A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
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sexta-feira, junho 07, 2013
XÔ! ESTRESSE [In:] SIAMESES (CIA. HÁ MESES !)
O LEILOEIRO WALRASIANO
''PESQUISA DE POPULARIDADE'' A VISTA
IBGE prevê IPCA acima do teto da meta em junho
Altas das tarifas de ônibus, trem, água e esgoto em algumas cidades vão influenciar índice do mês
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O PAÍS DAS ''ANAs"
![]() | 07/06/2013 |
SINAIS DE FUMAÇA (e/ou Saudades do MST)
![]() | 07/06/2013 |
RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA-CONSUMO-INFLAÇÃO
![]() | 07/06/2013 |
Consulta ao IR começa dia 10
O primeiro lote de restituição do Imposto será pago em 17 de julho. O total de devoluções passará de R$ 2,6 bilhões.
Restituição para forçar consumo
Disposto a reanimar o fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o governo decidiu reeditar os megalotes de restituição do Imposto de Renda (IR). Hoje, a Receita Federal anunciará os detalhes da primeira devolução do ano, que poderá contemplar até 2 milhões de contribuintes. Nesta etapa, devem ser liberados entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, conforme antecipou o Correio há um mês.
Na lista inicial, as prioridades são aposentados, deficientes e pessoas que entregaram mais cedo a declaração de ajuste do exercício 2012. A consulta para saber quem foi contemplado nessa etapa, no entanto, só será aberta na próxima segunda-feira, 10 de junho, pelo site da Receita (www.receita.fazenda.gov.br) e pelo Receitafone, o 146. Já o pagamento ocorrerá em 17 de junho.
O dinheiro deverá reforçar o orçamento das famílias, já comprometido com dívidas atrasadas e encolhido pela inflação.
Em 2012, os preços subiram, em média, 5,84%. No mesmo período, a correção do IR, que, em tese, deveria compensar essa alta, foi de apenas 4,5%. Essa combinação entre gastos em alta e poder de compra em baixa gerou perda de fôlego do consumo interno, o que limitou o desempenho do PIB no primeiro trimestre. Mesmo com diversos incentivos dados pelo governo, o consumo das famílias avançou apenas 0,1% no período, número que ajudou a consolidar um crescimento econômico de 0,6%.
Agora, com o dinheiro extra dos megalotes, os técnicos do governo esperam que o brasileiro saia às compras, voltando a estimular o varejo e, por tabela, a indústria. Neste ano, cerca de 26 milhões de brasileiros declararam o IR. Quem pagou imposto a mais deverá ser contemplado em um dos sete lotes de restituições.
O governo vai recorrer novamente a medidas criativas para turbinar as contas públicas. Por meio de manobras contábeis, a União conseguirá, em uma só tacada, reduzir as despesas com empréstimos feitos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e contabilizar essa diferença como ganho financeiro para a instituição. O artifício foi inserido no texto da Medida Provisória 618, publicada ontem no Diário Oficial da União. Não foi informado, no entanto, o montante de recursos que poderão ser usados nessa operação.
Por lei, o Tesouro Nacional é obrigado a bancar a diferença entre o valor dos recursos que repassa ao BNDES e os empréstimos que o banco oferece a juros camaradas a empresas. Só em 2012 o governo gastou mais de R$ 12 bilhões em equalizações desse tipo. Agora, a União decidiu renegociar essa operação. Vai, assim, contabilizar as transferências feitas ao banco por um valor menor do que antes.
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GOVERNO VAI MEXER NO ''FOREVIS'' (Muçum/Os Trapalhões)
![]() | 07/06/2013 |
Governo admite mudar as regras da poupança
O provável aumento da Selic para 8,50% ao ano, indicado pelo Banco Central, deve alterar o rendimento das cadernetas. A equipe econômica já discute retomar o antigo processo de remuneração.
