Ana Arraes – mãe do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos.
O acórdão do tribunal pode aliviar as responsabilidades de Marcos Valério no julgamento do Supremo Tribunal Federal. Principal sócio da agência DNA, o empresário mineiro é apontado como operador do mensalão.
De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República, contratos das agências de publicidade de Marcos Valério com órgãos públicos e estatais serviam de garantia e fonte de recursos para financiar o esquema de pagamentos de políticos aliados do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se da essência do escândalo, revelado em 2005. As denúncias desencadeadas pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB) provocaram a queda das cúpulas do PT, do PP e do PL (hoje PR), além da cassação do mandato do denunciante e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, segundo quem não houve compra de votos, apenas caixa 2 de campanha.
Em seu relatório, Ana Arraes argumenta que uma lei aprovada em 2010 com novas regras para a contratação de agências de publicidade pela administração pública esvaziara a irregularidade apontada anteriormente pelo próprio TCU. Um dos artigos da lei diz que as regras alcançariam "contratos já encerrados". Esse artigo foi usado pela ministra do tribunal para considerar "regulares" as prestações de contas do contrato do Banco do Brasil com a DNA Propaganda Ltda.
Divergência. O voto de Ana Arraes, acompanhado pelos demais ministros do TCU, contraria o parecer técnico do tribunal.
Procurador do Ministério Público junto ao TCU, Paulo Bugarin, defendeu, assim como o relatório técnico, que fosse reafirmada a condenação das contas em decorrência da apropriação indevida das chamadas "bonificações de volume", uma espécie de gratificação paga pelos veículos de comunicação, valores que a agência DNA deveria ter repassado ao Banco do Brasil.
"Não vislumbro no presente caso a aplicação da lei que alterou o ordenamento jurídico, indicando como receita própria das agências de publicidade os planos de incentivo concedidos por veículos de divulgação", afirmou na quinta-feira, 19, o procurador.
"Não somente porque o contrato foi formalizado e executado antes da edição da nova lei, como em face da existência de expressa cláusula contratual que destinava tal verba ao Banco do Brasil", completou Bugarin.
De acordo com a acusação do Ministério Público, a DNA Propaganda conseguiu a renovação de um contrato milionário com o Banco do Brasil já em 2003, primeiro ano de mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O então diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, teria viabilizado os supostos desvios, parte deles por meio do repasse da bonificação que cabia ao banco à agência de publicidade. A DNA encerrou suas atividades ainda em 2005, depois de ter rescindidos os seu contratos com o Banco do Brasil.
O TCU investigou 17 contratos de publicidade com órgãos e empresas da administração pública no período de cinco anos, entre 2000 e 2005. Relatório consolidado apontou prejuízo aos cofres públicos de R$ 106,2 milhões, produto de falhas de contrato ou irregularidades, como o superfaturamento de serviços. O relatório, aprovado em 2006, chegou a pedir o fim das publicidades institucionais no País.
Câmara. Além do contrato com o Banco do Brasil, Marcos Valério também é acusado de desviar dinheiro de um contrato firmado com a Presidência da Câmara dos Deputados, comandada pelo petista João Paulo Cunha nos primeiros anos do governo Lula. A denúncia da Procuradoria-Geral da República sustenta que João Paulo acertou desvios de verba com outra empresa de publicidade do empresário mineiro, a SMP&B. O deputado petista nega as acusações.
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** Programa televisivo.
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... ATÉ QUE O ''STF'' OS SEPAREM (DO POVO)



Mensalão ameaça mandato de três deputados



Mensalão põe três mandatos em risco
Autor(es): HELENA MADER
Correio Braziliense - 20/07/2012

Além do risco de prisão e perda do cargo, parlamentares podem ser enquadrados pela Lei da Ficha Limpa e ficar inelegíveis por oito anos.

Valdemar Costa Neto, Pedro Henry e João Paulo Cunha são os únicos réus do processo ainda em cargos eletivos. A condenação custaria a perda da cadeira de deputado federal. Em comum, a tese de que o esquema nunca existiu