Ganho da poupança vai mudar com alta de juros
O governo já admite mudar novamente as regras da tradicional caderneta de poupança. A alteração deverá ocorrer em julho próximo, caso se confirmem as indicações dadas ontem pelo Banco Central de que a taxa básica de juros (Selic) subirá mais 0,50 ponto percentual, dos atuais 8% para 8,50% ao ano. A partir desse nível de juros, o BC é obrigado a acionar o gatilho que retoma o processo antigo de remuneração da caderneta. Ou seja, em vez de pagar 70% da Selic, como ocorre com os atuais depósitos, o correspondente a 0,45% ao mês ou 5,5% ao ano, a poupança voltará a remunerar os investidores em 0,5% mensal ou 6,17% ao ano, como ocorria antes de a presidente Dilma Rousseff mudar a lei.
De olho no aumento do rendimento da caderneta, os investidores já estão promovendo uma ampla corrida para tal modalidade de aplicação. Segundo o BC, nos primeiros cinco meses do ano, a poupança registrou ingresso líquido (descontados os saques) de R$ 18,8 bilhões, um recorde para período tão curto de tempo.
Além da perspectiva de remuneração maior, os poupadores priorizam a facilidade para depósitos e o fato de os ganhos não pagarem Imposto de Renda (IR). Nem mesmo o fato de os rendimentos estarem perdendo para a inflação nos últimos meses tem inibido as aplicações.
A certeza de que a caderneta voltará às regras antigas foi baseada na ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual os juros passaram de 7,50% para 8% anuais. O documento, divulgado ontem, trouxe um discurso mais duro contra a inflação e sinalizou que o BC, comandado por Alexandre Tombini, continuará a elevar os juros a um ritmo de 0,50 ponto. No mercado futuro, as apostas são de que a Selic ficará entre 9,25% e 9,50% ao ano até o fim de 2013. Se chegar a esse nível, deverá demorar a voltar a um percentual que atrele novamente a remuneração da poupança à Selic.
Descontrole e gastança
Na avaliação do governo, apesar de todo o desgaste político quando se fala em mudança na poupança, o mais importante agora é recuperar a credibilidade do BC e da política econômica — a desconfiança é tamanha, que a agência de classificação de riscos Standard & Poor"s ameaçou rebaixar a nota do Brasil (leia mais na página 10). Segundo a ata chancelada por Tombini, a inflação no país está "resistente e disseminada" e exige uma ação "tempestiva" da autoridade monetária.
Para os diretores do BC, o elevado nível do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que se mantém no teto da meta, de 6,5%, em 12 meses, e a dispersão dos reajustes contribuem para a piora na percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica dos preços. Ou seja, famílias e empresários deixam de acreditar na capacidade do governo de manter a inflação sob controle. O documento do Copom mostra ainda que índices de preços além do desejado retiram o poder de compra dos salários e das transferências de renda (Bolsa Família), ampliando a onda de desconfiança.
A ata projeta um IPCA em 2013 mais alto do que há 45 dias e, por isso, o BC precisa estar "especialmente vigilante". Para este ano e 2014, o centro da meta é de 4,5%, com variação de no máximo dois pontos percentuais para cima ou para baixo. "Tendo em vista os danos que a persistência (inflacionária) causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, a mesma seja revertida", destacou o documento. "Por isso, o Comitê entende ser apropriada a intensificação do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso."
O BC jogou parte da culpa pelo descontrole da inflação ao Ministério da Fazenda, por causa do gastos públicos excessivos, que estimulam as remarcações de preços. O perigo da expansão fiscal inclui a estratégia de estímulo ao consumo por meio de benefícios tributários (redução de impostos). No entender do Copom, a despeito da limitada capacidade produtiva do país, que tem levado ao aumento de preços e de importações, o governo continuou a impulsionar a demanda e, consequentemente, a carestia.
Especialistas alertam que, com a elevação dos juros básicos, a Fazenda pode se sentir ainda mais confortável para expandir as despesas, o que anularia os efeito do aperto monetário sobre a inflação. Segundo Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora, a tendência é de que as despesas públicas cresçam conforme se aproximem as eleições de 2014. "Com a intensificação do ritmo de aumento dos juros, o BC também abriria, a princípio, maior espaço para a expansão fiscal", ponderou.
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, fez avaliação semelhante. "Temos, de um lado, a política monetária fechando a torneira e, do outro, a fiscal escancarando. É preciso um realinhamento dessas estratégias", criticou.
» Consumo robusto
Para o Banco Central, os reajustes salariais acima do aumento de produtividade são um risco para a inflação. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a instituição afirmou que, em função desses ganhos, o consumo doméstico deve permanecer robusto. "Não obstante aos sinais de moderação, o Comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos", disse o documento. Em contraponto, o BC avaliou o cenário internacional como frágil e afirmou que isso contribui para conter a demanda.
» IGP-DI volta a incomodar
O Banco Central recebeu uma péssima notícia ontem. Os preços de alimentos no atacado, que vinham caindo desde o início do ano, inverteram o sinal e devem voltar a pressionar a inflação ao consumidor. O aviso veio do Índice Geral de Preços — Disponibilidade Interna (IGP-DI), que cravou 0,32% em maio, depois de ter recuado 0,06% em abril, segundo informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado surpreendeu os especialistas, que projetavam alta entre 0,05% e 0,30%. Na avaliação do economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, acabou o período de deflação dos produtos agrícolas, o que se refletirá nos próximos índices, reforçando a necessidade de mais elevação na taxa básica de juros (Selic). Também pesou no IGP-DI o forte avanço do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), com incremento de 2,25% no mês passado, por causa do dissídio coletivo dos trabalhadores do setor.
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quinta-feira, junho 06, 2013
XÔ! ESTRESSE [In:] COPA E COPOM
BRAVATAS E GRAVATAS ARMANI (É mentira, Terta?)
Lula diz a executivos do Peru que influi em decisões de Dilma
ENVIADA ESPECIAL A LIMA
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''IN DUBIO PRO REO''
![]() | 06/06/2013 |
Dora Kramer
Muro de arrimo
Celebrado como a melhor e mais acertada indicação da presidente Dilma Rousseff ao Supremo Tribunal Federal, o advogado Luís Roberto Barroso saiu-se conforme a encomenda na sabatina de ontem no Senado. Talvez até melhor, pelo traço de humor e clareza em personalidade de formação marcadamente humanista.
Já o Senado de novo não esteve à altura da missão. Desta vez não pecou pelo excesso de bajulação nem por carência de preparo para questionar o saber jurídico do indicado, até porque tal juízo não estaria mesmo ao alcance dos senadores.
Reiterou sua fragilidade como Poder ao transferir para o novo ministro do STF indagações a que nem o Congresso consegue responder e que caberia a ele resolver.
Com elegância, Barroso foi ao ponto na questão do "ativismo judiciário" com insistência abordada pelos senadores, quando disse que cabe ao Parlamento decidir se deixará nas mãos do Judiciário o controle do processo legislativo ou se fará ele mesmo essa baliza partir das prerrogativas que lhe dá a Constituição.
Falava especificamente sobre a tramitação de medidas provisórias, um dos vários temas transformados em questionamentos que deveriam ser feitos (e solucionados) não a um novo integrante da Corte vista como intervencionista pelo Congresso, mas aos próprios parlamentares.
Pareceu muito mais que os senadores queriam sentir o pulso do indicado sobre esse ou aquele assunto e, nele, de alguma forma, buscar orientação. Falaram de reforma política, reforma tributária, poder de investigação do Ministério Público, formato das sabatinas aos indicados ao STF, matérias atinentes primordialmente à avaliação ou à iniciativa do Congresso.
Não seria ali - como de resto não foi - que surgiria a solução. Com habilidade, Luís Roberto Barroso evitou apontar de maneira contundente a evidência. Mas o fez ao apontar que o Judiciário não deve interferir na política, mas não pode deixar de atuar quando há ausência de norma e em jogo está um direito a ser protegido. Ou "tutelado", na linguagem jurídica.