Além do receio de serem condenados criminalmente, três réus do mensalão têm outro grande temor: a perda do mandato. Os deputados federais João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) são os únicos acusados com foro privilegiado e, por conta das acusações contra o trio, o caso será julgado no Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo artigo 55 da Constituição, os parlamentares com condenação criminal transitada em julgado perdem automaticamente o mandato. Além do risco de prisão e de perda do cargo, uma eventual condenação também exporia os réus às determinações da Lei da Ficha Lima e eles não poderiam participar de eleições durante um prazo de oito anos.
Os três deputados réus do mensalão já estavam na Câmara dos Deputados na Legislatura passada e escaparam dos processos de cassação abertos pela Comissão de Ética da Casa. Foram os únicos que conseguiram o feito de se reeleger em meio às repercussões do escândalo do mensalão. Apesar de terem sido absolvidos pelos colegas em 2006, desta vez não terão mais a quem recorrer: o STF é a última instância do Judiciário e, depois do trânsito em julgado, a perda de cargo é imediata, assim como os efeitos da Lei da Ficha Limpa.
Os advogados do deputado João Paulo Cunha entregaram um memorial aos ministros do Supremo, com o resumo da defesa do réu. O documento tem 108 páginas e repete o mantra adotado por todos os advogados dos acusados: o mensalão não existiu. Alberto Zacharias Toron, criminalista que representa o deputado, diz que há uma grande expectativa pela absolvição. "Não há provas para condená-lo por corrupção, lavagem de dinheiro ou peculato", garante.
O advogado ainda aguarda uma resposta do STF sobre o pedido de autorização que apresentou à Corte para usar aparelhos como Power Point durante a exposição oral. Outros advogados apresentaram a mesma solicitação, mas o tema é polêmico e o Supremo ainda não decidiu a respeito.
Entre as acusações que pesam contra João Paulo, está a de que ele, à época presidente da Câmara dos Deputados, teria beneficiado empresas do publicitário Marcos Valério em contratos de propaganda. A procuradoria garante que houve pagamentos da Câmara à empresa SMP&B por serviços não prestados. A mulher do deputado foi flagrada sacando R$ 50 mil do Banco Rural. "Todo, absolutamente todo, recurso sacado foi investido naquilo que denominamos "pré-campanha" com a execução de quatro pesquisas", garantiu João Paulo em sua defesa entregue ao STF. O deputado contou que o saque foi realizado por determinação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e declarou acreditar que o dinheiro fosse do PT. João Paulo é o único réu do mensalão que disputará as eleições deste ano, candidato à prefeitura de Osasco.
Sem provas
A defesa de Pedro Henry segue a linha adotada por outros advogados de desqualificar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR)e alegar a ausência de provas concretas. "A denúncia é extremamente inepta, não houve comprovação de nada. Não há qualquer prova da participação do Pedro Henry em qualquer tipo de irregularidade. Um indício foi suficiente para a aceitação da denúncia", reclama o advogado do deputado, José Antônio Duarte Alvares.
A acusação da PGR contra Henry é de que ele teria recebido recursos do esquema do mensalão por intermédio do Partido Progressista (PP). A legenda teria tido acesso a pelo menos R$ 700 mil. Os advogados de Pedro Henry optaram por não mandar o memorial descritivo ao STF no mês passado, mas os ministros têm em mãos as alegações finais distribuídas pelos defensores do deputado em setembro de 2011. "Não acreditamos em condenação nem em perda de mandato. O Pedro Henry está bem resolvido até porque é um dos poucos que continuaram ali (na Câmara dos Deputados)", acrescenta José Antônio.
Com relação a Valdemar Costa Neto, a PGR diz que o deputado, com os também acusados Jacinto e Antônio Lamas, teria montado uma estrutura criminosa no PR para a prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por meio do "recebimento de vantagem indevida em contraprestação ao apoio político do referido partido ao governo federal". Segundo a denúncia, o repasse teria sido de R$ 10,8 milhões. Em sua defesa entregue ano passado ao STF, o deputado diz que não há comprovação de "pedido, recebimento ou aceitação de vantagem indevida em razão do exercício de sua função" e que não há nenhuma menção a Valdemar no meio das denúncias de facilitação da contratação de empresas do grupo de Marcos Valério pela administração pública. Valdemar não respondeu aos pedidos de entrevista.
Líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), afirmou que não trabalha com a hipótese de condenação do correligionário por outro crime além do eleitoral, como sustenta a defesa de réu. Não fez previsões sobre o impacto político de julgamento e disse que, pelo menos até o momento, nada indica que o PR colherá ônus eleitoral. "É claro que é um assunto incômodo para qualquer partido. São pessoas que têm histórias construídas nas suas respectivas legendas, que acreditaram em um projeto para o país e trabalharam por ele. Quem não se incomodaria?", questiona. "Nunca tratei desse tema com Valdemar nas reuniões da executiva nacional. E não dá para prever nada, porque nunca houve julgamento semelhante na história política brasileira", justificou Portela.
Colaborou Gabriel Mascarenhas
"É claro que é um assunto incômodo para qualquer partido. São pessoas que têm histórias construídas nas suas respectivas legendas"
Lincoln Portela (MG), líder do PR na Câmara

''scriPT''

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Delúbio dirá a STF que não houve compra de deputado


RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA


O advogado de Delúbio Soares afirmará em sua defesa no julgamento da ação penal do mensalão que o ex-tesoureiro nacional do PT repassou dinheiro de caixa dois eleitoral para deputados e partidos políticos, mas não cometeu o crime de corrupção.
O julgamento do caso pelo Supremo Tribunal Federal começa no dia 2 de agosto.
"Delúbio nunca se furtou a ser responsabilizado por aquilo que fez. O que ele não aceita é ser acusado por aquilo que ele não fez", afirmou o advogado Arnaldo Malheiros Filho.
"O que ele não fez foi corromper deputados. O que ele fez foi dar dinheiro de caixa dois para campanhas políticos", disse o defensor.
No auge do escândalo, Delúbio foi expulso do PT, mas voltou à sigla em 2011.

JULGAMENTO
O advogado dele deve ser o terceiro a se manifestar entre os advogados dos 38 réus que são acusados no caso. Cada defensor terá uma hora para falar aos 11 ministros do STF, na etapa chamada de "sustentação oral".

Delúbio é acusado de dois crimes: corrupção ativa e formação de quadrilha. 

A estratégia da defesa é assumir tudo como um desvio de natureza eleitoral. Como Delúbio não foi acusado por crime eleitoral pela Procuradoria -Geral da República, ele não pode ser julgado por isso.
Em síntese, a defesa do ex-tesoureiro defenderá que não existe relação entre os pagamentos feitos aos deputados federais pelo esquema do "valerioduto", montado com as empresas do publicitário mineiro Marcos Valério de Souza, e os resultados de votações ou atos parlamentares em benefício de Delúbio ou do governo federal.
A argumentação vai na mesma linha de peças já entregues pela defesa ao STF.

DÍVIDAS
Em suas alegações finais, um documento de 135 páginas que condensa os argumentos da defesa, Malheiros Filho diz que o dinheiro repassado ao Diretório Nacional do PT pelo "valerioduto" foi para a quitação de dívidas eleitorais de partidos da base aliada do governo.
Quase todos os débitos teriam sido contraídos durante a campanha que elegeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.
"Sem condições ou perspectiva de conseguir quitar as dívidas, os diretórios estaduais procuravam o Diretório Nacional do PT. Na qualidade de Secretário de Finanças, o peticionário [Delúbio] era frequentemente demandado a fim de que buscasse uma solução para o pagamento das dívidas", diz um trecho do documento.
+ CANAIS

EM TEMPOS DE FÁBULAS: ''AS UVAS ESTÃO VERDES...''; ''O REI ESTÁ NÚ'', ''A BELA ADORMECIDA"