Aos bons entendedores, tais palavras deveriam bastar. Para compreender que a expansão do Judiciário ocorre tão somente no vácuo do encolhimento do Legislativo que ontem, mais uma vez, exibiu provas de que não consegue ser dono do próprio nariz.
Pró-réu.
Luís Roberto Barroso evitou se aprofundar no tema, dizendo que não estudou "deliberadamente" os casos dos réus que teriam direito à revisão de pena caso o Supremo reconheça a validade dos embargos infringentes e julgue os recursos dos que tiveram ao menos quatro votos pela absolvição.
Mas fez reparos ao modo como o tribunal examinou a teoria do domínio do fato e considerou o julgamento do mensalão como "um ponto fora da curva".
Concorda, portanto, com os que apontam comportamento "de exceção" por parte do tribunal e discorda de que José Dirceu pudesse ser apontado como chefe de quadrilha por ter, no esquema de desvios, o domínio do fato.
Chumbo trocado.
A fim de exibir traço de incoerência e talvez constranger o pré-candidato do PT ao , governo do Rio de Janeiro a desistir, o PMDB divulgou declaração antiga de Lindbergh Farias em apoio a Luiz Fernando Pezão, vice-governador e candidato a titular do posto em 2014.
Vídeo por vídeo, há na internet um em que o governador Sérgio Cabral Filho, há sete anos, fala mal do então presidente Lula e derrama-se em elogios ao ex-governador, ex-amigo e hoje deputado e inimigo Anthony Garotinho, saudado como "uma maravilha para
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ASAS DE ÍCARO
Azul e Trip recebem multa de R$ 3,5 milhões
| Autor(es): Por Thiago Resende | De Brasília |
| Valor Econômico - 06/06/2013 |
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) multou em R$ 3,5 milhões as empresas Azul e Trip por informações enganosas no momento da notificação da fusão entre as companhias aéreas.
Segundo o processo, as companhias aéreas não informaram sobre o code share (compartilhamento de voos) entre Trip e TAM, que depois foi um dos pontos de restrição para que o Cade aprovasse a fusão entre Azul e Trip.
De início, as companhias aéreas alegaram que o acordo entre Trip e TAM "não chegou a se concretizar", lembrou o conselheiro Ricardo Ruiz, relator do auto de infração. Apenas depois de pedidos de informações feitos pelo órgão antitruste que as companhias confirmaram a existência do acordo, "reconhecendo a inveracidade da informação prestada no momento da notificação" da operação.
Ruiz considerou o erro como altamente grave. "A informação falsa poderia levar a uma avaliação inadequada", disse. Ele frisou ainda que o compartilhamento de voos era de "tamanha importância" para analisar os efeitos concorrenciais da fusão Azul/Trip que o Cade determinou a extinção do code share entre Trip e TAM. "Dada a existência do acordo, a operação se tornou ainda mais complexa", ressaltou o relator.
"A informação enganosa impactava diretamente na restrição que o Cade fez", reforçou o presidente do Cade, Vinicius Carvalho, que considerou adequado o valor da multa.
Em comunicado, a Azul informou ontem que "respeita a decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre o auto de infração que versa sobre matéria estritamente processual e em nada afeta a integridade da aprovação da operação Azul-Trip pelo órgão. A Azul aguardará a publicação da decisão para analisar seu conteúdo e definir o melhor encaminhamento."
Terceira maior companhia aérea do Brasil, a Azul se prepara uma oferta pública inicial de ações (IPO) para aumentar a frota e as rotas oferecidas, quitar empréstimos, pagar o arrendamento de aeronaves e reforçar seu capital de giro. (Colaborou João José Oliveira, de São Paulo)
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A PETROBRAS ERA NOSSA
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Câmbio aumenta "rombo" na Petrobras
| Autor(es): Ribamar Oliveira |
| Valor Econômico - 06/06/2013 |
Se a desvalorização do real em curso vai melhorar, caso bem conduzida, a competitividade da combalida indústria brasileira, ela pode também resultar em prejuízo considerável para a principal empresa do país, a Petrobras.