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Nunca fomos tão felizes

20 de julho de 2012 | 3h 10


Fernando Gabeira

Uma nação não deve ser medida pelo PIB, e sim pelo que faz por suas crianças e adolescentes. A frase de Dilma Rousseff não é de todo uma fuga da realidade, como querem alguns críticos. Na Rio+20 o PIB foi muito criticado como indicador. Surgiram até pessoas fascinadas pela experiência do Butão, pequeno país encravado no Himalaia que trocou o PIB pelo Índice de Felicidade Nacional.
Quando um líder político fala, não analisamos apenas o conteúdo do discurso, mas também a oportunidade. Dilma afirmou que o PIB não é adequado para medir a nação num dia em que as expectativas de um baixo crescimento do Brasil foram divulgadas. Tanto no exterior como internamente, as críticas seriam inevitáveis. Ela procurou se antecipar a elas.
A fábula da raposa e as uvas é um dos textos de maior sucesso no governo. Quando o PIB cresce, é trombeteado como prova "de que nunca antes nesse país", etc. Quando cai, perde importância porque o essencial é cuidar das criancinhas, que num passado não muito distante éramos acusados de comê-las.
Embora tenha apenas a agenda de Dilma como referência, não creio que ela tenha dialogado com o rei Wangchuck, do Butão. Mas tanto quanto ele, num momento de desconforto com o PIB ela está buscando novos indicadores. O Butão, segundo alguns estudiosos da felicidade, como Derek Bok, formulou com critérios interessantes a nova maneira de avaliar o país.
Dilma falou das crianças dependentes de uma boa educação como passaporte para o futuro. Mas os índices internacionais nos colocam em 53.º lugar em leitura e 57.º em matemática, numa lista de 65 países.
Existe um ponto em que a teoria do Butão daria um socorro a Dilma. Segundo ela, o primeiro fundamento da felicidade é o desenvolvimento equilibrado. E o programa Bolsa-Família é um marco internacional na distribuição de renda aos mais pobres.
A ideia de equilíbrio implica uma noção de conjunto. Numa das pontas, o financiamento do BNDES a empresários, conhecido como a bolsa dos ricos, ainda é uma incógnita à espera de um estudo sobre sua adequação às necessidades nacionais. Isso não é feito porque o BNDES se recusa a fornecer detalhes e o pedido da imprensa investigativa para ter acesso a eles foi parar na Justiça. Na semana passada, o BNDES apareceu financiando o Fusca do século 21, o UP da Volkswagen, com R$ 352 milhões. Talvez seja uma homenagem a Itamar Franco, que tinha o sonho nostálgico de ressuscitar o Fusca.
Fui muito criticado pelos adeptos do governo quando alinhei alguns pontos preocupantes na conjuntura. Governos não gostam de vê-los alinhados, preferem uma visão cor-de-rosa. No passado era o "ame-o ou deixe-o", consagrado pela ditadura militar, que fantasiava um País onde todos os críticos se exilam.
De modo geral, previsões otimistas sobre o Brasil continuam a surgir. Fernando Henrique Cardoso disse, em entrevista recente, que o País está no rumo certo. E ele é de oposição. A OCDE lançou um relatório afirmando que o Brasil tem as melhores perspectivas estratégicas de crescimento entre os países emergentes. E um dos pensadores mais aclamados do momento, Parag Khanna, também acentuou as grandes possibilidades do País na economia do futuro, a economia híbrida fortemente marcada pela conectividade. Estrategicamente, estamos bem na foto. Mas o futuro não pode ser visto como um o reino dos céus, um marco religioso. No universo místico, derrotas e sofrimentos terrenos não importam porque eles nos levam à salvação. No mundo real, um conjunto de erros pode nos afastar das promessas estratégicas. Daí a necessidade do debate, das críticas.
Que papel podemos esperar no futuro, se o Brasil aparece em 58.º lugar no ranking de invenção da Organização Mundial de Propriedade Industrial, bem atrás do Chile, o 36.º? Caímos nove posições. O atraso brasileiro não se deve só ao governo. Mas uma política científica e tecnológica ajudaria muito. E deveria ter sido inaugurada em 2003, no primeiro governo Lula. O PIB está lá embaixo, fatores que nos trariam esperança para o futuro, ensino e invenção, têm desempenho desanimador no ranking internacional.
Alguns adeptos do governo querem nos convencer de que nunca fomos tão felizes, como quiseram também os militares, em outras circunstâncias. Para ganhar seu dinheirinho, atacam os críticos e nos chamam de urubus. No meu caso, deviam ter o salário descontado. Urubu é o símbolo de parte da torcida do Flamengo. Além disso, tive a sorte de ouvir Tom Jobim falar de pássaros e ele sempre destacava a elegância do voo do urubu.
O Brasil está cheio de gente otimista que nos envia beijos no coração e toda essa ternura de candidato em campanha. Precisamos de alimento para pensar. O futuro luminoso não é uma fatalidade à prova de um medíocre oba-oba. Ele pode chegar tarde ou desaparecer no horizonte. O que mais incomoda é associar os impasses econômicos à decadência política. A Ferrovia Norte-Sul virou mais uma piada, a última do Juquinha, ex-presidente da Valec, que teve os bens bloqueados. Ele ganhava em torno de R$ 20 mil e tinha vários imóveis, até uma fazenda de R$ 20 milhões.
De fora chegam sinais animadoras: Paulo Maluf perdeu os recursos na Justiça de Jersey e a São Paulo pode reaver US$ 22 milhões desviados de suas obras públicas. Na Suíça, Joseph Blatter pede a João Havelange que deixe a presidência de honra da Fifa depois do escândalo da propina. Os torcedores do Rio querem mudar o nome do Estádio João Havelange para João Saldanha.
Dizem os economistas que na maré alta todos se movem com facilidade, mas quando ela baixa descobrimos quem tomava banho nu. 
Agora que a maré baixou, diante da nudez de pouco adianta o argumento da beleza interior. É preciso coragem e boas ideias para um mundo em transição. Anos de poder amolecem e deformam quem se aproveita dele. Onde está a energia para um novo tempo?
Para responder à greve dos professores universitários o governo levou 36 dias. E se esqueceu do recesso parlamentar para aprovar incentivos à indústria, quase estagnada. Sorte dele é o profundo sono da oposição.

''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''


SINOPSES - RESUMO DOS JORNAIS


20 de julho de 2012
O Globo

Manchete: Tribunais se rebelam contra divulgação de salário de juiz
Magistrados reclamam com o presidente do STF; prazo vence hoje

Tribunais de Justiça resistem à divulgação nominal dos vencimentos — salários, gratificações e abonos — de juizes e funcionários. A determinação consta da Lei de Acesso à Informação e o prazo dado pelo Conselho Nacional de Justiça vence hoje. O TJ do Paraná, no entanto, já afirmou que não acatará a decisão por ora. No Rio, uma liminar conseguida pela associação de magistrados suspendeu a medida. O presidente do TJ no estado, desembargador Manoel Alberto Rebelo dos Santos, divulga carta hoje com críticas à resolução. Ao GLOBO, ele afirmou que a regra viola direitos constitucionais aos “moldes da época dos atos institucionais”. Na quarta-feira, em reunião do Colégio Permanente de Presidentes de TJs, os magistrados se declararam contrários à publicação e expuseram a insatisfação ao presidente do STF, Ayres Britto. (Págs. 1 e 3)
Rebeldes sírios já controlam fronteiras
Combates levam Brasil a transferir diplomatas da embaixada em Damasco para o Líbano