Desde o fim de 2010, a empresa estatal vem registrando perdas seguidas com a comercialização de gasolina, diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) no mercado interno, em virtude da política de contenção dos preços dos combustíveis executada pelo governo com o objetivo de controlar a inflação.
A indústria de petróleo é dolarizada e vinculada ao "brent" - o óleo comercializado na bolsa de Londres. Com a desvalorização da moeda nacional, as importações de petróleo e derivados feitas pela Petrobras ficarão mais caras em reais. As refinarias brasileiras trabalham com uma mistura, em média, de 20% de petróleo importado e 80% de nacional, que é, em termos gerais, mais pesado. Ao mesmo tempo, as refinarias não têm capacidade de atender a demanda interna por derivados de petróleo, principalmente óleo diesel, gasolina e GLP. Por isso, a Petrobras precisa importar petróleo bruto e seus derivados.
Os preços de refinaria da gasolina e do óleo diesel são definidos pela Petrobras por meio de um sistema que simula o custo de importação dos produtos por terceiros, em uma perspectiva de médio e longo prazo. A lógica é manter uma paridade dos preços internos e dos preços internacionais, de tal forma que a empresa não tenha ganhos excessivos e nem perdas ao longo do tempo.
Só a elevação dos combustíveis pode evitar mais prejuízo
Um gráfico feito pela própria Petrobras - e que foi incluído no relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as contas do governo da presidente Dilma Rousseff relativas a 2012 - apresenta a evolução dos preços médios de realização da Petrobras com a venda de derivados no país e dos preços médios de realização do golfo americano, região escolhida em virtude de sua proximidade com o Brasil.
O gráfico, reproduzido abaixo, mostra períodos em que a Petrobras obteve ganhos no mercado interno, em comparação com os preços praticados no mercado externo, e também perdas. O que se verifica é que desde o fim de 2010, começo de 2011, até o fim de 2012, os prejuízos foram expressivos. Eles continuaram no início deste ano, embora em menor intensidade em virtude do aumento dos combustíveis anunciado em janeiro.
Quando está vendendo os combustíveis a preços inferiores aos internacionais, a Petrobras subsidia o consumidor brasileiro. Essa situação poderá se agravar com a desvalorização do real. "O fator que mais faz aumentar o prejuízo da Petrobras é o câmbio", observa Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). "Ela é a única empresa de petróleo que quanto mais vende gasolina e diesel, mais o seu prejuízo aumenta", disse.
A queda do real frente ao dólar está ocorrendo em um momento de forte elevação das importações de petróleo e de derivados, resultado de um aumento explosivo do consumo interno de combustíveis. De 2008 a 2012, o consumo de gasolina cresceu 58%. O Brasil saiu da situação de exportador de gasolina, com receita de US$ 1,8 bilhão em 2007, para a de importador, com gastos de US$ 3 bilhões em 2012. O aumento da frota de veículos, estimulado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), é apontado pelo TCU como uma das razões para essa elevação do consumo de gasolina, que cresce em ritmo maior do que o Produto Interno Bruto (PIB).
A queda do real frente ao dólar está ocorrendo em um momento de forte elevação das importações de petróleo e de derivados, resultado de um aumento explosivo do consumo interno de combustíveis. De 2008 a 2012, o consumo de gasolina cresceu 58%. O Brasil saiu da situação de exportador de gasolina, com receita de US$ 1,8 bilhão em 2007, para a de importador, com gastos de US$ 3 bilhões em 2012. O aumento da frota de veículos, estimulado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), é apontado pelo TCU como uma das razões para essa elevação do consumo de gasolina, que cresce em ritmo maior do que o Produto Interno Bruto (PIB).