Enquanto as forças de segurança do ditador Bashar al-Assad lançaram bombardeios contra bairros de Damasco, matando 250 pessoas, segundo ativistas, rebeldes obtiveram uma vitória, ao tomarem pelo menos três postos de controle nas fronteiras com Turquia e Iraque. Por uma determinação da presidente Dilma Rousseff, a embaixada em Damasco foi fechada e os quatro diplomatas passarão a trabalhar em Beirute, devido à rápida deterioração da segurança. Documentos considerados “secretos e sensíveis” foram destruídos. No campo diplomático, Rússia e China vetaram novamente sanções à Síria. (Págs. 1, 26 e 27)
Governo e telefônicas trocam acusações
Após a proibição das vendas de chips, houve ontem uma guerra de acusações. A TIM, mais atingida, vai à Justiça, enquanto o governo critica má qualidade dos serviços. Empresas e especialistas reclamam da burocracia para oferecer mais antenas. (Págs. 1 e 19 a 21)
O Alemão visto pelos ex-inimigos
Quase dois anos após a pacificação do Alemão, cinco ex-traficantes, agora trabalhando no AfroReggae, relatam como viram, de dentro das favelas, a chegada dos blindados da Marinha. Fuzis, lança-granadas e rojões foram deixados para trás, por súplica de suas famílias. (Págs. 1 e 12)
Família de agente da PF assassinado fala em queima de arquivo (Págs. 1 e 4)

Fotolegenda: Quem com ferro fere...
O ator Javier Bardem foi às ruas em Madri para protestar contra os cortes de € 65 bilhões do governo de Mariano Rajoy. A classe artística também condena o aumento de imposto de 8% para 21% nas entradas de cinema e teatro. (Págs. 1 e 23)
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Folha de S. Paulo

Manchete: Em meio a guerra civil, Síria escapa de sanções
Rússia e China vetam texto na ONU; ditador reaparece após atentado

Rússia e China vetaram ontem no Conselho de Segurança da ONU uma resolução com sanções ao regime sírio, levando a críticas de países ocidentais.

A resolução dava dez dias para o regime parar de usar armas pesadas, sob pena de punições econômicas. (Págs. 1 e Mundo A20)
Oposição lança somente 18% dos candidatos a prefeituras
Os partidos de oposição ao governo federal lançaram neste ano o menor número de candidatos a prefeito desde que o PT chegou ao Planalto, em 2003. Dos cerca de 15 mil candidatos que concorrem a uma prefeitura no país, 2.807 são de PSDB, DEM ou PPS — 18% do total de candidaturas.

O percentual de oposicionistas é semelhante ao do início da gestão Fernando Henrique, em 1996. (Págs. 1 e Poder A6)
Anatel recusa proposta da Claro e mantém venda suspensa
A Anatel recusou o projeto de investimento da Claro para os próximos dois anos e manteve a suspensão nas vendas de novos planos, que começa na segunda-feira. As punições à Oi e à TIM também foram mantidas.
A atitude da Anatel segue orientação do governo para que os órgãos reguladores sejam mais severos.

A TIM recorrerá hoje à Justiça para tentar reverter a punição. (Págs. 1 e Mercado B1 e B3)
348 servidores têm extra por integrar conselhos de estatais
O governo federal tem 348 servidores ganhando jetons de 93 estatais. O gasto em maio foi de R$ 1,2 milhão com essa verbas, pagas pela participação nos conselhos das empresas. Elas não contam como salários e não entram no teto constitucional de R$ 26,7 mil. (Págs. 1 e Poder A15)
Moisés Naím: A complexidade do comércio atual prejudica o cliente
Por quem você se sente mais maltratado? Pela operadora de celular? Pelo banco? Pelas companhias aéreas? A enorme complexidade do comércio moderno coloca os consumidores em desvantagem. (Págs. 1 e Mundo A24)
Fotolegenda: Ou tudo ou nada
Bombeiros de Astúrias (Espanha) protestam com cartaz que diz: “De tantos cortes, ficamos pelados”; milhares foram às ruas em ato contra a crise. (Págs. 1 e Mundo A22)
Editoriais
Leia “Rigor e omissão”, sobre medida da Anatel contra empresas de telefonia, e “Vitórias contra a Aids”, acerca de avanços no combate à doença. (Págs. 1 e Opinião A4)
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O Estado de S. Paulo

Manchete: China e Rússia vetam sanções a Assad e êxodo cresce na Síria
Mais de 20 mil sírios fogem para o Líbano; fronteiras são tomadas por rebeldes

A Rússia e a China vetaram ontem na ONU uma resolução que abriria caminho para a aprovação de novas sanções contra o regime do presidente sírio, Bashar Assad. O texto previa a prorrogação da missão de observadores, a aplicação de um plano de transição proposto por Kofi Annan e sanções caso o regime não cumprisse a resolução. Para China e Rússia, o objetivo da proposta seria abrir espaço para uma intervenção militar similar à lançada na Líbia no ano passado. Em meio ao aumento da violência, a Síria já enfrenta um êxodo de sua população. Um dia depois do atentado em Damasco que matou o ministro da Defesa e um cunhado do ditador, mais de 20 mil pessoas seguiram ontem para a fronteira com o Líbano para tentar fugir do país, relata o enviado especial Andrei Netto. Rebeldes também tomaram postos de imigração na fronteira com Turquia e Iraque. (Págs. 1 e Internacional A10 e A11)
Grupo fazia festa na hora do incêndio na Antártida
O inquérito aberto para apurar o incêndio que destruiu a base brasileira na Antártida, em fevereiro, aponta que funcionários e cientistas participavam de uma festa no momento em que as chamas começaram. Como o alarme não disparou, os encarregados suspeitavam que o sistema pudesse ter sido desligado. Na pista de dança havia um mecanismo que espalhava fumaça de gelo seco, informa o repórter Sergio Torres. Nos depoimentos, os cientistas não souberam responder se o sensor foi desligado. A Marinha não comentou. (Págs. 1 e Vida A13)
TCU considera legal contrato usado no mensalão
O TCU aprovou por uninanimidade relatório da ministra Ana Arraes considerando regular o contrato milionário da empresa DNA, de Marcos Valério, com o Banco do Brasil, uma das bases da acusação contra o publicitário no processo do mensalão. O voto contraria parecer técnico do tribunal. (Págs. 1 e Nacional 4)
R$ 153 milhões
era o valor do contrato da empresa de publicidade DNA com o Banco do Brasil.
Fotolegenda: Dia de fúria na Espanha
O Parlamento espanhol aprovou pacote com corte de € 65 bilhões em gastos com salários de funcionários públicos e elevação de impostos para os próximos anos. Pouco depois, centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Madri e de outras cidades do país em protesto. (Págs. 1 e Economia B6)
Operadoras de telefonia terão metas de serviços
As seis principais empresas de telefonia e internet móvel do País terão de cumprir metas mensais de aumento de capacidade de rede e de atendimento dos usuários. Ontem, Claro, TIM e Oi pediram desculpas a clientes pelas falhas nos serviços, que levaram à suspensão das vendas de novas linhas. (Págs. 1 e Economia B1 e B3)

Houve aviso, diz ministro

Paulo Bernardo (Comunicações) criticou empresas que "fazem promoções e não entregam o serviço". (Págs. 1 e B3)
Defesa de Maluf era Jersey vira ‘arma’ no País
Promotoria de São Paulo pedirá cópia de documentos mostrados em julgamento - no qual offshore admite ter recebido dinheiro do ex-prefeito Paulo Maluf - para usá-la na ação de improbidade. (Págs. 1 e Nacional A5)
ANP multa Chevron em R$ 40 milhões (Págs. 1 e Vida A14)

Fóruns de SP terão segurança privada (Págs. 1 e Cidades C4)

Andrej Dynko
A última ditadura da Europa

Presidente da Bielo-Rússia há 19 anos, Aleksandr Lukachenko usa métodos semelhantes aos de Stalin para punir presos políticos. (Págs. 1 e Visão Global A12)
Fernando Gabeira
Nunca fomos tão felizes

Quando o PIB cresce, é trombeteado como prova de que “nunca antes neste País”. Quando cai, o essencial é cuidar das criancinhas. (Págs. 1 e Espaço Aberto A2)
Milton Hatoum
O anonimato

Permanecer no anonimato é um direito de quem testemunhou um crime. Mas políticos que absolvem criminosos deviam revelar seus nomes. (Págs. 1 e Caderno 2, D8)
Notas & Informações
Mobilidade emperrada

O País seria um animado canteiro de obras se o governo tivesse competência para executar planos. (Págs. 1 e A3)
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Correio Braziliense

Manchete: Anatel rejeita plano de teles. TIM vai à justiça
Um dia depois de a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciar que, a partir de segunda-feira, TIM, Oi e Claro estão proibidas de vender linhas de celular nas unidades da Federação onde são os principais alvos de reclamações dos consumidores, as operadoras se apressaram em apresentar projetos para a melhoria dos serviços. Mas alegaram que os investimentos, na maioria das cidades, esbarram em restrições legais à instalação de novas antenas. Impedida de oferecer planos no DF e em 18 estados, a TIM, empresa que mais sofreu restrições no país, foi além. Prometeu levar proposta à Anatel na semana que vem, mas já avisou: antes disso, vai recorrer à Justiça para não ter de suspender a venda de chips. A Claro entregou um plano de intenções, mas a Anatel o considerou insuficiente. Hoje, será a vez de a Oi, que assegura ter R$ 6 bilhões para investir, prestar contas à agência reguladora. (Págs. 1, 9 e Visão do Correio, 14)
Luto: Honras ao policial executado
Mais de 500 pessoas acompanharam o velório de Wilton Tapajós, assassinado no Cemitério Campo da Esperança. Carros da Polícia Federal ligaram as sirenes, e o agente foi enterrado ao som de corneta. Crescem as suspeitas de que o crime foi encomendado. Investigadores têm dois suspeitos e contam com uma testemunha-chave para elaborar retrato falado. (Págs. 1 e 21 a 23)
Mensalão ameaça mandato de três deputados
Além do risco de prisão e perda do cargo, parlamentares podem ser enquadrados pela Lei da Ficha Limpa e ficar inelegíveis por oito anos. (Págs. 1 e 2)
Tensão domina capital, e sírios fogem do país
Moradores ouvidos pelo Correio temem pelo início do Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, que começa hoje. Eles dizem que os combates em Damasco são cada vez mais intensos. Rússia e China vetaram sanções da ONU à Síria. (Págs. 1, 16 e 17)
Tendas erguidas sem autorização enfeiam Esplanada (Págs. 1 e 28)