Nos últimos anos, aumentou a dependência externa brasileira em relação aos derivados do petróleo. Em 2012, a dependência externa de gasolina ficou próximo de 12% do mercado, a de GLP em 20% e do óleo diesel, 14%. A conclusão do relatório do TCU é que "o setor de abastecimento da Petrobras continuará a ter prejuízos até que haja mudança no cenário atual: demanda crescente por derivados; incapacidade de curto prazo de se ampliar a oferta com aumento da capacidade de refino; importação de derivados a preços mais elevados do que os praticados no mercado interno; ausência de sinalização de mercado que evidencie a necessidade de adequação do consumo, com efeitos diretos no mercado de etanol, que encontra dificuldade em face da baixa competitividade".
O impacto do câmbio sobre o caixa da Petrobras só poderá ser minimizado com um aumento de preços dos combustíveis. Adriano Pires acha muito difícil que isso venha a acontecer. Em primeiro lugar, raciocina o diretor do CBIE, por causa das repercussões dessa decisão sobre a inflação. Depois, por uma questão eleitoral. Se o aumento não ocorrer neste ano, é improvável que ele aconteça em 2014, ano da eleição presidencial. "Se não houver aumento, o acionista da Petrobras é que irá pagar a conta", disse Pires ao Valor.
No mês passado, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, a presidente da Petrobras, Graça Foster, foi questionada sobre o subsídio que a empresa está concedendo aos consumidores brasileiros. O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) perguntou se não seria mais adequado que o Tesouro Nacional bancasse o subsídio, já que ele resultava de decisão de governo. A pergunta ficou sem resposta.
Ribamar Oliveira é repórter especial e escreve às quintas-feiras
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''COM AÇÚCAR E COM AFETO..." (Chico Buarque)
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OMS confirma relação entre açúcar e obesidade e vai divulgar novas medidas
Problema já afeta 43 milhões de crianças de menos de 5 anos pelo mundo; 75% em países em desenvolvimento
''ETA NÓIS'' !!!
Oferta de etanol deve superar expectativas e reduzir preço na bomba
AGROPECUÁRIA, BIOMASSA e BIOFLEX
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Potencial da energia de biomassa é subaproveitado
| Valor Econômico - 06/06/2013 |
Com peso de cerca de 20% na matriz de energia do Brasil, principalmente por conta do etanol que abastece grande parte da frota de carros e caminhões, a cana-de-açúcar poderá aumentar sua importância energética no país. De um lado, a eletricidade vinda dos canaviais poderá ampliar sua presença na geração de energia elétrica em um momento em que há dificuldade para construir hidrelétricas com grandes reservatórios. De outro, o etanol de segunda geração é essencial para que o país possa atender à crescente demanda pelo combustível, que poderá saltar dos atuais 22 bilhões de litros para algo entre 47 ou 68 bilhões em 2020.
Desde a década de 1990, por conta de pressões ambientais, o Brasil, que tem grande parte de seu potencial hídrico na região Norte, tem privilegiado investimentos na construção de usinas hidrelétricas a fio d"água, ou seja, sem grandes reservatórios de armazenagem, ao contrário do que se via nas décadas de 1970 e 1980. "Antes, tínhamos reservatórios que permitiam que pudéssemos guardar água por dois ou três anos. Sem isso, viramos reféns da chuva", afirmou o físico José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), durante o seminário.
Para aumentar a segurança no abastecimento, o governo tem recorrido à geração de gás natural para térmicas e já sinalizou com a contratação de carvão para construir novas usinas nos próximos anos. "A sustentabilidade da matriz elétrica, hoje calcada na geração hidrelétrica, está em xeque, o que evidencia a importância de se investir em biomassa de cana de açúcar para gerar eletricidade", destacou. Hoje o país tem uma matriz baseada em fontes renováveis: quase 50% da matriz de energia brasileira é oriunda de fontes limpas, enquanto no mundo 78% da energia vem de combustíveis fósseis. Diante desse cenário em que a disponibilidade de gás ainda é incerta, avançar com a bioeletricidade poderia manter a matriz brasileira verde e ampliar a segurança no abastecimento, disse o físico.