Professor diz não à proposta do governo
Greve na UnB completa 60 dias amanhã. Ontem, docentes recusaram acordo proposto pelo Planalto e participaram de protesto que bloqueou o acesso ao Ministério do Planejamento. (Págs. 1, 11 e 26)
Bolão será legalizado pela Caixa
Lotéricas devem voltar a fazer jogos coletivos sem problemas a partir de outubro. Mas, desta vez, terão que emitir comprovante do bilhete para cada um dos apostadores. (Págs 1 e 13)



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Valor Econômico

Manchete: Valor da parcela do BNDES em frigoríficos cai R$ 2,5 bi
Os investimentos do BNDES na compra de ações dos maiores frigoríficos do país têm hoje um valor R$ 2,56 bilhões menor do que quando foram realizados. Se o banco estatal tivesse de vender hoje ao preço de mercado as fatias acionárias que detém na JBS, Marfrig e BRF - Brasil Foods, teria de aceitar uma perda dessa magnitude.

Segundo cálculo do Valor Data, essas ações valiam R$ 6,92 bilhões no fechamento de ontem. Isso significa uma desvalorização de 27% em relação à quantia total desembolsada pelo banco, estimada em cerca de R$ 9,48 bilhões. O montante desconsidera os R$ 250 milhões investidos em 2008 na compra de 21,8% do capital do frigorífico Independência, que viraram pó depois que a empresa suspendeu suas atividades e entrou em recuperação judicial em 2009. (Págs. 1 e B12)
Pressão de alimentos na inflação
A pior seca dos últimos 25 anos nos EUA colaborou para que a soja ultrapassasse ontem, pela primeira vez, os US$ 17 por bushel em Chicago. Esse dado foi mais um na série de indicadores sobre preços de alimentos que estão preocupando os especialistas em inflação. As cotações de grãos estão avançando com rapidez e a pressão deve chegar ao IPCA entre o terceiro e o quarto trimestres do ano. Até agora, as projeções dos analistas para o IPCA em 2012 estão mantidas ao redor de 5%. Revisões para cima são esperadas caso os preços agrícolas não cedam nos próximos meses. (Págs. 1, A2 e B12)
Segurança privada terá novo estatuto
O Ministério da Justiça está finalizando a proposta de um novo Estatuto da Segurança Privada, para regular a atividade em bancos, shoppings e estádios, no transporte de valores e na escolta armada, incluindo a regulamentação da segurança eletrônica. O número de vigilantes privados no Brasil chega a 600 mil, enquanto o contingente das polícias federal, civil e militar não chega a 500 mil no país inteiro.

As 2 mil empresas de segurança no Brasil movimentam cerca de R$ 32 bilhões ao ano. E outros R$ 3,6 bilhões correspondem ao segmento de segurança eletrônica, que fornece serviços como câmeras, alarmes e controles de acesso. (Págs. 1 e A4)
Custo de investimento já é menor
As reduções de tributos feitas nos últimos oito anos trouxeram efeitos positivos para o custo do investimento. Em 2004, a incidência de impostos e taxas encarecia em 30,12% o investimento para construir uma siderúrgica. Hoje, empreendimento semelhante é onerado em 17,34%. A queda desse custo decorre do fim da CPMF e da redução da taxa Selic.

Apesar da redução, o Brasil ainda é um dos países que mais tributam investimentos. Dados da Price indicam que a montagem da siderúrgica teria devolução de impostos nos EUA, no Chile e Canadá. E estudo da Abimaq chega a conclusão semelhante. Para máquinas nacionais de fábricas existentes, o custo tributário superava em 23% o de países ricos em 2010 e hoje, em 4,3%. (Págs. 1 e A5)
Fotolegenda: Os custos do novo
As transportadoras começam a receber caminhões com motor Euro 5, movidos pelo diesel S50, menos poluente. Markenson Marques, presidente da Cargolift, do Paraná, recebeu 13 unidades e administra custos elevados para abastecer os veículos em postos fora da empresa. (Págs. 1 e B8)
PT lidera a disputa só em duas capitais
As primeiras pesquisas eleitorais pós-convenções mostram uma tendência de perda de espaço do PT nas capitais, ao mesmo tempo em que apontam um avanço do número de prefeitos do PSDB nessas cidades. Levantamento do Valor mostra quase uma inversão de papéis: os petistas, que hoje administram sete capitais, lideram sozinhos em apenas duas; já os tucanos, que comandam apenas uma capital, estão isolados em primeiro lugar em três delas e disputam a dianteira - dentro da margem de erro de cada pesquisa - em outras quatro.