A potência instalada do setor sucroalcooleiro está estimada em cerca de 5 mil MW, mas há potencial para que ela dobre e chegue a 10,2 mil MW em 2020. Além de ser uma fonte renovável, a energia elétrica vinda dos canaviais tem duas outras vantagens: as plantações e usinas estão localizados no Centro-Sul, próximas dos principais centros consumidores, e existe complementariedade entre essa fonte de energia e a hidrelétrica, já que a safra de cana coincide com o período seco dos reservatórios.
"O Brasil tem 200 milhões de cabeças que pastam em cerca de 200 milhões de hectares, o que dá uma cabeça por hectare. Em São Paulo, com um aumento de apenas 20% nessa densidade, foi possível expandir a geração de energia e o plantio de cana sem pressões ambientais", afirmou Goldemberg.
O etanol celulósico, chamado de segunda geração e cujo processo de produção está baseado em enzimas e no uso de bagaço e palha para produção de combustível, será essencial para que o país possa acompanhar o aumento da demanda. Em 2012, o país registrou um déficit de 4,6 bilhões de litros no etanol hidratado. Esse déficit poderá aumentar quase cinco vezes até o fim da década, diante do consumo em ascensão e de estagnação da produção atual por conta da política de combustíveis do governo, que tem evitado reajustes no preço da gasolina.
"O etanol de segunda geração será essencial para atender à demanda", afirmou Bernardo Gradin, presidente da GranBio.
A empresa está construindo uma planta, em Alagoas, voltada à segunda geração do combustível, com capacidade para 82 milhões de litros e que deverá entrar em operação no primeiro semestre de 2014.
Para o vice-presidente da divisão sucroenergética da Raízen Pedro Mizutani, a tendência é de os custos de produção de combustível de segunda geração possam cair com o aumento de escala ao longo desta década. A empresa investe numa planta para produzir, em 2014, 40 milhões de litros do biocombustível em Piracicaba (SP).
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GRÃOS E CARNES. EXPORTAR É PRECISO
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Grãos e carnes consolidam liderança
| Autor(es): Por Lauro Veiga Filho | Para o Valor, de São Paulo |
| Valor Econômico - 06/06/2013 |
A capacidade de competição demonstrada pelo agronegócio contribuiu para consolidar a liderança do país no mercado global de grãos e carnes. No ano passado, considerando-se o agronegócio e toda sua extensa cadeia de valores, as exportações do setor atingiram US$ 95,814 bilhões, numa variação de 0,89% em relação a 2011, com sua participação avançando de 37,1% para 39,5% nas vendas externas totais do país.
Praticamente 70% das exportações do agronegócio em 2012 tiveram origem nos complexos soja e carnes, sucroalcooleiro e produtos florestais, com destaque para papel, celulose e madeira.
Para este ano, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), segundo sua superintendente Rosimeire Cristina dos Santos, espera um crescimento novamente modesto, diante do cenário internacional ainda conturbado e dos problemas logísticos enfrentados pelo país. "Pode ser que tenhamos um crescimento mais expressivo no segundo semestre, com a normalização dos fluxos de carga no setor", diz.
Os dados acumulados até abril deste ano, segundo o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sugerem que o agronegócio terá que realizar um esforço adicional para manter suas exportações em crescimento. No primeiro quadrimestre, as exportações cresceram 14,3% em valor, alcançando US$ 30,217 bilhões, mas os volumes embarcados cresceram em torno de 28%, com retração de 10,4% nos preços médios, considerando-se os 15 principais grupos da pauta do setor, que representam 96% das exportações.