O PSB, que já é o segundo partido com mais prefeitos de capital, se destaca como a segunda força desta eleição. O PMDB, que era o terceiro partido com mais prefeitos de capitais, ao lado do PDT, tende a perder esse posto. No levantamento do Valor, feito nas capitais em que houve pesquisa depois das convenções (deixando de fora, portanto, Aracaju, Boa Vista, Curitiba, Fortaleza, Palmas, Rio Branco, Salvador e Rio), os pemedebistas disputam a dianteira apenas em João Pessoa. (Págs. 1 e A8)
Após ir às alturas, imagem do Brasil passa por fase de baixa
Na capa da revista "The Economist" de 12 de novembro de 2009, o Cristo do Corcovado disparava como um foguete. Era "O Brasil que decola". Em 9 de julho de 2012, o "Financial Times" falava num Brasil "depois do Carnaval". Será que o empuxo do Cristo Redentor-foguete era tão fraco que só o faria subir um pouco, para logo cair, e a "Economist" não havia se dado conta? Ou é o "Financial Times" que vê a Quarta-Feira de Cinzas que não chegou? Ou podem os dois ter errado e o que ocorre com o Brasil não corresponderia nem ao sucesso relatado em 2009 nem ao fracasso noticiado em 2012?

Certamente, há associação entre o noticiário favorável ao Brasil no fim da década passada e a aceitação da hipótese de que aqui as coisas estavam indo muito bem. A contramaré de visões negativas começou há alguns meses, e ainda não é possível verificar seu possível efeito sobre a opinião pública. É comum responsabilizar-se o mensageiro pela mensagem, quando esta é desagradável. No entanto, por mais problemas que a cobertura do Brasil feita pela mídia internacional possa ter, em geral ela se apoia em fatos, ainda que, às vezes, possa ser exagerada ou mal fundamentada. (Págs. 1 e Eu& Fim de Semana)
Aéreas dos EUA acabam com a primeira classe
Companhias aéreas dos EUA estão reduzindo o tamanho da primeira classe em rotas internacionais. Esse serviço de luxo, que já foi essencial para as empresas, tem um grande problema: poucos viajantes realmente pagam por ele. Com a crise global, caiu o número de viagens empresariais e o passageiro típico de primeira classe, que custa até US$ 15 mil, passou a ser aquele que usa milhas.

Dos mais de 500 aviões que voam regularmente para a Europa, Ásia e América do Sul, 27% oferecem primeira classe. Só a American e a United mantêm o serviço e o estão reduzindo. O espaço da primeira classe está sendo redesenhado para aumentar a executiva e para criar uma nova classe econômica premium, com mais espaço para as pernas. (Págs. 1 e B9)
Grandes fundos saem em busca de mercados de dívida da Sérvia, Iraque e Hungria (Págs. 1 e C3)

Zenteno apresenta plano de investimento da Claro à Anatel (Págs. 1 e B1)

Riscos na Síria
Com a escalada das tensões na Síria, os chanceleres ocidentais temem o uso de armas químicas por Bashar Al-Assad, hipótese considerada remota por Antoine Basbous, diretor do Observatório Árabe. (Págs. 1 e A11)
Negócios na área de saúde
Anunciadas em meados de 2010, duas parcerias envolvendo empresas de saúde e grupos financeiros — Tempo Assist e Caixa em um negócio e OdontoPrev e Banco do Brasil em outro — não evoluíram como o esperado. (Págs. 1 e B4)
Reengenharia da Brasbunker
A entrada do BTG Pactuai como sócio, em setembro de 2010, levou a Brasbunker, holding com atuação em serviços de apoio marítimo, a fazer uma reestruturação que deve deixá-la pronta para abrir o capital em 2014. Em 2015, a empresa deverá faturar RS 1,18 bilhão. (Págs. 1 e B8)
Mais emissões de debêntures
O mercado de debêntures deve movimentar um volume de emissões de ao menos R$ 11 bilhões no segundo semestre, com ofertas para grande número de investidores e remuneração baseada na inflação. (Págs. 1 e C1)
Rentabilidade das reservas
A rentabilidade das reservas internacionais em 2011 foi de 3,6%, segundo o Banco Central. O desempenho foi superior ao de 2010 (1,82%), mas abaixo da média anual de 4,7% observada entre 2003 e 2011. (Págs. 1 e C1)
Crédito volto para emergentes
Os bancos cortaram empréstimos para as economias em crise na zona do euro e para os EUA, enquanto aumentaram os volumes para emergentes no primeiro trimestre, revela o BIS, o banco central dos bancos centrais. (Págs. 1 e C3)
Crédito de PIS e Cofins
Decisões recentes de tribunais regionais federais — como o da 4ª região, que abrange os Estados do Sul do país — têm ampliado a possibilidade de uso de créditos de PIS e Cofins. (Págs. 1 e E1)
Ideias
Claudia Safatle

Presidente Dilma Rousseff pretende dar a “segunda virada” em seu governo com pacote de medidas em agosto. (Págs. 1 e A2)

Naercio Menezes Filho

Sem melhorar a formação dos professores nada vai mudar, mesmo se gastássemos 10% do PIB. (Págs. 1 e A13)
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