A contribuição do setor tem sido mais relevante, nos últimos anos, pelos sucessivos saldos positivos na balança comercial. Nos quatro primeiros meses deste ano, o superávit chegou a US$ 24,5 bilhões, crescendo 17,6% em relação ao mesmo período de 2011. Os demais setores da economia amargaram déficit comercial de US$ 30,652 bilhões, num salto de 74,8% frente ao primeiro quadrimestre de 2011. Entre 2001 e 2012, o agronegócio gerou um superávit acumulado de US$ 565,325 bilhões, permitindo ao país um saldo positivo de US$ 325,635 bilhões no período, já que o restante da economia teve déficit de US$ 239,690 bilhões.
Neste ano, pela primeira vez na história, as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) colocam o Brasil à frente dos americanos quando se trata de vender soja em grão ao mundo. As exportações brasileiras estão estimadas em 38,4 milhões de toneladas, ligeiramente acima das projeções da Associação Brasileira de Óleos Vegetais (Abiove), frente à expectativa de vendas na faixa de 36,6 milhões de toneladas a partir dos portos americanos.
Desta forma, o complexo soja deverá consolidar sua liderança na pauta de exportações do agronegócio neste ano. "Temos tudo para bater o recorde (de exportações), embora os preços devam ficar um pouco abaixo de 2012. Mas o ano passado foi o recorde dos recordes", afirma Fábio Trigueirinho, secretário da Abiove.
A indústria do setor espera exportar, no total, perto de US$ 28,294 bilhões, o que seria um avanço de 8,3% em relação aos US$ 26,122 bilhões registrados em 2012, recorde anterior. Pouco mais de 70% das vendas externas do complexo terão como origem os embarques de soja em grão, que deverão crescer de US$ 17,455 bilhões para US$ 19,864 bilhões, num avanço de 13,8%, com salto de 16% em volume, para 38,2 milhões de toneladas, e ligeiro recuo de 1,9% para os preços médios, previstos em US$ 520 por tonelada.
A vigorosa expansão dos volumes exportados pelo setor, no entanto, diz Trigueirinho, tornaram ainda mais evidentes as deficiências do sistema de logística, que concentra 70% do transporte de grãos sobre caminhões. "A situação caótica da logística elevou os custos de frete", diz. Os congestionamentos em rodovias e portos causaram o cancelamento de cargas e atrasos nos embarques, reforça Flávio França Júnior, consultor da Safras&Mercado, que trabalha com projeções até mais otimistas para o complexo soja, com salto de 14% em volume e elevação de 10% nas receitas, para US$ 28,6 bilhões.
Depois de reassumir a liderança mundial no mercado de carne bovina desde outubro de 2012, respondendo por 19% das exportações globais, o país deverá exportar neste ano "a cifra histórica de US$ 6 bilhões", batendo o recorde de 2012, quando as vendas do setor atingiram US$ 5,744 bilhões, prevê Antônio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Como tendência, o volume a ser vendido lá fora pela indústria de carne bovina deverá aumentar 27%, com avanço entre 20% e 25% em receita. "Vários países alteraram o pacote de oferta, num rearranjo de cardápio que privilegiou os cortes de menor valor agregado". Esse fator explica o valor médio mais baixo neste ano.
Com participação de 6,4% na pauta de exportações do agronegócio, abaixo dos 8,5% alcançados no primeiro quadrimestre de 2012, o café tenderá a registrar crescimento na quantidade destinada ao mercado externo, mas não conseguirá repetir a receita de 2012, ano em que foram exportados US$ 6,46 bilhões, considerando-se as vendas de café verde, torrado e solúvel. As exportações em volume, que já haviam crescido 17% no primeiro quadrimestre, tendem a ser acelerar, espera o analista da MB Agro, César de Castro Alves, já que vinham em ritmo muito modesto desde a segunda metade do ano passado, com a decisão do setor de retardar os embarques à espera de preços mais favoráveis lá fora.
Rui Eduardo Saldanha Vargas, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), informa uma queda de quase 9% nas exportações de carne suína no primeiro quadrimestre deste ano, com embarques de 155 mil toneladas. A receita sofreu perda de 5%, para US$ 416 milhões, com avanço de 4,2% nos preços médios.
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